O Que Somos
82 Capítulo 79
Um ano e meio atrás:
A vida era realmente bela, não havia outra definição para a perfeição que sua vida caminhava.
Ele tinha um emprego dos sonhos, um apartamento confortável, uma família um tanto conturbada, mas não poderia reclamar dela também.
Tudo caminhava extremamente bem, isso até que em um dia comum de trabalho e brincadeiras com os rapazes foi incumbido de auxiliar um novo programador que havia sido contratado diretamente pelo chefão todo poderoso.
Em dias normais ele detestava ter que orientar novatos a fazer um trabalho que a equipe poderia realizar sem problemas e mesmo reclamando com Demetri sobre isso, ainda foi repreendido e forçado a cumprir sua ordem.
Pessoas que a diretoria contratava significavam duas coisas: O setor estava sendo investigado ou seria substituído e nenhuma das opções parecia viável, ainda mais se tratando de Edward Cullen. Todos conheciam sua fama. Seu chefe era citado como: exigente, frio, intransigente e duro.
Os funcionários que passavam por ele nos corredores abaixavam a cabeça e mal lhe dirigiam a palavra de tanto medo de enfrentar os olhos do Cullen, O Terrível.
Existiam lendas no prédio de que seus olhos eram capazes de congelar qualquer um que o encarasse demais.
Ele ria dos absurdos, contudo, jamais o encarava quando ia as reuniões em que ele estava presente, vai que não era mentira de fato.
No fim das contas, a pessoa que teria de suportar se mostrou uma mulher linda. Jacob poderia dizer que se apaixonou por Isabella no momento em que ela saiu do elevador com um olhar ressabiado, as bochechas coradas e o cabelo com longos cachos e o mais impressionante: seu sorriso.
Suas pernas desfaleciam quando ela lhe direcionava um único e simples sorriso, e também não demorou muito para que percebesse que ele não era o único encantado por ela.
Cullen, O Terrível, também estava visivelmente apaixonado por ela, ele a visitava no andar de tecnologia, a levava para almoçar e fazia seus olhos brilharem como se fosse natal e então os dois assumiram o relacionamento em grande estilo para toda a sociedade nova-iorquina. Não houve uma só revista que não notificou que o solteiro mais cobiçado da cidade finalmente encontrou o amor.
Ele poderia dizer claramente que foi naquele momento com a notícia em mãos que percebeu seu ódio crescendo por aquele homem.
Era claro como agua que Isabella só o abdicava em favor de todo o dinheiro que o Cullen tinha. Se não fosse por isso ele a teria para si, era com ele que Isabella passaria suas noites, dedicaria seus sorrisos e seu amor.
Quanto tempo não passou sentado em sua mesa sem conseguir se concentrar em nada, se contentando com migalhas de vê-la todos os dias por cima da sua mesa, inventando desculpas para conversar com ela.
Ele a adorava, seu coração palpitava mais forte ao estar próximo a ela, porém, como poderia criar coragem e se declarar quando seu principal adversário a mantinha sob intensa vigilância, até mesmo quando saiam para tomar uma bebida com o pessoal havia um segurança enorme atrás dela.
Seu desespero era tamanho que ele perdeu a cabeça e agiu da forma mais vil. Ele foi capaz de prende-la dentro de uma sala e para fazê-la enxergar a razão.
Se não fosse pelo Cullen, ele teria convencido Bella de que seria um homem bem melhor do que aquele babaca.
Depois disso sua vida virou um inferno. Foi para a prisão e nenhum advogado queria pegar sua causa. Havia sido espancado diversas vezes pelo seu companheiro de cela porque um dos policiais espalhou que ele era um estuprador.
Seu ódio era tão grande que mal conseguia enxergar além da nuvem vermelha de ódio, ele queria acabar com Edward Cullen, quando saísse, ninguém o impediria de dar um fim àquele playboy imbecil.
Parecia um milagre, mas sua vida melhorou ao rever seu amor. A presença dela ali deveria mostrar que ela realmente sentia algo por ele, afinal, porque diabos se daria ela iria até ali ver se ele estava bem?
Sua conversa com ela foi realmente esclarecedora. Não acreditava que tinha cometido um erro, mas como ela poderia não pensar da mesma forma, pediu perdão por tê-la atacado na sala dos servidores, por ter agido de forma tão cruel.
E foi com satisfação que viu em seu olhar ela se compadecer de sua situação. Até que aquelas surras não foram em vão. Só em ter a satisfação de ver Isabella por alguns minutos valeram muito a pena suportar tudo.
Dias depois um defensor público o visitou e fez um acordo com ele, o principal tópico era da restrição: deveria se manter há 300 metros de distância de qualquer Cullen e principalmente de Isabella.
Tinha certeza absoluta de que sua libertação era alguma coisa relacionada a ela, mais um sinal de que o mundo conspirava a seu favor para ficar com ela.
Durante semanas tudo o que fez foi conseguir um trabalho em uma pequena empresa prestadora de serviços em informática perto da casa do seu pai e tentar encontrar uma forma de reaver aquilo que era seu por direito. Isso até que em um belo dia de trabalho um rosto bem conhecido entrou pela porta com um enorme sorriso.
— Ora, ora, se não é o homem mais procurado da América.
As palavras irônicas fizeram Jacob fechar as mãos para não saltar no pescoço daquele homem.
— O que deseja, Senhor Hunter? — Sua voz saiu seca, mas queria aquele homem o mais longe possível.
Todos na Cullen conheciam a fama de James Hunter, sabiam que ele era uma cobra, se você está com ele, ele te protege, caso contrário, ele te engole. Então, a visita dele era um tanto confusa.
— Precisamos conversar, rapaz. — O homem loiro olhou em volta para a pequena loja vazia — Em um lugar mais reservado.
—Não temos nada para conversar. Se foi o Cullen que te mandou aqui não tenho nada para falar com ele.
James riu e passou o dedo por uma estante com cartuchos para impressoras tirando o pó e limpou na roupa, em seu rosto o sorriso que nunca morria.
— Realmente o que tenho para falar com você é sobre aquele moleque, mas não vim a mando dele. Tenho uma proposta para você e se fosse inteligente, escutaria.
Jacob olhou para o lugar sem movimento e resmungou com um colega que iria tirar sua hora de almoço.
Os dois caminharam até uma pequena cafeteria na esquina e mal se sentaram quando James riu observando o lugar.
— Qual a graça?
— Você é a graça, Black. — disse simplesmente — Era um jovem com um dos futuros mais promissores dentro da Cullen e agora trabalha em uma lojinha medíocre em uma cidade minúscula. Eu diria que é até cômico.
Jacob forçou uma respiração profunda e encarou o outro homem.
— E o que uma personificação como o senhor faz em uma cidade minúscula atrás de um fracassado?
O outro homem relaxou e brincou com o guardanapo.
— Tenho uma proposta bem tentadora para você, garoto.
— Qual proposta?
— Quero que você me ajude a acabar com Edward.
— E por que eu faria isso?
— Sabemos bem que você é louco pela mulherzinha do Edward e que por causa dela fez uma loucura, então se nos livrássemos dele você teria uma enorme chance com a doce Isabella, não é?
— Ela era minha antes dele aparecer.
James sorriu enormemente.
— Isso mesmo, rapaz. Vou te dizer uma coisa que não conto para todo mundo: Há muitos anos atrás me apaixonei perdidamente por uma mulher e ela por mim, mas ela conheceu outro homem com mais dinheiro, com sobrenome e se casou com ele. A vagabunda abriu mão do nosso amor para ficar com aquele almofadinha mimado, até a minha filha ela fez acreditar que era dele.
O homem moreno arfou e se recostou na cadeira relaxando. Quem diria que teria alguma coisa em comum com James.
— E como a história acabou?
— Ela ainda não acabou, mas eu recuperei minha filha. Fiz aquela vagabunda sofrer por ter mentido para mim e agora eu vou acabar com toda aquela família.
Nossa. Isso é que era ódio em sua pior forma. Esse era o tipo de destruição que uma mulher realizava na vida de um homem.
— Essa mulher acabou mesmo com você.
— Ela me usou enquanto lhe foi conveniente e me cuspiu como se fosse nada. — o sorriso cheio de dentes voltou ao rosto de James — Agora, voltando ao nosso assunto: Eu posso te ajudar com dinheiro e você me ajuda a acabar com Edward Cullen, então você fica com a garota.
— Como você fará isso? — Questionou genuinamente curioso.
— A garota está mexendo onde não foi chamada, preciso que você me ajude a impedir que o programa dela funcione. Depois irei tirar Edward da jogada, definitivamente. — Brincou com os dedos. — Aí serei eu quem assumirá a presidência do grupo e você será meu braço direito. Com o namoradinho fora da jogada, ela estará fragilizada e você se aproxima dela, a consola, em semanas Isabella se apaixonará. Mulheres são dependentes de gestos de carinho.
Seus trabalhos com James começaram assim. Primeiro, atrasar o máximo possível o trabalho que realizavam na Cullen, fato um tanto fácil, conhecia seus antigos colegas de trabalho, contudo, logo foi bloqueado ao ser detectado.
Segundo, voltar para Nova York e acompanhar cada passo do que trabalhavam dentro daquele prédio.
No fim, descobriu que trabalhar com James não era tão ruim assim. Ele ganhava bem, fazia quase nada e tinha tempo o suficiente para manter um olho em Isabella.
A observava ir ao trabalho, com aquele armário que a seguia, ir ao Central Park com o cachorro, tomar café em uma cafeteria próxima ao apartamento que vivia.
Durante semanas ela não apareceu com Cullen. Isso deveria mostrar que ela finalmente caíra em si e deixou o babaca. Finalmente. Era apenas mais uma prova de que em breve ele a teria.
Sua vitória era quase garantida, chegou até a cogitar a ideia de se aproximar dela em uma cafeteria próxima ao apartamento dela, foi ao ponto de entrar pela porta, mas viu o segurança se aproximar e abortou o plano.
Foi a melhor escolha porque depois desse episódio passou a observar com mais afinco o prédio dela, até o dia em que várias mulheres entraram nele, ele as reconhecia, a Sra. Cullen, Rosalie Cullen, Alice e uma outra que nunca vira antes.
Foram longos minutos de longa espera até que o segurança saiu com a sua mulher inconsciente. Talvez, ela tivesse passado mal e a levavam para o hospital, no entanto quando seguiu o carro descobriu que seguiam em direção a Long Island, diretamente para um ancoradouro privado.
Parou a van alguns metros depois da portaria e tentou traçar algum plano para conseguir entrar, o que foi relativamente fácil, uma das entradas laterais não estava trancada e não tinha segurança.
Sua boca foi ao chão quando viu a quantidade de iates e veleiros. Bastardos ricos faziam questão de mostrar aquilo que tem e vadias sempre se rendiam a ostentação, isso demonstrava que provavelmente o Cullen estava de volta na jogada.
Naquela noite em um canto de bar acabou com o dinheiro da carteira em bebida e cigarros, queria esquecer, nem que por uma noite, aquela vagabunda ingrata. Quando colocasse as mãos nela a faria pagar por cada hora em que fez esperar, sua primeira ação seria a de se vingar, depois sim cuidaria dela.
Soube por James que ela e o Cullen otário tinham se reconciliado em uma longa viagem para a Europa.
Nunca antes sentira tanto ódio por uma pessoa, se sentia a ponto de explodir todo aquele prédio com Edward Cullen e Isabella Swan dentro.
Em um ataque de raiva juntou todas as fotos e recortes dela e queimou, contudo, logo se arrependeu.
Ela deveria ter um motivo, um bom motivo para continuar com aquele almofadinha. Sim, era isso mesmo. Isabella estava com Edward Cullen apenas por seu dinheiro e ele se beneficiaria disso depois que ele partisse.
Despois que James se livrasse dele teria seu dinheiro a sua disposição, mostraria a ela que também era capaz de oferecer aquilo que tanto desejava.
Nos dias em que ficou longe dela conseguiu se concentrar mais no trabalho. Havia enviado um vírus para seu antigo trabalho. Foi realmente divertido saber que todos aqueles panacas estavam correndo de um lado a outro para impedir que o vírus se espalhasse e contaminasse os arquivos essenciais.
Com a ajuda do seu novo melhor amigo conseguiu desativar o sistema de controle central e deixar o prédio às escuras por seis horas. Com essa proeza até ganhou um bônus.
Tudo isso para tentar suportar os dias distantes do seu amor.
Foi um suplício descobrir que Isabella havia retomado seu relacionamento. Para compensar essa dor em seu coração atrapalhou o quanto pode o trabalho dela. Era um prazer fazer isso, adorava saber que mesmo um pequeno “bug” atrapalhava a vida deles.
Soube que conseguiram alterar o antivírus quando nenhuma de suas tentativas em acessar o sistema foi feita com sucesso.
Chegou até ter orgulho de Bella, afinal, seu trabalho havia sido realizado com sucesso.
— Precisamos nos encontrar agora.
Não era incomum receber ligações de James, mas nunca ouviu o tom feroz que estava agora.
— Você ressaltou que não devemos ser vistos juntos, chefe.
— Esqueça isso e me encontre na ponte de Manhattan as oito.
Praguejou para os quatro ventos. Odiava quando os faziam de idiota, mas não havia solução. Estava curioso com o motivo de James querer vê-lo.
Não quis se atrasar, parou a van cinza em um estacionamento e seguiu a pé em direção a ponte. Algumas pessoas passavam caminhando, correndo ou até mesmo de bicicleta. Sorriu para duas garotas que passavam e subiu a gola do casaco ao lado do homem de roupa de moletom e touca preta.
— O mundo deve estar acabando para me chamar pessoalmente. — Brincou acendendo um cigarro.
— Ele vai em breve se não agirmos rápido.
Especialmente naquele dia parecia que James não queria brincar. Bom, ele também não queria.
— O que está acontecendo? — Tragou.
— Sua piranha está cavando demais, Black. — Falou bruscamente — Se ela não parar vou ter que tirá-la do caminho.
Jacob segurou a fumaça e travou a mandíbula. James só era mais um dos otários manipuladores. Ele foi criado pelos seus inimigos, então não era nenhuma surpresa que agisse como eles.
— Esse não foi nosso acordo, Sr. Hunter. Você se livraria do Cullen e Isabella seria minha. Não venha querer mudar as coisas porque não vou aceitar.
— Você quer mesmo uma piranha interesseira? — O sarcasmo dele começava a lhe incomodar profundamente, que ele pensasse isso de Bella era uma coisa, mas ninguém mais podia.
— Ela é tão minha quanto a vagabunda do seu passado foi sua, então eu vou tê-la sim e isso não vai estar em discussão.
— Você deveria me tomar como exemplo, garoto. Aquela mulher acabou comigo e estou vendo a história se repetir.
— Ela não vai se repetir. Isabella é minha e vai aprender isso.
— É bom que esteja certo, Black, porque se Isabella se colocar em meu caminho eu vou matá-la sem nenhum peso na consciência.
Respirou fundo quando o babaca saiu andando.
Terminou seu cigarro e encarou a ilha de Manhattan com suas luzes que nunca apagavam, jamais permitiria que James tocasse em um fio de cabelo do seu amor, acabaria com ele antes disso acontecer.
Sua rotina voltou a ser de acompanhar cada passo de Bella, suas voltas com Edward Cullen e aquele cachorro monstruoso, adorava vê-la caminhar pelo Central Park com seus sorrisos enormes, que estranhamente pareciam ter diminuído até uma expressão preocupada encontrar seus olhos.
A preocupação que ela parecia carregar o afetou e começou a se perguntar se havia um dedo de James nisso, não iria perdoar se ele fosse o causador do desaparecimento dos seus sorrisos.
Dias depois recebeu um telefonema de uma mulher muito suspeita querendo falar com ele a mando de James. No mínimo, aquela história era bem instigante, não confiava em James e uma pessoa mandada por ele menos ainda.
Mesmo assim a curiosidade falou mais alto e se viu aguardando a tal mulher em uma lanchonete no Bronx. Não sabia o que esperar quando uma coroa ruiva entrou pela porta. Talvez fosse pressentimento, mas sabia de cara que aquela era a mulher do idiota.
— Olá, docinho. — Lhe cumprimentou com a voz sensual — Você é Jacob?
— Sou. — sorriu — E você, quem é?
Ela tomou o lugar vazio a sua frente e sorriu.
— Sou Victoria. James me mandou aqui.
Era bom saber que sua intuição ainda funcionava perfeitamente.
— O que ele mandou você me dizer, Victoria?
Enquanto a mulher brincava com uma colher de plástico a observou atentamente. Não era uma mulher feia, pelo contrário, mesmo mais velha ainda dava um baile em muitas garotinhas por aí, era uma pena que seu coração já tivesse ocupado. Bebeu um gole de café apreciando a vista.
— James foi preso.
Jacob cuspiu o café que estava na boca e deixou a caneca de lado.
— Como assim? Quando?
Não leu nada em lugar nenhum e sempre fizera questão de ler todos os jornais possíveis para se manter atualizado sobre a cidade.
— Faz quatro dias, Edward Cullen descobriu tudo o que ele fez e a polícia está com ele agora.
— E como você conseguiu falar com ele?
— James e eu nos conhecemos há muitos anos, docinho. Ele tem um contato na polícia que me informou do que acontecia e conseguimos conversar, a primeira coisa que me pediu fosse que entrasse em contato com você e te entregasse um recado.
Passou a mão no rosto tentando entender. Cullen conseguira tirar mais um do seu caminho, mas o jogo não acabara ainda.
— O que ele mandou falar?
— Que isso ainda não acabou. Ele vai sair da cadeia e quer que você mantenha um olho nos dois, que infernize os dias de Edward porque quando ele sair vai dar o golpe final e o cara nem vai saber o que o atingiu.
— Certo. Obrigado.
Sem dizer mais nada saiu da lanchonete.
Isso mudava completamente seus planos, teria que agir com um pouco mais de cautela, se aquele bastardo rico soubesse que trabalhava ao lado de James, ele seria o próximo a morrer atrás das grades, novamente apanhando de marginais acéfalos.
Seguiu fielmente as instruções de James, vigiou Isabella com mais afinco, fotografou e enviou tudo para o infeliz do noivinho dela. Era bom enviar mensagens para ele enquanto estava em público só para ter o gosto de ver a cor esvair de seu rosto e olhar para os lados procurando seu inimigo oculto.
Foram dias bem divertidos, tanto por atormentar Edward, quanto por assistir Bella mais de perto, adorava observá-la, cada dia que a via alimentava mais o sentimento forte que carregava no peito.
Recebia poucas recomendações de James, não poderia entrar em contato direto com ele de forma alguma, até se livrarem de Edward precisaria ser assim, tinha certeza que quando saísse da prisão isso terminaria finalmente.
Em um sábado de manhã comia uma tigela de cereal enquanto assistia ao noticiário matinal, pensava em como adiantar seus planos, precisava logo acabar com isso, não suportava mais ficar longe do seu amor, isso até uma comentarista de fofocas começar a falar, chegou a pegar o controle para desligar a televisão velha, contudo, parou no meio do caminho.
“— Agora é oficial, um dos homens mais cobiçados de Nova York vai se casar. Foi confirmado por fontes seguras de que Edward Cullen e Isabella Swan, juntos desde maio deste ano irão ao altar no próximo domingo em uma cerimônia intima para poucos amigos e familiares. Esperemos mais sobre a divulgação de um dos casamentos mais esperados.”.
Que merda!
Antes que pudesse se controlar a pequena televisão explodiu na parede, um grito de raiva escapou do seu peito.
Como aquela traidora fazia isso?
Ela não podia virar as costas para ele, não depois de tudo que fez por ela — Do que faria por aquela ingrata.
Se recusava a ser como James e terminar louco em uma prisão federal, isso não iria acontecer com ele. De jeito nenhum.
Fez suas malas em questão de minutos, voltaria para Nova York, acabaria com aquele riquinho idiota, iria acabar com ele pessoalmente, não esperaria mais um único dia para isso.
Infelizmente, chegou tarde demais e sua Bella, a mulher que mantinha seu coração e sua mente, havia se casado com outro, com um verme rico e idiota.
No tempo em que ela ficou fora, fez questão de armar acampamento na frente do condomínio em que morariam, foram necessários dez dias para que a visse caminhar, sozinha, sem nenhum segurança. Finalmente, esse seria sua chance.
Deixou o carro estacionado e a seguiu a pé.
Bella estava visivelmente perturbada, não prestava atenção de onde ia e sabia que isso era culpa do Cullen, que bom que ela tinha percebido seu erro, essa era a oportunidade de reaver o que era seu.
Um homem mancando e de boné cruzou seu caminho e parou a sua frente.
— Não faça isso. Tem dois seguranças atrás dela e se você dar mais um passo irão notar quem é.
Sua respiração se suspendeu e travou no meio do caminho.
— Sr. Hunter?
— Eu avisei para manter distância da vadia, Black. — Sussurrou energético — Você é mais burro do que imaginei.
Jacob voltou a respirar e encarou o homem a sua frente, seu cabelo estava maior, quase cobrindo os olhos e um boné preto escondia seu rosto, nunca o teria reconhecido se cruzasse com ele.
— Você não estava preso?
— Ainda continuo preso e você se não tiver juízo e ficar longe de Isabella também irá.
Sem mais uma palavra enfiou um envelope em suas mãos e saiu caminhando na direção oposta.
Permaneceu em total choque por vários minutos antes de dar um passo para trás, se afastando de Bella, não sabia como James chegara até ele, mas o agradecia por manter sua cabeça sã.
Não comprometeria seus planos assim tão fácil.
Durante dias analisou o material que James lhe entregou, não queria saber como conseguira sair da cadeia, mas o admirava por isso. Ele tinha um plano, um plano para acabar com Edward Cullen.
Por um mês montou um plano para incendiar um dos prédios da Cullen em Chicago e funcionou, conseguiu prejudicar um importante contrato dele, era bom voltar a atormentar aquele babaca.
Isso para depois descobrir pelas revistas de fofoca que Bella estava gravida causou uma dor tão grande em seu peito que parecia estar arrancando seu coração com um punho.
Aquela vagabunda o traiu mais uma vez.
Quando colocasse as mãos nela lhe faria pagar por cada segundo de sofrimento, a faria sofrer da mesma forma, bem lentamente.
Foi informado pela vagabunda ruiva de que James foi libertado formalmente da cadeia, mas não poderia ir até ele. Cullen mantinha um pequeno exército atrás dele, então teria de ir encontra-lo.
Conseguiu entrar no prédio pela entrada de serviço disfarçado, queria rir ao ver o poderoso James Hunter em um apartamento minúsculo e fedorento, como uma pessoa podia cair tão rápido.
Detestava aquele homem, mas gostava de como sua mente sádica funcionava, contudo isso não queria dizer que não o sacrificaria caso fosse preciso. Aquele era um jogo de inteligências e a sua sempre fora superior.
James tinha um plano para conseguir dinheiro, um plano de apavorar tanto Edward Cullen que ele não teria saída a não ser de entregar a quantia que ele pedia.
Não conhecia o passado de seu “companheiro”, mas sabia que James era perigoso, sentia sua insanidade cada vez que falava com ele, em uma manhã enquanto tentavam formar o último plano para acabar com seu inimigo comum, houve uma batida na porta.
— Você vai para o banheiro, não sai de lá por nada. Hoje isso acaba.
Um sorriso apareceu em seu rosto enquanto fechava a porta do banheiro, mas logo desapareceu quando percebeu ser mais de uma pessoa que acompanhava o Cullen.
Vozes alteradas entraram por seus ouvidos, isso junto com o sarcasmo de James, estava completamente do seu lado, até escutar o que ele pretendia fazer com a sua Bella.
Ele não queria apenas se livrar de Edward, ele queria torturar e matar lentamente a sua mulher, isso tudo enquanto aquele bastardo assistia.
Bella era sua, qualquer coisa que acontecesse a ela seria sua decisão e não daquele verme, nunca seria decisão de James.
Quando a porta da frente finalmente foi fechada, saiu do banheiro e encontrou o bastardo egoísta jogado no chão e com o olho tão roxo que parecia uma ameixa.
— Eu vou acabar com aquela vadia, Black. — rosnou do chão — Quando colocar as mãos nela e no bastardinho que ela carrega vou matar os dois bem lentamente e ao acabar não sobrará nem os ossos para que encontrem.
— Esse não era nosso acordo. Você iria se vingar de Edward e eu ficaria com Bella.
— Acabar com ele é pouco, aquele panaca ama aquela vadiazinha mais do que a própria vida, nada melhor do que acabar com ele por ela.
Jacob negou com a cabeça enquanto apertava o enfeite de mesa em formado ridículo de coelho.
— Só concordei em te ajudar porque me garantiu que teria Bella para mim, agora irá cumprir sua palavra. — rugiu com o ódio corroendo seu interior.
James riu ainda no chão, totalmente sem controle. Fosse lá o que se passava naquela mente torpe não seria boa coisa, parecia que tinha perdido completamente o pouco de suas faculdades mentais e Jacob não se deixaria arrastar para o inferno com ele.
Quando o viu de pé ainda com o sorriso doente e arrogante, respirou fundo, não poderia perder o controle, não agora de qualquer jeito.
— Aprenda uma coisa, moleque. — Seu dedo indicador o cutucou no peito — A pequena Bella nunca vai ficar com você, nem mesmo a força, ela ama o otário, a melhor forma de acabar com ele é por ela e eu vou fazer isso, Black. Eu vou matar aquela puta com minhas próprias mãos.
Em um rompante, Jacob o empurrou de volta ao chão, mal percebendo quando sua mão pegou um peso de papel de ferro, instinto assumiu quando seu braço desceu em direção ao rosto do infeliz, uma, duas, três, quatro vezes, não conseguia parar, não tinha mais controle do seu próprio corpo, a fúria o dominava.
Cansado, caiu ao lado de James, o objeto ainda preso em sua mão, sua respiração saindo aos arquejos, nunca na vida havia sentido tal adrenalina, tanto ódio por outro ser humano como sentira naquele momento.
Se forçando a ficar de pé, olhou para a figura estendida no chão. Seu rosto deformado, o sangue escorrendo e manchando o carpete, não poderia dizer que se arrependia do que fez, apenas livrara o mundo de um sociopata, todos deveriam ser gratos a ele.
Respirando para voltar a se concentrar correu até a cozinha e pegou um saco plástico e pano com álcool, colocou o peso de papel na sacola e lavou as mãos na pia para tirar o sangue. Com cuidado tratou de limpar todos os lugares que tocou no apartamento, não poderia deixar pistas do que aconteceu ali.
Depois daquele episódio sua mente tratava de trazer James em todo lugar que ia, sempre o observando de longe, em multidões, cantos escuros e nos seus pesadelos, a face cheia de sangue e os olhos mortos e frios.
Sua voz desprovida de emoção enquanto falava como iria matar Bella.
Queria se concentrar em uma forma de resgata-la da lavagem cerebral que Cullen fez nela, mas sua mente simplesmente não se conectava a isso.
Depois de dias, finalmente, conseguiu definir suas prioridades. Encontrou um vendedor de um calmante pela internet e comprou uma boa dose, alugou um carro barato com documentos falsos e um galpão abandonado ao sul de Nova Jersey.
Era isso, seu plano estava completamente arquitetado em sua cabeça, se seguisse tudo ao pé da letra conseguiria atingir seu objetivo.
Esperou pacientemente que a notícia da morte de James se espalhasse e com um sorriso notou que os Cullen haviam voltado a cidade, era bom ver seu antigo chefe se contorcer e os muitos advogados entrarem em sua casa.
Apostava um dedo que todos acreditavam que o idiota havia matado James.
Cada dia em frente ao condomínio se tornava um a menos longe de seu amor, sentia lá no fundo que se aproximava o momento de seu reencontro com Bella e mal poderia esperar.
Sexta-feira em Nova York costumava ser um dia interessante, como último dia útil da semana e em um dia quente de primavera, as pessoas aproveitavam o fim do dia para ir em bares, baladas, praças, jovens gostavam de programas fáceis e divertidos. Ele costumava curtir esse tipo de lugar, isso antes de redefinir suas prioridades.
Faltava pouco agora, seria questão de dias para seu objetivo se concluir, ansiedade o carcomia por dentro de forma intensa.
Querendo um pouco de paz encontrou um bar qualquer e tomou algumas doses de whisky barato enquanto assistia a um jogo na televisão do lugar. Sentia em seu íntimo que essa noite seria decisiva e precisava desse tempo para comemorar antecipadamente. Mal podia esperar para tocar Bella, para que a fizesse entender o quanto havia lutado por ela e que jamais se veria livre dele porque ela lhe pertencia.
A faria entender de qualquer jeito, mesmo que usasse o ratinho bastardo para isso, sabia que corria o risco de acabar como James, mas se Bella não fosse com ele, ela não iria ficar com Edward Cullen também.
Uma mão em seu ombro lhe retirou dos pensamentos alegres, se virou, pronto para flertar quando percebeu de quem se tratava.
— O que diabos faz aqui?
Que merda. Ele havia esquecido da vagabunda do James.
— James está morto. — Victória sussurrou olhando ao redor.
Sua expressão não se alterou e pediu mais uma dose ao barman a empurrando para a mulher.
— E por que você está aqui? Como me encontrou?
— Você não entendeu, James morreu, ele foi assassinado e estão achando que fui eu.
Jacob lançou um olhar de desprezo enquanto bebia calmamente.
— E quem te falou isso?
— Edward Cullen esteve no meu apartamento mais cedo, ele me fez um milhão de perguntas.
Seu autocontrole se desfez e a agarrou pelo braço, seu olhar se transformando em gelo puro.
— Mais que merda, mulher. Você falou alguma coisa sobre mim?
— Não, mas ele sabia que James não estava sozinho, deixou até um dos seus homens me seguindo, só que consegui despistar ele e vim te avisar.
Ele concordou suavemente, pensando um uma forma de usar isso a seu favor.
— Caia fora da cidade, Victória e se souber que andou falando mais do que deveria vou garantir que seu fim seja como o de James.
Os olhos azuis da mulher se arregalaram quando percebeu o que realmente havia acontecido com seu antigo amante e deu dois passos para trás, uma clara indicação de medo em suas feições.
— Você o matou. — Resmungou com a boca seca.
Jacob sorriu e deixou uma nota em cima do balcão.
— Pense em abrir sua boca e vão te encontrar boiando em baixo da Ponte do Brooklyn, então não fode comigo porque não sou tão bom quanto James.
Sem mais uma palavra saiu do bar e pegou o carro velho com placas falsas e dirigiu até o condomínio que se transformava em sua segunda casa. Parou a tempo de ver três carros pretos saindo em disparada pelo portão frontal, sorriu percebendo o que estava acontecendo.
Finalmente teria sua chance.
Foi difícil entrar em um hospital comandado pelos porcos Cullen, mas aproveitou que um funcionário saiu pela entrada traseira para fumar e puxou conversa, entrando com ele. Depois, foi só seguir até o vestiário e arrombar um dos armários.
Com roupas de enfermagem estava pronto para terminar com isso. Horas se passaram até que percebeu uma brecha na equipe e conseguiu se infiltrar na ala de pós-parto, a maioria dos enfermeiros já saiam do local.
Seus olhos brilharam quando avistou Bella deitada, parecia que uma áurea estava ao seu redor, poderia dizer com certeza que nunca vira algo tão belo em sua vida, ela resplandecia de tal forma que precisou piscar algumas vezes para ter certeza se não encarava um anjo.
Foi praticamente impossível esperar até que a última enfermeira deixasse o quarto antes de se aproximar da cama.
Bella estava de olhos fechados, a respiração calma e compassada. Fazia meses desde que a tocou e não conseguia se conter agora com ela tão perto. Por instinto correu os dedos pela sua testa, notando quando sua respiração se alterou.
Não pôde conter um sorriso quando ela abriu os olhos languidos, ainda mostrando extremo sinal de cansaço, viu em seus olhos reconhecimento e então algo que o deixou extremamente mais feliz, notou apreensão, talvez medo. Não sabia que gostava desse sentimento nela, contudo nesse momento o apreciava muito.
— Jacob... O que faz aqui? — Sua voz saiu fraca e debilitada.
— Vim buscar você, ou achou que a deixaria nas mãos daquele estupido?
Apressado, sabendo que logo apareceria alguém para leva-la ao quarto, puxou uma cadeira de rodas que estava no canto e colocou próximo a cama. Com cuidado a tirou da cama, mesmo sob os fracos protestos dela.
— Jacob, pare, por favor.
— Não temos tempo para isso, querida, iremos conversar quando chegarmos a um lugar bem longe daqui.
Seus protestos se intensificaram quando ele a sentou na cadeira e começou a empurrar para uma saída alternativa.
— Jacob, eu não posso ir com você, eu tenho um filho... um menininho, por favor, não faça isso.
Ignorando seus protestos mexeu no bolso do jaleco e tirou uma injeção.
— Você não faz ideia do tempo que esperei por você, Bella, do que eu tive de fazer para chegar até você. Todos os sacrifícios para que você dormisse com o verme do Cullen, ter um pirralho e brincar de casinha. — Sua raiva aumentava conforme analisava novamente o que fez por essa ingrata — Eu matei por sua causa.
Sua mão direita encontrou seu pescoço e o apertou cortando o oxigênio, os olhos verdes refletindo medo puro que o excitou até o amago. Observou seus olhos se desfocarem e retirou a mão, sorrindo quando ela tossiu e se empurrou para longe, caindo no chão, uma tentativa pobre de tentar escapar dele.
— Qual é, Isabella, você realmente acha que eu percorreria todo esse caminho todo para perde-la agora? — Sua risada a fez se arrepiar.
Com um passo apressado a pegou pelo braço, forçando-a a se erguer e a jogou na cadeira de rodas.
— Você era o cumplice de James... você o matou... por que?
— Ele iria te matar para se vingar do imbecil e não poderia deixar que isso acontecesse.
Cansado de conversa, espetou a agulha no seu pescoço a vendo desfalecer rapidamente. Ela não iria desmaiar, mas ficaria fraca o suficiente para não fugir.
Agora só precisava chegar até a garagem subterrânea e tudo ficaria bem, pegou o elevador de serviço e apertou o botão para o subsolo. Podia sentir o gosto da vitória em sua boca.
Ao soar da abertura da porta, sorriu brilhantemente, sorriso que desapareceu ao ver, pelo menos, dez seguranças lhe apontando armas.
Não esperava por isso, entretanto, veio preparado para isso também. Com um movimento rápido, puxou Bella para sua frente e tirou o revolver escondido na calça e apontou para a cabeça dela, o corpo mole lhe dando cobertura, os dois iriam juntos até o fim, não importa qual ele fosse.
Isso acabava hoje.
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