O Reflexo do Verão
16 O Peso de Cada Segundo
O sol já não brilhava com a mesma força de antes, dando lugar a tons alaranjados que tingiam o horizonte do Vale das Sombras. Com apenas dois dias restando antes da partida de Michael, Ariel e Conrad, o clima na mansão era uma mistura inebriante de euforia e melancolia. Sarah e Michael pareciam ter decidido que dormir era um desperdício de tempo. Cada minuto precisava ser preenchido com o toque, a voz e o cheiro um do outro.
Eles estavam na varanda dos fundos, balançando preguiçosamente na rede. Sarah estava aninhada entre as pernas de Michael, com a cabeça apoiada em seu peito, enquanto ele passava os dedos pelos cabelos dela, um gesto que se tornara mecânico e vital.
— Sabe o que eu mais vou sentir falta? — Sarah quebrou o silêncio, a voz vibrando contra a camiseta dele.
— Das minhas piadas infames sobre o seu jeito de acordar? — Michael brincou, mas seus olhos estavam fixos no topo da cabeça dela.
— Também. Mas é desse silêncio. De não ter que falar nada e saber que você está aqui. Na faculdade, o silêncio vai ser... só silêncio. Sem o seu batimento cardíaco para acompanhar.
Michael parou o movimento dos dedos e a abraçou mais forte, enterrando o rosto em seu pescoço.
— Eu vou gravar o som da minha voz te chamando de "irritante" e te mandar toda manhã. Assim você não esquece de mim.
— Como se fosse possível esquecer o homem que enfrentou meu pai e o melhor amigo de uma vez só — ela riu, virando-se para olhá-lo. O olhar de Sarah mudou rapidamente de divertido para intenso. Ela deslizou a mão pelo rosto dele, contornando a linha da mandíbula. — Você está com medo, Mike?
Michael suspirou, a fachada de "cara protetor" caindo por um instante.
— Estou aterrorizado, Sarah. Não da faculdade, mas de como vai ser o primeiro domingo sem você. De como vai ser não ter você me provocando na cozinha enquanto eu tento fazer café. Eu me acostumei com a sua luz... e agora vou ter que viver de reflexos por um tempo.
O Jantar e a Provocação de Conrad
Dentro de casa, o cheiro do churrasco preparado por Ricardo e Marcus invadia o ambiente. À mesa, a família Styles e Santiago parecia uma só. Mônica e Zayra trocavam histórias sobre a infância do trio, enquanto Ariel e Conrad planejavam como dividiriam o tempo entre as aulas e os encontros.
— Então, Michael — provocou Conrad, cortando um pedaço de carne —, já comprou o plano de dados ilimitado? Porque eu sei que a Sarah vai te ligar até para perguntar que cor de meia ela deve usar.
— Engraçado, Conrad — rebateu Michael, servindo vinho para Sarah sem tirar os olhos dela. — Eu estava pensando a mesma coisa sobre você e a Ariel. Ou você acha que eu não percebi que você já baixou aquele aplicativo de rastreio para saber onde ela está o tempo todo?
A mesa explodiu em risadas. Ricardo levantou a taça, olhando para os dois casais.
— É bom ver vocês assim. A vida é feita desses momentos. Aproveitem, porque a distância só assusta quem não tem raízes. E vocês... bom, vocês têm raízes profundas aqui.
A Entrega na Calada da Noite
Mais tarde, quando a casa finalmente silenciou, Michael entrou no quarto de Sarah. Ele não precisava mais ser o "ninja" que Mônica mencionara, mas o hábito da discrição ainda lhes dava um prazer culposo. Ele a encontrou na janela, observando as estrelas.
Michael a abraçou por trás, as mãos espalmadas em seu ventre, puxando-a para sentir o calor de seu corpo.
— Você está muito pensativa hoje — ele murmurou no ouvido dela, distribuindo beijos lentos pela curva do seu ombro.
— Estou tentando decorar o céu hoje. Para que, quando eu olhar para ele lá da escola, eu saiba que você está vendo as mesmas estrelas.
Michael a virou com suavidade. A luz da lua entrava pelo vidro, iluminando as curvas de Sarah de um jeito que o deixava sem fôlego. Ele a pegou no colo e a levou para a cama, deitando-a entre os lençóis de seda.
— Eu não quero que você decore as estrelas — ele sussurrou, a voz carregada de um desejo profundo e sombrio. — Eu quero que você decore o meu toque.
O que se seguiu foi uma noite de descobertas lentas. Não havia a pressa do motel ou o medo do acampamento. Era uma despedida em forma de carinho. Michael explorou cada centímetro dela com uma adoração quase religiosa, e Sarah respondeu com uma entrega total, guiando as mãos dele, sussurrando o nome dele como se fosse uma prece.
— Nada vai mudar, Mike — ela disse, arqueando o corpo sob ele, os olhos fixos nos dele. — O que começou naquela barraca não tem fim.
— Eu sei — ele respondeu, selando a promessa com um beijo que carregava todo o amor, a dor da partida e a esperança do reencontro. — Você é a minha casa, Sarah. E eu sempre volto para casa.
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