O Reinado da Escuridão
9 A filha da jardineira me tira do sério
Notas iniciais
Assim que Khloé e William saíram, eu, Violette, Selene e Cibelle começamos a fazer uma fogueira com um pacote de carvão que achamos em minha mochila. Aquilo tinha de tudo, parecia a bolsinha da Hermione (mas essa é outra história…). Após acendermos a fogueira, ficamos alguns minutos encarando o fogo, como se aquilo fosse realmente interessante. De repente, Cibelle resolveu conversar.
– Isso aqui é muito chato. Acho que a gente podia conversar um pouco para passar o tempo e se conhecer melhor, já que estamos todas nessa missão...
– Boa ideia! — respondi — Alguém quer começar a se apresentar ou eu posso fazer as honras?
– Se vocês não se importarem, eu gostaria de começar. — ouvi Selene dizer — É que eu nunca fiz nada de realmente interessante na vida, e acho que contá-la depois das aventuras de vocês vai torná-la ainda mais chata e entediante. — ela deu uma risadinha, o que melhorou o clima de tensão entre nós — Bem, meu nome é Selene Asími, como vocês já sabem, e tenho 15 anos. Há 6 anos, meus pais morreram em um acidente de carro. O motorista do outro carro estava bêbado e meu pai estava muito cansado, então ele não conseguiu desviar a tempo… — vi as lágrimas se formarem em seus olhos e fiquei muito triste por ela. Sabia como era perder as pessaos com as quais mais me importava.
– Meus pêsames. — disse Violette
– Tudo bem, já faz tempo. — ela respondeu, claramente mentindo — Eu e meu irmão sobrevivemos e, como ele já era maior de idade, ficou com a casa de meus pais. Morei com ele por 3 anos, até que a Lady Ártemis e a tenente Jennifer me encontraram. Quando me convidaram para juntar-me à Caçada, nem pensei duas vezes. Não é que eu não gostava do meu irmão, é que aquele lugar me fazia lembar dos meus pais, e isso doía muito. Além disso, queria ter uma chance de recomeçar, já que nunca me dei bem com ninguém na escola. Com elas, eu tive a chance de ganhar uma nova vida. Eu ganhei uma nova família, que me entendia.
– Uau. Fico triste por você ter perdido seus pais, mas ao mesmo tempo, feliz por ter achado uma nova família. — disse Violette, visivelmente confusa. — Acho que agora poderia ser minha vez. Por onde eu começo? Ah, sim: meu nome é Violette Parker e tenho 16 anos. Quando eu tinha 12 anos, meu pai morreu de câncer e, desde então estou no Acampamento Júpiter. Nessa época, conheci Khloé, que é quase uma irmã para mim.
– Espera aí. Quer dizer que Kholé está a mais tempo que você no Acampamento Júpiter? — perguntou Selene.
– Sim, ela está a 10 anos no Acampamento.
– E quantos anos ela tem? — perguntei. Não achava que Khloé tivesse mais idade que Violette.
– 13. — a romana respondeu. Nesse instante, eu fiquei de queixo caído. Já sabia que ela era nova, mas 13 anos? Ela era muito nova para ser pretora e estar há 10 anos no Acampamento Júpiter.
– A próxima poderia ser eu. — disse, depois de alguns longos segundos. Entã expliquei a elas sobre a morte de meu pai há 11 anos e os laços que tenho com o Acampamento Meio-Sangue, já que cresci lá. Também falei sobre minha relação com meus irmãos (que me odeiam) e Poseidon (que é um "pai" para mim).
– Nossa. Sua vida é mesmo complicada. — disse Cibelle — Bom, mas agora é minha vez, então vou direto ao assunto. Meu nome é Cibelle Winston e tenho 11 anos, 7 a menos que William. Moro no 21º Nomo, o mais lotado de todos. Quando eu tinha 1 ano, meus pai, que odiavam magia, apesar de serem magos, começaram a perceber que eu e Will éramos necromantes. Fazíamos a alma de nosso falecido cachorrinho de estimação aparecer e outras coisas que não agradavam em nada meus pais. Então, em uma noite chuvosa, eles disseram que iriam nos apresentar a um amigo deles e nos deixaram à porta do 21º Nomo, no Brooklyn, sozinhos.
– Uau. Sinto muito por você e seu irmão. — eu disse. E eu pensando que a minha vida era uma tragédia porque meu pai havia morrido. Como eu estava enganada.
Conversamos durante mais algumas horas, até que a fome falou mais alto e decidimos parar para comer algo. Conseguimos achar algumas frutas desidratadas e barras de cereais, além de água. Comemos em silêncio e depois conversamos durante mais algumas horas sobre assuntos quaisquer. De repente, vimos William e Khloé se aproximando, na velocidade da luz. Deuses, como eles pareciam exaustous! Assim que chegaram, Violette correu para abraçar a amiga tão querida, mas ela parou e fitou o Monte Erebus.
Todos olhamos para ele e nos surpreendemos com a cena que vimos: um vulcão desmoronando. Nesse momento, Khloé e Cibelle começaram a chorar. Eu senti vontade de desabar em prantos, mas as lágrimas não vinham. Eu apenas sentia uma queimação na garganta, característica de quem chora muito. O pior de tudo era não conseguir extravasar meus sentimentos. Por for a, eu parecia chateada, mas por dentro, uma parte de mim morria conforme o vulcão ruía. Leo Valdez era um dos meus semideuses favoritos, e agora eu o via ser soterrado. Era como se eu visse Quíron morrer a flechadas: ao mesmo tempo triste e irônico, pois ele morria lentamente, e pelo que ele sabia controlar melhor.
Resolvi parar de me torturar e me virei para fitar o fogo, onde encontrei a seguinte mensagem, escrita por Valdez:
"Aqui descansa o corpo de um guerreiro, amigo, pai e o magricela mais gostoso da história."
Enquanto lia as últimas palavras de um grande campista, ouvi Khloé dizer alguma coisa, mas que não entendi e nem me dei ao trabalho de tentar entender. Depois, só me lembro de alguns borrões confusos em minha mente. Lembro-me de sentir uma dor excruciante e de passar por um turbilhão de areia. Depois disso, não faço ideia do que aconteceu, pois o cansaço e a tristeza me venceram, fazendo-me cair no sono.
No dia seguinte, acordei dentro de um saco de dormir posto ao ar livre. Ao me lado encontrava-se Cibelle, preparando o que imaginei ser o café da manhã. Enquanto isso, Will, Khloé, Selene e Violette dobravam alguns sacos de dormir e colocavam-nos nas mochilas. Ao fundo, consegui ver o nascer do sol na cidade de Machu Picchu, ocupada por dezenas de turistas que, assim como eu, admiravam a cultura inca.
– O quê… como… onde? — foi tudo o que consegui pronunciar. Estava completamente em choque, já que eu acampava na Cordilheira dos Andes, ao lado da cidade antiga mais famosa das Américas!
– Qual a última coisa de que você se lembra? — perguntou Cibelle. Ela tinha um peuqeno sorriso nos lábios, o que deixava extremamente fofa e diferente da garota durona que ela demonstrara ser nos últimos dois dias.
– Eu me lembro das letras no fogo e uam do insuportável no braço esquerdo. Qualquer coisa depois disso é um borrão na minha mente.
– Depois que Leo Valdez deixou sua mensagem nas chamas, — começou Selene — o seu braço começou a brilhar com a pista de Annabeth. Olhe você mesma, se quiser.
Olhei para meu braço e lá estava uma tatuagem com os seguintes dizeres:
"Se alma da coruja quiseres encontrar, nas alturas deves procurar. A profecia se esconde nos territórios intocados pelos colonos, na cidade do plantio em morros. Até breve, jovens semdeuses e que a sabedoria siga com vocês."
– Acontece que, quando a pista começou a aparecer, você começou a perder a consciência. — explicou Violette — Então, não se lembra de nada do que aconteceu depois disso.
– Até que faz sentido. Porém, isso não explica o porquê de estarmos em Machu Picchu.
– Não é óbvio? A alma da coruja é a alma de Annabeth, filha de Atena, a deusa cujo símbolo é esse animal. Ela nos disse que devíamos procurá-la nas alturas, e o único lugar onde podemos estar nas alturas e ainda pisar em terra é em uma montanha. De acordo com Annabeth, a profecia está em um lugar onde os colonos, ou seja, os europeus de 1500, nunca chegaram e aonde a agricultura era praticada em morros. O único lugar que se encaixa perfeitamente na descrição é Machu Picchu, a Cidade Perdida dos incas. Achei que filhos de Atena fossem inteligentes…
Essas palavras foram suficientes para me tirar do sério. Quem aquela filha da "jardineira do Olimpo" pensava que era?
– Escuta aqui, florzinha, não é porque você é a pretora do Acampamento Júpiter que você vai me intimidar. Eu exijo um pedido de desculpas da sua parte antes que eu destrua essa seu nariz enorme como seu ego.
– Olha quem fala! A "sabe-tudo" que é tão melhor que os irmãos que não pode andar com eles! E que poderia assumir o lugar de uma das Gógonas, de tão feia que é.
Eu já estava ficando cheia dessa romana idiota. Encarei-a, emanando raiva pelos poros. Ela deu passo à frente e ia me dizer mais alguns de seus insultos ridículos quando eu parei de agir por conta própria. Algo havia me dominado por dentro, quase como se eu tivesse um monstro dentro de mim. Minha visão ficou um pouco embaçada e parecia que alguém havia colocado o mundo em cores negativas. Um sentimento de vingança quase selvagem surgiu em mim e passou a dominar-me por inteiro.
Como já havia perdido a consciência de meus atos, pulei em cima de Khloé e comecei a socá-la. Cada vez que eu levantava meu punho, a raiva aumentava. De repente, os olhos de Khloé se tornaram negros como piche. Ela agarrou meu punho fechado no ar e virou meu braço em uma fração de sengundos, fazendo com que eu socasse a mim mesma. Me curvei com a dor e ela aproveitou a chance para inverter nossas posições. Tentei impedi-la, o que nos fez sair rolando para a borda do penhasco, que nos esperava em sua imensidão. Nesse momento, senti alguém me puxar pelos ombros e vi Khloé sendo arrastada por Violette, que tinha de lutar contra uma garota muito forte que se debatia. Eu não lutei ou tentei me libertar, pois estava muito surpresa para tomar qualquer atitude.
Fui jogada no chão e vi William logo acima de mim. Ele formava uma barreira de músculos que me impedia de chegar até meu alvo principal. Percebi que ele movia os lábios, mas não entendia nenhuma das palavras que ele dizia. Tentei me concentrar em sua voz e, aos poucos, comecei a ouvir o que ele tentava me falar.
– Sarah, você consegue se lembrar de mim? — seu tom era de cautela — Sou eu, William. Tudo bem com você?
–Tudo. — eu respondi — Só estou com uma terrível dor de cabeça. O que... exatamente aconteceu comigo? Fui possuída ou algo do tipo?
– Acho que alguma coisa conseguiu entrar em sua mente. — explicou Selene — Essa coisa deve ter dominado seus instintos e se aproveitou da discussão que você tivera com Khloé para potencializar sua raiva e transformá-la em uma espécie de máquina de matar cujo alvo era a romana.
– Uau. Bom, quem quer que tenha feito isso controlou Khloé também. Os olhos dela estavam negros e ela…
– Eu não era a única com os olhos negros. — falou Khloé, que vinha em nossa direção — Você também estava bem estranha, e eu não estou falando isso para te insultar. Você parecia mais forte e mortífera. Agora, eu tenho uma pergunta para a Violette e o Will: por que vocês não fizeram nada antes de a gente quase se jogar dos Andes?
– Estávamos paralizados de terror. — disse Violette — Acho que o susto de quase perder vocês duas deve ter liberado adrenalina suficiente para que nós pudéssemos fazer algo a respeito.
– Mas o importante é que todos estão bem! — disse Cibelle, abrindo um grande sorriso — Já que o susto já passou, vocês se importam de irmos até Machu Picchu para encontrar o próximo fantasma?
Com isso, pegamos nossas mochilas e fomos até a cidade perdida.
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