O Reflexo do Verão
5 Entre Estacas e Tensões
O SUV parou em uma clareira cercada por árvores altas e o som de uma cachoeira próxima. O ar ali era mais fresco, mas o esforço físico de descarregar o carro logo fez o calor subir.
Conrad saltou do carro com energia, batendo no teto do veículo.
— Chegamos ao paraíso, pessoal! Vamos montar tudo antes que o sol se ponha, ou vamos comer marshmallow no escuro.
Michael desceu e começou a puxar as mochilas pesadas. Ele tentava manter o foco no trabalho braçal para não pensar na distribuição das barracas que Conrad havia anunciado. Sarah saiu logo atrás, esticando os braços e respirando o ar puro da mata.
— Mike, pega as estacas da barraca maior? Eu e a Ariel vamos montar a nossa ali perto daquela árvore — comandou Conrad, já desenrolando a lona.
Michael assentiu e começou a organizar o equipamento da barraca que dividiria com Sarah. O sol ainda castigava, e o suor começou a brotar em sua testa. Ele tirou a camisa, ficando apenas de bermuda, tentando ignorar que Sarah o observava discretamente enquanto ela separava os sacos de dormir.
— Está quente demais aqui, não está? — Sarah perguntou, passando a mão pelo pescoço.
— É o verão, Sarah. O que você esperava? — Michael respondeu, sem olhar para ela, lutando com uma das varetas da barraca.
— Esperava que o vento ajudasse, mas não está ajudando nada.
Sem aviso, Sarah levou as mãos à barra de sua blusa de algodão e, em um movimento fluido, a puxou pela cabeça. Por baixo, ela usava apenas um top esportivo azul, que deixava à mostra sua cintura e a pele dourada pelo sol da manhã na piscina.
Michael, que tinha acabado de se virar para pedir ajuda com a lona, travou. Ele sentiu o rosto esquentar instantaneamente e desviou o olhar para o chão, subitamente muito interessado em um buraco na terra.
— O que foi, Michael? — ela perguntou, com um tom de voz que beirava a inocência, mas carregava uma pitada de malícia. — Ficou sem graça?
— Eu... eu só achei que você fosse esperar a gente terminar de montar tudo antes de ficar à vontade — ele gaguejou, sentindo-se um adolescente atrapalhado, algo que ele definitivamente não era.
— É só um top, Mike. Você está sem camisa, não está? — Ela deu um passo em direção a ele, pegando uma das estacas. — Ou será que a "pirralha" está te deixando nervoso agora que não tem mais uma camiseta de banda para se esconder?
Michael limpou o suor da testa com o antebraço, tentando recuperar a postura.
— Não seja ridícula. Só acho que você devia focar em ajudar. Conrad está olhando.
— Conrad está ocupado demais com a Ariel — ela rebateu, apontando para o irmão, que ria enquanto tentava equilibrar a própria barraca. — Estamos por nossa conta aqui.
Michael voltou a martelar a estaca com mais força do que o necessário. Ele conseguia sentir a presença dela ao seu lado, o movimento de seus braços enquanto ela o ajudava, e o fato de que estariam confinados naquele espaço pequeno em poucas horas começou a pesar mais do que a mochila que ele carregou.
— Prontinho — Sarah disse, dando um tapinha final na lona da barraca deles. — Nossa "casa" está pronta. Ansioso para a noite, Michael?
Ele finalmente olhou para ela, encontrando um par de olhos castanhos que pareciam ler todos os seus pensamentos proibidos.
— Eu só quero que o fogo da fogueira não apague — ele respondeu, com a voz rouca. — Porque o clima aqui já está quente o suficiente.
Fale com o autor