O Reinado da Escuridão

10 Bônus de Natal: Desastre natalino


Notas iniciais
Oi! Eu sei que não posto há muito tempo e que vocês devem querer me matar por isso, mas, para tirar um pouco do atraso eu trouxe um bônus de Natal. Esse aqui ficou curtinho, mas é melhor que nada. Rs! Bem, espero que gostem, porque eu achei muito divertido escrevê-lo pensando em vocês. Mudando de assunto, queria saber o que estão achando da fic, qualquer crítica ou sugestão que tenham a fazer, qual o personagem favorito de vocês até agora e o que mais quiserem comentar de feedback para eu poder me basear e encaminhar o rumo da história para o que vocês gostarem mais. Beijos e boas festas a todos! PS: O próximo capítulo já está quase pronto! Alguém aqui gosta de card games?...

P.O.V: Cibelle

– Não, não, não! — eu repetia a mim mesma enquanto corria para a segurança do meu quarto. Bati a porta e me joguei em minha cama, afudando o rosto nas almofadas que ali estavam. Eu chorava descontroladamente, soluçando e me perguntando como ou porquê eu havia feito isso. Não conseguia me conformar que acabara de matar meu irmão na véspera de Natal.

Tudo começara em uma briga idiota, por um motivo que me parecia ridículo agora: um monstro pequeno estava andando pacificamente pelas ruas de Brooklyn e eu queria caçá-lo. Will me repreendera dizendo que era noite de Natal, deveríamos dar-lhe uma chance, afinal, ele não havia machucado ninguém. E já estava muito escuro para sairmos à sua procura, especialmente uma garota tão nova quanto eu.

Me zanguei, pois já devia ser a vigésima vez que ele me impedia de fazer alguma coisa, e retruquei que a alguém poderia morrer e a culpa seria dele, pois acreditava que monstro bom era monstro morto (filosofia que hoje posso lhes assegurar que está completamente errada). Ele calmamente ignorava cada argumento infantil que eu usava, até que o provoquei falando que ele estava sendo igualzinho aos nossos pais, deixando pessoas inocentes para morrer enquanto ficava sentado e não fazia absolutamente nada. Isso foi a gota d'água.

– Se eu fosse como eles, eu teria dito pra você ir lá. Eu não teria arriscado minha vida tantas vezes enquanto tentava salvar a sua! Eu teria te deixado sozinha na noite em que nossos pais nos abandonaram! — ele respondeu, as lágrimas marejando seus olhos verdes.

Eu era muito irritável naquela época, por isso me senti na obrigação de contrariá-lo, assim começamos a brigar. Até que, a uma certa hora, os ânimos começaram a esquentar e eu acabei por, instintivamente, usar magia contra Will. Minha raiva era tanta que joguei-o na parede e ele bateu a cabeça. Um dos quadros que retratava os Kane (Carter, Sadie e o tio e mentor de ambos, Amós) caiu em cima do meu irmão e fez um pequeno corte, do qual começou a sair um pouco de sangue. William não mais se mexia e sua respiração estava muito lenta para que eu a percebesse.

Aquela visão fez com que, por alguns minutos, eu me odiasse profundamente. Saí empurrando todos que se aglomeravam para ver o incidente e corri para meu quarto aos prantos. Por mais que as brigas com meu irmão fossem frequentes e eu dissesse que não aguentava mais tê-lo por perto, Will era minha única família. Eu amava-o profundamente e necessitava dele por perto para me apoiar e me tranquilizar quando tudo estivesse dando errado. Sem ele, eu estava confusa e perdida, sem saber o que fazer.

Chorei até a dor que eu sentia aliviar um pouco e eu conseguir pensar com uma certa clareza. Achei que todos no 21º Nomo deviam estar me odiando, por isso resolvi que o melhor seria fugir. Qualquer lugar seria melhor que lá. Assim, peguei minha mochila, nela apenas algumas roupas limpas, um pouco de dinheiro e minha kopesh.

Decidi que, por mais que minha partida fosse desejada, deveria escrever uma carta para me despedir apropriadamente. Escrevi nela tudo o que pensava a respeito daquelas maravilhosas pessoas que me deram um lar quando eu mais precisava de um e que haviam sido minha segunda família. Agradeci a eles por todos os anos de convivência e falei também que me lembraria de todos com muito carinho, mas que não poderia permanecer mais lá, pois o que fizera era algo imperdoável. Faltando algumas poucas linhas para acabar a carta, adormeci em minha escrivaninha, vencida pelo cansaço.

De repente, ouço uma voz muito familiar:

–Belle, Belle, acorda. Você vai perder a ceia e o amigo secreto. Você não estava louca para ver quem te tirou e o que você ia ganhar?

Abri os olhos e vi William sorrindo para mim, com cara de bobo e à beira das lágrimas. Ele segurava a carta que eu escrevera e, provavelmente, a tinha lido. No mesmo instante em que vi seu sorriso de idiota, desabei em lágrimas e o abracei como nunca tinha feito. Ele retribuiu o abraço, silencioso, deixando que nosso choro falasse por nós.

Após algum tempo, eu finalmente o soltei.

– Então você achou que tinha me matado, é? Não vai conseguir se livrar de mim assim tão fácil! — nós rimos e eu deixei que aquela risada levasse todos os meus temores e preocupações embora. Will estava ali, do meu lado e era véspera de Natal, não tinha com o que me preocupar. Ele sorriu, como que para me tranquilizar, e só então percebi como ele tinha esse poder calmante sobre mim. Retribuí o sorriso e já íamos sair do meu quarto quando Anúbis surgiu na porta, usando um avental de rena e luvas de cozinha vermelhas e verdes.

– Ei, vocês dois, estão quase perdendo a ceia. Se não forem agora, não vão comer mais.

Eu e meu irmão nos entreolhamos e saímos correndo pelo corredor em direção à sala de jantar, deixando um Anúbis irritado para trás. A partir desse dia, ficamos muito mais unidos e paramos de discutir tanto.

Resolvi contar aqui essa quase desastrosa noite de Natal para que todos sempre se lembrem que nada pode substituir aqueles que você ama. Gostaria que, neste Natal, vocês lhes dissessem o quão importante eles são para vocês, já que, talvez um dia, isto não seja mais possível.

Um Feliz Natal,

Cibelle Winston