O peso que Michael carregava parecia ter evaporado após a conversa no quarto. Ele e Sarah desceram as escadas de mãos dadas, os dedos entrelaçados com força. No andar de baixo, a sala de jantar dos Santiago estava repleta: Ricardo e Mônica conversavam com Marcus e Zayra, enquanto Conrad e Ariel dividiam um sofá, trocando carícias discretas que agora eram oficiais.


​O burburinho das conversas cessou quando o casal parou na entrada da sala. Michael sentiu a palma da mão suar, mas não soltou Sarah. Ele olhou para o pai, Marcus, e depois para o sogro, Ricardo.

​— Precisamos falar com todos vocês — Michael começou, a voz ressoando com uma coragem que ele não sabia que tinha. — Antes de eu, o Conrad e a Ariel partirmos daqui a três dias, eu não podia levar mais esse segredo na mala. Eu e a Sarah estamos juntos. Eu a amo, e sei que isso pode mudar a dinâmica entre as nossas famílias, mas não consigo mais fingir que ela é só a irmã do meu melhor amigo.

​Sarah deu um passo à frente, apertando a mão de Michael.

— Não foi nada planejado, mas aconteceu. E eu não quero que ele vá embora achando que o que temos é algo que precisamos esconder.

​Houve um segundo de silêncio absoluto. Ricardo trocou um olhar com Marcus, enquanto Mônica e Zayra apenas sorriam de um jeito que Sarah achou estranho. De repente, Ricardo soltou uma gargalhada e estendeu a mão para Marcus.

​— Viu só, Marcus? Eu te disse que ele não aguentaria a pressão da despedida! Cinquenta reais na minha conta agora mesmo — brincou Ricardo, fazendo todos rirem.

​— Eu achei que eles iam esperar até o Natal para contar — resmungou Marcus, rindo e tirando a carteira do bolso. — Vocês dois são péssimos mentirosos.

​Sarah arregalou os olhos, olhando de Mônica para Zayra.

— Espera... vocês já sabiam?

​— Querida, nós somos suas mães — Mônica disse, levantando-se para abraçá-la. — Eu vi o Michael saindo do seu quarto às quatro da manhã na semana passada achando que era um ninja. Sem contar que o cheiro do perfume dele está impregnado em todas as suas blusas.

​— E você, Michael — Zayra completou, piscando para o filho —, sempre foi protetor, mas o jeito que você olha para a Sarah agora é diferente. É o olhar de um homem apaixonado, não de um "irmão mais velho".

​Conrad se levantou, abraçando Ariel pela cintura.

— Finalmente! Eu já não aguentava mais fingir que não via vocês se engolindo com os olhos nos jantares. Agora a Ariel e eu não somos os únicos "oficiais" da casa.

​Ariel riu, jogando uma almofada em Michael.

— Bem-vindos ao clube dos namorados, maninho! Já era hora de assumir que a "pirralha" ganhou seu coração.

​O clima de tensão transformou-se em uma celebração genuína. Mônica e Zayra correram para buscar mais vinho e petiscos, enquanto Ricardo e Marcus abraçavam os filhos, orgulhosos da honestidade deles. A diversão tomou conta da sala, com todos relembrando os momentos em que o casal quase foi pego no flagra durante o verão.

​Michael puxou Sarah para um beijo rápido no meio da sala, desta vez sem se importar com quem estava olhando.

— Eu te disse — ele sussurrou contra os lábios dela. — A verdade liberta.

​— E agora eu tenho três dias para aproveitar meu namorado oficial antes da faculdade começar — ela respondeu, com aquele brilho sexy e divertido nos olhos que Michael tanto amava.

​A noite seguiu regada a risadas e planos. A partida ainda doía, mas agora eles tinham a benção de quem mais importava para enfrentar a distância que viria.