O Reflexo do Verão
11 O Retorno e a Realidade
O clima no SUV durante o caminho de volta era o oposto da ida. O silêncio agora não era de tédio, mas de uma nostalgia antecipada e segredos que pesavam no ar. Michael dirigia o carro de Conrad, que havia cedido o volante após alegar estar exausto da trilha, enquanto Sarah observava a paisagem mudar da floresta densa para o asfalto familiar.
A estrada parecia passar mais rápido do que Michael gostaria. No banco de trás, Conrad e Ariel dormiam profundamente, com as cabeças encostadas um no outro. Michael aproveitou o espelho retrovisor para conferir se os dois realmente não acordariam tão cedo e, em seguida, estendeu a mão direita para o banco do passageiro.
Sarah não hesitou. Ela entrelaçou seus dedos nos dele, apertando com força, como se quisesse ancorar aquele momento antes que a bolha estourasse.
— Estamos quase chegando — ela sussurrou, a voz carregada de uma leve melancolia.
— Eu sei — Michael respondeu, o olhar fixo na estrada, mas o polegar acariciando o dorso da mão dela. — No momento em que cruzarmos aquele portão, voltamos a ser o "Mike" e a "irmãzinha do Con".
Sarah deu um sorriso de canto, provocativa como sempre.
— Você pode tentar fingir, Michael Styles. Mas eu sei que toda vez que você olhar para mim na mesa de jantar, vai lembrar de como a barraca balançava com o vento... ou com a gente.
Michael soltou um riso baixo, sentindo o rosto esquentar.
— Você não tem filtro, não é? O perigo é que eu estou começando a gostar dessa sua falta de juízo.
A Parada no Posto
Eles pararam em um posto de conveniência para abastecer. Enquanto Conrad e Ariel foram comprar café, Michael e Sarah ficaram sozinhos perto das bombas de combustível. O sol da tarde era forte, e a realidade da cidade começava a cercá-los.
— Escuta — Michael disse, puxando-a para trás de uma pilastra, longe da vista da loja. — Vai ser difícil lá em casa. Eu não quero te esconder como se fosse algo errado, mas eu não posso simplesmente chegar no Conrad e dizer que estraguei a confiança dele.
Sarah colocou as mãos no peito de Michael, sentindo o calor através da camiseta.
— Você não estragou nada. Você só descobriu algo que já estava lá, escondido sob anos de proteção. Eu não me importo de manter isso entre nós por um tempo... desde que o "entre nós" inclua escapadas noturnas.
Michael a puxou para um beijo rápido e urgente, interrompido pelo som do alarme do carro sendo destravado por Conrad. Eles se afastaram em um segundo, Sarah fingindo limpar um cisco no olho enquanto Michael fingia conferir a pressão dos pneus.
O Portão da Mansão Santiago
Quando o SUV finalmente cruzou o portão da propriedade dos Santiago, o peso da realidade caiu sobre os ombros de Michael. Ricardo e Marcus estavam na varanda, rindo com taças de vinho, exatamente como os deixaram.
— Chegaram os aventureiros! — gritou Marcus Styles, acenando para o filho.
Enquanto descarregavam as mochilas, Conrad passou o braço pelo pescoço de Michael.
— Valeu pela parceria, cara. Melhor acampamento da vida. E valeu por cuidar da Sarah na barraca, eu sabia que ela estaria segura com você.
Michael sentiu uma pontada de culpa que quase o fez perder o equilíbrio, mas sentiu o olhar de Sarah sobre ele. Ela passou por eles carregando sua bolsa, dando uma piscadela imperceptível para Michael antes de entrar na casa.
— É, Con... — Michael murmurou, forçando um sorriso enquanto pegava a última mochila. — Ela estava em boas mãos. Pode ter certeza.
A viagem tinha acabado, mas o território em que eles estavam entrando agora era muito mais perigoso do que qualquer trilha no Vale das Sombras.
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