O Rei nem tão Destruído

2 Capítulo 2: A Explicação


O garoto ficou por muito tempo encarando a garota, sem entender absolutamente nada. Deu alguns tapas no ouvido como se estivesse desentupindo-os.

– Desculpe? Acho que ouvi mal. Não entendi o que você disse...

– E olha que você nem é loiro, hein? – Disse erguendo uma das sobrancelhas.

– Engraçadinha – Semicerrou os olhos enquanto falava. – Espera! Eu não sei seu nome...

– Como assim você não sabe meu nome?

– Por que eu deveria saber? Nunca te vi.

– Ah é, tem isso. Esqueci que só eu seu o seu nome.

– Você sabe o meu nome? Há! – Exclamou ele, caçoando em alto tom. – Essa eu quero ver.

– Prazer Brian, meu nome é Sarah. – Concluiu estendendo a mão para o rapaz.

– Isso é sinistro. Pode continuar...

– Continuar o quê?

– E olha que você nem é loira... não, pera. É sim! – Riu alto.

– Há-há-há, engraçadão! – Foi a vez de Sarah semicerrar os olhos, mas rapidamente se rendeu e começou a sorrir.

Em algum momento, Brian pegou-se admirando exageradamente o sorriso da garota. Os dois estavam sentados na relva, um a frente do outro. A Lua brilhava muito fortemente, e esse fato só serviu para aumentar o constrangimento quando ela percebeu, vide que as expressões faciais eram nitidamente reveladas. Ambos disfarçaram os olhares. Sarah limpou a garganta e começou a falar.

– Vou tentar ser extremamente clara. – Ele assentiu. – Há muito tempo, esta ilha não era assim. A Ilha das Sombras era como qualquer outro reino, como Demacia e Noxux. O rei, sua família, e o resto dos habitantes viviam normalmente. Mas, “aquilo” mudou tudo.

– Como assim, “aquilo”? “Aquilo” o quê?

– Shhhh – colocou a mão direita para tapar a boca do garoto e tirou o cabelo dos olhos com a mão esquerda – não me interrompa.

– Legal, fala logo! Quando amanhecer eu não quero mais estar aqui.
Ignorando o comentário dele, ela prosseguiu.

– A posição social que o rei tinha causava muita inveja em algumas pessoas. Ele era o rei mais adorado de toda Runeterra. As festas que ele costumava dar para o povo da ilha transcendia os limites do lugar e isso fazia com que muitas pessoas viessem de outros arquipélagos só para participarem destas festas. Sua fortuna ultrapassava qualquer outra já obtida, exceto talvez pela de Shurima, mas não vem ao caso... ESPERA! VOCÊ ESTÁ SANGRANDO! – Gritou desesperada, colocando a mão na testa do garoto e sentiu o sangue. – Ah meu Deus!

– Calma garota! É só um pouco de sangue!

– UM POUCO? SE VOCÊ FOSSE UMA PISCINA JÁ ESTARIA VAZIA! – A copa das árvores na orla da clareira se agitaram e vários corvos saíram gorjeando.

– Por que está preocupada comigo?

Sarah corou, imediatamente tirando a mão da testa de Brian e recuando e dando as costas.

– Não estou preocupada com você, só preciso de você vivo para...

Ela foi interrompida pelo barulho de um galho se partindo, dez vezes mais amplificado. Os segundos se arrastavam, os corvos já haviam cessado e os únicos sons que permaneciam eram os típicos da noite, como grilos e coiotes. Os garotos já estavam prontos para relaxarem – e respirarem – novamente quando ouviram o som de trotes de cavalo que eles conheciam bem e pareciam se aproximar rápido demais.