O Reinado da Escuridão

7 Bônus: Minha culpa!


Notas iniciais
P.O.V: Sarah

A noite estava fria, iluminada apenas pela luz da lua. Eu, com 3 anos, me encontrava com meu pai, jogando xadrez próxima à lareira. Ríamos, pois ele me contara alguma de suas piadas idiotas relacionadas ao tema. Movi minha rainha de maneira que ela ameaçasse seu rei e o prendesse em seu roque.

– Xeque-mate. — disse, abrindo um sorriso de deboche, pois essa era a terceira partida seguida em que eu ganhava em menos de 5 minutos.

– Ah... como você consegue? — ele me pergunta, olhando inconformado para o tabuleiro.

Naquela época, eu fazia um curso de xadrez na escola e ia muito bem, tanto que estava mais avançada que as outras crianças (fazia xadrez com as crianças de 7 anos). E, somando isso às horríveis habilidades do meu pai no xadrez, que nem sabia mover as peças na direção certa, minha vitória era certa.

– Agora está na hora de dormir, pequena enxandrista. — assim que disse isso, fiz bico. Era hiperativa e não estava com sono, por isso queria brincar, não dormir. Mesmo assim, comecei a me dirigir às escadas. Estava no terceiro degrau quando ouvimos alguém batendo muito forte na porta, como se tentasse arrombá-la. Meu pai desembainhou a adaga que sempre andava com ele e a deu para mim. Ele já havia me ensinado a lutar, por isso fiquei esperando o inimigo. Depois disso, ele desembainhou a espada em cima da lareira, revelando uma espada inteira de bronze celestial.

Finalmente, as batidas cessaram. No segundo seguinte, algo se jogou contra a porta, arrebentando-a. Aproximadamente 5 monstros entraram, um de cada vez, pela grande abertura onde, um dia, houvera uma porta de carvalho. Mais criaturas chegavam, e meu pai, desesperado ao ver a primeira delas, mandou que eu me escondesse na cozinha. Ele lutava bravamente, mas estava em menor número. De repente, desobedeci meu pai e apareci na porta do cômodo, a pequena arma empunhada. Aproveitando a situação e tendo a vantagem de que, por algum motivo, os monstros não davam atenção a mim, meu pai disse, com uma expressão determinada no rosto e lágrimas nos olhos:

– Filha, lembra da nossa arma secreta, no armário embaixo,da pia?

– Sim papai, mas é muito perigosa!

– Depois de jogá-la na lareira, você corre. Entendeu? — balancei a cabeça confirmando que sim. — Mais uma coisa: papai te ama — achei que essas fossem as últimas palavras dele, mas o destino reservara algo muito pior.

Saí correndo e peguei o fogo grego no armário da cozinha. Fui até a porta dos dois cômodos e joguei o pote na lareira, que mudou a cor de suas chamas do vermelho habitual para verde brilhante. Corri para a porta dos fundos, localizada na cozinha, enquanto o fogo queimava tudo o que estava em seu caminho. Saí de casa bem a tempo de ver meu pai sair todo ensanguentado, mas vivo, enquanto a casa explodia com tudo o que havia dentro.

Assim que escapou da explosão, meu pai, que tinha um ferimento muito grave na barriga, caiu de joelhos na areia macia das praias californianas. Fui até ele, chorando. Ele olhou em meus olhos e falou:

– Minha pequena, agora você não está mais segura. Fuja para bem longe daqui e procure o tio George. Ele vai te manter em segurança. — nesse momento, sua respiração começou a falhar. Percebi que ele não estava bem. — Tudo vai ficar bem. Agora vá! — isso foi tudo o que ouvi antes de correr para longe de meu pai, minha única família.

Estava a alguns metros dele quando ouvi um ruído surdo. Ele caíra na areia, já sem vida. De algum modo, sabia que ele estava morto. Que não estaria tudo bem. Que ele se fora. Chorei enquanto ia em direção à casa de George, um dos melhores amigos de meu pai e meu sátiro protetor. Algumas semanas mais tarde, ele morreria para que eu atravessasse as barreiras mágicas do Acampamento Meio-Sangue. Nesse momento, perderia todos que importavam de alguma forma. E minha mãe, Atena, estaria no Olimpo, assistindo a tudo sem fazer absolutamente nada, ignorando todas as minhas preces à ela.

Notas finais
Dedico este capítulo bônus a todos os que comentaram minha fic: CajaPêra, ClaireSnow, InkHeart, Perseu, SattyMatsuii. Vocês me incentivaram muito, obrigada!