O Reflexo do Verão
14 A declaração
A contagem regressiva de três dias pairava sobre a casa como uma sentença. O que antes era o som de malas sendo fechadas e planos para a faculdade, agora parecia apenas o eco de um fim iminente. Sarah sentia como se o ar estivesse ficando mais rarefeito a cada hora.
Naquela manhã, ela não desceu para o café. Não abriu as cortinas. Ficou encolhida sob o edredom, sentindo o peso da casa que, em breve, ficaria silenciosa demais, grande demais e vazia demais sem a presença provocante e protetora de Michael.
Na sala, o clima era tenso. Conrad olhou para a escada e depois para Michael, que fingia ler um mapa no celular, mas não mudava a tela há dez minutos.
— Ela não saiu do quarto o dia todo, Mike — disse Conrad, com a voz carregada de uma seriedade incomum. — Eu tentei falar com ela, mas ela nem respondeu. Vai lá. Vocês precisam ter essa conversa difícil agora, ou você vai levar esse peso na mala e ela vai ficar aqui se quebrando em mil pedaços.
Michael hesitou por um segundo, o coração batendo contra as costelas. Ele subiu os degraus devagar. Parou diante da porta de Sarah e respirou fundo antes de girar a maçaneta. O quarto estava na penumbra. O volume pequeno sob as cobertas partiu seu coração.
— Sarah? — ele sussurrou, fechando a porta atrás de si.
Houve um movimento sob o lençol, mas nenhuma resposta. Michael sentou-se na beirada da cama, sentindo o calor que emanava dela.
— Eu não vou embora sem falar com você — ele disse, a voz falhando levemente. — Por favor, olha para mim.
Lentamente, Sarah emergiu. Os olhos estavam inchados, o rosto pálido e o cabelo bagunçado. Ela se sentou, abraçando os próprios joelhos, mantendo uma distância segura.
— Para quê, Michael? — ela perguntou, a voz rouca de quem chorou em silêncio. — Para você me dar um abraço de despedida e dizer "a gente se vê no feriado"? Para dizer que foi bom enquanto durou? Eu prefiro que você vá logo. A espera pela dor está sendo pior que a própria dor.
Michael estendeu a mão, mas ela recuou. O gesto o atingiu como um soco.
— Você acha que eu estou feliz? — ele perguntou, levantando-se e começando a andar pelo quarto, a voz ganhando volume e emoção. — Você acha que eu quero ir para um lugar onde eu não vou poder entrar no seu quarto às três da manhã só para ver se você está dormindo? Onde eu não vou ouvir sua risada no corredor?
Ele parou na frente dela, os olhos brilhando com lágrimas que ele raramente deixava transparecer.
— Eu estou aterrorizado, Sarah. Eu estou partindo, mas sinto que estou deixando a minha alma trancada neste quarto com você. Eu tentei ser o cara maduro, o "irmão" mais velho do seu melhor amigo, o cara que sabe separar as coisas... mas eu falhei. Eu falhei miseravelmente porque eu me apaixonei pela pessoa que eu mais deveria proteger de mim mesmo.
Sarah soltou um soluço, a resistência finalmente quebrando. Michael se aproximou e, desta vez, ela não recuou. Ele a puxou para o seu colo, envolvendo-a com os braços como se pudesse fundi-los em um só.
— Eu te amo — ele confessou, enterrando o rosto no pescoço dela, a voz abafada pelo choro. — Não é um "amor de verão", não é uma aventura de colégio. Eu te amo de um jeito que dói. E a ideia de te deixar aqui, de não ser eu a pessoa a te ver acordar todos os dias, está me matando.
Sarah o abraçou com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos. Ela chorou contra o peito dele, liberando toda a angústia dos últimos dias.
— Então não me esquece — ela implorou entre soluços. — Por favor, Michael... as garotas da faculdade, as festas... não deixa o que a gente tem virar uma lembrança de criança.
Michael afastou-se apenas o suficiente para segurar o rosto dela com as duas mãos. Ele limpou as lágrimas dela com os polegares, o olhar fixo e profundo.
— Olha para mim — ele ordenou suavemente. — Ninguém, Sarah. Nenhuma festa, nenhuma garota, nenhuma distância vai tirar você de dentro de mim. Eu vou ligar para você todas as noites. Eu vou contar os segundos para o Dia de Ação de Graças. Você é minha prioridade, minha única escolha.
Ele a beijou. Não foi um beijo de desejo ou de pressa, como os do motel. Foi um beijo de promessa. Lento, carregado de carinho, com gosto de lágrimas e entrega. Michael a deitou de volta na cama e se deitou ao lado dela, puxando o edredom para cobrir os dois.
— Fica aqui — ela pediu, a voz agora pequena e doce.
— Eu não vou a lugar nenhum até o último segundo — ele prometeu, entrelaçando seus dedos nos dela. — E mesmo quando eu for, meu coração continua aqui, guardado com você.
Naquela tarde, o silêncio do quarto não era mais de solidão, mas de um amor que, embora soubesse que enfrentaria a distância, tinha acabado de ganhar raízes profundas o suficiente para sobreviver a qualquer inverno.
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