O Reflexo do Verão
35 O Sim Sob o Horizonte
Seis meses após o recomeço em Hamilton, o ar de renovação já não era mais apenas uma esperança, mas a realidade cotidiana de Sarah e Michael. Naquela tarde, o sol começava a se despedir com um brilho dourado, quando Michael enviou uma mensagem curta para o quarto: "Coloque aquele seu vestido favorito e me encontre na nossa parte da praia. Sem atrasos, modelo."
Sarah sorriu, sentindo aquele frio na barriga que achou que tivesse morrido aos dezoito anos. Ela escolheu um vestido de seda leve, prendeu o cabelo de forma despojada e caminhou descalça pela areia.
Ao contornar as dunas, Sarah parou, sem fôlego. No meio da areia, havia uma mesa posta com velas protegidas por lanternas de vidro. No centro, o aroma inconfundível: almôndegas ao molho branco, exatamente como ela amava. Michael estava de pé ao lado da mesa, vestindo uma camisa de linho branca, com o mar ao fundo emoldurando sua figura.
Quando ela se aproximou, ele não esperou. Michael ajoelhou-se lentamente na areia, segurando uma pequena caixa de veludo.
— "Michael... o que é tudo isso?" — Sarah perguntou, a voz falhando.
— "Eu passei metade da minha vida fugindo do que eu sentia, ou tentando consertar o que eu quebrei," — Michael começou, olhando nos olhos dela com uma sinceridade absoluta. — "Nós não somos mais aquelas crianças no vale, e o mundo nos testou de todas as formas possíveis. Mas aqui, diante desse mar que guardou nossas cinzas e nossas lágrimas, eu quero te fazer uma promessa. Eu não quero mais ser apenas o seu porto seguro, Sarah. Eu quero ser o seu destino. Você aceita casar com o homem mais sortudo e teimoso que você já conheceu?"
Sarah nem sequer hesitou. As lágrimas de felicidade brilhavam tanto quanto o diamante na caixa.
— "Mil vezes sim, Michael Styles! Sim!"
Ele deslizou o anel em seu dedo e a levantou em um abraço apertado, girando-a enquanto o som de aplausos e assobios explodia vindo de trás das dunas.
A Invasão do Quarteto
Conrad e Ariel surgiram correndo, carregando garrafas de champanhe e taças, já em clima de festa total.
— "FINALMENTE!" — gritou Conrad, estourando a rolha que voou direto para o mar. — "Eu já não aguentava mais o Michael treinando esse discurso no meu ouvido toda vez que íamos jogar basquete!"
— "Ele treinou com você?" — Sarah riu, aceitando uma taça de Ariel.
— "Treinou! Ele até me fez fingir que eu era você para ver se o ângulo do joelho estava bom," — Conrad brincou, fazendo todos gargalharem. — "Eu quase aceitei o pedido, de tão bonito que foi!"
Ariel abraçou Sarah com força, pulando de alegria.
— "Amiga, olha esse anel! Se você não aceitasse, eu mesma casava com ele só pela joia! Mas sério... ver vocês dois assim, aqui... os quatro juntos de novo... é tudo o que eu sempre quis."
— "E as almôndegas?" — Michael perguntou, servindo o prato de Sarah. — "Estão no ponto?"
— "Estão perfeitas, Mike," — ela respondeu, sentando-se na areia com sua taça. — "Mas nada é mais perfeito do que ter vocês aqui."
A Comemoração à Beira-Mar
A noite caiu e eles acenderam uma pequena fogueira. O quarteto sentou-se ao redor do fogo, dividindo a comida e as memórias.
— "Então," — Conrad começou, olhando para o cunhado. — "Agora que você é oficialmente parte da família, Michael, você sabe que o meu pai teria te dado um sermão de duas horas antes de deixar você colocar esse anel, né?"
— "Eu sei, Con," — Michael sorriu, olhando para o céu estrelado. — "Eu tive uma conversa com o Ricardo hoje cedo, lá na beira da água. Acho que ele me deu a benção dele no barulho das ondas."
— "Com certeza deu," — Sarah sussurrou, encostando a cabeça no ombro de Michael.
— "Bom," — Ariel interrompeu, levantando sua taça. — "Um brinde! Ao novo capítulo, à persistência do amor e ao fato de que, não importa para onde a vida nos leve, o quarteto sempre encontra o caminho de volta para casa."
— "Aos sobreviventes do vale!" — brindaram em coro, as risadas ecoando pela praia de Hamilton, selando o destino que, agora, nada seria capaz de separar.
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