O Reflexo do Verão
30 O Altar dos Destinos Cruzados
O anúncio do casamento de Ariel e Conrad caiu como uma bomba de alegria e tensão sobre as famílias Styles e Santiago. Após anos de idas e vindas, o casal que sempre foi a âncora do grupo finalmente decidiu oficializar a união em uma cerimônia luxuosa em uma propriedade rural na Toscana. Mas, para além das flores e do champanhe, havia a inevitabilidade: o encontro entre a supermodelo internacional e o exilado do basquete canadense.
A Toscana estava banhada por um sol dourado. Sarah, como madrinha e irmã do noivo, estava deslumbrante em um vestido de seda champanhe que ela mesma ajudara a estilizar. Ela exalava uma confiança que intimidava, mas por dentro, o coração batia em um ritmo que as passarelas de Paris nunca haviam provocado.
Michael chegou discretamente. Ele estava mais magro, com uma barba rala e um olhar que carregava a seriedade do inverno canadense. Ele não era mais o "garoto de ouro" da NBA; era um homem que conhecia o peso do arrependimento.
O Encontro no Jardim
Antes da cerimônia, Sarah estava ajustando o véu de Ariel em uma antessala rústica quando a porta se abriu. Era Michael. O silêncio que se seguiu foi tão denso que Ariel sentiu a necessidade de intervir.
— "Eu vou dar um minuto para vocês," — disse Ariel, beijando a bochecha de Sarah e saindo rapidamente.
Sarah não se virou. Ela continuou olhando para o espelho, ajeitando uma mecha de cabelo.
— "O Canadá te mudou, Michael. Você parece... mais silencioso."
— "O silêncio é a única coisa que não mente para você, Sarah," — Michael respondeu, dando um passo cauteloso para dentro do quarto. — "Você está magnífica. Eu vi as fotos de Nova York, mas elas não chegam perto da realidade."
— "Obrigada," — ela respondeu de forma curta, finalmente virando-se. — "Conrad me disse que você está jogando bem em Vancouver. Fico feliz por você ter encontrado um caminho fora do caos."
— "Eu não encontrei um caminho, Sarah. Eu encontrei um esconderijo," — ele confessou, os olhos fixos nos dela. — "Eu vim por eles, pelo Conrad e pela Ariel. Mas eu também vim porque não conseguia passar mais um ano sem saber se você ainda me odiava com a mesma força de Paris."
Sarah suspirou, o semblante suavizando por apenas um segundo.
— "Eu não te odeio, Michael. O ódio exige um esforço que eu prefiro gastar na minha carreira. Eu só... eu aceitei que a gente não existe mais."
O Banquete: Memórias e Diplomacia
Durante a recepção, o quarteto sentou-se junto pela primeira vez em anos. A mesa estava repleta de risadas e histórias, impulsionadas pela felicidade genuína dos recém-casados.
— "Pai, você lembra de quando o Conrad tentou pedir a Ariel em namoro no ensino médio e acabou derrubando o suco nela?" — Sarah perguntou, rindo, enquanto Marcus e Ricardo se juntavam à conversa.
— "Eu lembro!" — Ricardo Styles exclamou. — "E lembro do Michael tentando limpar o vestido dela e piorando tudo com um guardanapo sujo."
Michael riu, uma risada que Sarah não ouvia há eras.
— "Eu sempre fui melhor com a bola do que com as mãos delicadas, senhor Santiago."
O clima estava leve, mas quando a música lenta começou, Conrad puxou Ariel para a pista, deixando Sarah e Michael sozinhos à mesa.
A Dança da Trégua
— "Uma dança?" — Michael estendeu a mão. — "Como velhos amigos. Sem segundas intenções, apenas para honrar o casamento do seu irmão."
Sarah hesitou, mas aceitou. Na pista, a proximidade era perigosa. O perfume de Michael ainda era o mesmo que a fazia se sentir segura quando tinha dezoito anos.
— "Você lembra daquela noite do cinema dramático?" — Michael sussurrou, enquanto se moviam lentamente. — "Eu daria tudo para voltar àquele momento, onde a única coisa que importava era garantir que você tomasse sua água."
Sarah sentiu um nó na garganta.
— "Não faça isso, Michael. Não tente resgatar o que você mesmo quebrou. O cuidado que você tinha por mim era real, mas a traição também foi."
— "Eu sei," — ele disse, aproximando o rosto do dela. — "Mas olhar para você hoje, vendo a mulher incrível que você se tornou... eu percebo que fui o maior tolo da história do esporte. Eu perdi a única pessoa que realmente me via, antes da fama, antes do dinheiro."
Sarah parou de dançar, mas não soltou as mãos dele.
— "Eu te perdoei, Michael. No fundo, eu perdoei. Mas perdão não é o mesmo que recomeço. Eu estou em um lugar diferente agora. Eu tenho Paris, Milão, e eu tenho a mim mesma."
— "E eu tenho Vancouver e o frio," — ele sorriu tristemente. — "Mas se o perdão existe, talvez eu possa começar a dormir melhor."
O Brinde Final
Ao final da noite, os quatro se abraçaram em um círculo. Era uma imagem de encerramento. Ariel e Conrad partiriam para a lua de mel; Sarah voltaria para a passarela; e Michael, para o gelo do Canadá.
— "Aos sobreviventes do vale!" — Conrad brindou, levantando a taça.
— "Aos sobreviventes," — todos repetiram.
Sarah olhou para Michael uma última vez antes de entrar no carro. Não houve beijo de despedida, nem promessas de ligações. Apenas um aceno de cabeça carregado de respeito. O casamento de Ariel e Conrad não uniu Sarah e Michael como amantes, mas devolveu a eles algo que a dor havia roubado: a capacidade de se olharem sem o peso do rancor, como dois adultos que um dia se amaram profundamente, mas que agora caminhavam em direções opostas, sob o mesmo céu da Toscana.
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