O Reflexo do Verão

25 O Reencontro em Paris


Seis meses se passaram desde o acampamento em Hamilton. Sarah estava vivendo o auge de sua carreira em Paris. O apartamento, localizado no prestigioso 8º arrondissement, era um refúgio de design minimalista, luz natural e uma vista inesquecível da Torre Eiffel.


​O quarteto se reuniu na sala de estar após um dia exaustivo de compras e visitas a museus. Conrad e Ariel estavam exaustos, mergulhados nos sofás de veludo, enquanto Michael observava Sarah servir champanhe com uma naturalidade cosmopolita.

​— Você está vivendo um sonho, Sarah — disse Ariel, admirando as fotografias da última campanha de Sarah espalhadas pela mesa de centro. — É estranho te ver aqui, tão dona do seu próprio destino.

​— Eu nunca me senti tão livre — Sarah respondeu, entregando uma taça a Michael. Os dedos deles se tocaram brevemente, um toque que, desta vez, não carregava a dor do passado, mas uma eletricidade diferente, madura e perigosa.

​— Esta cidade combina com você — Michael comentou, a voz descendo uma oitava. Ele estava de terno, vindo direto de um evento de patrocinadores da NBA que acontecera mais cedo na cidade. Ele parecia um homem que tinha o mundo aos seus pés, mas que, naquele momento, só conseguia ver a mulher à sua frente.

​A Noite de Paris

​Mais tarde, após Conrad e Ariel se recolherem para o quarto de hóspedes, o apartamento mergulhou em um silêncio absoluto, apenas pontuado pelo som distante dos carros parisienses. Sarah estava na varanda, observando as luzes da cidade, quando sentiu a presença de Michael logo atrás.

​— É uma vista incrível — ele murmurou, aproximando-se o suficiente para ela sentir o calor do seu corpo. — Mas eu não consigo parar de olhar para você.

​Sarah se virou. O vestido de seda que ela usava era simples, mas caía sobre ela como uma segunda pele. Michael estava sem a gravata, a camisa levemente aberta. A tensão entre eles não era mais a de adolescentes; era a atração crua de dois adultos que conheciam todos os segredos um do outro.

​— Você não deveria estar aqui, Mike — ela disse, embora não tivesse se afastado. — O nosso acordo era sobre amizade.

​— Eu tentei manter esse acordo — ele confessou, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Ele levantou a mão, hesitando antes de tocar a bochecha de Sarah. Quando finalmente tocou, a respiração dela falhou. — Mas Paris faz as pessoas esquecerem de muitas coisas. E estar perto de você, vendo o quanto você se tornou essa mulher magnética... é difícil ser apenas um "amigo".

​O Momento de Atração

​Sarah sentiu o coração acelerar. A memória da traição ainda estava lá, mas a química que eles sempre tiveram era uma força da natureza que nenhuma mágoa conseguia apagar completamente.

​— Você me conhece bem demais, não é? — ela sussurrou, encostando-se na balaustrada da varanda.

​— Eu conheço cada batida do seu coração — Michael respondeu, inclinando-se para o ouvido dela. A fragrância dele — amadeirada, familiar, inebriante — inundou os sentidos de Sarah. Ele a cercou com os braços, apoiando as mãos na balaustrada, prendendo-a em seu espaço.

​O beijo aconteceu quando Sarah inclinou a cabeça para trás, buscando o rosto dele. Não foi um beijo de reconciliação, foi um beijo de desejo puro. Havia uma urgência contida, um reconhecimento da atração que nunca morreu, apenas hibernou. As mãos de Michael deslizaram para a cintura dela, puxando-a para o seu corpo, e Sarah envolveu o pescoço dele, sentindo as mãos grandes de Michael apertarem sua pele com uma possessividade que ela não deveria desejar, mas que a deixou zonza.

​— Mike... — ela respirou entre os beijos, os lábios roçando os dele.

​— Eu não quero esquecer como você se sente — ele murmurou contra a boca dela, os beijos descendo para a linha do pescoço, o lugar exato que ele costumava beijar há tantos anos.

​A atração era um fogo que ainda ardia sob as cinzas. Pela primeira vez em anos, Sarah não pensou no passado, nem no futuro em Milão ou Nova York. Por aquela hora, no silêncio de um apartamento luxuoso em Paris, eles eram apenas dois corpos que se reconheciam. E, enquanto Michael a carregava para dentro, Sarah sabia que, embora a amizade fosse o objetivo, a paixão entre eles ainda era um jogo perigoso onde ambos, secretamente, queriam perder.