O Regresso do Desespero

11 The Sweet Scent of Nothingness


Notas iniciais
Ufa. Eu escrevi, escrevi e escrevi. Queria postar esse capítulo antes de sexta porque depois disso eu provavelmente ficarei muito ocupada. Não sei quando que o próximo capítulo vai sair, pode demorar - desculpem antecipadamente por isso. Esse caso será ou muito difícil ou muito fácil. Tenho de confiar na minha capacidade para apresentar as pistas de uma forma que não deixe tudo muito óbvio, espero ter conseguido criar um bom enigma para vocês!

– Você sabe… – Começou o garoto, girando a ponta do indicador no chão, definindo pequenos círculos enquanto suspirava. Parecia ter desistido de falar até que, subitamente, olhou para mim e sorriu – Pouco a pouco, tudo isso está me destruindo. Tenho saudades dos tempos mais simples.

– …

Eu abri a boca para respondê-lo, mas não saiu nenhuma voz. Na verdade, nem entendi direito o que Ichiro me tinha dito, mas por alguma razão, eu sei que tinha algo para dizer. Só não sabia o que era esse algo.

– Estamos aqui, sozinhos nesse lugar. – Explicou o racer, olhando ao alto e abraçando os joelhos – Apesar de todos juntos, estamos sozinhos. E, pouco a pouco, eu estou ficando louco… Mas talvez eu já o era antes.

Ele deu uma risada triste.

–X–

Acordei transpirando e respirando ofegantemente. Por alguma razão, aquele sonho deixara uma profunda sensação de agonia no peito, uma sensação que me dificultava o movimento. Por momentos, quase achei que estava tendo um ataque cardíaco ou algo do tipo.

“Calma, Isao. Foi só um sonho.” Repeti para mim mesmo, vezes e vezes sem conta. Após me acalmar, rapidamente me pus pronto e saí do quarto exatamente na hora do anúncio do início do período diurno.

Foi um alívio ver todas as pessoas que normalmente vejo na sala comum, e dessa vez sem um aquário partido e uma moça morta caída no chão. Como sempre, conversámos um pouco e saímos da sala, cada um indo para o seu lado. Foi uma manhã calma.

Pouco depois da hora de almoço, estava com Teemu, Kurama e Kayo na sala comum. A Vlogger não estava muito feliz por algo que o aventureiro lhe dissera.

– Q-Que horror! – Disse, analisando a parte traseira do vestido. Estava sujo com o que parecia ser comida, ou algo do tipo, provavelmente devido à moça ter se sentado em cima de algo sujo. – Eu não sei se consigo fazer isso sair rapidamente! E agora? Não tenho praticamente outra roupa!

– Calma, Kayo. – Respondeu o loiro com paciência – Se você levar a lavar já, talvez a nódoa saia.

– Sério mesmo!? – Os seus olhos brilharam de entusiasmo com o que acabara de ouvir – Volto já!

E, dito isto, ela correu para o seu quarto antes que alguém lhe respondesse. Teemu suspirou e deu um pequeno riso.

– Ela é tão boba. – Comentou, levando a mão à testa – Essa turma está cheia de gente assim.

Dei uma pequena risada, concordando. O loiro coçou a cabeça.

– Mas sabe… Ao menos eu me sinto alegre com isso. Quero dizer, eu tinha medo que todos aqui fossem estranhos e difíceis de conversar. – Encolheu os ombros – Não errei muito na parte dos estranhos… Mas ao menos é fácil de criar amizades por aqui. Quero dizer, dentro dos parâmetros possíveis.

Quando ia responder, Kurama subitamente tocou no meu ombro. Olhei para o seu rosto quase sempre inexpressivo, o que fez ela subitamente virar a cara. Talvez não gostasse muito de contacto visual.

– Kimoto. Pode vir comigo? Eu queria visitar o laboratório de biologia. – Disse com simplicidade. Acenei afirmativamente como resposta, um pouco confuso. Virei o olhar para Teemu, que simplesmente disse algo como “pode ir, eu espero pela Kayo” e nós nos levantámos do sofá e saímos da sala.

Não fomos logo para o laboratório. Antes disso, Kurama foi ao banheiro (e demorou imenso tempo. Porque é que as garotas demoram sempre séculos no banheiro!?) e finalmente fomos para lá.

– Porque é que queria que eu viesse com você? – Perguntei, tentando ser o mais delicado possível. Sabia que ela tinha um feitio um pouco difícil, então tinha de ter cuidado quando falava. Contudo, ao contrário do que eu esperava, ela corou e mordeu o lábio inferior.

– Porque tenho medo de estar sozinha depois de recebermos o motivo. – Comentou, a voz ligeiramente trémula. Mas depois voltou ao seu natural tom monocórdico – E eu não acredito que você tentaria matar alguém. Por isso que te considero a melhor companhia nesses tempos.

Eu ia responder, mas já tínhamos chegado ao laboratório de biologia. E, para minha surpresa, a porta estava trancada. Tentei abri-la, pensando que ela poderia estar simplesmente presa. Mas nada, estava mesmo trancada. Comecei a ficar um pouco nervoso com isso. Bati à porta.

– HEYY! Está aí alguém? – Chamei, esperando receber alguma resposta. Só que a resposta não veio do outro lado, e sim da própria Kurama.

– As salas são completamente insonorizadas. Se tem alguém ali dentro, eles não te ouvirão. Só você batendo à porta. – Comentou. Notei uma pitada de nervosismo no seu tom de voz – É melhor… É melhor arrombar a porta.

Eu nunca fui muito forte. Mas, após analisar um pouco a estrutura de madeira, percebi que esta era feita de um material bastante frágil. Provavelmente eu conseguiria forçar a sua abertura se aplicasse força o suficiente. Assim sendo, recuei uns passos e me joguei com os ombros na porta. Ela tremeu violentamente, mas nada aconteceu. Suspirei um pouco, tentando de novo com mais força. Ela tremeu mais ainda mas não se abriu, e eu tive de conter um praguejamento que quase soltei devido à dor no ombro. Mas tinha de tentar. Novamente, me joguei na direção da porta, dessa vez com mais força.

Esta abriu-se com um estrondo e eu caí no chão.

CORPO DESCOBERTO

Eu devia estar esperando aquilo. Eu devia, mas não estava. Meu coração, que já batia muito rápido de tentar abrir a porta, agora parecia que ia saltar do meu peito. Porque, dessa vez, não era só um.

Perto de um balcão, estava o corpo de Koji caído no chão. Estava de barriga para baixo, com uma faca de tamanho bem grande espetada nas suas costas, o sangue manchando as suas roupas negras. Os olhos estavam abertos e a expressão era uma de susto. Mas o que mais me chocou nisso tudo foi a sua pele.

Ele só vestia uma t-shirt negra e uns jeans da mesma cor, com sapatilhas vermelhas. Por isso, todos os seus braços, pescoço e cara estavam a descoberto. Mas, em vez do normal tom de pele claro do paparazzo, estavam imensas manchas. Manchas negras onde a pele ficava enrugada de uma forma grosseira, espalhadas ao longo do corpo dele. Eu sabia bem o que aquilo era. Queimaduras. Koji estava repleto de queimaduras ao longo da sua pele. E não era, com certeza, qualquer tipo de queimadura – era antes o tipo de coisa que acontecia quando você tinha a sua pele exposta diretamente ao fogo.

Não conseguia mais olhar. Não conseguia, mas continuei olhando. E o choque foi tão grande que lágrimas me vieram aos olhos. Porquê? Porque é que Koji havia falecido de uma forma tão brutal!?

E, mais perto da entrada, estava Suzuki. Ao contrário do primeiro, ele não tinha a pele queimada, e estava sentado, as costas contra a parede. No seu peito estava espetado algo que se assemelhava a duas lanças pequenas, o sangue cobrindo-o na totalidade do seu corpo. O seu rosto era também pacífico, como se dormisse. Levantei-me, em pânico, e soltei um grito de agonia. O que estava acontecendo? Porquê logo dois? Porquê!?

A chave do laboratório estava em cima de um dos balcões. Automaticamente, dei uma volta ao quarto, inspecionando os armários e todos os lugares onde alguém pudesse se esconder. Mas não estava ninguém. Como que a chave tinha parado ali dentro!?

– Pim Pom Pam Pooom! – O televisor do laboratório se ligou, com um alegre Monokuma aparecendo na tela. – Um corpo foi encontrado! Após um breve período de investigação, será realizado um julgamento para descobrir o seu assassino!

Ali estava. A derradeira mensagem que já esperávamos ouvir. Natsuri arfava, o ar lhe faltando devido ao choque. Não a censurava, embora não esperasse essa reação da sempre séria Génio.

– Temos de encontrá-los… Temos de chamar os outros. – Disse, e começou a correr para fora do laboratório. Fui logo atrás, demasiado assustado para ficar e demasiado preocupado para deixar Kurama sozinha.

O primeiro lugar para onde fomos foi a sala comum. Teemu tinha se levantado do sofá onde estivera quando saímos, andando de um lado para o outro de um jeito nervoso.

– Kimoto! Kurama! – Chamou, num tom ligeiramente aliviado por nos ver bem, mas, ainda assim, alarmado – O que se passa!? Ouviram o anúncio?

– Os corpos… Koji… Suzuki… – Respondi, mordendo o lábio inferior e batendo com o pé no chão, frustrado – ARGH! ISSO ESTÁ ACONTECENDO DE NOVO!

– T-Tente manter a calma…! – O aventureiro apressou-se a dizer, a voz lhe faltando por uns momentos – Vou chamar a Kayo.

Dirigiu-se à respetiva porta, batendo duas vezes com uma certa urgência. Não demorou muito tempo para que esta se abrisse ligeiramente.

– …Teemu? É você? – Murmurou nervosamente a Vlogger do outro lado da porta – E-Eu ouvi o anúncio, então significa que…?

– Sim. Kimoto e Kurama viram tudo. Parece que dessa vez foram Koji e Suzuki. – Explicou o loiro, tentando manter a calma. Um choro tímido fez-se ouvir do outro lado da porta. – Vamos agora vê-los. Você vem?

– N-não posso… Ainda estou sem roupa e o meu coração… – Explicou ela. Conseguia ouvir a respiração descompassada da garota, que se juntava ao nervosismo da voz. Já tinha esquecido, ela sofria de um problema de coração que lhe impedira de sequer participar no Julgamento anterior.

Concordámos deixar Kayo sozinha (depois de Teemu assegurar que ela não abriria a porta para ninguém) e fomos a onde estavam os corpos. Quando lá chegámos, já algumas pessoas se tinham acumulado. Eufrat, Shizue, Akatsuki, Connor e Reiko estavam todos à porta.

– N-Não posso crer que isso aconteceu de novo! – Gemeu Reiko, levando a mão à cara – EU NÃO SEI SE AGUENTO OUTRO JULGAMENTO!

– Onde está Satoru? – Inquiriu Eufrat, com a mão no peito em sinal de preocupação – Receio que ele não vá gostar das novidades…

E, como se ela tivesse dito as palavras mágicas, o próprio Ilusionista apareceu atrás do corredor. Parecia calmo, e logo se aproximou do grupo que estava na frente do laboratório. Não chegou a perguntar nada quando viu os olhares pesados caindo sobre si, e entrou pela sala dentro, mordendo o lábio inferior. Senti que ele já temia o que estava para ver. E, quando já lá dentro, apenas vi o seu olhar se baixando, a cartola colorida cobrindo a sua expressão. Entrámos todos no quarto, mas eu não tive tempo de me preocupar muito com os outros. Porque outra coisa que eu não esperava aconteceu.

– Onde… Está… Suzuki…? – Soltou Kurama, mais calma que quando encontrou os corpos mas ainda claramente impressionada. Parece que eu não fui o único que não esperava por isso.

– Suzu… Suzuki estava aqui? – Perguntou Connor coçando a cabeça, desconfortável. Acenei afirmativamente em resposta.

– Ele era… Uma das vítimas…

Fez-se silêncio. Naquele momento, era impossível decifrar o que se passava na mente de cada um dos presentes, e o ambiente só ficava cada vez mais pesado. Subitamente, pela porta, uma mancha rosa surgiu acenando animadamente – Kobayashi havia chegado e, atrás dela, encontrava-se também Ai. Quando ambas entraram, Ai deu um pequeno guincho e virou o rosto para o lado oposto ao do corpo e Kobayashi ficou com uma expressão anormalmente séria, murmurando ligeiros “Ara, ara” para si mesma. Após ambas entrarem, Monokuma pulou vindo do nada.

– Pronto, finalmente estão todos reunidos! – Disse, com aparente orgulho e uma animação descontextualizada, como sempre – Bom, QUASE todos. Aquela vlogger chata não quis vir, mas bom, não queremos que ela tenha OUTRO ataque cardíaco e não possa ir ao julgamento.

Quando ele mencionou Kayo, falou com um certo nojo. Como se ela fosse a culpada por ter uma doença grave. Senti uma pontada de raiva dentro de mim, mas logo esta se esmoreceu ao perceber que era inútil. Aquele urso maldito ia continuar nos ofendendo até ao fim das nossas vidas – ou ao fim dessa loucura, o que vier primeiro.

Como da última vez, recebemos uma atualização no nosso ID de estudante com o novo Monokuma file. Isso nos indicava que a investigação começara.

INVESTIGATION START

Cada um foi ao respetivo ID e verificou os conteúdos do arquivo que nos fora dado.

MONOKUMA FILE 2

Nome da vítima: Eikichi Koji

Super High School Level Paparazzo

Causa da Morte: Apunhalamento nas costas

Encontrado no laboratório de biologia. O corpo foi encontrado com várias queimaduras ao longo da pele. Não há sinais de luta.

– Isso é tudo bastante óbvio! – Exclamou Chiyeko, frustrada – Qualquer anormal que tenha um cérebro maior que um amendoim conseguiria ver essas coisas só de olhar para o corpo!

– Porque é que o Suzuki não está aqui no Monokuma File? – Acrescentei ainda à raiva de Shizue. A pelúcia falante deu uma pequena risadinha maldosa.

– Três pessoas encontraram o corpo de Eikichi, mas apenas duas encontraram o corpo de Ichiro. Upupu! – Levou a mão à barriga, rindo abertamente da nossa confusão – Isso significa que, oficialmente, o corpo dele ainda não foi encontrado e o Julgamento será apenas sobre a morte de Eikichi!

Até Chiyeko se esqueceu de continuar reclamando com a revelação que nos fora dada.

– Mas ele está morto, certo? – Perguntou Teemu, roendo a unha do polegar direito. Monokuma acenou em despedida.

– Eu sei lá. Descubram vocês, até! – E, com isso, ele sumiu de novo, nos deixando sozinhos ao lado do corpo de Koji.

[[ Prova 1 – Monokuma File ]]

[[ Prova 2 – Sumiço de Ichiro ]]

Mais uma vez, foi decidido que Reiko e Chiyeko ficariam tomando conta da cena do crime (para grande desagrado da justiceira). Quando todos se afastaram para o seu canto, cada um decidindo analisar um detalhe em particular da situação, Satoru se aproximou de mim.

– H-Hey, Satoru… – Murmurei, nervosamente. Não sabia bem como agir na frente dele.

– Eu vou encontrá-lo. – Disse ele em resposta, como se não tivesse me escutado – Eu vou encontrar o assassino.

Quando levantou o olhar, estava muito mais sério que o normal. A sua comum expressão lunática e um tanto ausente desaparecera por completo. Engoli em seco com a segurança das suas palavras, quase que me sentindo intimidado.

– Você me ajuda? – Perguntou. Pisquei os olhos algumas vezes em surpresa. Senti-me um pouco acalmado por saber que o ilusionista, aparentemente, confiava em mim. Acenei afirmativamente e nos dirigimos ambos ao corpo primeiro.

– A expressão dele… – Comecei – E o lugar onde ele foi, er… Apunhalado, dá a sensação que o pegaram de surpresa.

Satoru tocou delicadamente no pescoço do falecido.

– A sua pele está ainda quente. – Murmurou, mordendo o lábio inferior. A sua voz falhou por momentos – Foi recente.

Acenei afirmativamente, tentando encontrar mais alguma coisa de importante para analisar. Lembrei-me do que o próprio Koji fizera com Natasha – verificara todos os bolsos e tudo o que ela tinha à procura de pistas. Eu ia começar a fazer isso, mas Satoru insistiu que fosse ele mesmo a fazê-lo. Mexeu em todos os bolsos, e acabou encontrando algo não em um deles, mas dentro da própria T-Shirt da vítima. Uma fotografia.

A fotografia provavelmente tinha sido revelada na sala de computadores. Era uma coisa simples que eu tive a certeza que tinha sido tirada às escondidas. Nela estava Ichiro saindo do seu quarto pelo que parecia a porta de fora – a que dava para o corredor. Não consegui entender muito do que via, mas parecia uma pista importante, por isso tentei decorar todos os detalhes dela. Ichiro estava usando as suas roupas casuais e tinha uma expressão normal. Atrás de si, dava para ver a sua cama, com uma pequena mesa-de-cabeceira ao lado. Em cima dela, estava um capacete vermelho e um par de luvas pretas – ambos objetos que eu supus que tinham a ver com o talento dele. Ainda dava para ver a parede do outro lado do quarto ligeiramente, e eu notei o que parecia a ponta de um armário. Ichiro tinha um armário no quarto? Eu não tinha nenhum no meu.

[[ Prova 3 – Fotografia de Ichiro ]]

– Isso não vai contra as regras, pois não? – Perguntei. A fotografia não estava no bolso dele, mas...

– Acho que não. Ela CABE no bolso, só não estava sendo guardada lá. – Confirmou Satoru. A sua mão com uma luva vermelha tocou na ponta da faca que seria a arma do crime – Mas ISSO definitivamente não caberia.

– É realmente uma faca muito grande. – Concordei. Era o tipo de coisa que seria utilizada para cortar carne. Não era grande o suficiente para ser considerado um facão, mas era quase isso. Mas as regras eram claras. Como é que o assassino levou aquele objeto para o laboratório?

[[ Prova 4 – Arma do Crime ]]

Não havia muito mais para analisar ali junto ao próprio Koji, por isso levantei-me. Satoru demorou um pouco mais a fazê-lo, murmurando antes algumas coisas para si mesmo antes de me seguir. A segunda coisa que eu queria fazer era verificar o lugar onde antes estava Suzuki.

– Oh, Isao! Satoru! – Eufrat nos sorriu levemente. Ela estava com Ai verificando as lanças que antes trespassavam Ichiro agora caídas no chão. Na verdade, ela estava mais sozinha – Ai limitava-se a acompanhá-la talvez por obrigação ou talvez porque simplesmente ela era a pessoa com quem a albina tinha menos problemas convivendo.

– Preciso de vos perguntar uma coisa. – Começou Satoru prontamente – Onde que vocês estavam… Há mais ou menos meia hora atrás?

– Estávamos no refeitório, tomando chá. – Respondeu a empresária prontamente, como se já esperasse essa pergunta. – Com o anúncio do Monokuma, eu decidi ver onde que havia ocorrido o… crime. Mas Ai decidiu ficar para trás. Seria isso um álibi suficiente?

O ilusionista coçou a cabeça e acenou afirmativamente. Eufrat virou-se então para as armas que supostamente teriam matado Suzuki, analisando-as.

– Elas são, certamente, uma incógnita. – Afirmou ela, levando a mão ao queixo – São diferentes do que se encontra na arrecadação, as de lá são maiores.

– Estão completamente cobertas de sangue. – Acrescentei ainda – Eu… Eu não tenho a certeza se isso estava assim antes.

– Elas trespassaram Suzuki na sua totalidade? – Inquiriu Satoru. Acenei negativamente com a cabeça – Então é impossível que elas estejam tão repletas de sangue. Apenas metade delas, no máximo, estaria assim.

Eufrat torceu o nariz um pouco confusa.

– Seria possível que ele não tivesse realmente falecido? – Perguntou. Ficámos em silêncio por um tempo, até que subitamente notei que Ai estava mexendo no seu ID de estudante. Quando olhei, percebi que ela verificava as regras da escola.

7 – Pouco após a descoberta de um assassinato cometido pelos alunos, um Julgamento será realizado para descobrir o assassino. A presença de todos é obrigatória.

– É verdade! – Disse, ao perceber o porquê de Ai estar fazendo aquilo – Se ele não tivesse morrido de verdade… Ele teria de participar do Julgamento.

– Em outras palavras – Concluiu Satoru – Fingir-se de morto só aumentaria as suspeitas que todos têm sobre você durante o Julgamento, porque você seria obrigado a participar dele.

Eufrat acenou afirmativamente com o que ouvira. Contudo, consegui perceber que ela não estava completamente convencida.

[[ Prova 5 – Lanças que mataram Ichiro ]]

[[ Prova 6 – Regras da Escola ]]

Deixámos Eufrat e Ai para trás para verificar mais coisas, e fomos chamados por Kurama. Na verdade, EU fui chamado por Kurama, e Satoru veio logo atrás.

– Kimoto. – Começou ela, no seu comum tom monocórdico. Já tinha ultrapassado completamente o aparente trauma inicial – Preciso de falar com você sobre a cena do crime que encontrámos.

– O que tem ela, Kurama?

– Além do facto de Suzuki ter desaparecido… – Começou ela, se aproximando do balcão e pegando numa chave – Temos isso. A porta estava trancada e a chave estava aqui dentro.

– Ah, é! – Exclamei, me lembrando daquele pormenor. Como podia ter esquecido um detalhe tão importante – A porta só podia ter sido trancada por dentro!

– Exato. Se bem me lembro, você deu uma olhada ao quarto inteiro, certo? E não estava ninguém. – Explicou ela, cruzando os braços numa expressão pensativa – Não creio que existam passagens secretas nenhumas por aqui. O que significa que esse quarto… Era um quarto fechado.

[[ Prova 7 – Quarto Fechado ]]

Eu já ouvira falar sobre isso em livros de mistério, especialmente aqueles de detetives. Quartos fechados eram clássicos. Acontecia quando um crime acontecia dentro de um quarto que estava aparentemente trancado de todas as formas, fazendo com que o crime se tornasse impossível de acontecer. Claro que haviam várias formas de contornar esse problema e o facto do quarto estar fechado era quase sempre uma ilusão. Mas… Como que isso teria acontecido? Abandonei meus pensamentos quando, pelo canto do olho, vi Connor mexendo no lixo. Literalmente. Ele retirara um saco com o que parecia ser sangue e passara a Reiko enquanto fuçava ainda mais no seu conteúdo. Fomos ter com ele.

– Segura nisso, Reiko! Pode ser uma pista importante! – Disse ele, entusiasmado. – Oh… Tem aqui papel rasgado.

– Connor, isso é meio sinistro… Esse saco vem do refrigerador, certo? Aqueles que tinham sangue dentro… – Ele parou de falar enquanto lia o pequeno rótulo no saco – PUTA QUE PARIU ESSE SANGUE TEM LEUCEMIA!

E, sem aviso prévio, jogou o saco para o chão e correu para a torneira mais próxima para lavar as mãos. Connor ficou encarando o amigo com uma expressão confusa.

– Ele sabe que Leucemia não é contagioso, certo? – Perguntei, franzindo o sobrolho. O cosplayer encolheu os ombros, tão incerto quanto eu.

[[ Prova 8 – Saco de Sangue ]]

– O que descobriu aí? – Inquiriu Satoru com uma expressão um pouco interessada demais em algo que deveria ser só lixo.

– Ohh! Eu encontrei muita coisa, mas pouca dela era interessante. Papéis jogados ao lixo, um isqueiro vazio, e é só. Que pena, achei que ia ter realmente alguma coisa de importante aqui! Já me estava achando o Phoenix Wright da vida, investigando lugares que ninguém mais se lembra e descobrindo a pista fundamental para salvar o caso, mas parece q… – Ele ia falar mais. Eu sei que ele ia. Por isso que o interrompi.

– Na verdade, isso que você achou parece importante. – Afirmei – Você disse um isqueiro? Koji tem várias queimaduras na pele. E esses papéis rasgados…

– …são, de facto, muito similares ao papel da fotografia que nós encontrámos. – Satoru pegou num deles, observando-os atentamente – Sim. E pelas cores, parece que é exatamente a mesma fotografia.

[[ Prova 9 – Isqueiro Usado ]]

[[ Prova 10 – Pedaços de Fotografia ]]

– E você estava com o Reiko antes de vir para cá? – Perguntou Satoru. Connor acenou afirmativamente.

– Bom, vocês sabem… Apesar do aquário não ter mais peixes, ele ainda precisa de ser limpo. E adivinhem só o que aconteceu DE NOVO quando o Reiko foi limpá-lo à hora de almoço. – Deu um sorriso travesso, como se fosse uma criança após ter sido pega fazendo algo que não devia – Então nós fomos para a enfermaria e lá estávamos até agora. Ficámos conversando sobre animes, mas para ser sincero, acho que o Reiko não sabe muito de animes. O que é meio triste. Eu esperava que qualquer pessoa soubesse imenso de animes. Aparentemente estava errado. Enfim, quando ouvimos o anúncio, viemos logo para aqui.

Satoru não pareceu ficar feliz com o que estava ouvindo. Apertou o punho e se afastou, indo na direção de Chiyeko. Parou a poucos centímetros da garota, que em vez de recuar encarou-o de uma forma desafiadora.

– O que você quer? – Inquiriu ela. Apressei-me a despedir-me de Connor para me juntar a eles e tentar acalmar as coisas.

– Onde que você estava há 30 minutos atrás? – Perguntou o ilusionista.

– Com Takane, no meu quarto. Porquê, tem problemas com isso? – Ela disse, quase cuspindo na cara do moreno. Eu não sabia o que fazer.

– E nenhuma de vocês saiu do quarto a meio disso?

– A Takane saiu para ir buscar sei lá o quê ao quarto dela! – Grunhiu a justiceira. Depois percebeu as implicações do que havia dito e tomou uma pose ainda mais hostil – Porquê? O que você pensa que está insinuando?

– Sem álibi, então. Vamos, Kimoto. – Disse ele, virando as costas e saindo num passo apressado, pegando na minha mão e me arrastando com ele para fora do quarto, ignorando os meus protestos e os chamamentos irritados de Chiyeko. Depois disso, fomos ter ao ultimo lugar que provavelmente merecia ser verificado: a sala de computadores.

Quando lá entrámos, já lá estava Teemu. Ele analisava os destroços do que parecia ter sido antes uma máquina. Não demorei muito a perceber que aquilo teria sido a câmera fotográfica de Koji. Ao nos ver, ele suspirou.

– O chip ela também foi completamente destruído. – Explicou – Agora não dá mais para ver que fotos ele tirou com ela. Não sei porquê, mas tenho a sensação que seriam pistas importantes.

[[ Prova 11 – Câmera Fotográfica de Koji ]]

Satoru encarou a câmera e logo se virou para o próprio Teemu.

– Onde que você estava há meia hora? – Perguntou. Ele estava fazendo aquela pergunta a todos. Teemu ergueu a sobrancelha antes de responder.

– Há meia hora…? Isso seria quando o Isao e a Kurama saíram da sala comum, certo? Então, eu fiquei lá esperando Kayo sair do quarto dela. – Disse ele, encolhendo os ombros – Sozinho.

– Mais dois sem álibi, então. – Concluiu Satoru. Teemu logo ficou tenso ao perceber o porquê da pergunta que recebera.

– E-Espera! É impossível que nós sejamos os assassinos! – Exclamou imediatamente – A Kayo não poderia sair do quarto dela sem eu a ver, porque a maçaneta da porta que dá para o corredor do quarto dela… Bom, ela caiu.

– Caiu?

– Sim, caiu. Isso aconteceu já há algum tempo, no dia em que a Ala Este se abriu. Lembra que ela queria ir ao banheiro? Então, quando nós tentámos entrar no quarto dela, a porta não se abria e a maçaneta caiu. Aparentemente estava estragada. – Ele encolheu os ombros – Isso aconteceu por dentro, e tanto eu quanto a Eufrat verificámos isso. O Monokuma até apareceu e comentou como era uma pena, mas que ele não podia fazer nada.

– Bom, então apenas você não tem álibi. – Comentou Satoru. Teemu apressou-se a perguntar porquê – Bom, você confirma que a Kayo não saiu do quarto, mas ela não pode confirmar que você não saiu da sala comum, estou certo?

– É… T-Tem razão.

– Então, os álibis presentemente são fortes para Eufrat, Ai, Kayo, Connor, Reiko, Kimoto e Kurama. – Disse ele. Não chegou a perguntar o meu álibi, mas assumi que ele tivesse percebido que eu estivera com a génio aquele tempo, por termos sido nós a encontrar o corpo. – Mas os álibis de Teemu, Kobayashi, Akatsuki e Chiyeko são os únicos que não têm confirmação. Oh, e é claro, do próprio Suzuki e Koji.

– E o seu álibi? – Perguntou Teemu. Não era um tom de desafio, mas senti que ele agora se sentia um pouco traído por ser largado como um suspeito de uma forma tão repentina. Satoru cruzou os braços.

– Tem razão. Acrescente-me na lista daqueles que não têm álibi. – Disse ele seriamente. O ilusionista estava tão diferente de quando eu o conhecia. Ele estava sério e obstinado a encontrar o assassino de Koji.

[[ Prova 12 – Álibis dos Alunos ]]

Então o anúncio de Monokuma para nos juntarmos na frente do elevador apareceu. Engoli em seco e fomos até lá. Dessa vez, Kayo também aparecera (e com as roupas ainda um pouco húmidas depois de terem sido lavadas). Parece que dessa vez Monokuma não lhe deixara faltar, mas ela tinha a mão no peito e estava de olhos fechados, tentando manter a calma. Eu queria ajudá-la, mas senti a necessidade de acalmar Teemu também – que, sem Suzuki, perdera o seu conforto ao entrar naquele lugar fechado e pequeno.

E então entrámos no elevador. Prontos para mais um Julgamento.

Sabendo que, se voltássemos, teríamos menos um elemento.

Notas finais
O que acharam? Eu pediria para apenas postarem as vossas teorias mais loucas por MP. Só que eu sei que todos vão escrever nos comentários o que acham mesmo, então... É. Espero que se divirtam tentando encontrar o culpado! Já agora, uma das leitoras fez uma one-shot com um universo alternativo dessa fic. Leiam, caso quiserem: http://fanfiction.com.br/historia/542441/we_found_love_in_a_hopeless_place/ Está muito fofa, na minha opinião. c: Até ao próximo!