O Reflexo do Verão
24 O Acampamento das Estrelas
A brisa da noite em Hamilton trazia o mesmo frescor de cinco anos atrás, e para Conrad e Ariel, aquele era o cenário perfeito para uma última tentativa. Eles não queriam forçar um romance, mas sentiam que a amizade do quarteto merecia um fechamento mais digno do que o silêncio educado do jantar.
A ideia partiu de Ariel. Ela convenceu os pais de que os quatro precisavam de um momento "só deles" na praia, longe das formalidades dos adultos. No meio das dunas, onde a civilização parecia distante, eles montaram duas barracas e acenderam uma fogueira que estalava sob o céu estrelado.
— Isso me traz lembranças perigosas — comentou Sarah, sentando-se em um tronco com a elegância de quem estava em uma passarela, mesmo de botas e moletom.
— Lembranças são apenas dados, Sarah — brincou Ariel, a médica sempre analítica. — O que importa é o que fazemos com elas agora.
Conrad abriu algumas cervejas e entregou uma a Michael, que estava estranhamente calado, observando as chamas.
— Eu e a Ariel vamos buscar mais lenha lá perto do deck — mentiu Conrad, com a sutileza de um elefante. — Vocês dois fiquem de olho no fogo. Não queremos incendiar a propriedade dos Styles.
O Confronto no Silêncio
Quando os passos de Conrad e Ariel sumiram na areia, o silêncio entre Michael e Sarah tornou-se denso. Michael mexeu nas brasas com um graveto, sem olhar para ela.
— Eles acham que somos um quebra-cabeça que precisa ser montado de novo — disse Michael, a voz rouca.
— Eles são nostálgicos, Mike — Sarah respondeu calmamente. — Eles lembram daquela Sarah de 18 anos que achava que o mundo acabava em você. Eles não conhecem a mulher que eu sou agora.
Michael finalmente levantou o olhar. As chamas refletiam nos olhos da modelo, tornando-a ainda mais inacessível.
— Eu conheço. Eu vejo você nas revistas, nos telões da Times Square... Eu vejo uma mulher que conquistou tudo o que disse que conquistaria. Mas eu ainda vejo a Sarah que me desafiava no vôlei de praia.
— Essa Sarah ainda existe — ela admitiu, com um sorriso de canto. — Mas ela aprendeu que alguns jogos não valem a pena serem jogados se as regras mudam no meio da partida.
A Confissão de Michael
Michael largou o graveto e se inclinou para frente.
— Sarah, eu nunca te pedi desculpas de verdade. Não pelas mensagens, mas olhando nos seus olhos. Eu fui um covarde. Eu estava com medo da distância, com medo de te perder para esse mundo grande que você agora domina... e acabei te perdendo por minhas próprias mãos. Eu daria todos os meus pontos na NBA para voltar àquela noite no dormitório e ter trancado aquela porta antes daquela garota entrar.
Sarah suspirou, olhando para o mar.
— O soco que eu te dei naquela festa... ele não foi por causa da Chloe, Mike. Foi por causa do desperdício. Nós éramos raros.
O Acordo
Ariel e Conrad observavam de longe, escondidos atrás de uma duna.
— Eles estão conversando — sussurrou Ariel. — Isso é um bom sinal?
— É o sinal de que eles estão sendo adultos — Conrad respondeu, passando o braço pelo ombro da namorada.
Lá embaixo, na fogueira, Sarah estendeu a mão para Michael. Não para um abraço, mas para um aperto de mão firme.
— Eu não vou voltar para você, Michael. Minha vida em Paris e Milão é real demais para eu retroceder. Mas... eu aceito o seu pedido de desculpas. Eu quero poder olhar para você nos jantares de família e ver o meu amigo de novo, não o cara que me traiu.
Michael segurou a mão dela, sentindo a pele macia e a força de quem não precisava mais dele. Ele sorriu, um sorriso triste, mas aliviado.
— Amigos, então?
— Amigos — Sarah confirmou. — Mas se você tentar me dar conselhos de moda, eu te dou outro soco.
Eles riram, e quando Ariel e Conrad voltaram com "lenha" (que claramente já estava lá o tempo todo), encontraram o quarteto em paz. O acampamento não restaurou o casal, mas restaurou algo mais valioso: a história deles. Naquela noite, sob as estrelas de Hamilton, eles finalmente deixaram o verão de cinco anos atrás descansar.
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