O Reflexo do Verão
34 O Primeiro Café do Resto de Nossas Vidas
O sol da manhã entrava pelas janelas da cozinha em Hamilton, trazendo aquele cheiro nostálgico de café fresco e maresia. Conrad estava concentrado em virar panquecas, enquanto Ariel e Michael revisavam algumas notícias no tablet, dividindo uma tigela de frutas entre risadas baixas. O clima era de uma paz que parecia impossível anos atrás.
Sarah desceu as escadas com passos leves, vestindo um cardigã folgado, longe da postura rígida das passarelas de Paris. Ela entrou na cozinha e o silêncio confortável da manhã foi quebrado por sua presença radiante.
Sem hesitar, ela caminhou direto até Michael. Para a surpresa geral, Sarah inclinou-se e depositou um beijo doce e demorado em seus lábios.
— Bom dia, Mike — ela sussurrou, com um sorriso que iluminou o rosto dele.
Michael, pego de surpresa mas visivelmente radiante, segurou a cintura dela por um segundo a mais.
— Bom dia, Sarah. Dormiu bem?
Conrad parou com a espátula no ar, uma panqueca pela metade, olhando para os dois com os olhos arregalados. Já Ariel soltou um gritinho de empolgação, batendo palmas freneticamente.
O Diálogo na Mesa
— "EU SABIA! EU DISSE!" — Ariel exclamou, levantando-se para abraçar Sarah. — "Conrad, me dá os cinquenta dólares agora mesmo! Eu falei que a Toscana tinha mudado o jogo, mas Hamilton finalizou o serviço!"
— "Espera aí..." — Conrad balançou a cabeça, alternando o olhar entre a irmã e o melhor amigo. — "O que eu perdi? Ontem à noite vocês estavam filosofando sobre cinzas e horizonte na areia, e agora estão... trocando beijos de bom dia na frente do meu café?"
Sarah riu, sentando-se à mesa e servindo-se de uma xícara de café.
— "A gente cansou de perder tempo com silêncios, Con. E, por favor, não queime as panquecas. O amor é lindo, mas eu ainda estou com fome."
— "Eu não estou entendendo nada," — Conrad resmungou, embora um sorriso estivesse começando a aparecer no canto de sua boca. — "Michael, você está oficialmente namorando a minha irmã... de novo? Eu preciso te dar outro soco ou a gente pode só pular para a parte em que você é o cunhado chato?"
Michael soltou uma gargalhada genuína, pegando a mão de Sarah sobre a mesa.
— "Pode pular o soco, por favor. Minha mandíbula já agradece. E sim, Styles, eu não vou a lugar nenhum. Se acostume com o 'cunhado chato' no café da manhã."
— "Finalmente!" — Ariel celebrou, sentando-se novamente. — "Agora o quarteto está completo de verdade. Sem fugas para o Canadá, sem desfiles em Milão como desculpa para não se falarem. Só falta o Conrad aprender a virar essa panqueca sem parecer que está jogando basquete com ela."
— "Ei!" — Conrad protestou, rindo. — "Eu sou um atleta profissional, minha técnica de panqueca é baseada em física pura!"
A cozinha foi preenchida pelo som de risadas e o barulho de talheres. Ali, entre o café e as brincadeiras, o peso dos últimos quinze anos finalmente evaporou. Eles não eram mais apenas sobreviventes; eram uma família que, após tantas tempestades, havia finalmente encontrado o caminho de volta para casa.
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