O Reinado da Escuridão
8 Partimos em uma missão possivelmente suicida
Notas iniciais
Depois de toda a confusão causada pelos zumbis, ninguém conseguiu ter uma boa noite de sono. Tive insônia e quando finalmente consegui pegar no sono, tive um dos piores pesadelos de minha vida.
Eu estava em uma clareira na floresta do Acampamento. De repente, Cibelle saiu das sombras e correu ao meu encontro, com os olhos azuis marejados e uma expressão de terror no rosto. Então ela disse algo que deixaria muito confuso no momento:
– Elas estão vindo, Will. Corra.
Eu não entendia a quem ela se referia e o porquê teríamos de correr, então a questionei, mas a resposta dela era sempre a mesma fala que eu não entendia. Então, Khloé, Selene, Violette e Sarah apareceram como zumbis. Elas se moviam bem mais rápido do que eu esperaria de um zumbi, e finalmente entendi porque deveria correr. Saí em disparada com Cibelle em meu encalço, mas elas foram mais ágeis e agarram a minha irmã pelos braços. Ela gritava e tentava se livrar das mãos pútridas das garotas, mas não conseguiu.
– Vá! — ela disse — Serei distração suficiente para elas enquanto você foge e chama Quíron. — seus olhos estavam marejados e percebi que ela já aceitava a morte como um destino certo.
Tentei abrir a boca para protestar contra essa ideia, mas não conseguia. Cibelle ficou no meio de um círculo formado por zumbis. Nesse momento, meus pés começaram a se mover por conta própria na direção contrária à minha irmãzinha, embora eu lutasse com todas as minhas forças para ir salvá-la. Depois de correr alguns metros, consegui ouvir um grito de dor, vindo definitivamente da garota que eu havia deixado para trás. Queria gritar, voltar e ajudá-la ou dar a minha vida pela dela, mas não foi possível. Eu me afastava cada vez mais e com a distância, deixava minha única família morrer por minha causa.
Acordei com minha camiseta grudada no corpo, encharcada pelo meu suor. Virei-me apenas para checar se Cibelle estava bem e tranquilizar a mim mesmo, quando notei que ela não estava em seu saco de dormir e entrei em pânico. Porém, antes que pudesse sair para procurá-la ou qualquer outra coisa do tipo, ela abriu a porta do chalé 11, com extremo cuidado para não acordar ninguém, segurando um edredon. Quando viu minha expressão de medo, ela sussurou:
– O que foi? Não vai me dizer que estava preocupado comigo?
– Eu estava. — confessei — Tive um pesadelo e você estava ele, por isso, quando não te vi aqui, fiquei preocupado. Onde estava?
– Não consegui dormir, por isso fui até a praia observar o mar. Como estava quase dormindo por lá mesmo, voltei.
– Nunca mais faça isso, Belle. Você poderia ter se metido em encrenca.
– Ok, me desculpe. Prometo que não vou mais fazer isso. Não sem você comigo.
Sorri, muito mais tranquilo sabendo que ela dormiria segura ao meu lado. Voltei a fechar os olhos e, dessa vez, não tive sonhos.
Acordei no dia seguinte às cinco e meia da manhã (ou seja, antes do nascer do sol), graças à minha irmã, que parecia extremamente animada. Ainda com muito sono, peguei algumas roupas limpas que encontrei na mochila que ganhara dos zumbis na noite anterior e fui tomar um banho. Me sentindo muito melhor (e mais limpo), juntei me às garotas e fomos todos encontrar Quíron na Casa Grande. Lá, ele me tranquilizou dizendo que já havia contatado o 21º Nomo e nos advertiu para que viajássemos por portais, já que isso encurtaria nosso tempo de trajeto. Nesse momento, meu braço esquerdo começou a arder com uma intensidade que eu nunca tinha sentido antes. Junto com a ardência, senti uma dor imensa, latejante, e então percebi que meu braço começava a brilhar intensamente em um tom de verde. Afastei a manga de meu moletom da parte dolorida de meu braço e descobri que haviam letras negras marcadas em minha pele. Poucos segundos depois, a dor começou a diminuir drasticamente, assim como o brilho e a ardência. Reparei que havia algo escrito no local, e, ao ler, percebi que era uma pista para nosso primeiro destino. As garotas também entenderam o que aquilo significava e pediram para que eu lesse o que estava escrito. Dizia assim:
"O que é, o que é, é quente por dentro e frio por fora, possui muitas cavernas e fica num deserto congelante? Boa sorte!"
– O que diabos é "quente por dentro e frio por fora"? — disse Selene.
– E onde fica esse tal de "deserto congelante"? — falou Khloé.
– Acredito que sei — falou Cibelle. — Estudei sobre o relevo da Antártica, um local desértico pois quase não existe vida, e muito frio, onde as temperaturas chegam a 90 graus negativos. Lá, existe um vulcão extremamente ativo chamado Monte Erebus. Sua encosta é formada por neve, mas ele possui diversas cavernas nos locais onde a neve não resistiu ao calor vulcânico e derreteu. A parte da charada que diz "é quente por dentro" provavelmente refere-se ao magma quente.
Não acreditava que minha irmã sabia tudo isso sobre a Antártica. Eu nem sabia que lá era um deserto!
– Muito bem, então você sugere que nosso destino é a Antártica? — perguntou Violette. Seu rosto mostrava incredulidade.
– Eu afirmo que devemos ir para a Antártica. Esse é o único lugar que se encaixa perfeitamente na charada. A não ser que você conheça algum outro vulcão frio e com cavernas no exterior que fique em um deserto gelado. — disse Cibelle, com um tom calmo na voz. Porém, sua expressão era de desafio e seus olhos tinham um leve brilho aterrorizante. Acho que isso fez com que Violette não respondesse a ela.
Logo depois nos despedimos de Quíron e fomos até a colina Meio-Sangue. Já eram seis da manhã e os primeiros campistas começavam a acordar. Chegando ao topo, olhei para baixo admirando a bela visão que tinha. "Que lindo lugar! Pena que não o verei novamente tão cedo." pensei. Cibelle me acordou de meus devaneios, chamando-me para ajudá-la com o portal que ela estava abrindo.
– Belle, você poderia fazer o favor de ir na frente e mostrar às garotas como se usa um portal? — perguntei.
– Claro! Para usar um portal, é só entrar nele e deixar que a magia faça seu trabalho. Assim. — ao dizer essas palavras, ela deu um passo a frente, sendo sugada por toda aquela areia rodopiante.
– Cibelle! — gritou Khloé. Ela estava entrando em desespero por ter visto minha irmã desaparecer naquele monte de areia desconhecido para ela.
– Calma, ela vai ficar bem. — disse — Isso aí é seguro e ela já andou em um desses diversas vezes. Então, quem gostaria de ser a próxima?
– Por que não vai você primeiro, se é realmente seguro? — perguntou Sarah. Ela me olhava de maneira estranha, acho que ainda não confiava totalmente em mim.
– Sou educado. As damas podem ir primeiro. — repondi a ela, com um sorriso um pouco tímido. Ela corou e, então, entrou no portal.
A próxima foi Selene. Ela entrou sem reclamar ou protestar, ao contrário de Violette, que foi logo após ela. A garota dizia que ela e Khloé poderiam dar um jeito de ir por terra, ar ou mar enquanto quase a empurrávamos para frente, mas no fim, acabou entrando no redemoinho. Khloé foi logo em seguida, quando o portal estava a alguns segundos de fechar. Antes de entrar, ela me chamou e disse:
– Não confiava em você, William, até que hoje você arriscou a vida de sua irmã naquele portal, e é claramente visível que você preza pelo bem estar dela mais que tudo. Ainda tenho algumas dúvidas, mas espero não estar errada em ignorá-las. — em seus olhos havia sinceridade, uma certa rigidez no olhar típica de um líder e um pouco de melancolia. Ela parecia ter muitos anos vividos, apesar da pouca idade. Isso me intrigava muito, mas, antes que pudesse mergulhar em pensamentos, ela pegou minha mão e me puxou com ela para o portal, no instante em que ele se fechava.
Devemos ter ficado naquele turbilhão de areia por aproximadamente 10 segundos. Chegamos do outro lado no instante em que o portal se fechou. Sarah perguntou o porquê da demora e a romana respondeu que estava com medo de entrar, tudo isso enquanto vestia seu casaco e botas para neve, ambos roxos. Fiquei impressionado com a facilidade com que ela mentiu, e isso me deixou ainda mais intrigado para conhecer quem era aquela garota. Resolvi deixar de lado esses pensamentos, pois sabia que teríamos de nos concentrar no desafio.
Mal consegui vestir minhas botas e meu casaco, que eram pretos, quando ouvimos todos uma voz familiar: a de Leo Valdez.
– Olá semideuses. Vejo que vieram cumprir meu desafio. Porém, precisarei de apenas uma pessoa para arriscar a vida: aquele cujo braço se acendeu com a pista. Quem foi que ganhou uma tatuagem com a pista do tio Leo?
– Eu! — respondi um pouco nervoso, mas ao mesmo tempo aliviado, pois se caso alguém morresse, seria eu e não alguma das garotas.
– Ótimo! Seu nome é William, certo? — diz Leo
– Correto, senhor .
– Ah, por favor, não me chamem de senhor, assim me sinto velho — ele dá uma risada breve, que, naquela situação, tornou-se assustadora. Senti os pêlos do meu braço e da minha nuca se arrpiarem ao ouvir aquele som ecoando no vazio da planície em que nos encontrávamos.
Dei um passo a frente e resolvi tomar a iniciativa daquela conversa:
– Valdez, o que acontecerá com as meninas? E qual será meu desafio?
– Muito bem lembrado, quase havia esquecido de lhes avisar: uma das meninas precisa se voluntariar para subir no topo do Monte Erebus, um vulcão muito famoso da Antártica — ele apontou para uma enorme montanha fumegante ao fundo — Qual das damas gostaria de ajudar o corajoso cavalheiro a cumprir sua missão?
Nesse momento, vi Cibelle tentar levantar a mão, mas ela foi impedida por Khloé.
– Eu vou. — disse a menina, com coragem e determinação em sua voz, apesar de um medo visível em seu rosto. — Violette, se algo acontecer comigo, cuide bem do Acampamento. — algumas lágrimas desceram por suas bochechas, e, vendo a tristeza da garota, quis imediatamente interromper esse desafio e mandá-la para casa ou qualquer coisa que fizesse sua tristeza sumir por completo. Leo interrompeu meus pensamentos proferindo a seguinte frase:
– O desafio será o seguinte: William terá de subir até o topo do Monte Erebus, que tem quase 3.800 metros de altura, e descer com Khloé, que estará esperando-o lá em cima e acompanhada por mim, em 12 horas, metade do tempo de um alpinista mortal. Se eles não conseguirem, serão mortos por uma erupção vulcânica. Acho que vai ser muito divertido!
– Divertido?! — gritou Khloé — Nós vamos morrer, isso sim! E não vai ser divertido morrer queimada viva!
– Acalme-se querida. — disse Leo, com um tom de voz extremamente tranquilo para a situação — Você só vai morrer se o seu amiguinho não chegar ao topo antes da erupção ou se vocês não descerem rápido o suficiente. E ainda vai poder passar todo esse tempo ao lado do bonitão aqui!
A garota bufou. Tanto ela quanto eu não conseguíamos acreditar que isso estava realmente acontecendo e que estávamos arriscando nossas vidas por uma profecia idiota.
– Bem… acho que está na hora de começarmos. Boa sorte!
Nesse momento, eu e a pretora fomos transportados para o Monte Erebus. Era como se tudo estivesse se aproximando, mas extremamente rápido, por isso, minha visão do cenário não era das melhores. Cheguei à base do vulcão, e não vi a garota que me acompanhava em lugar nenhum próximo à base ou na encosta. Então, decidi olhar para o topo, e, usando um pouco de magia de Hórus (para enxergar a maiores distâncias), consegui ver duas minúsculas figuras perto da borda da cratera. Uma tinha cabelos cacheados, por volta de seus 15 anos e acenava para mim. Esse deveria ser Leo. A outra, definitivamente era Khloé. Ela estava com os braços cruzados e uma expressão de total desagrado e um pouco de medo, já que sua vida dependia de mim, que estava 3.800 metros abaixo.
De repente, ouvi Leo dizer:
– Seu tempo começa… AGORAAA!
Rapidamente, tentei investigar uma maneira de chegar até a cratera o mais rápido possível. A encosta cheia de neve não ajudava muito, então comecei a circular a base à procura de algo que pudesse me ajudar (quem sabe os tênis de Hermes?). Acabei por descobrir uma pequena caverna que levava a um túnel com uma enorme escada de gelo e neve. Comecei a subi-la cautelosamente, degrau por degrau, mas depois me dei conta de que nunca chegaria ao topo a tempo nessa velocidade, e passei a subir os degraus de três em três. Já tendo andado aproximadamente um terço do trajeto, me deparei com uma encruzilhada. Do caminho da esquerda, vinha a escuridão e nada mais. Do túnel do meio, via uma luminosidade muito parecida com o fogo e o barulho de algum líquido corrente. Do túnel da direita, a claridade do dia. Me arrisquei e escolhi o do meio.
Continuando meu caminho, encontrei uma falha na escada. Era um buraco de, aproximadamente, dez degraus. No fundo, consegui ver lava, que subia rapidamente. Caso eu não conseguisse trazer Khloé logo, o buraco se encheria e impediria nossa passagem. Tentei ignorar esses pensamentos e achar um jeito de seguir em frente. Então, como que por mágica, achei um pequeno conjunto de duas facas, com aproximadamente 30 centrímentos cada, em um nicho da parede. Nesse instante, tive uma ideia louca de como passar por lá. Tirei e guardei minhas luvas, peguei uma faca em cada mão e finquei as duas na parede de neve. Depois, rezando para Anúbis, Hades e qualquer outro deus que pudesse impedir minha morte, tomei impulso e lancei meu corpo para dentro daquele buraco.
Instantaneamente senti o peso de meu corpo puxando-me para baixo, mas consegui me segurar. Descobri que teria de ser rápido, pois minhas mãos estavam congelando. Finquei a faca da direita na parede, não seguindo uma reta, mas uma diagonal. Repeti esse processo até alcançar o outro lado. Cansado pelo esforço, sentei-me em um dos degraus e coloquei minhas luvas, pensando em como estariam Cibelle e as outras, deixadas para trás naquele frio congelante. Novamente, meus pensamentos voltaram-se para Khloé, cercada de lava e assustada, pensando que eu não chegaria a tempo. Isso me trouxe novas forças, então me levantei rapidamente e começei a subir os degraus em um ritmo mais acelerado do que antes. Passadas mais algumas horas vi a luz do sol, o que me acalmou, mas por pouco tempo, pois ouvi Khloé dar um grito de susto.
Corri escada acima e cheguei à saída do túnel: o meio da cratera do Monte Erebus. "Deuses! Como ela vai chegar até aqui?" pensei. Então, Leo nota minha presença e fala:
– Mas vejam quem chegou! Parabéns, metade da missão está completa!
– Will! — gritou Khloé. A garota correu em minha direção por meio de uma plataforma cercada de lava que eu não vira antes e me abraçou, ato que me fez sentir as bochechas quentes. Em seguida, ela me entregou um papel e pediu para que eu o guardasse em segurança.
– É o primeiro pedaço da profecia. — explicou Leo — Se tentar abrí-lo, será apenas um pedaço de papel vazio. Porém, se juntá-lo aos outros pedaços, a profecia aparecerá. Boa sorte na jornada de volta! E lembrem-se, vocês só tem mais quatro horas.
Não acreditei no que acabara de ouvir. Quatro horas? Eu subira 3.800 metros em oito horas? Depois dessa notícia, fiquei muito otimista quanto a nossas chances de sairmos vivos. Corremos escada abaixo logo após essas palavras. Chegamos no buraco da escada e Khloé arregalou os olhos ao perceber a quantidade de lava que já havia subido muito. Expliquei para ela como deveria descer e resolvi demonstrar indo primeiro. Ela ia sempre logo atrás de mim, de modo que, quando cheguei ao solo, ela estava quase me alcançando. Porém, suas mãos suadas começaram a escorregar do cabo da faca e a vi gritar desesperadamente enquanto caía. Graças aos deuses, debrucei-me na borda do enorme buraco e consegui segurá-la.
– Está tudo bem agora, te peguei. — disse, mais tranquilizando a mim mesmo do que a ela, e começando a içá-la.
Rapidamente, para que ela não escorregasse mais uma vez e caísse na lava, mas ainda assim, tomando muito cuidado, puxei-a de volta à terra firme. Logo após o susto, sentimos o chão tremer sobre nossos pés e vimos uma enorme quantidade de lava descendo as escadas. Olhei para ela e percebi que seus olhos estavam preenchidos com terror. Corremos o mais rápido possível, tentando não olhar para trás, já que, cada vez que o fazíamos, sentíamos um medo terrível.
Chegamos na encruzilhada e um sorriso apareceu em meu rosto. Sabia que estávmos perto da saída, por isso corri mais do que nunca. Khloé seguiu-me, deduzindo, por meu ânimo, que estávamos próximos do final do caminho. Porém, minhas esperanças desapareceram quando estávamos quase chegando, e o túnel começou a tremer mais do que antes. Empurrei Khloé para a saída no exato instante em que o túnel desabou sobre a entrada. A neve bloqueava a passagem e cada vez mais lava vinha do lado oposto. Essa foi a primeira vez que acreditei que fosse morrer. O que eu não esperava era que, ao tocar minha pele, a lava não me queimou. Muito pelo contrário, ela produziu um brilho alaranjado como fogo. Nesse momento, onde antes havia a pista em meu braço esquerdo, surgiu um símbolo: um "L" e um martelo atravessando-o. Meu semideus protetor era Leo Valdez, filho de Hefesto.
Acabei por descobrir que, por ser protegido de um filho de Hefesto, poderia controlar o fogo. Então uma ideia me ocorreu: e se eu usasse a lava para derreter a neve que bloqueava minha passagem? Teria de tomar muito cuidado (para não queimar Khloé, caso ela ainda estivesse ali) mas valia a pena tentar. Comecei a me concentrar na lava e apenas nela. Resolvi utilzar-me desse poder para levá-la até a a parede de neve que se formara. Quando ela moveu-se ao meu comando, consegui sentí-la, vagarosamente, escorrer pela escada de neve, como se ela fosse uma extensão de meu corpo. Me concentrei em aumentar sua velocidade, e assim ela o fez. Agora, uma espécie de rio havia se formado, com uma pequena correnteza, que arrastava tudo o que que encontrava pela frente. Não resisti contra o líquido, pois estava me aproximando da parede que, lentamente, transformava-se em uma passagem. Finalmente, consegui ver a luz do sol, assim como Khloé, que estava espantada. Consegui pisar na neve, já fora do túnel e parei a correnteza. Intantaneamente, era como se uma parede tivesse sido erguida e mantivesse a lava contida.
– Como… como… — foi tudo o que ouvi de Khloé.
– Depois te explico. Agora vamos, acho que o "portal" que nos trouxe fica logo ali. — apontei para um lugar onde o ar parecia se curvar. Corremos naquela direção e entramos. Minha visão ficou turva novamente, mas agradeci aos deuses por aquilo existir, pois em pouco tempo estávamos de volta à companhia das garotas.
– Will! Khloé! — ouvi Violette gritar. Ela ia abraçar a amiga, mas parou de repente, olhando para trás. Todos nos viramos para vermos o que era e nos deparamos com o Monte Erebus desmoronando. Assistimos o vulcão desabar em silêncio. Logo após o ocorrido, a fogueira que as garotas fizeram começou a mudar de forma. Letras tremeluziram no fogo, mostrando as seguintes palavras:
"Aqui descansa o corpo de um guerreiro, amigo, pai e o magricela mais gostoso da história."
– Adeus Leo Valdes, filho de Hefesto. — disse Khloé, as lágrimas descendo-lhe pelas bochechas. Cibelle, que viera ao meu encontro assim que eu chegara, me abraçou e começou a chorar. Eu não tive reação, apenas fiquei olhando o vulcão desaparecer perante meus olhos e se tornar o local de descanso de meu protetor.
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