O Reerguer Das Trevas
6 POV Rita
Notas iniciais
POV Rita
Eu e Percy quase chegávamos tarde ao refeitório. O nosso chalé tinha hora livre antes do almoço e nós aproveitamos para estar na praia. Ele ensinara-me um pouco sobre os poderes dos filhos de Poesídon e tínhamos estado a falar com os peixes. Não sabia que os peixes podiam ser tão coscuvilheiros! Mais que o chalé de Afrodite!
A seguir ao almoço, tínhamos treino corpo-a-corpo. Percy tinha ido conversar com a Annie, por isso fui andando pelo caminho mais longo até ao campo de treino.
Quando eu estava a passar pela floresta, Sofia apareceu a correr.
- Rita... — ela parou para retomar o folego e perguntou – Posso falar contigo por um momento?
- Claro.
Continuamos a andar, desta vez pela floresta.
- Que me querias dizer? – perguntei.
- Hoje de manhã acordei e ainda era muito cedo, então saí para passear um bocado. Quando voltei estava uma encomenda, sem remetente, em cima da cama, e um bilhete. Eram estes brincos – ela apontou para os brincos que estava a usar.
- Bem parecia que nunca os tinha visto antes. – comentei. – São giros.
- Sim. Continuando, o bilhete era me dirigida e dizia... Olha, tenho-o aqui – ela mostrou um papel dobrado em dois e com óbvias marcas de ter sido usado. Abri-o e ele vinha com um leve cheiro a flores. A caligrafia era floreada e muito bonita, provavelmente pertencente a uma mulher. O bilhete dizia o seguinte:
“Minha querida enteada,
Os brincos que vão a acompanhar esta caixa são um presente do teu pai. Transformam-se em duas facas de ferro que foram mergulhadas no Estige.
O anel que usas, o presente da tua mãe, foi enfeitiçado por mim. Considera-o um presente da minha parte. O anel transforma-se numa espada, basta assim o quereres.
Da tua madrasta que não te odeia,
Perséfone
P.S.- Manda cumprimentos meus a Nico e à Ashley.”
Olhei para Sofia e ela sorriu.
- O mais estranho de tudo é que Persefone sempre odiou Nico, mas parece gostar de mim. – comentou ela
- Isso é o mais estranho de tudo? – perguntei. Não é o facto de os Deuses gregos ainda existirem (e consequentemente os monstros)? De recentemente ter havido duas guerras, uma no meio de NY e outra na Grécia, e ninguém ter dado por isso?
Pensando bem, acho que há outras coisas ainda mais estranhas...
Sofia sorriu.
- Sim, acho que sim.
Paramos perto de um monte de pedras no meio da floresta. O Punho de Zeus. Trepamos algumas das pedras e sentamo-nos mais ou menos ao meio da altura do amontoado de rochas.
- Estou a faltar a uma aula – comentei, meio à procura de um assunto de conversa.
- Eu não – respondeu ela. – E até parece que é algo que nunca fizemos antes.
Sorri de lado, pensativamente. Ao fundo dava para ouvir (ou seria sentir?) um rio e, uma ou outra vez, as suaves vozes de ninfas e dríades, ou o seu límpido riso.
- Ah, tinha me esquecido – lembrou-se Sofia de repente – Além do bilhete que me era dirigido, estava lá outro. Para ti.
Ela estendeu-me o que parecia ser um envelope meio azulado, o que me fazia lembrar um pouco o mar. Virei-o. Na parte da frente estava o meu nome escrito, seguido pela minha actual morada (o Acampamento, Chalé 3), tudo a manuscrito. Abri o envelope. Lá dentro encontrei um papel dobrado ao meio, como o da minha amiga e recém-descoberta prima. Quando o desdobrei, uma leve brisa marítima levantou-se do papel, como se lá estivesse sido presa aquando este fora dobrado. A caligrafia do bilhete era igual á do envelope: forte e poderosa mas, ao mesmo tempo, elegante. Notava-se que era masculina e, de algum modo, dava-me uma sensação de conforto, como o mar me dava. O bilhete dizia o seguinte:
“Minha querida Rita,
Desculpa nunca antes ter falado contigo. Quando te reclamei como minha filha, dei-te uma pulseira que tu notaste ser mais pesada do que o costume. Tinhas razão. É uma arma, um presente meu.
O pendente em forma de um lápis transforma-se numa faca de bronze celestial. A pérola transforma-se num escudo e o pendente com forma de uma pessoa transforma-se numas pastilhas especiais que dão á tua voz o mesmo poder que o das sereias. Usa as apenas quando precisares mesmo.
Do teu querido pai que se preocupa mais do que por vezes pode parecer,
Poesídon”
Sorri ao de leve. Sofia não parara de me olhar, curiosa, por isso mostrei-lhe a carta.
- Experimenta transformar a tua pulseira. – propôs a minha amiga, depois de ler a carta. Segui a sua sugestão e ela fez o mesmo. – Queres estrear as nossas armas?
- Bora — respondi, enquanto saltava do punho.
Já estávamos em posição para lutar uma contra a outra quando ouvimos um ruído vindo da floresta. Ambas nos viramos nessa direção, numa posição defensiva. Percy tinha-me falado dos diferentes tipos de monstros que viviam na floresta, para além das harpias que comiam mestiços que não cumpriam com a hora de recolher. Será que aqueles que faltavam às aulas também entravam na ementa?
Reparei que Sofia se escondera atrás de uma das muitas árvores e decidi fazer o mesmo.
Assim que se viu a sombra de alguém, uma faca toda negra voou de onde devia estar escondida Sofia e cravou-se na árvore atrás de quem vinha à frente, tendo lhe passado rente ao ombro. O dito campista estacou e tirou qualquer coisa do bolso. Essa qualquer coisa começou a brilhar levemente num tom azulado.
- Percy! – exclamei. Vi Sofia a sair de trás da árvore, ainda com uma das facas na mão. De trás do Percy apareceu Nico, com a sua espada toda negra, como as facas da Sofia. Ele olhou em volta e parou por segundos a olhar para mim.
Espero que as minhas bochechas não estivessem tão vermelhas quanto eu as sentia (tenho a certeza que estavam). Ele também corou ao de leve, e apressou-se a desviar a sua atenção para a irmã.
- Boa pontaria. – elogiei, dirigindo-me a Sofia
– Para a próxima atira um bocadinho mais a baixo. – brincou Nico
Sofia sorriu e respondeu:
- Fiz de propósito. Não queria aleijar ninguém.
Percy e Nico trocaram olhares entre si, como se não acreditassem no que Sofia acabara de dizer.
Sorri ao ver o que a Sofia estava prestes a fazer.
Uma faca voou da mão da minha amiga, passou mesmo rente ao abdómen dos dois mestiços, arrancou um bocado da camisola do Percy e fixou-se abaixo da primeira.
- Estavam a dizer? – perguntou ela. Eu estava a conter-me para não me rir, mas alguém gargalhou na floresta, e eu segui o exemplo, tal como a minha mais recente prima.
Annabeth apareceu da floresta e arrancou as duas facas da casca da árvore. Ainda a rir, devolveu-as à Sofia.
- Faltaste a uma aula – disse-me Percy, tentando mudar de assunto.
Encolhi os ombros e perguntei:
- Que aula é que era, afinal?
- Luta corpo-a-corpo – respondeu Percy.
Eu e a Sofia entreolhamo-nos e eu comentei:
- Vai haver mais aulas.
- Pois vai – respondeu Nico – Mas por hoje não há mais nada.
Voltamos a sentar-nos todos no Punho de Zeus e conversamos mais um bocado.
Percy e Annie contaram sobre as suas missões e as guerras contra Cronos e Gaia, Nico sobre algumas das aventuras que teve quando andava fora do campo e sobre os lugares onde esteve, e eu e a Sofia sobre todas as trapalhices que nós e a nossa turma fizemos, apesar de não se comparar com o que o trio nos contava. Percy já fora expulso quase tantas vezes como os seus anos de escolaridade, Annabeth fugira de casa aos sete e Nico tinha ficado, durante 70 anos, parado no tempo no Hotel e Casino Lotus.
De repente, ouviu-se o som que anunciava o jantar.
- O tempo voa, hum? — disse Sofia.
- Temos de ir jantar. Vão dar pela nossa falta. – avisou a Annie, levantando-se
Todos lhe seguimos o exemplo e apressamo-nos a ir para o refeitório.
Quando já todos os campistas estavam a jantar, Quíron levantou-se e pediu a um dos sátiros para tocar uma trompa, de modo a chamar a atenção.
- Muito bem! Espero que estejam a gostar do jantar e do acampamento, no caso dos mais recentes mestiços. Só quero avisar que as Caçadoras de Artemis decidiram passar uns dias cá no acampamento. – houve reacções diferentes de todas as mesas.
Reparei que houve uma troca de olhares entre Percy e Annie. Esta última estava bastante contente, provavelmente por ir rever a sua grande amiga Thalia, a tenente das Caçadoras.
Quíron esperou que o silêncio voltasse e continuou:
- Elas devem chegar amanhã, por volta do meio da manhã. Para comemorar esse facto, haverá Caça à Bandeira na próxima sexta-feira. Se o número de Caçadoras for inferior ao número de campistas, mais do que provável, algumas das cabanas irão combater do lado das Caçadoras, ou então as Caçadoras serão dividas igualmente pelas duas equipas. Alguma dúvida? – perguntou Quíron. Ninguém respondeu, por isso o director de atividades continuou – Ótimo. Bom apetite e aos deuses! – ele disse, erguendo o seu copo. Todos o imitaram e repetiram:
- Aos deuses!
Quando acabamos de comer, eu, Percy, Annie, Nico e Sofia encontramo-nos na fogueira, no mesmo local de ontem. Ficamos a conversar um bocado mas, antes de todos os campistas chegarem, Sofia pareceu lembrar-se de qualquer coisa e virou-se para Nico. Ele parecia meio relutante mas a minha amiga insistiu, não parando de repetir que ele prometera. O filho de Hades acabou por concordar, após uns minutos de muitos “Please! Please! Please!” e “Tu prometeste!”. Eles despediram-se e foram para a zona dos chalés, mas antes de chegarem à cabana 13, viraram para a floresta.
Quando já todo, ou quase todo, o acampamento estava em redor da fogueira, a cabana de Apolo começou as cantorias.
Ao longo da noite reparei que a fogueira foi mudando de tamanho e intensidade. Percy explicou-me que a fogueira transmitia como a audiência se sentia, se estava entusiasmada ou interessada, ou até mesmo completamente desligada daquilo que estava a acontecer.
Aquelas músicas que eu conhecia (muito poucas) eu fui cantando. Assamos muitos marshmallows e a dado momento quase houve uma guerra de marshmallows.
Já devia passar das onze há um bocado, por que Quíron avisou que era hora de recolher. Lembrei-me do que Percy contara sobre as harpias comerem quem não obedece à hora de recolher e, apesar de estar com vontade de estrear a minha pulseira, fui sem pestanejar (apesar de ter bocejado uma ou outra vez).
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