Notas iniciais
HEEEY EU AINDA VIVO, UHULES! Desculpem de verdade a demora. Tenho andando ocupadíssima, mal tenho tempo para vir aqui a casa. Na semana passada eu consegui escrever, mas foi para minha outra história (que eu terminei!) e aí não deu tempo de escrever para essa. Mas hoje eu consegui escrever esse capítulo que de recompensa ficou gigante! Quanto ao caso em si, ninguém descobriu o assassino. Mas é, era díficil... Acredito que quase impossível, era preciso viajar muito para conseguir descobrir isso. Enfim, espero que gostem!

Há medida que os doze estudantes se posicionavam nos seus respetivos lugares na sala de julgamento, a tensão aumentava. Quando cheguei ao meu pódio, já todos estavam no lugar. Monokuma começou por relembrar as regras do Julgamento Escolar, que eu não fiz questão de ouvir, e deu início a mais um momento de desconfiança, de medo e de desespero. Como se não tivessem sido suficientes até ao momento.

– Não se esqueçam! – Interrompeu Monokuma segundos antes de bater com o martelo para começar a discussão – Esse Julgamento Escolar é dirigido APENAS à morte de Eikichi Koji!

– Mas se Suzuki não está aqui, significa que… – Murmurou Connor

– Ele está morto, porque todos são obrigados a comparecer a esse julgamento! Upupupu! Acho eu. – Monokuma encolheu os ombros – De qualquer forma, comecem essa bosta!

CLASS TRIAL START

– Como da outra vez, acho mais fácil se começarmos com as coisas mais óbvias. – Começou Teemu, de braços cruzados – E a pista mais óbvia que nós temos até agora seria o Monokuma file.

– O Monokuma File não nos dá grandes informações. – Acrescentou Kurama com seriedade. De facto, o seu surto de pânico inicial parecia ter desaparecido por completo. Como se nunca tivesse existido antes. Perguntei-me o quão boa era a génio a fingir ser uma pessoa fria. – Mas acho que é possível deduzir que Koji foi pego de surpresa.

– Ele foi apunhalado nas costas, e não houveram sinais de luta dessa vez também… – Comentou Reiko, levando a mão à cabeça enquanto pensava – Então faz sentido que alguém tivesse aparecido por trás, sem ele nem saber, e BOOM!

– Mas esperem! – Murmurou Kayo, massageando as mãos com nervosismo ao ver todos os olhares caírem sobre ela. – E-E as marcas de queimaduras? Estava escrito no Monokuma File que ele foi encontrado com várias queimaduras ao longo do corpo…

– Pika pikaaa! – Chamou logo Connor, agarrando o capuz amarelo com o rosto e orelhas do pikachu em cima da cabeça. Ao ver as atenções caídas sobre ele mesmo, deixou-o cair e começou a falar – Eu sei como que as queimaduras foram feitas! Olhem, olhem!

Ele retirou do bolso um isqueiro, o mesmo que encontrara mais cedo no balde do lixo. Esticou o braço para mostrá-lo, como se de um prémio se tratasse.

– Isso estava no lixo do laboratório! Suspeeiiito, não é?

– E-E daí? – Interrompeu Shizue de imediato. O seu rosto estava vermelho, e a raiva no seu rosto era tanta que os olhos pareciam querer saltar das órbitas. – ISSO NÃO SIGNIFICA NADA! AS QUEIMADURAS PODEM TER SIDO FEITAS POR QUALQUER BOSTA DO LABORATÓRIO!

– Na verdade – Interrompeu Eufrat rapidamente – O laboratório de biologia não tem muitos materiais perigosos… Certamente tem alguns fogões pequenos para aquecer ensaios, suponho. Mas se eles tivessem sido usados, o padrão das queimaduras no corpo da vítima teria sido certamente diferente.

– Além disso – Acrescentou ainda Akatsuki – Eu chequei os materiais tudo. Teve uma coisa que foi usada, mas nã’ faria chama. Falo melhor sobr’isso depois.

– Shizue. – A voz de Satoru fez-se ouvir pela primeira vez no julgamento inteiro. Estava fria, séria, pouco característica do ilusionista. – Você só reagiu assim por uma razão. E essa é porque você sabe perfeitamente a quem pertence aquele isqueiro.

– N-NÃO! – Gritou Chiyeko, agora a sua raiva sendo substituída por uma expressão um tanto desesperada – E-ELA NUNCA FARIA TAL COISA!

– Como pode ter a certeza? – Inquiriu Satoru com uma voz cortante – Você por acaso a conhecia antes de vir para aqui? Sabe alguma coisa da personalidade dela? Ou acreditou cegamente no que ela te disse?

– E-Ela… ELA SEMPRE FOI INOCENTE! DEU PARA VER DESDE O PRIMEIRO DIA! – A justiceira bateu com o pé no chão com tanta força que o barulho ecoou pelas paredes da sala.

– …Takane Kobayashi. – Disse eu finalmente, após finalmente entender de onde vinha aquele isqueiro.

– Hmmm? – Soltou a loira após ouvir o seu nome ser chamado, virando a sua atenção para mim – Alguém chamou por Takane?

– O isqueiro… É seu, não é? – Perguntei. Ela não me respondeu, limitando-se a fitar-me com os seus lunáticos olhos azuis.

– Takane não queimou ninguém! – Choramingou ela de uma forma súbita – Takane é amiga de todos! Ela garante que não queimou ninguém! Takane não podia! Ela esteve ocupada com Shizue durante a hora do crime!

– Na verdade, nós sabemos perfeitamente que você e Chiyeko se separaram porque você foi ao seu quarto. – Interrompeu Satoru prontamente. – Nos diga, Chiyeko. Ela tinha o isqueiro com ela quando saiu?

A justiceira hesitou antes de falar, mordendo o lábio inferior.

– …Sim. – Murmurou ela. Deu para ver que ela queria responder o oposto, tanto que a sua voz estava anormalmente baixa naquele momento – Ela saiu segurando ele com a mão, ligando-o e desligando-o repetidas vezes. Eu até comentei para ela parar de usar aquilo, porque era perigoso.

– Isso não significa nada! Takane apenas saiu porque estava cansada e queria dormir um pouco! – Ela fez um beicinho, soluçando levemente. – Takane é inocente! Ela deixou cair o isqueiro a meio do caminho e alguém deve tê-lo pego e feito aquelas coisas HORRÍVEIS ao Koji! E ainda incriminaram Takane!

– Sério mesmo? – Perguntou Satoru, os seus olhos castanhos não se desviando nem um milímetro de Kobayashi – Foi isso mesmo o que aconteceu?

– Sim! Takane jura!

– …Desculpe, Kobayashi. – Interrompi – Mas… Porque é que você está mentindo, se você é inocente?

A loira limitou-se a encarar-me novamente com aquele olhar lunático. Agora que eu começava a compreender realmente a forma dela ser, dava-me arrepios.

– Ara, ara… Mentir? – Começou ela, dessa vez completamente sem expressão. – O que Kimoto quer dizer…. Com mentir?

– Bom… Chiyeko nos disse que você tinha saído para ir pegar uma coisa ao quarto. Você disse que foi ao quarto dormir. – Expliquei prontamente.

– Muitas vezes quando as pessoas mentem, as suas histórias vão mudando ligeiramente à medida que vão repetindo. – Explicou Teemu – É um método usado pela polícia em vários locais do mundo, na verdade. Obrigam os suspeitos a repetir a sua versão dos acontecimentos para garantir que a história se mantém sempre a mesma.

– Ara, ara…

– Isso significa que você não foi realmente ao quarto descansar. – Concluí – Nem buscar nada. Na verdade, nem tenho a certeza se você foi realmente ao quarto… E só tem um possível motivo para você ter mentido.

– Você é a causa das queimaduras no corpo de Koji. – Declarou Satoru.

– T-Takane… Isso é… Verdade? – Perguntou Chiyeko, o choque completamente espelhado no seu rosto, que só aumentou quando ouviu a fashion designer dando uma risadinha. – T-Takane?

Ara, ara, ara! – Disse ela, soltando logo de seguida uma risada sem emoção. – Vocês são tão kawaiis. Tão, tão kawaiis incriminando Takane! Palmas, por favor, batam palmas!

Ninguém fez o que ela pedira. Maior parte das pessoas ficou simplesmente encarando a loira como se tivessem acabado de presenciar o aterramento de um OVNI na Terra.

– Takane tem pena. Tem pena que isso não tenha demorado mais tempo! É muito mais divertido quando ninguém desconfia de você, mas o que pode Takane fazer? Nada!

– Os rumores eram verdadeiros, afinal. Koji me contou sobre isso. Takane Kobayashi… Também chamada de KT. Envolvida em diversos incidentes de incêndios, incluindo um que destruiu praticamente a escola inteira e cuja única sobrevivente foi ela mesma. – Explicou Satoru – Não existem provas concretas. Alguns investigadores dizem que o incendio da escola foi criado com uma bomba caseira, mas não existem certezas.

– KT… Ara, ara, as pessoas que chamam Takane desse jeito são tão kawaiis! “Quilotonelada de TNT” é o seu significado, não é mesmo? Tão kawaii! ~ O coração de Takane está em chamas! Mas faltou uma coisa: Takane não fez só isso! Takane já teve “casos” com imensas pessoas antes… Seus tios, seus amigos, seus professores, e mais recentemente, seus escaldantes modelos no seu ateliê! Awwn, o ateliê de moda de Takane é um íman de pessoas kawaiis!

Ela corava, a sua expressão parecendo quase febril à medida que falava sobre os seus horrendos feitos. Parecia que tudo o que Kobayashi estava dizendo, tudo o que ela estava relembrando, lhe trazia um prazer doentio que me dava enjoos.

– É verdade, Takane realmente queimou o corpo de Koji! Ele era tão kawaii, sempre desconfiado de Takane, sempre a vigiando de longe… Takane não aguentou! ~

– I-Isso é um s-sonho, não é? – Gemeu Kayo, tremendo com uma expressão assustada – E-Ela m-matou alguém… S-Só para poder q-queimá-los?

– Heeey! Takane não matou ninguém! Ninguém mesmo! Takane apenas teve um momento a sós com Koji, mas ele já estava morto! Ela sabe que não pode matar ninguém, porque corre o risco de ser executada e não poder queimar mais coisas e pessoas depois disso!

– E você espera que nós acreditemos nisso… Como? – Perguntou Teemu. Não parecia tão assustado como Kayo, mas estava obviamente desconcertado.

– Takane tem provas! Kimoto-kun e Kurama-chan descobriram os corpos sozinhos, não foi? Mas são necessárias três pessoas para descobrir os corpos para o anúncio do Monokuma! Entãão, adivinhem quem foi a terceira pessoa? ~ Exatamente, foi Takane!

– Por muito que eu não queira admitir isso… Ela tem razão. – Concordou Eufrat – É o mesmo que aconteceu com Ai e Natasha no outro caso.

A albina se encolheu no seu pódio ao ouvir o seu nome.

– Takane vai explicar toda a situação, sim? – Ela piscou os olhos com entusiasmo para os presentes. Senti vontade de vomitar perante aquele ato de garotinha fofa que aquela sociopata teimava em manter. – A meio da noite, Takane recebeu um bilhete sobre alguém comentando que encontraram uma saída no laboratório de biologia, e que era para se encontrar com aquela pessoa no dia seguinte depois do almoço. Também pediram para que Takane não comentasse isso com ninguém para não chamar a atenção de Monokuma. Só que Takane não é estúpida, por isso ela propositadamente se atrasou um pouco antes de ir lá ter. E quando ela entrou no laboratório…

Ela abriu muito os braços como que para demonstrar o seu entusiasmo.

– Estava Koji-kun caído no chão sem vida! Uhuu! – Ela bateu palmas com alegria – Então Takane ficou tão entusiasmada que pensou em aproveitar o momento para queimá-lo um pouco, já que não teria uma oportunidade dessas tão cedo assim. Pena que o isqueiro de Takane ficou sem combustível e ela teve de parar. Além disso, alguém provavelmente chegaria em breve, por isso… É, Takane tinha de sair. E assim o fez!

[[ Prova 13 – Testemunho de Takane ]]

Voltando ao original.

– Resumindo… Você é doente! – Concluiu Connor, encarando a fashion designer em choque. Ela simplesmente encolheu os ombros.

– E não estava o corpo do Suzuki com ele nessa altura? – Inquiriu Satoru. Estava provavelmente demasiado obstinado em encontrar o verdadeiro assassino de Koji para ficar se preocupando com os delírios da loira.

– Não! Nenhum escaldante corpo de um piloto estava nas imediações nessa altura! Takane saiu e também não trancou a porta. Momentos mais tarde ela ouviu o anúncio de corpo descoberto e se juntou aos outros! ~

– Então… Primeiro Koji é assassinado. Depois Kobayashi encontra o corpo de Koji. Depois Suzuki é assassinado. Isao e Kurama encontram os corpos de ambos e vão chamar os outros. Quando todos aparecem, apenas o corpo de Koji está lá. – Resumiu Teemu – Acho que era uma boa altura para começarmos a discutir um pouco mais toda essa história do desaparecimento do corpo.

– Na verdade… Eu tenho algo a comentar sobre esse suposto “assassinato” do Suzuki. – Interrompeu Eufrat – Ele foi realmente assassinado? Tem algumas coisas que não batem certo nisso tudo...

– M-Mas n-nós só podemos falar do caso de Koji… – Relembrou Kayo, olhando nervosamente para Monokuma como que temendo o que ele poderia fazer. O urso acenou afirmativamente com o que ela dissera.

– Sim! Nada de falar sobre o caso de Suzuki, esse só será discutido quando descobrirem o seu corpo!

– É imperativo que falemos sobre pelo menos esse pormenor para fazermos uma discussão concreta sobre os acontecimentos. – Explicou-se a empresária – Eu acredito que o culpado poderá ser facilmente revelado se descobrirmos o que aconteceu ao certo com Suzuki, então perdoe-me por me desviar momentaneamente do assunto principal.

Monokuma pareceu ponderar por uns momentos o que lhe fora dito e depois encolheu os ombros, abanando a pata como se dissesse “não quero mais saber”. Assumi que tivéssemos recebido a sua permissão.

– Sim, sobr’isso – Comentou Akatsuki – Eu verifiquei o laboratório todo p’ra ver se usaram algo de lá. Descobri ca única coisa que foi usada foi o saco de sangue co Connor achou no lixo.

– Não existem muitos motivos para ser usado aquele sangue. – Explicou Reiko – Devia ser só para estudos, porque ele tinha leucemia… E EU TOQUEI NAQUELA MERDA COM AS MÃOS, VOU MORRER CARALHO!

– De facto, parece que alguns dos seus neurónios já deixaram de funcionar, mas não acredito que tenha alguma coisa a ver com leucemia. – Comentou Eufrat de leve – De qualquer forma, só consigo ver uma razão para a qual alguém fosse usar aquele saco de sangue.

– Para fingir uma ferida ou até mesmo a própria morte, né? – Concluí ao entender a onde Eufrat queria chegar. Ela acenou afirmativamente, sorrindo-me feliz por notar que eu tinha percebido. – Certamente, nem eu nem Kurama verificámos se ele estava REALMENTE morto quando encontrámos os corpos, mas…

– Eu recordo-me perfeitamente de ver aquelas lanças cravadas no seu peito. – Interrompeu Kurama num tom gélido.

– Não desconfio do que vocês viram. – Confirmou Eufrat – Mas também gostaria de informar que aquele tipo de lanças não pode ser encontrado em lado nenhum da escola.

– Também é um método muito estranho para matar alguém – Acrescentou Teemu de uma forma pensativa – Se o assassino matou Koji com a faca, porque é que ele não usou a mesma arma para matar Suzuki? Era muito mais prático do que usar duas lanças.

– E deixem-me só acrescentar ainda mais um fator à equação: O sangue estava distribuído de uma forma estranha pelas lanças que supostamente trespassaram Suzuki. – Afirmou ainda a empresária – Estava espalhado no seu todo, sendo que se elas não o atravessaram totalmente, tal não devia de acontecer.

– Então… Talvez exista mais do que um par de lanças. – Ponderou Connor – Um falso, que foi usado para fingir a morte, e um verdadeiro. Lojas de cosplay têm esse tipo de coisas para você se disfarçar de zumbi ou assim. Quando postas, parece que as facas ou flechas ou seja lá o que for está te atravessando, mas a verdade é que elas não têm ponta.

– S’ele usou isso para fingir a sua morte, depois de sumir ele teria d’arranjar um par verdadeiro. – Concluiu Akatsuki – Deve ter se descuidado ao sujá-las com sangue p’ra fingir q’elas tinham sido retiradas do próprio corpo.

– Mas… Ele não morreu de verdade? – Inquiriu Kayo, com uma expressão confusa enquanto coçava a cabeça – Se ele estivesse vivo, teria de estar aqui. E porque é que ele faria isso?

– Além do mais, a própria Eufrat disse que aquele tipo de lanças não se encontrava em lado nenhum na arrecadação da escola. – Disse eu – Onde é que ele ia arranjá-las? E onde que ele arranjaria um par falso idêntico ao original, ainda por cima?

– A única pessoa que conseguiria arranjar tal coisa é o Monokuma. – Afirmou Akatsuki com segurança. Depois ela pareceu entender alguma coisa, pelo que o seu rosto iluminou-se ligeiramente. – Oh. Ele foi executado, não foi?

Ela falou para o urso, que simplesmente começou a cantar “Lalalala” e não respondeu, fingindo não ter escutado. A estrategista suspirou.

– S’ele foi executado, então ele descumpriu uma regra. E p’ra matar o Koji, é preciso descumprir uma regra.

Reiko bateu com uma mão na outra, como se tivesse compreendido alguma coisa (e ficado extremamente orgulhoso por isso).

– A faca… Ela vem da cozinha, não tem nada daquele estilo no laboratório de biologia. Mas para levá-la para o laboratório…

– …ele estaria descumprindo as regras da escola, porque ela certamente não cabe no seu bolso. – Completou Kurama. – Ele também teria um motivo consistente. Durante a investigação alguém descobriu uma fotografia escondida no próprio Koji, não foi?

– Fui eu. – Completou Satoru com seriedade. – Era uma foto de Suzuki. Eu fui pegá-la antes de vir para aqui, vejam.

Ele retirou-a do bolso e mostrou-a. Observei com atenção mais uma vez a fotografia e o seu conteúdo, mas não conseguia descobrir nada de relevante. Mas, para estar sendo escondida por Koji, ela TINHA de ter alguma coisa importante.

– Parece uma fotografia normal… Mas deve ter preocupado o assassino, porque havia uma semelhante toda destruída no lixo. Nem dava para distinguir direito o que era, mas aposto que se tivéssemos tempo para juntar os bocados ia dar a mesma coisa. – Comentou Connor.

Estavam todos bastante atentos ao que se ouvia e quebrando a cabeça para desvendar aquele mistério. Todos exceto Chiyeko, que parecia ainda estar ultrapassando o choque com o que aconteceu com Kobayashi e a própria designer, que tinha o olhar saltando de um para o outro mas não parecia minimamente interessada se estávamos perto de descobrir o assassino ou não.

– Não consigo imaginar o que possa ter levado Suzuki a matar o Koji através dessa fotografia… Mas pode não ter sido só a fotografia. – Comentou Kayo após algum tempo – Vocês lembram do que a… Kobayashi… falou? Ela disse que tinha sido convidada a ir ao laboratório por uma carta. Talvez… Talvez ela fosse o alvo só que Koji apareceu lá e o Suzuki não teve outra escolha se não matá-lo?

Ela parecia um pouco insegura nas suas palavras, o que era até normal, tendo em conta que ela não tinha visto a cena do crime e aquele era o seu primeiro Julgamento. As suas palavras tinham uma certa lógica mas, por alguma razão, eu sentia que algo nessa conclusão de que o Suzuki era o assassino estava errado. Haviam algumas pistas que não faziam sentido, como se a verdade não tivesse sido ainda descoberta na sua totalidade: especialmente o pormenor do sangue e a fotografia que não parecia ter nada de errado.

– Então… Podemos assumir isso? – Disse Eufrat. Também não parecia muito convencida, mas parecia disposta a aceitar aquela conclusão como certa. – Suzuki tinha decidido matar Kobayashi. Koji apareceu antes de Kobayashi e morreu por isso. Kobayashi apareceu e queimou o corpo de Koji, talvez Suzuki se escondeu em um armário ou algo assim enquanto isso. Quando ela saiu, ele pulou do seu esconderijo e se preparou para sair, mas foi executado por Monokuma pois descumpriu as regras. Isao e Kurama então apareceram e descobriram os corpos. Foram embora para chamar os outros e nesse intervalo de tempo o corpo de Suzuki foi retirado, provavelmente por Monokuma. Ficou apenas o corpo de Koji no laboratório.

– O que significa que Suzuki é o assassi…

– Não. Isso está errado. – Interrompeu Satoru. Todos ficaram a encará-lo com uma expressão confusa.

– O que você está dizendo, Satoru? – Perguntou Reiko, franzindo a testa com perplexidade – Não é óbvio…

– Vocês sabem, uma das formas mais simples que os ilusionistas têm para desaparecer no palco é fingindo ser uma das assistentes. Eles se escondem atrás de uma cortina, se vestem de assistente e saem. Quando as cortinas caiem, é normal que eles já não estejam mais ali. Um truque de amador, na verdade. – Disse ele com segurança. – E é esse o truque que foi usado nesse caso. E para o assassino, que está aqui entre nós…

O seu olhar perdeu todo o brilho enquanto ele falava.

– Saiba que eu nunca, nunca vou te perdoar. Nunca. – Disse num tom de voz que me deu arrepios e que me fez instintivamente olhar para os outros com confusão.

O ilusionista começou então a explicar o seu raciocínio.

– Não digo que as vossas suposições estejam erradas. Na verdade, elas não podiam estar mais certas. Só que tem um pequeno pormenor que vocês deixaram escapar. Não vos censuro, também eu não notei inicialmente. Para começar, quero que dirijam a vossa atenção à fotografia. O que vocês vêm? Ichiro Suzuki saindo do seu quarto na maior das calmas. Atrás dele podemos ver um capacete vermelho e um par de luvas negras em cima da mesa-de-cabeceira. Parece normal, não é? Ele é um piloto e tudo mais. Mas esta suposição está errada. As luvas não são de corrida. São luvas normais de adorno… As quais Suzuki Ichiro não usa. Agora, me digam, quem é a única pessoa que usa um par de luvas negras aqui?

O próprio Satoru usava luvas, só que as suas eram coloridas e não negras. Dirigi a minha atenção para todos os outros presentes, dirigindo o meu olhar às mãos de cada um deles. Até que percebi a onde que o ilusionista queria chegar.

– Exato. Vocês até poderiam dizer “mas Suzuki poderia estar tendo um caso com a pessoa em questão!”, não é? Mas… Uma pergunta para todos vocês. Alguma vez vocês viram Suzuki e essa pessoa juntos no mesmo quarto? Não, né? Nem sequer no último julgamento se eles apareceram juntos, porque essa pessoa estava aparentemente com problemas de coração graves.

– Q-Que… Insinuações são… Essas…? – Perguntou Kayo, dando um passo para trás, a expressão completamente chocada encarando o rosto sério e inexpressivo de Satoru. – EU ESTIVE NO MEU QUARTO O TEMPO TODO! TEEMU PODE CONFIRMAR!

– É verdade! E-Ela esteve a tomar banho, e a porta que dá para o corredor do quarto dela estava estragada! Se ela quisesse sair do quarto, teria de passar pela sala comum, onde eu a veria! – Explicou-se Teemu, em desespero. A expressão de Satoru não se alterou.

– Por isso que esse crime é tão perfeito. Porque Kayo Mitsui estava, supostamente, tomando banho no seu quarto, que de certa forma é também um quarto fechado tal como a cena do nosso crime. Mas é realmente um quarto fechado? Diga-me Kayo, o seu quarto também tem um armário?

Ela mordeu o lábio inferior e deu um pequeno grunhido irritado.

– S-Sim…

– Que estranho. O meu quarto não tem armário algum. Mas o de Suzuki também tinha, não é mesmo? Dá para ver na foto. Seria mesmo um armário ou seria uma passagem secreta entre os dois quartos?

– ISSO É RIDÍCULO! VOCÊ ESTÁ INVENTANDO COISAS AGORA SÓ PARA ME INCRIMINAR! – Exclamou ela, lágrimas caindo-lhe delicadamente pelo rosto – O QUE VOCÊ ESTÁ INVENTANDO? QUE EU *SOU* O PRÓPRIO SUZUKI! QUE RIDÍCULO! NÃO SEI SE NOTOU, MAS ELE É UM GAROTO E EU SOU UMA GAROTA!

– Kayo Mitsui sempre foi uma figura um tanto estranha no mundo dos famosos. Ninguém sabia onde ela vivia. Nunca ninguém a viu andando pela rua para fazer compras, e nunca se ouviu sequer falar de alguém que tenha aulas com ela. Koji me contou sobre tudo isso. Ele queria saber mais sobre você.

Ela levou a mão aos ouvidos e fingiu não ouvir mais nada. Senti que Satoru a estava atacando, mas, ao mesmo tempo, não conseguia arranjar forças para defender um nem outro. As informações eram tantas que meu cérebro estava ainda num lento processo de captá-las e entendê-las na totalidade.

– Se você e Suzuki são a mesma pessoa… Então dois alunos são o mesmo indivíduo. Isso é extremamente conveniente, né? Como se tivesse uma segunda vida aqui. Você podia descumprir as regras com uma dessas personalidades, ter essa personalidade “executada” e continuar andando livremente pela escola com a outra. E foi isso que você fez, não foi? Você levou a faca para o laboratório como “Ichiro” e matou o Koji como “Kayo”. Quando Kobayashi apareceu, você se escondeu. Ela foi embora e “Ichiro” foi “executado” pelo Monokuma. Você esperou que alguém te encontrasse, no caso, Kimoto e Kurama. Quando eles foram embora, você voltou a ser “Kayo” e voltou ao seu quarto. Pode até ter usado a sala dos professores e sala de computadores como intermediário, para não ter de ir pelo corredor onde outros alunos poderiam passar.

– I-Isso… É ridículo… VOCÊ ESTÁ LOUCO! – Exclamou a Vlogger, completamente em choque. Satoru simplesmente se aproximou dela e agarrou numa mecha do seu cabelo.

– Então você não deve se importar que eu puxe o seu cabelo, né? Afinal, ele não é uma peruca. Porque eu sou só um louco.

– LARGA O MEU CABELO, SEU JUMENTO IMBECIL! – E com um movimento rápido, ela deu uma forte tapa no ilusionista. Ele largou o cabelo, mas apenas sorriu vitorioso. Ela bateu com o pé no chão com força, dando dessa vez um soco no garoto que o fez cair para trás. – TUDO BEM. EU SOU ICHIRO SUZUKI. ESTÁ CONTENTE?

A sala ficou em completo silêncio à parte do som de Monokuma comendo pipocas da sua cadeira. Kayo jogou o cabelo ao alto, virando-se para nós.

– É verdade. Eu matei aquele paparazzo. Ele tinha descoberto o meu segredo, e eu não podia permiti-lo continuar vivendo. Afinal, esse segredo era o principal meio para o meu crime perfeito que o Monokuma sugeriu. – Explicou-se, num tom entediado. – Que bosta… Agora vou ser executada. Parece que eu não consegui o que eu queria.

Pelo o que eu percebi, a ordem de acontecimentos teria sido a seguinte:

Kayo foi até ao seu quarto, onde usou a passagem secreta dos armários para ir até ao quarto de Suzuki. Lá, ela se vestiu como o piloto e saiu para a cozinha, onde pegou uma faca e foi imediatamente para o laboratório. A partir desse momento, “Ichiro Suzuki” teria cometido uma infração às regras e estava destinado a ser executado por Monokuma. No laboratório, vestiu-se como Kayo novamente e esperou que KT aparecesse, com o intuito de matá-la. Só que quem apareceu primeiro foi Koji, e com uma foto incriminatória para Kayo. Querendo defender o seu segredo, e porque ia matar alguém de qualquer jeito, ela prosseguiu a assassiná-lo quando ele voltou as costas. Rasgou a fotografia, sem saber que Koji tinha mais uma escondida de baixo da T-Shirt, e jogou no lixo. Depois se escondeu em algum lugar até que Kobayashi aparecesse.

Quando KT chegou, ela viu o corpo de Koji. Como ela é na verdade uma psicopata com um amor ao fogo, ela decidiu queimar a pele do paparazzo. Quando o combustível do seu isqueiro acabou, a garota jogou-o no lixo e simplesmente saiu. Então Kayo trancou a porta, voltou a se vestir como Ichiro e deixou que Monokuma o “executasse”. Como Monokuma não podia punir Kayo pelo erro de “Suzuki”, ele apenas fingiu a morte dele. Foi aí que eu e Kurama chegámos. Vimos os dois “corpos” e saímos correndo para chamar os outros. Então “Suzuki” voltou a ser “Kayo” e saiu de volta para o seu quarto, deixando então umas lanças (dessa vez, verdadeiras) sujas com sangue falso. Provavelmente Monokuma não a estava ajudando porque queria, mas sim porque ele também era obrigado a simular a execução de “Suzuki”.

– A partir do momento que a personalidade de Ichiro foi executada, Monokuma pegou em todas as suas roupas e destruiu-as, e obrigou-me a nunca mais voltar a incorporar essa minha faceta. – Explicou a Vlogger. – Tecnicamente, Ichiro já morreu sim. Eu nunca mais posso voltar a ser ele.

– Kayo… Ou Ichiro, não sei… Porquê? Porque é que você fez isso? Fingir-se ser duas pessoas, enganar todos e… Matar alguém? – Perguntou Teemu. De todos, parecia o mais ofendido com tudo isso. Notei que era porque ele nutria um certo afeto por Suzuki, que fora o que o ajudara mais da outra vez que andara de elevador. Provavelmente sentia-se de certa forma traído. Kayo deu um sorriso. Só que não era um sorriso alegre, nem de deboche. Era um sorriso triste.

Clica.

– A minha vida como Ichiro Suzuki… Era uma grande porcaria. Eu vivia sempre, SEMPRE ocupado. Vocês não entendem como era. Eu não tinha espaço para mim mesmo… Eu tinha de viver sendo outra pessoa: Ichiro Suzuki, o grande piloto. Os meus pais me obrigavam a ter treinos todos os dias, ter reuniões com patrocinadores, dar entrevistas, trabalhos para a escola, ter boas notas, suportar familiares irritantes que só queriam saber de mim pelo meu sucesso… Eu mal tinha tempo para mim. “Ichiro Suzuki” não era mais a pessoa que EU era, era a pessoa que os MEUS PAIS queriam que eu fosse. – Uma pequena lágrima caiu do seu rosto. – Então uma vez eu fiz uma brincadeira. Me vesti de garota e fiz um vídeo para a internet. Eu só não estava à espera que fizesse tanto sucesso. E com aquele sucesso, eu fiz outro vídeo. Depois outro, depois outro. Eventualmente, “Kayo Mitsui” ganhou vida própria. Ela era a pessoa que eu queria ser. Impressionante como maquiagem, lentes de contacto e uma peruca conseguem mudar completamente a pessoa que somos, ao ponto de que ninguém me reconhecia.

Ela suspirou profundamente.

– Quando eu entrei em Hope’s Peak… Eu fiquei deveras impressionada quando descobri que tanto Kayo Mitsui como Ichiro Suzuki tinham sido convidados. E eu não queria recusar a oportunidade em nenhum deles. Então aceitei entrar. Só não estava esperando que ambos acabassem na mesma turma, e tampouco esperava que ISSO acontecesse. – Mas uma coisa eu sabia. Se o meu segredo fosse descoberto… A minha vida como Kayo Mitsui estaria arruinada, todos os meus fãs me odiariam por serem enganados desse jeito. E a minha vida como Ichiro Suzuki também estaria arruinada pois minha família nunca aceitaria isso. DESSE POR ONDE DESSE. EU TINHA. DE PROTEGER. O MEU SEGREDO. MESMO QUE ISSO SIGNIFICASSE MATAR ALGUÉM! E QUANTO MAIS TEMPO EU ESTIVESSE AQUI…!

A garota soluçou descontroladamente, lágrimas lhe caindo no rosto e deixando uma pequena mancha no chão abaixo de si.

– Por isso que, com a sugestão do Monokuma de crime perfeito… Era demasiado irresistível. Não aguentei, eu TINHA de matar alguém, eu TINHA de defender toda a minha vida. Mesmo que isso significasse a morte de Ichiro Suzuki… Eu não me importava de continuar sendo Kayo Mitsui o resto da vida. Eu só queria… Que um deles sobrevivesse. Era tudo o que eu queria.

Deu uma pequena risada, limpando as lágrimas com a ponta dos dedos, as luvas se sujando ligeiramente com a maquiagem que usava.

– Bom… Acho que, no final, nem um nem outro era realmente eu. No final, eu nem sei quem é que eu era. E parece que nunca o descobrirei, não é mesmo? Quem é a pessoa por trás de Ichiro Suzuki e Kayo Mitsui…

Fez-se silêncio. Ninguém se mexeu do seu lugar, ficaram todos encarando a garota, estáticos. Eu não fazia ideia do que pensar dela, ou dele, ou seja lá quem aquela pessoa fosse.

– Acredito que está na hora de falar adeus, não é mesmo? – Kayo tentou sorrir, mas lágrimas continuaram lhe caindo do rosto. – Mas que bosta… Sou mesmo uma cobarde. Como eu sou fraca, fiz com que vocês tivessem de passar por isso tudo de novo. Desculpem…

– Yahooo! Está na hora do adeus, de verdade! – Ele pegou no martelo e premiu um botão na frente dele – Adeusinho, não sentiremos a sua falta!

.

GAME OVER

Kayo Mitsui foi dada como culpada. Começando execução…

She Gets The Best of Both Worlds

Clica.

Quando olhámos para a tela no topo da sala de julgamentos, o que encontrámos foi o que parecia uma página do youtube. O vídeo que lá aparecia era intitulado de “LIVE STREAM – KAYO MITSUI EXECUTION” e o vídeo em si demonstrava a Vlogger num palco. Notei que o próprio vídeo estava sendo hospedado na conta da própria garota.

Quando voltei a prestar atenção ao vídeo, Kayo estava correndo. Ela corria pelo palco, fugindo de vários monokumas que tinham todos uma placa na cabeça dizendo “FAMÍLIA”. Depois, apareceram outros monokumas do outro lado do palco que tinham outra placa, dessa vez dizendo “FÃS”. Estes ursos agarraram Kayo por um braço, jogando-a para o alto, como se a venerassem. Contudo, logo os cuja placa continha “família” alcançaram-na, agarrando-a por um braço.

Os dois grupos de monokumas começaram a lutar por Kayo. Os fãs puxavam de um lado, e a família puxava do outro. Todos puxavam, e continuavam puxando, e puxavam mais… Eventualmente eles agarraram-na também pelas pernas, pela roupa, pelo cabelo, por tudo o que desse para puxar, como vários leões em cima da carne, cada um lutando por um pedaço. A expressão da Vlogger era de extrema dor.

Até que, no final, o corpo de Kayo cedeu, indo uma metade para cada lado.

Notas finais
Hehehe. A personagem assassina era minha, como é óbvio, caso contrário teria sido dificil de organizar todo esse caso (que já estava preparado antes da fic sequer começar!) Enfim, espero que vocês tenham gostado! Foi difícil de deixar tudo claro para vocês compreenderem, espero que tenha conseguido e não hesitem em perguntar alguma coisa nas reviews! Eu ia escrever mais mas fiquei sem tempo orz e eu realmente queria postar o capítulo hoje, então... É, o resto fica para o próximo. Esse já ficou grandão mesmo. E podem votar nas próximas 3 personagens a receber um free time event! Podem ser personagens que já morreram e nesse caso específico pode ser a personagem que morreu nesse capítulo. Yeep. Não quero ser muito específica porque eu sei que tem gente que lê as notas finais antes de ler o capítulo todo E EU NÃO VOU DAR SPOILERS. Ok, é isso. Até ao próximo ~ (espero não demorar tanto, mas não faço ideia...)