O Rei nem tão Destruído

1 Capítulo 1: Fuga da Ruína


— Corre! Corre! Ele está se aproximando! – Gritava a garota ofegante, sinalizando desesperada para o garoto que estava logo atrás dela, ferido.

— Não dá! Não consigo mais correr! Vá sem mim, se salve garota!

— Não posso te deixar aqui!

— Por que não?

— Porque você me deve um favor, esqueceu?!

Por um momento, os dois jovens esboçaram um sorriso, que deu espaço a uma sequência de gritos. Além desses, haviam estrondos ensurdecedores que pareciam se aproximar cada vez mais. A garota correu até o garoto, passou o braço dele pelo seu pescoço e fez força para levantá-lo, deixando-o de pé.

— Vamos logo!

O rapaz mancava e a garota dava seu máximo para conseguir carrega-lo. Ele sentia isso e também se esforçava. Por um momento, Sarah pensou em deixar para trás sua mochila, mas isso a fez pensar em deixar o garoto para trás e então logo abandonou a ideia. O barulho estava ficando mais alto e mais alto. Os jovens suavam frio; o garoto sangrava pela testa; a garota tinha a respiração tão acelerada que abafaria os estrondos, se eles não fossem tão apavorantemente elevados. O desespero e a necessidade de viver os guiavam pela floresta morta, que devido a escuridão da noite tinha sua malignidade reforçada. Por sorte o chão estava apenas recoberto por folhas caídas e os jovens não precisavam se preocupar em tropeçar nas raízes ou pedras.

Depois de andarem por quase um quilometro, o barulho pareceu se esvair completamente. Os garotos chegaram se esforçaram mais um pouco; as pernas já bambeavam, e entraram em uma clareira. Finalmente naquela noite, a Lua dava sinal de existência, iluminando o gramado. O céu estrelado proporcionava uma visão que contradizia com a situação em que eles estavam. Já quase sem forças, foram desacelerando até o ponto de pararem. Olharam para a orla da clareira, respiraram e desabaram na relva.

— Será que já for... – O garoto tentou dizer.

— Shhhhhh! – Interrompeu-o a garota, lhe tapando a boca com a mão. – Fique quieto! – Concluiu sussurrando.

Mesmo em silêncio, o murmúrio do cansaço era audível pelas fortes batidas dos corações acelerados e a respiração arrastada. Os dois perceberam isso e se entreolharam. Sarah fechou sua expressão como se a culpa do barulho fosse do garoto. Sem poder falar, restou a eles a tarefa de enxugar a quantidade abundante de suor que lhes escorriam à face.

Depois de um vasto intervalo de tempo imóveis e mudos, preocupados apenas em garantir que a orla da floresta estava sendo bem vigiada, Sarah se põe de pé, expelindo a grama de suas calças com tapinhas e apanhando sua mochila.

— Vamos. – Disse rispidamente.

— Vamos? Para onde? Você sabe como sair da ilha?

— Não vamos sair da ilha! – Sarah se virou para o garoto e sua expressão facial refletia o quão banal parecia aquela pergunta feita pelo garoto, até que ela se lembrou que ele não sabe de nada.

— Você está louca? Se demorarmos aqui eles vão me capturar de novo e desta vez vão levar você também.

— Não, não vão. Estou segura por aqui.

— Por que estávamos fugindo então?

— Eu disse que EU – Com muita ênfase – estou segura aqui. Mas agora estou com você e a história é outra.

— Que diferença faz você estar comigo ou não? – Brian pareceu acordar de um transe.

— Aliás, quem é você? O que está fazendo aqui? Por que me libertou?

— Eles não querem a mim, querem você.– Por quê? Ah, e você não respondeu às outras perguntas!

Sarah bufou, impaciente com a ignorância do garoto.

— Você é o herdeiro do Rei Destruído.