Notas iniciais
Um pouco mais sobre a figura complexa de Eichen.

A Vila dos Farrapos era um lugar movimentado, sobretudo por dividir a Estrada da Aliança, principal via de acesso entre o Norte e o Sul. Porém, estava ainda mais agitada desde que Gabriel Eichen ordenou a reconstrução completa do lugar e, aos mortos, garantiu que fossem enterrados de maneira digna. Seja pela forma como se ajoelhou diante dos familiares enlutados e, apoiando-se com sua espada no chão, lhes pediu perdão ou até mesmo quando pagou do próprio bolso para que todos pudessem beber juntos na taverna – exceto Materazzo e alguns que, como ele, não queriam se misturar com os calendrinos –, acabou por conquistar o respeito dos moradores que tinham se esquecido dos temores acerca do famigerado Rei Negro e, agora, o tinham como um bom rei.

-Eu insisto que o senhor não deveria pagar. – teimou Heitor, inconformado enquanto servia um grande copo com hidromel.

-E eu insisto que vou pagar por tudo o que meus homens e eu consumirmos, Heitor. – retrucou Eichen, arqueando a sobrancelha e erguendo o copo num brinde solitário antes de beber quatro goles caprichados – Não viemos aqui lhes fazer um favor, mas reparar a estupidez de um dos meus capitães.

-Ahn, por falar nisso, eu… fiquei curioso a respeito de um detalhe. Se é que posso perguntar, é claro. – disse o taverneiro receoso.

-Vamos, pergunte. – permitiu o encarando, assim que terminou outros três goles.

Enquanto tornava a encher o copo, Heitor, sentindo-se cada vez mais à vontade, se entusiasmou em indagar:

-É sabido que em Calendria, o posto militar mais alto é o de comandante. Mas a gente ouve, até com certa frequência, seus homens o chamando de general. Por quê?

-Ah, isso… — começou Eichen, tamborilando os grandes dedos sobre a madeira do balcão – Nos tempos da dinastia Ulrich, que reinava soberanamente em Emberlyn, o comandante era o próprio rei, pois todos os que se sentavam no trono eram, antes de mais nada, guerreiros. Abaixo dele, havia um general e um número variável de capitães.

-Mas o senhor agora é um rei. – estranhou o outro.

-É o que dizem, não é?! – proferiu sem dar muita importância, mas, ainda assim, fitando Heitor nos olhos de um jeito que este julgou indecifrável – Só me sentei naquele trono para evitar que outro miserável o ocupasse.

Heitor sentiu uma carga muito pesada de ódio em cada sílaba dita pelo homem de armadura negra, que não tinha problemas em encará-lo na maior parte do tempo. Era como se fosse natural para ele desafiar qualquer um e não se esconder, nem mesmo se tratando de um simples olhar. Alguém que, com certeza, estava bem acostumado a lutar desde muito tempo.

-Bom, se me permite dizer, para alguém que não tem apreço pelo poder, o senhor o exerce muito bem. Essa é uma vila pequena e insignificante do ponto de vista político, mas alguém como o senhor sempre será bem-vindo aqui.

-Essa vila e as pessoas que vivem aqui são completamente diferentes do povo que mora na capital, Heitor. Some isso ao lugar tranquilo e sem aquele fedor infernal, estou no paraíso. Tanto, que tenho a impressão de ter visto um anjo à espreita. – e olhou de esguelha para um canto à direita, onde uma pequena Heler aparecia com metade do rostinho e a outra metade escondida atrás do balcão, o observando.

-Filha, o que está fazendo aí? Vamos, cumprimente o senhor Eichen.

A garotinha deixou seu “esconderijo” e se aproximou do grande homem de armadura negra sentado em um dos bancos do balcão. Além dos cabelos pretos que tocavam os ombros largos, da pele banhada de sol, do nariz torto e da barba por fazer, o que definitivamente chamava a atenção da pequena eram aqueles olhos verdes, como se refletissem a natureza em torno da vila.

-Oi, senhor Eichen. – cumprimentou gesticulando com a mãozinha.

-Como está, pequena guerreira?

-Hum… — Heler franziu o cenho, confusa.

-Você disse que protegeria seu pai. – explicou o homem, inclinando-se um pouco para tentar diminuir a diferença gritante de altura entre ambos – É preciso ser um guerreiro, quando se quer proteger alguém.

-Então eu sou uma grande guerreira! – disse decidida – Porque preciso proteger meu pai e meu irmão até a mamãe voltar.

Heitor disfarçou um olhar triste ao se concentrar em limpar alguns copos.

-Onde eu estava com a cabeça? Você é mesmo uma grande guerreira. – encorajou o homem, tocando a testa de Heler com o dedo indicador.

A pequena sorriu cheia de orgulho, enquanto Eichen voltava a beber e a fitar o taverneiro. Enquanto isso, as inúmeras pessoas na taverna conversavam, brindavam, cantarolavam e gritavam, erguendo os copos para o alto, a mistura perfeita do verdadeiro estardalhaço.

-Sua esposa está viajando? – perscrutou sem delongas.

-Ah, bom… — começou Heitor, pensando bem no que responderia – Está sim.

-Época ruim para isso. O que ela faz?

-Lara é mercadora. – o taverneiro percebeu que suas mãos estavam suando e apertou mais forte o pano.

-Não, papai, a mamãe é arqueóloga. – corrigiu uma inocente Heler.

Heitor engasgou e passou a tossir bastante, dando pancadas moderadas no próprio peito. Sentiu uma gota caindo no dorso da mão direita, um sinal claro de que sua testa estava muito suada. Quando, porém, se arriscou a olhar para o homem mais próximo em seu balcão, notou que ele já o encarava fixamente e, para pior, tinha na face uma expressão tão séria que chegava a lhe causar calafrios.

-Por que mentiu, Heitor? – questionou com severidade.

-E-eu… eu… e-u não queria, senhor… me desculpe, por favor. Eu realmente…

Heler engoliu em seco, olhando para ambos sem entender o que estava acontecendo.

-Arqueologia era proibida por lei no antigo reinado dos Valthor. Deve estar ciente de que eu desfiz esse absurdo, afinal, se os jornais chegam em Nova Emberlyn, também passam por aqui.

O outro apenas assentiu com a cabeça, ainda o olhando temeroso.

-E então?

-Eu… apenas queria proteger minha família… eu não…

-Protegê-los de mim? – cortou Eichen após terminar a bebida, colocar bruscamente o copo sobre o balcão e tapá-lo com a mão – Faz uma semana que estamos aqui, Heitor. E como eu disse, não se trata de um favor. Ainda assim, você me vê como um inimigo.

-Não, senhor! Mas é claro que não, eu apenas…

-Fale baixo! – ordenou com firmeza, lançando um rápido olhar analítico sobre os homens que, aparentemente, sequer se importavam com aquela conversa – Lara Hallas, sua esposa, partiu na viagem mais perigosa do mundo, junto ao capitão Artgas. – ele estreitou os olhos, ainda observando o assustado homem – Cruzando a Linha da Morte, Lara espera obter respostas para as suas inúmeras perguntas… todas acerca do grande mal que ameaça esse mundo, a Escuridão do Sul.

A algazarra na taverna parecia não ter fim, pois agora, os homens tinham juntado várias mesas para transformá-las em pista de dança.

-Há uma razão para que, durante toda essa semana em que convivemos, você não tenha me revelado algo tão importante. – suas palavras, embora ditas em voz moderada, saíam em claro tom de reprovação – A verdade, Heitor, é que no fundo acredita nos rumores que meus inimigos lançam a meu respeito. Seu coração está preso ao medo, acorrentado ao temor de que seja verdade a história sobre eu ter a intenção de derrubar o Escudo do Mundo. Isso, por sua vez, só poderia significar uma coisa, não é?! De que eu, tal como Magaroth Ulrich, o último rei de Emberlyn, estou conspirando com a Escuridão do Sul.

Heitor fechou os punhos e ficou cabisbaixo, sentindo-se encurralado.

-Olhe para mim! – deu a ordem friamente e, embora relutante, o outro obedeceu – Você está certo, Heitor. Não só quero, como vou derrubar o Escudo do Mundo. E quando isso acontecer, muitas pessoas vão morrer e muitas terão um destino ainda pior do que a morte.

-O senhor não pode! – protestou o pai aterrorizado, enquanto a filha encarava Eichen e, para uma criança, estava particularmente centrada – Isso é terrível! Por quê?

-Sabe, você me lembra muito aquele velho. Sempre seguindo pelo caminho mais fácil e seguro, achando que está fazendo a coisa certa, só que nesse mundo, o certo e o fácil destoam. Quer uma prova? Se tivesse me falado sobre a expedição de Lara nos primeiros dias, eu poderia ter interferido e ela estaria aqui, com Heler nos braços. Mas seu medo e desconfiança o silenciaram e, graças a isso, só descobri a verdade hoje, ao amanhecer.

O taverneiro estava perplexo, olhando para o Rei Negro com notório pavor.

-Do… do que está falando?

-O navio do capitão Artgas naufragou. Não houve sobreviventes. – revelou sem pestanejar.

-Não… — relutou o homem com os olhos marejados ao ponto de sequer conseguir distinguir a expressão no rosto da filha.

-Esse é o preço que pagamos quando deixamos o medo responder por nossas decisões. Me perguntou por que eu quero destruir o Escudo do Mundo, mesmo que isso custe tantas vidas. Mas pessoas como você não são capazes de entender.

Eichen olhou para uma Heler desconsolada e, pela última vez, fitou Heitor, visivelmente destruído. Sentindo desprezo pelo homem, deu as costas e se retirou da taverna, sacudindo as portas vaivém.

Mais tarde, quando a noite cinzenta tinha abraçado os céus da vila, o líder dos emberlanos estava recostado a uma árvore, perto da saída para o sul. Quando ouviu passos rápidos, instintivamente colocou a mão sobre o punho da espada, mas logo desfez o gesto ao ver de quem se tratava. A pequena Heler se aproximava correndo e, em seu rosto choroso, havia muita raiva, que também se estendia para a voz:

-Por que você fez isso? Por que fez meu pai chorar? – e apanhando um pedaço de pau, tentou golpear o homem, que facilmente segurou o objeto e o prendeu – A mamãe não morreu! Tá mentindo! Você é mau! Some daqui!

Mas o homem continuava a bloqueá-la, a encarando friamente de cima.

-Sai daqui! Some! Eu vou bater em você! – exasperava-se a garota, largando o pedaço de pau para tentar chutar as pernas dele, porém, dessa vez foi impedida quando a mão grande simplesmente segurou em sua cabeça e a impediu de avançar.

A maioria dos moradores estavam em suas casas ou na taverna. Naquele lugar mais escuro, os dois não tinham espectadores.

-A mamãe não morreu! Não morreu! Eu não vou aceitar isso, idiota! Juro que um dia vou te arrebentar!

-Vai, é? – ironizou Eichen.

-Cala a boca! Desaparece daqui! Você só machuca as pessoas!

-Isso é verdade. – concordou calmamente, ainda a segurando com facilidade.

-Então por que não vai embora? Leva seus amigos pra longe, a gente não precisa de vocês! – gritou a menina, segurando aquela mão enorme e a mordendo com toda a sua força.

A princípio, o homem não reagiu e simplesmente deixou que ela desabafasse toda aquela poderosa raiva, mesmo que o sangue já começasse a escorrer por entre os dedos. Então, sem pressa, se abaixou e, com a outra mão, a abraçou, afagando os dedos em seu emaranhado de cabelos castanhos e curtinhos. Ele trouxe o rosto dela para o seu peito, sem forçar contra a armadura negra, mas o suficiente para que ela relaxasse a mandíbula espontaneamente.

Heler estava em choque, com os olhos cheios d’água e boquiaberta. Seu coração doía muito, como se estivesse prestes a rasgar.

-Nenhuma criança deveria experimentar tamanho sofrimento. – começou ele, consternado – Mas esse mundo não poupa ninguém, nem mesmo os anjos. Chore, grande guerreira… chore por sua mãe… chore…

A menina soluçou uma, duas vezes, até finalmente tremer e deixar tudo o que estava sentindo esvair, então chorou e não se conteve mais. Chorou até sua garganta doer, até seus olhos incharem e suas perninhas fraquejarem, mas ele a segurou e não deixou que caísse. Chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida, sem se importar de parecer fraca, lembrando-se do rosto de sua mãe, dos sorrisos, dos carinhos, da voz, do cheiro… como a queria de volta naquele momento. Era tudo o que queria. Ali, debaixo daquela árvore, nos braços do Rei Negro, Heler desacorrentou os próprios sentimentos e, por horas, desabafou.

Mais tarde, Heitor finalmente os encontrou e viu a filha adormecida no colo do rei, que estava sentado no chão. Quando abriu a boca para dizer algo, viu o ferimento na mão de Eichen e suspirou profundamente.

-Aceitarei minha punição por isso.

Mas o homem, lançando os olhos verdes sobre o pai da menina, apenas disse:

-Já chega de punições.

Duas semanas depois, quando a reconstrução da vila terminou, os emberlanos e seu rei se reuniram na rua principal, junto a quase todos os moradores. Uma senhora ofereceu uma tigela grande de doce para Materazzo, que de braços cruzados, a encarou irritado.

-Ora, vamos, filho, não me olhe assim. Você trabalhou duro nas plantações durante as madrugadas.

-Do que está falando? – indignou-se, desviando os olhos cor de avelã.

-Eu te vi. – admitiu a mulher, que se chamava Lurirta, esboçando um grande sorriso.

O capitão olhou em várias direções, orgulhoso e desconcertado, enquanto Eichen assistia a cena com um ar quase imperceptível de satisfação. Lurirta se aproximou mais, estendendo a tigela para ele, que a segurou e ao sentir mais de perto o cheiro, mergulhou o dedo indicador no doce e o provou, sem conseguir esconder o prazer que aquele sabor lhe provocara.

-Poxa, capitão, e esse dedo sujo aí! – reclamou um dos emberlanos.

-Eu não me lembro de ter enfiado ele no seu rabo, Simon! – retrucou Materazzo, irritado.

Vários homens riram, até que Eichen os interrompeu com firmeza:

-Já chega! – e suspirou – Peço desculpas as mulheres e crianças pelo linguajar chulo dos meus companheiros. Queria dizer que vocês se livrarão disso, mas viajaremos entre Calendria e Nova Emberlyn várias vezes.

-Vocês são bem-vindos! – disse um rapaz.

-É isso aí! – concordou um homem mais velho.

Haviam, porém, alguns poucos que apenas observavam e, sem sombra de dúvidas, não concordavam com tudo o que estava acontecendo. Estes vestiam preto. Já Heler observava o rei e, ao contrário do que sempre fazia, não estava rindo, ou melhor, forçando um riso. Ela parecia mais leve, como se tivesse tirado dos ombros algo extremamente pesado e agora pudesse finalmente respirar. Heitor, por outro lado, parecia incomodado e, como quem toma fôlego antes de se arriscar a algo difícil, ele se precipitou diante de Eichen, que imediatamente desceu o queixo e o encarou.

-Sobre aquilo que conversamos, o senhor vai mesmo fazer? – indagou e dadas as várias conversas paralelas, ninguém notou. Ninguém, exceto a pequena Hallas.

-Sim. – respondeu o maior sem pestanejar.

-Disse que eu não entenderia e francamente, prefiro não entender. Está se esforçando tanto para reconstruir o que foi destruído, só para que tudo pereça de novo?

-Quando a hora chegar, você vai entender. Todos vocês entenderão.

Nos dias que se seguiram, a Vila dos Farrapos finalmente tinha voltado a normalidade. Ou quase isso. Com certa frequência, Gabriel Eichen e sua guarda real, composta por calendrinos e emberlanos, sempre paravam por lá, fosse na ida para o Sul ou no regresso ao Norte. E em todas as vezes, ele passava várias horas debaixo daquela mesma árvore, conversando com a pequena Heler, sentado no chão ao seu lado sem se importar com etiquetas ou formalidades. Na quarta vez em que se viram, ele se sentiu à vontade para desequipar a parte superior da armadura e estender a garotinha para o alto, às vezes a colocando em seus largos ombros, noutras a carregando de bracinhos abertos, como se fosse um pássaro. O pai sempre ficava na porta da taverna, assistindo a tudo e embora vários sentimentos se misturassem como num caldeirão, o predominante era de felicidade pela filha, que tinha encontrado um amigo ou um tio realmente incomum.

Na sexta vez, Eichen trouxepresentes inusitados, como uma folha azul diferente de qualquer outra que a garotinha já tinha visto, um colar simples de cordinha preta e até mesmo um livro de capa vermelha, com diferentes contos infantis.

-Peguei esse da biblioteca de Merlin. Não conte ao velho, ele já é rabugento demais sem que eu lhe dê motivos.

-Mas eu não conheço ele. – disse ela, enquanto passava as páginas e não escondia o quanto estava encantada.

-Não tá perdendo nada. – ironizou o homem, deitado no chão e apoiando-se com a cabeça na palma da mão.

-Tio Eichen, você vai voltar na semana que vem? – indagou o olhando com aqueles olhinhos cheios de esperança.

-Sim. – confirmou ele, provocando um enorme sorriso na pequena – Preciso voltar a Nova Emberlyn e receber algumas pessoas muito importantes.

-Iupiiii!

-Quando eu voltar, quero que me conte uma história desse livro.

-Vou contar, prometo!

Então, a semana seguinte chegou e a garotinha ficou esperando debaixo da árvore, com os olhos castanhos fixos na estrada, todavia, os dias terminavam sem que o rei Gabriel viesse. Em uma manhã chuvosa, ela ficou encolhida ali, no cantinho onde sempre conversavam, abraçando os próprios joelhos e deixando que as lágrimas se confundissem com as gotas que caíam do céu cinzento. Seu pai, ao se dar conta disso, correu até ela com um manto para cobri-la e trazê-la de volta à taverna, entretanto, ficou sem ação quando viu a expressão de profunda tristeza no rostinho da filha, se apressando em abraçá-la forte.

-Meu colibri! – repetia ele, chorando por ela.

-Ele disse que viria, papai! Por que ele ainda não veio?

-Não sei, minha pequena. Não sei…

Uma semana mais tarde, vários soldados de Calendria pararam para beber na taverna. Eles comemoravam e brindavam como Heitor nunca tinha visto, apenas imaginando o que poderia render tanta felicidade àqueles militares normalmente tão sérios.

-O Rei Negro está morto! – bradou um deles, erguendo sua caneca para o alto e brindando com vários outros.

O taverneiro ficou perplexo e sequer teve tempo de processar, pois quando olhou para o lado, viu sua filha com um livro de capa vermelha na mão, um pequeno colar no pescoço e um olhar vazio, que em nada lembrava a menina alegre de sempre. O olhar de uma criança que, pela segunda vez, tinha perdido alguém que tanto amava.