O Reflexo do Verão
27 O Erro de Paris
O silêncio do quarto em Paris, antes preenchido pelo som da paixão, tornou-se sufocante para Sarah. Enquanto Michael dormia profundamente, a escuridão trouxe de volta os fantasmas que ela acreditava ter enterrado. As imagens do dormitório de cinco anos atrás — o cheiro de traição, a voz de Chloe e o choque de vê-lo com outra — invadiram sua mente com uma força brutal.
Sentindo um nó na garganta e o corpo se contraindo em repulsa ao próprio desejo momentâneo, ela se levantou silenciosamente, deixando Michael na cama. Sarah caminhou até a varanda, o frio da noite parisiense cortando sua pele enquanto ela andava de um lado para o outro, em um desespero silencioso que a consumia.
Michael acordou sentindo a ausência dela e, ao encontrá-la na varanda com o olhar perdido nas luzes da cidade, tentou abraçá-la por trás. Sarah se esquivou como se o toque dele a queimasse.
— Sarah? O que foi? O que aconteceu? — ele perguntou, a voz ainda rouca de sono.
— Isso foi um erro, Michael — ela disse, a voz gélida, sem olhar para ele. — Um erro terrível. Isso não vai se repetir. Nunca mais.
Michael deu um passo atrás, em choque.
— Do que você está falando? Depois de tudo o que aconteceu aqui agora? Sarah, eu te amo. Eu nunca deixei de te amar.
Sarah virou-se para ele, e o brilho de admiração que ele vira no jantar fora substituído por uma dureza implacável.
— Amor? Você não sabe o que é amor, Michael Styles. Você sabe o que é conveniência. O que aconteceu hoje foi apenas uma recaída física. Eu lembrei de cada segundo daquela tarde no seu dormitório enquanto você dormia. Eu vi a Chloe na minha frente. Eu senti o mesmo nojo.
— Sarah, por favor, não faz isso... — ele implorou, mas ela o interrompeu.
— Se você ainda quiser ser meu amigo para não estragar a paz das nossas famílias, tudo bem. Mas não toque em mim, não me olhe assim e não ouse dizer que me ama novamente. Agora, por favor, sai daqui.
A Partida no Meio da Noite
A discussão escalou, as vozes ecoando pelo apartamento de luxo até despertarem Conrad e Ariel. Conrad apareceu na sala, vendo a irmã trêmula de fúria e Michael com os olhos marejados, recolhendo suas coisas às pressas.
— Gente, o que está acontecendo? Mike, calma lá! — tentou intervir Conrad, colocando a mão no ombro do amigo.
— Não se mete, Conrad! — Sarah disparou, firme. — Ele está indo embora. Agora.
Ariel tentou se aproximar de Sarah, mas a modelo apenas levantou a mão, sinalizando para que ela parasse.
— Eu não sou mais aquela garotinha que chorava nos seus braços, Ariel. Eu sei exatamente o que estou fazendo. Michael fez a escolha dele há cinco anos, e eu estou reafirmando a minha hoje.
Michael pegou sua mala, olhou uma última vez para Sarah, esperando encontrar qualquer vestígio da mulher que o beijara horas antes, mas encontrou apenas o vazio. Sem dizer mais nada, ele atravessou a porta e saiu para a noite de Paris, deixando para trás o que restava do seu sonho de redenção. Sarah permaneceu na varanda, sozinha, sentindo que, finalmente, as lembranças do passado não tinham mais poder sobre ela porque ela as enfrentara de frente.
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