Notas iniciais
Hei, Pessoal. Devem estar achando que fui abduzida né? Foi quase isso, mas explico no final porque aposto que estão ansiosos com o capítulo. Espero que gostem.

Paz, uma pequena palavra de significado abrangente qual nunca se aplicou a família Cullen, sempre que ela aparecia não durava nem cinco minutos, se uma coisa ia bem vinte desandava, parecia um maldito ciclo vicioso e ininterrupto.

Edward sentia como se sua vida tivesse sido virada do avesso e tudo isso por conta daquele verme. Aparentemente nem depois de morto James parava de criar um caos em seu caminho. Foi difícil assimilar que era suspeito de homicídio, pior ainda ver o olhar de Bella quando Laurent lançou aquela bomba. Nunca em seu relacionamento ela tinha lhe encarado daquela forma, nem quando discutiram por conta de Black, nem pela notícia da gravidez ou sobre seus pais biológicos, a desesperança em suas feições o deixou sem chão, rompeu toda e qualquer surpresa pela notícia.

O caminho de volta para Manhattan sucedeu com uma tensão tangível dentro do jato, sua esposa não ousou abrir a boca, nem para perguntar se era verdade ou se estavam inventando aquela história toda e, por fim, ele preferiu deixa-la com seus pensamentos, mesmo porque não tinha palavras para explicar a ela, como iria explicar tudo o que fez e seus motivos quando nem ele sabia como analisar tudo, ambos precisavam de um tempo para colocar a cabeça no lugar.

Carlisle e Esme acreditavam fielmente em sua inocência, afinal, o viram crescer o conheciam melhor que ele mesmo, até mesmo Charlie sempre que podia lhe olhava de uma forma diferente algo que parecia com orgulho por finalmente ter se livrado de um monstro desumano qual fez sua filha ter tanto medo durante uma vida inteira. Talvez tivesse sido precipitado em ir até James, poderia ter deixado a justiça definir que ele era culpado, mas o que estava feito não havia como mudar e nem sabia se queria.

Sua cabeça pulsava tentando entender como aquilo poderia ter acontecido, seu lado racional trabalhava incessantemente em busca de respostas para perguntas mal formuladas e o emocional simplesmente não colaborava, uma mão quente tocou a sua e seus olhos se voltaram para Bella que estava sentada ao seu lado. Um sorriso nasceu em seu rosto e aceitou aquele pequeno gesto de conforto.

–Não fiz isso. – sussurrou de maneira defensiva – Não matei James.

Bella se recostou mais ao corpo do marido e beijou seu pescoço.

–Acredito em você, eu o conheço, sei que jamais assassinaria alguém, mesmo que fosse aquele... Homem. Confio em você e sei que tudo irá ficar bem.

Ele assentiu e pegou em seu rosto para beijar suavemente seus lábios, sussurrando contra sua boca o quanto a amava e era grato por tê-la em sua vida.

A primeira coisa que fez quando chegou em casa foi se reunir com seus advogados e discutir a melhor forma de defesa preventiva, não existiam provas reais de que ele havia, de fato, cometido aquele crime e queria se precaver de uma acusação futura.

Emmett não saia da sua casa, era além de seu primo um álibi, uma cópia do processo vivia espalhada por sua mesa, Liv sempre estava em seus braços tentando pegar alguma coisa com suas mãozinhas gordas e seu sorriso fácil.

A melhor parte do seu dia era quando acalentava aquele pequeno corpo em seus braços e ouvia sua risada inocente, Bella também passava mais tempo sentada no canto do seu escritório fingindo ler algum livro que em seu próprio quarto descansando como o médico tinha aconselhado tanto e sempre que a olhava sentia que seu controle voltava, faria qualquer coisa por sua esposa, para mantê-la em segurança e em paz.

Os assistentes de promotoria eram todos jovens, menos uma mulher de meia idade, morena, qual usava roupas menores que as habituais, desde a primeira vez em que Edward entrara no distrito policial para prestar depoimento ela lhe direcionou um olhar estranho, qual não se deixou abalar. Não seria uma mulher abusada que lhe faria tremer de medo, a única que tinha essa capacidade era sua esposa, qual felizmente sabia como colocar medo em qualquer um.

O investigador o tratou com mais respeito, talvez pelo seu sobrenome ou os dois advogados que o acompanhava, além de Félix, que nunca deixava seu lado.

Detetive Crowley era um homem negro, pouco mais novo que Edward, usava uma camisa cinza de botões e o distintivo no pescoço, seus olhos castanhos perspicazes e atentos registrava tudo ao seu redor, da gravata azul que Edward usava até a grossa aliança dourada em seu anelar esquerdo, seu caminhar seguro e a força que aplicava no aperto de mãos e principalmente as feições falsamente frias.

–Sr. Cullen, agradeço por ter se voluntariado a vir até o distrito.

–Não tenho porque negar um pedido da polícia, detetive. – Sorriu.

–Ainda mais porque não tem nada a temer, não é, Sr. Cullen.

Edward dirigiu um sorriso doce para a Srta. Baker e cruzou as pernas na cadeira de plástico.

–E realmente não tenho, estou aqui por livre e espontânea vontade, afinal, não sou um suspeito, quero apenas auxiliar da melhor forma possível na investigação.

–E agradecemos por isso. – Policial Crowley sorriu e se sentou na ponta oposta da mesa cruzando as pernas sem tirar o olhar dele – Poderia dizer o que foi fazer no apartamento do Sr. Hunter no dia da sua morte?

Emmett abriu sua pasta e colocou uma pasta em cima da mesa estendendo para o detetive.

–James estava ameaçando minha família, no dia anterior me pediu para ir até seu apartamento, eu lhe daria dinheiro e ele sairia do caminho. Lhe entreguei uma boa quantia de dinheiro e saí de lá.

–Você atirou no Sr. Hunter há sete meses atrás, isso se entende como tentativa de homicídio.

Seu rosto ficou frio quando encarou a promotora, não havia necessidade da presença dela em um depoimento, mas como o caso envolvia um dos mais influentes sobrenomes o tribunal queria esclarecimentos convincentes quais o irritavam profundamente, principalmente se usassem de Isabella como forma de chegar até ele.

–Bem, senhorita, ele tinha uma faca na jugular da minha esposa, se eu quisesse realmente mata-lo poderia ter atirado na cabeça ao invés da perna ou talvez agora contratado alguém para mata-lo porque aquele homem não valia a pena que sujasse minhas mãos, ainda mais quando tenho uma esposa gravida que precisa de mim, então se estiver me acusando, faça-o com as evidencias em riste, caso não, entrarei com uma reclamação ao escritório de promotoria.

–Não estamos fazendo nenhuma acusação, senhor, queria apenas entender como visita um homem qual roubou sua empresa, ameaçou sua esposa e ainda lhe dá dinheiro.

O policial lançou um olhar de repreensão para a morena e abriu o arquivo repassando por vários papéis e imagens.

–Há que horas o senhor foi até o prédio do Sr. Hunter.

–Eram oito da manhã, fui até lá lhe entreguei o dinheiro, ele pegou o pacote e assinou o acordo de não se aproximar da minha família, então eu saí. Você pode ver isso nas imagens de vigilância do prédio.

–Iremos verificar. Você foi viajar naquela tarde para fora do país, durante a manhã havia alguém com você que poderia servir como testemunha ao seu depoimento?

–Meu primo que está aqui presente, o marido da minha prima e meu cunhado. Posso te passar o nome e o contato se desejar.

–Seria ótimo. Agradeço pelo seu esclarecimento.

–Não tenho nada a esconder, sou uma pessoa pública e quero esclarecer o ocorrido o mais rapidamente possível, apenas isso.

–Não se preocupe que daremos nosso melhor.

Edward se ergueu e apertou a mão do policial ignorando a mulher.

–Qualquer coisa que precise basta entrar em contato com meu advogado que ele me repassará a mensagem.

–Iremos querer falar também com a sua esposa.

O maxilar dele se contraiu com força, envolver Bella naquela história era demais para ele. Sentia que aquela mulher lhe daria uma dor de cabeça daquelas e estava a um milímetro de avançar no seu pescoço.

–Minha esposa está prestes a dar à luz, mas se quiser, detetive, você é muito bem-vindo a nossa casa.

Ao sair da delegacia Edward puxou a gravata e desabotoou a camisa, sua respiração saía aos arquejos, entrou no Mercedes e passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado.

–Félix, chame os homens responsáveis por James até meu escritório, preciso saber quem teve acesso a seu apartamento, é um assunto de urgência descobrirmos quem o assassinou. – sibilou entre dentes – E peçam para trazer a mulher dele, a ruiva, não, deixe que eu mesmo irei até ela.

–Sim, Senhor. Quando chegarmos ao escritório estarão lá.

–Ótimo, também iremos redobrar a vigilância em casa, não deixaremos nada ao acaso.

Emmett tomou o lugar ao lado do primo e esticou as pernas enquanto o motorista pegava o transito de meio da manhã.

–Você morrerá de estresse antes dos trinta se continuar assim, maninho.

–Preciso saber quem fez isso com aquele monstro, Emm, é necessário. Tudo o que sei é que não o matei, mas se Bella ao menos desconfiar que fui até ele, estarei com problemas.

–Ela confia em você, sabe que jamais faria isso.

–A confiança dela em mim pode ter um limite e James é um limite bem definido no nosso relacionamento. – murmurou olhando para as pessoas do lado de fora da janela – Eu queria mata-lo, Emmett... Quando ele confessou que tinha assassinado meus pais eu quis que aquela bala tivesse feito um buraco na cabeça dele, não o fiz porque tive medo de errar e a bala pegar na Bella, mas naquele dia, quando eu tive minhas mãos em volta do pescoço dele esse sentimento voltou com força total, se não fosse por Gabriel, realmente teria terminado com aquilo.

–Mas não terminou, eu estava com você, Jass estava com você e mesmo assim você não matou aquele verme.

–Ele estava desacordado quando saímos do apartamento, talvez o tenha matado e não saiba, talvez ele estivesse com alguma lesão interna, um traumatismo... sei lá.

Emmett rolou os olhos e socou o ombro do primo com força o fazendo arquejar de dor e surpresa.

–Não seja estupido, James mereceu aquela surra, não é porque morreu que isso faz dele um santo. Aquele homem sequestrou, espancou e quase assassinou minha irmã e sua esposa, ele cortou o freio do carro do seu pai, tirou de nós as pessoas que mais amávamos por conta da sua ambição. Você não o matou, seja lá quem fez isso tinha seus motivos contra ele e deveríamos premiá-lo.

Edward preferiu ignorar seu comentário, seu primo não costumava pensar a longo prazo e como isso afetaria seu relacionamento familiar.

–Talvez devesse contar pra Bella, deixa-la preparada.

–Claro. – Emmett ironizou – Chegará a ela e irá falar: Olha, querida, no dia da nossa viagem à Itália eu fui até James e o espanquei, agora acham que sou o responsável pela sua morte, mas se mantenha tranquila porque não podem provar nada. Muito certo. Ela está no final da gravidez, uma gravidez complicada e não pode sofrer mais surpresas como essa.

Edward rosnou baixo e suspirou.

–Você tem razão. Eu vou conversar com ela, afinal, Isabella tem o direito de saber, mas não da forma insensível que você colocou, vou sentar com ela e explicar o que está acontecendo, não vou deixar que nada e nem ninguém use isso para me separar dela.

Seu primo ergueu os ombros e soltou palavras de desdém por suas intenções, ele não entendia que segredos anteriores abalaram seu relacionamento e que aprendera com os erros, jamais deixaria que isso voltasse acontecer.

Ao contrário da sua vida pessoal, a profissional parecia caminhar com toda velocidade e sem nenhum imprevisto, tudo ia perfeitamente bem, coisa que dificilmente acontecia desde que assumira a presidência da Cullen.

Seus Compromissos adiados por conta da viagem já tinham sido vistos e repassados para áreas responsáveis, Jasper cuidava da maior parte, uma vez que, Bella precisava dele mais que nunca e o pequeno problema com James ainda parecia longe do fim.

Riley conseguiu o que nenhum assistente anterior fez, administrar seu tempo com bastante qualidade e era grato por isso não saberia o que fazer se tivesse que lidar com o caos que era sua agenda a meses atrás.

Assim que passou pela porta da sua sala se jogou na poltrona confortável suspirando contente de que não existia mais a montanha de papéis para ser analisados, apenas alguns documentos de transações dos hotéis na Europa, além de campanhas de marketing dos novos medicamentos do laboratório Cullen que seria lançado no próximo mês.

Por muito tempo tentou se concentrar em suas obrigações e ignorar as matérias das revistas de fofoca que especulava sua vida pessoal como se fosse uma novela mexicana, escrevendo sobre seu recente casamento, seu filho, o processo e recente assassinato de James, o colocando como um herói nada tradicional.

Talvez se tivesse mesmo matado aquele monstro com as próprias mãos não estariam lhe acusando com tanto afinco, se soubessem claramente de todas suas crueldades teria até recebido uma medalha de honra.

Sentia um alivio gigantesco por não ter mais de lidar com aquele crápula, alivio esse que foi totalmente ofuscado por saber que poderia existir outro inimigo oculto, alguém que tocaria em sua mulher, que machucaria seu filho e infelizmente não tinha controle sobre seus passos. Os seguranças que vigiavam James não notaram nada de anormal durante os dias anteriores de encontrar seu corpo em decomposição, para eles aquilo era uma surpresa nada bem-vinda.

Sua porta se abriu sem nenhum anuncio e se preparou para praguejar a quinta geração do intruso, até se dar conta de que sua esposa lhe encarava com um sorriso inocente, como se esperasse por isso.

Involuntariamente, um sorriso se abriu no rosto de Edward, adorava ver Isabella com seus vestidos soltos quais evidenciavam seu ventre volumoso, em três semanas seu filho estaria em seus braços, poderia proteger o seu pequeno Edward, ninar seu pequeno corpinho e contar estórias infantis até que se tornasse um adolescente rebelde e pintasse o cabelo de roxo.

–Gostei desse sorriso, Sr. Cullen.

Se possível seu sorriso aumentou enquanto seus olhos seguiam os passos da esposa até ele.

–Você é o motivo dos meus sorrisos, Sra. Cullen.

–Da para imaginar que na primeira vez que te vi achei que era um idiota manipulador?

Seu tom apesar de ser sério denunciava a provocação evidente.

–E o que acha de mim agora que se casou comigo?

Bella ergueu os ombros e se sentou na cadeira a frente da mesa de madeira brilhante.

–Só confirmei minha primeira impressão, e lembre-se que me casei com você por livre e espontânea pressão, você me engravidou e seduziu para aceitar.

Seu corpo recostou na poltrona e a encarou com curiosidade.

–Se bem me lembro você não reclamou quando estávamos na cama, bem pelo contrário, implorou para que eu não parasse.

O rosto de Bella se avermelhou imediatamente, arrancando um riso de seu peito.

–Acredito que não veio aqui para me lembrar sobre sua obrigação de se casar com um ditador idiota.

Bella balançou a cabeça em uma tentativa para expulsar os pensamentos que criava e voltou a sorrir.

–Vim para visitar os meninos e aproveitei para saber como foi o depoimento.

Em poucas palavras relatou o encontro com o detetive e a promotora estranha, não iria deixa-la de fora de momento nenhum de sua vida, já havia aprendido o suficiente durante seu relacionamento e não valia a pena deixar que o passado interferisse no futuro.

Isabella foi muito paciente, mostrando seu apoio incondicional em qualquer decisão, mesmo as irracionais como falar com Victória, duvidava que aquela mulher iria ajuda-los, não confiava em ninguém que estivesse misturado com a gangue de um homem tão desprezível, uma mulher que presenciou abusos contra uma criança indefesa e nunca fez nada.

Como poderia ficar frente a frente com uma mulher omissa que ajudou a tirar dezesseis anos da vida de uma criança com seus pais, anos longe do amor da sua vida?

Com certeza, se sua tia ficasse próxima da ruiva as mãos dela iriam imediatamente para o pescoço dela e não sairiam com facilidade.

–E você acha que ela está envolvida com a morte dele?

–Não sei o que pensar, talvez ela tenha cansado de ser o pau mandado, talvez um dos outros cumplices dele fez isso, quem sabe? Com você aqui a última coisa que quero me preocupar é em ter que lidar com aquela mulher ou qualquer outra. – seu sorriso voltou quando se levantou e ajoelhou a sua frente beijando sua barriga – Quero apenas ficar com você e nosso filho, ainda mais nesses últimos momentos. Nem sei como ainda consegue sair de casa assim.

Uma carranca se formou em seu rosto e ela bateu em sua mão que acariciava sua barriga.

–Está me chamando de gorda?

Edward riu e segurou seus pulsos beijando suavemente seus lábios, adorando sentir sua resistência esvair aos poucos, seu corpo amolecendo diante do seu e se entregando ao beijo.

–Você é linda, é gostosa e é minha. – sussurrou contra sua boca – Só me surpreende a sua força para manter esse rapazinho enorme dentro de você sem reclamar um minuto sequer, mesmo que suas costas doam, seus pés inchem, que seus hormônios queiram me enterrar vivo no deserto de Nevada. Você é uma mulher fantástica, meu anjo.

–E você um adulador, tigrão. – negou com a cabeça – Não sei como caí nas garras de um conquistador barato, minha mãe sempre me advertiu sobre esse tipo e pensei que fosse mais inteligente, mas pelo jeito não sou, afinal me casei com um.

Um riso incontido escapou de sua garganta quando Edward beliscou suas costelas causando uma onda de cocegas.

O interfone em cima da mesa soou com a voz de Riley avisando da visita de Emmett, antes que seu assistente pudesse permitir a entrada do primo a porta foi escancarada. O intrometido saltitou e o arrancou de perto da mulher a abraçando com força.

–Oi, tampinha.

Bella riu e o abraçou pela cintura.

–Olá, grandão, como está?

–Estou como sempre, resolvendo problemas desse cabeçudo que consegue se meter nas mais inusitadas situações.

–Você e Edward atraem confusões, não duvido que Carlisle tem aqueles fios brancos por causa dos dois.

Ambos fizeram uma careta parecida, com certeza tinham uma parcela de culpa pelos cabelos brancos de seu pai biológico.

–Éramos dois anjos, — Emmett se defendeu – é possível ver a aureola em cima da minha cabeça.

Bella optou por ignorar quando foi puxada de volta para os braços de Edward.

–Conseguiu fazer o que te pedi, Emmett?

Seu primo retomou a postura séria e estendeu um envelope pardo.

–Claro, aqui está o relatório dos seguranças sobre Victória.

Com má vontade pegou o envelope e arrastou a esposa para sentar em seu colo e beijou seu pescoço enquanto analisava o documento com atenção, não havia nada de novo, tudo ali já sabia pelo relatório de J. Jenkis, as poucas alterações eram sobre o novo endereço em Long Island e o trabalho em um centro comunitário.

Queria encontra-la o mais breve possível, com certeza aquela mulher saberia com quem James mantinha contato e os motivos disso, deveria traçar bem seu plano, se alguma coisa saísse errada poderia perder tudo o que tinha hoje.

Beijou o rosto de Bella e a apertou mais forte em seus braços, lidaria com isso no momento certo.

–Iremos fazer uma visita a Srta. Brown agora mesmo. Você irá pra casa.

Bella fechou a boca com o argumento pronto para contradizer sua ordem, desde cedo sentira um incomodo na parte baixa da barriga e não ansiava por um encontro com uma mulher que foi responsável por ser afastada da sua família biológica, da mesma forma que não queria ficar longe de Edward.

–Poderia esperar no carro com Garrett.

–Nem pensar. – negou com a cabeça – Você vai pra casa, não vamos demorar, vou estar em casa a tempo de jantar com você.

Ela rolou os olhos e bufou o beliscando.

–Certo, mas vou querer alguma coisa diferente para o jantar.

Edward sorriu fingindo uma expressão dramática.

–Tudo que você quiser, Sra. Cullen.

O carro negro parou suavemente em frente a um prédio de pintura descascada e estrutura um tanto suspeita, outro carro parou logo atrás e dois homens enormes saíram, seu tamanho desproporcional a pequena entrada, pelos relatórios ali era o endereço correto, não havia erro.

Félix saiu do carro e abriu a porta traseira para que o chefe saísse, muitas pessoas que caminhavam pela calçada pequena viraram a cabeça para os dois, aparentemente não era costume daquele lugar ter homens saindo de carros importados vestidos de ternos bem cortados e fazia ideia do motivo.

O pequeno corredor de entrada era rustico, decadente, com passos controlados subiu a escadaria, a cada movimento a madeira rangia e temia que quebrasse caso houvesse um movimento errado, no terceiro andar uma porta estava aberta e um dos seguranças permanecia do lado de fora. Com um aceno de cabeça ele confirmou que a mulher permanecia no interior do apartamento.

A srta. Brown era uma mulher impressionante, na meia idade seu cabelo permanecia completamente ruivo, os cachos cheios e exuberantes, a pele perfeita, os olhos verdes e um corpo bem cuidado, mesmo sentada em um sofá velho emitia algum tipo de magnetismo estranho que para alguns homens surgia um efeito de atração, contudo para ele só o repelia.

–Ora, ora, quem se dispôs da sua linda mansão para vir me visitar em um lugar deprimente no fim do mundo.

Edward ignorou o sarcasmo e caminhou pela sala minúscula sem nenhum tipo de decoração, ali só tinha um pequeno sofá onde a mulher permanecia sentada, uma estante de madeira com um único livro velho.

–Queria dizer que essa é uma visita de cortesia, mas não sei ser falso a tal nível. – fingiu um sorriso – Há muito tempo queria conhece-la pessoalmente, ter uma longa conversa com você, infelizmente só tive a oportunidade nesse momento.

Com um gesto ensaiado, ela cruzou as pernas o olhando com interesse gritante.

–E porque queria me ver?

–Eu me lembro perfeitamente bem de você, Victoria, há muitos anos você trabalhou em uma festa na casa dos meus avós, coincidentemente, a mesma festa em que minha prima foi sequestrada. – o rosto da mulher empalideceu – Há alguns meses voltei a investigar o sequestro e descobri que James estava envolvido nisso e você também. Ele responderia por esse crime em semanas quando o processo fosse apresentado na corte, porém ele foi assassinado antes, então me diga, quem mais estava trabalhando com aquele homem além de você.

–James está morto? Como?

Era obvio a surpresa no rosto dela com a notícia inesperada.

–Ele foi assassinado no apartamento em que vivia, irei dizer a polícia sobre você assim que conversar com eles, inclusive sobre vir do outro lado do país por causa dele.

–Não estou envolvida nos planos dele.

–Não acredito em você, Victoria. Meus advogados creem veemente que caso você se visse encurralada seria capaz de acabar com James e eu também creio nessa possibilidade, afinal, desde que ele saiu da prisão a única pessoa vista com ele foi você.

–Não é bem assim, ele queria se vingar de você, queria ver sua derrota, acabar com aquilo que mais ama, então encontrou alguém que te odiava tanto ou mais.

Um sorriso nasceu no rosto de Edward, agora sim estava chegando onde queria, saber quem era seu inimigo oculto o colocaria um passo à frente nesse jogo psicótico que James iniciou.

–Quem é essa pessoa?

–Eu nunca o vi, James não confiava em mim ao ponto de falar sobre ele, nunca o vi.

–Isso é uma pena, Victoria, se tivesse, ao menos, uma pista sobre essa pessoa poderíamos lidar isso entre nós, você sairia com uma boa poupança e livre para ir aonde desejasse sem a sombra de um crime hediondo, mas como não tem nada para dizer, vou ter que informar ao departamento de polícia sobre seu envolvimento com aquele verme. – se virou para o segurança na porta – Vamos, Jared, não temos mais nada para fazer aqui.

O segurança abriu espaço para que ele passasse. Seu corpo se encontrava com metade no corredor quando a mulher gritou, sabia que funcionaria, mesmo que fosse necessário coloca-la na prisão.

–Eu não o conhecia, mas sei que ficou em um hotel no centro, ouvi uma vez que ele trabalhou para você e que tudo foi tirado dele.

Muitas pessoas tinham sido demitidas por ele, seria quase impossível fazer um levantamento imediato, mas ter essa informação era melhor que não ter nenhuma.

Trocou poucas palavras com Jared sobre manter vigilância sobre Victoria, era de extrema importância não perder o controle sobre ela, sentia que seria de grande valia tê-la ao lado como um peão. A usaria no momento certo ou a descartaria como o nada que era, esse realmente parecia um assunto para se analisar com cuidado.

Seu caminho para casa foi mais tranquilo, sentia saudades de Bella, até mesmo o curto espaço de tempo longe dela fazia seu coração se comprimir dentro do peito e quanto mais pensava na proximidade do nascimento do seu bebê isso só aumentava.

Havia prometido que chegaria para o jantar, mas o encontro com a ruiva e o transito infernal impossibilitaram de cumprir sua palavra e detestava quando esse tipo de coisa acontecia. As luzes de casa já estavam apagadas, os seguranças o cumprimentaram antes de passar pela porta de entrada e retribuiu com um aceno de cabeça, obviamente Bella já tinha se recolhido.

Seu pequeno corpo estava aconchegado no canto da cama, sua respiração compassada, o cabelo espalhado pelo travesseiro criando uma aureola adorável. Sentou ao seu lado e beijou sua testa, seu cheiro o inebriava, acalmava, acalentava seu coração, aquela menina jovem era seu anjo, sua luz em uma tempestade, não saberia o que fazer se a perdesse e felizmente não teria que descobrir porque sabia que ela jamais o deixaria e ele também não permitiria que isso acontecesse.

Sussurrou palavras de carinho em seu ouvido e acariciou sua barriga, seu filho se moveu por um curto espaço de tempo tirando um gemido baixo dos lábios de Bella, ele havia crescido mais que o esperado e cada pequeno espaço dentro de seu ventre parecia precioso para seu menininho.

–Calma, amor, — sussurrou – está tudo bem. Continue a dormir.

Gemidos baixos despertaram Edward de seu sono, primeiro; pensou estar sonhando, mas a continuidade e intensidade o fez acordar em definitivo, por instinto passou a mão pela cama a procura de Bella, mas seu corpo não estava onde costumava, um gemido mais alto o fez saltar da cama assustado.

–Isabella? – gritou parando na porta do banheiro – Está tudo bem?

Sem esperar por uma resposta empurrou a porta encontrando a esposa em um canto ao lado da banheira, seu rosto banhado de suor e o olhar assustado.

–O que foi, anjo?

–Está doendo, Edward. – sussurrou – Muito.

–Calma que vai ficar tudo bem.

–Acho que ele quer nascer.

Angustiado, a pegou no colo e correu para o quarto deitando-a na cama. Em dois minutos vestiu um agasalho e calça jeans e pegou roupas confortáveis para ela, não ficaria ali esperando que ela se matasse de dor, iria até um hospital.

Garrett abriu a porta traseira do carro para ele, mal se lembrara de ter pego o celular e ligado para o médico de sua mulher, foi reconfortante saber que ele estava de plantão, mesmo que fosse muito cedo, ainda não era a hora do seu filho nascer.

–Edward...

–Oi, amor.

–Estou com medo.

Ele também estava morrendo de medo, tanto que mal cabia em seu corpo, mas precisava ser forte, se não por si mesmo por ela.

–Não precisa ter medo, estou aqui com você o tempo todo.

–Promete que tudo vai ficar bem?

–Prometo pra você.

Uma equipe médica os aguardava na entrada de emergência, enfermeiras conversando entre si e ligando aparelhos ao corpo da sua menina, a todo o momento não conseguiu deixar sua mão e nem faria por nada no mundo.

Sentiu Bella estremecer inteira quando uma enfermeira fez um exame deveras desconfortável para verificar se tinha dilatação, o aparelho de ultrassonografia indicara que seu filho estava muito bem e em posição perfeita para o parto.

Doutor Caius confirmou aquilo que imaginou, seu pequeno Edward nasceria antes do tempo, noticia que deixou suas pernas imediatamente bambas, foi necessário que colocassem uma cadeira ao seu lado para que não caísse como fruta madura.

–Há quanto tempo tem sentido as contrações, Bella?

Seu rosto corou e mordeu o lábio.

–Desde ontem, mas pensei que eram falsas, elas vinham de forma irregular.

Edward lançou um olhar de repreensão que ela optou por ignorar.

–Hoje elas pioraram?

–Sim, e começaram junto com uma dor no pé da barriga. Está muito cedo, doutor. – Bella murmurou – Ele não deveria vir agora, não é a hora.

–Seu filho é um pouco impaciente, Isabella, desde o início soubemos disso.

–Ele é como a mãe. – Edward comentou ganhando um tapa na mão.

–Não duvido disso. Você está com três centímetros de dilatação e sua bolsa ainda não estourou, então teremos mais algum tempo até o trabalho de parto iniciar realmente, vamos monitorar você constantemente, mas só nos resta esperar.

Edward fez uma careta com essa palavra, detestava ter que esperar, ainda mais quando sua mulher se contorcia de dor a cada vinte minutos. Seu pé batia constantemente contra o chão, era visível que seu nervosismo a afetava, mas não conseguia parar, suas mãos suavam.

–Não trouxemos as roupinhas dele e nem avisamos ninguém.

–Vou mandar uma mensagem para Esme avisar a todos, ela passara em casa e pegara suas coisas e as do bebê.

–Você acha que ele terá seus olhos?

–Ele pode ter o que quiser meu desde que tenha seu sorriso e vivacidade.

–Amo você, Edward.

–E eu a você, Bella.

Duas horas depois, Bella caiu em um sono desconfortável, odiava vê-la com dor, mesmo que essa dor significasse um encontro prematuro com seu filho. Aproveitou os poucos minutos e enviou uma mensagem para sua tia, em menos de trinta segundos seu celular tocou e ela o bombardeou com perguntas, sua orelha queimava quando ela finalmente desligou, não duvidava que em menos de meia hora o hospital estivesse lotado com todos.

As contrações se intensificaram, cada vez mais próximas uma da outra, cada vez que seu pequeno corpo se contorcia ele também o fazia, queria dividir sua dor, não suportava ver Bella tão vulnerável e não poder fazer nada além de esperar ali ao seu lado.

Por mais que todos os enfermeiros afirmassem que aquilo era normal já não conseguia acreditar neles, precisava que o médico fizesse Bella parar de se contorcer de dor imediatamente antes que ele mesmo colocasse as mãos no pescoço do infeliz e o fizesse se contorcer também.

Felizmente depois de três horas tendo sua mão esmagada, suando mais que sua mulher e não se sentindo nem um pouco preparado, seguiram para a sala de parto.

Seu filho nasceu com os pulmões fortes em um choro firme com três quilos e oitocentas gramas e cinquenta e um centímetros, um enorme rapaz. Não sabia descrever a sensação de ver seu rosto rechonchudo manchado de sangue, vê-lo se mover pela primeira vez inquieto por estar em um lugar desconhecido e longe do calor de sua mãe.

Bella parecia exausta, o rosto pálido, olhos com profundos círculos escuros, mas ao ter o pequeno bebê sobre seu peito a fez abrir um enorme sorriso. Sua voz estava embargada enquanto sussurrava palavras de carinho para o bebê que se calou imediatamente ao sentir o cheiro da mãe.

Ao ser retirado mostrou novamente o poder de seus pulmões em um choro desamparado, se a mão de Bella não estivesse segurando a sua mão teria ido até seu, não tão, pequeno sapinho. Percebendo a intenção do marido, ela sorriu fracamente e lhe pediu para que acompanhasse o bebê, afinal, do jeito em que estava adormeceria em breve.

A pediatra responsável lhe garantiu que apesar de prematuro, seu filho tinha um excelente tamanho e peso, teriam de monitorá-lo durante o restante da madrugada, mas que antes da esposa ser levada ao quarto ele iria ao seu encontro.

Sua família em peso lotava a sala de espera da maternidade, foi com alegria que receberam a notícia do nascimento do mais novo integrante, o barulho com perguntas foi tanto que uma enfermeira teve de pedir para que diminuísse o tom ou saíssem todos.

Dois em dois foram ver o bebê pelo vidro que o separava na sala, parecia inacreditável que fora dormir com apenas sua mulher nos braços e agora havia sido presenteado com seu pequeno menino que não sairia para fora do alcance de seus olhos e ver nos olhos de Carlisle e Charlie o mesmo brilho que carregava o deixou ainda mais orgulhoso, o fruto do seu amor com Isabella.

Mesmo depois de todos deixarem a ala neonatal não conseguiu abandonar seu filho ali sozinho, uma enfermeira de idade o viu rodeando o local e permitiu sua entrada.

Segurar o pequeno e delicado corpo no colo pela primeira vez foi a melhor sensação que teve na vida, não maior que ter conhecido Bella, mas a sensação era esmagadora, sensacional, única.

–Oi, rapazinho. – sussurrou quando seu menino abriu a boquinha para bocejar – Você é um menino muito lindo, é a cara do seu paizão aqui, estava ansioso por ver seu rostinho, pegar você no colo, sentir seu cheirinho e sua mamãe também. Ela está dormindo agora, mas quando acordar irá ama-lo mais do que já ama. Daqui a pouco você irá vê-la e assim como eu vai se apaixonar.

–Sr. Cullen, ele precisa voltar para o bercinho dele.

Seu olhar mal se dirigiu para a voz feminina, só tinha atenções para seu pequeno Edward.

–Que horas ele irá para o quarto da minha esposa?

–O pediatra o examinará em alguns minutos e então irei leva-lo.

–Ótimo.

A mulher estendeu os braços e só então seu olhar a analisou, parecia ser bem jovem, os cabelos loiros platinados em um corte curto, o uniforme mais mostrava que exibia e por reflexo apertou o corpo do filho mais forte contra o seu.

–Esse é seu uniforme?

–Sim, senhor.

–O hospital deveria vistoriar melhor os uniformes dos funcionários, eu mesmo colocarei meu filho no berço e se atente ao horário que ele deverá ser levado a minha esposa, não quero ter de acionar os seguranças para que venham busca-lo.

O rosto da enfermeira se avermelhou por trás da forte maquiagem observando a forma carinhosa que o homem deixava o bebê no pequeno berço.

Estranhamente Edward se sentia inquieto, algo não parecia certo, acreditava fielmente que sexto sentido era coisa de mulheres para chamar a atenção de seus maridos com coisas banais e sem sentido, contudo, nesse exato momento poderia jurar que alguma coisa não ia bem.

Chegou até a porta do quarto de Bella e abriu a porta, esperava encontrar sua esposa confortavelmente acomodada e foi com surpresa que viu tudo vazio.

–Félix! – gritou, fechando as mãos em punhos.

O segurança entrou no quarto silenciosamente.

–Chame Garrett e pergunte sobre minha esposa.

–Ele chamou no rádio há cinco minutos e afirmou estarem a caminho, senhor, mas de qualquer forma irei falar com ele novamente.

–Faça isso.

Dois minutos depois três seguranças do hospital entraram acompanhados por Félix, apenas esse ato confirmava que alguma coisa muito errada estava acontecendo.

–Onde está Isabella? – conseguiu questionar.

–Um homem invadiu o hospital e se passou por um enfermeiro, ele tentou sequestrar a Sra. Cullen na saída da sala de pós cirurgia, Garrett estranhou a demora e percebeu o que acontecia.

–Félix, me diga agora, onde está minha esposa?

Seu controle começava a ruir junto com a lembrança ainda recente de quase perder Bella. Não suportaria uma vida sem ela e não viveria.

–Garrett atirou contra o homem, foi necessário que prestassem atendimentos médicos a Sra. Cullen, uma equipe de segurança a está acompanhando durante os exames.

–Quem era esse homem?

O segurança respirou fundo e encarou o chefe com profunda seriedade.

–Jacob Black.

Notas finais
Chegamos em mais um capítulo. Fiquei mais de dois meses sem postar nenhuma palavra, foram uma série de desventuras, meu note morreu, teve uma morte lenta e sem nenhuma chance de recuperação, o computador de casa também deu tchau para o mundo cibernético, não consegui escrever uma palavrinha sequer, mesmo que minha mente estivesse cheia de ideias, contudo, felizmente minha mãe teve pena de mim e me deu um super presente e eu como forma de agradecimento voltei a escrever o mais rápido possível. Nem sei agradecer por todos os comentários de incentivo, as conversas pelo whats e face, vocês são fantásticos. Não sei se perceberam, mas oficialmente estamos na reta final, esse foi talvez o penultimo capítulo, nem comecei a escrever o último e já sinto um aperto no peito gigantesco. Chega de pensar em coisas tristes. Espero que tenham gostado. Beijos Kim