Capítulo 68

Nova York amanhecia com uma tempestade ameaçadora, o céu estava negro enquanto a chuva caía impiedosamente dando sinais dos reflexos do inferno que se passava dentro da sua mente também refletia misteriosamente no tempo.

Edward queria se enfiar em um buraco com sua mulher e seu bebê, um buraco longe do planeta Terra. Não era possível que nunca teria um momento de paz, não era possível que aquele demônio sempre iria se colocar no seu caminho para atormentar sua família.

Na tarde anterior havia sido surpreendido com a notícia de que James conseguira sair da prisão por algum tipo de beneficio, beneficio esse que ele pensava ter barrado no tribunal. Seus nervos estavam à flor da pele e cada movimento impensado estava o irritando.

Seu desejo era acabar logo com aquele ser que não poderia ser denominado de homem e temia que o fizesse quando colocasse as mãos nele, dessa vez se tivesse uma arma na mão não hesitaria em atirar mais acima.

O cachorro chorou em algum lugar da casa anunciando que Bella estava caminhando com ele. Não queria encontra-la agora, não conseguiria ocultar dela o que estava acontecendo. Sabia como ninguém sobre seus medos e James frequentava bastante os seus pesadelos, principalmente depois de terem descoberto toda a verdade.

Sua intenção nunca foi se aproveitar do tamanho da casa para se esconder, mas nesse momento essa opção não pareceu tão tentadora. Sua esposa estava feliz com a recente descoberta do sexo do bebê e juntando com o fato de ele não permitir que ela descansasse a noite fazia com que ela caminhasse pela casa durante a madrugada.

Um trovão soou ao fundo e as luzes da casa tremeram duas vezes, não gostaria que faltasse luz em um momento onde precisava de tudo às claras para pensar e analisar tudo com clareza. Dessa vez não poderia errar, James era mais perigoso que muitos bandidos foragidos e a sede de vingança que o alimentava não poderia ser subestimada.

O único ponto a frente que tinham sobre ele é o fato de ninguém fora da sua família saber que Bella era Melanie. Não iria admitir, mas manter essa informação longe da policia e da mídia era o maior triunfo que poderiam segurar, tinha certeza que se aquele homem soubesse da verdade iria aparecer das profundezas do inferno com mais raiva para cima deles e jamais exporia sua esposa a ele.

Sua vantagem era o conhecimento e sua fraqueza aquela menina que tinha sua vida em suas mãos.

Algo quebrou na cozinha e com um suspiro rendido foi ver o que Bella estava aprontando, antes que ela conseguisse derrubar a casa inteira nas suas andanças.

–O que vocês fizeram?

Bella saltou escondendo o saco de salgadinhos nas costas, o médico havia proibido terminantemente que comesse produtos com sódio, especificamente os abençoados salgadinhos de queijo, Edward ficava em cima para que ela nem se aproximasse desses produtos, mas quando Heidi ia ao mercado a subornava para trazer alguns e mantinha um esconderijo totalmente secreto para eles.

Quando desceu para comer imaginou que seu marido estivesse trabalhando. Demetri reforçou que final de ano trabalhavam em dobro para as reuniões de conclusão e iniciava os planejamentos para o próximo semestre e com ela afastada do grupo o trabalho tinha aumentado.

Edward nos dias anteriores se trancava no escritório para analisar os balanços e programar reuniões, hoje não foi diferente, depois que ele chegou em casa, lhe deu um beijo e se trancou no escritório, não imaginou que iria pegá-la com a mão no saco. Literalmente.

–Nada. – forçou um sorriso inocente – Ainda está de pé?

–Tenho alguns problemas pra resolver, mas o que tem nas mãos?

Ele estava desconfiado do sorriso falsamente inocente e a forma em que ela se movia nos pés desconfortavelmente, sem contar naquele rubor adorável que sempre cobria seu rosto quando estava aprontando alguma coisa.

–Dedos.

Sem se conter soltou uma risada, aquela menina atrevida estava escondendo alguma coisa e sua curiosidade aumentava a cada segundo.

–O que você está comendo?

–Nada. – ainda, sua mente gritou – Vim beber agua e o copo caiu, nada demais. Você pode pegar outro pra mim atrás de você?

Aproveitando que o marido se virou Bella jogou o saco do salgadinho atrás do balcão da cozinha. Felizmente a cozinha era gigantesca, os armários de madeira presos à parede, o fogão de seis bocas no centro e a pia ao lado, separado pelo balcão branco de granito com a luminária de duas peças acima, a visibilidade para o outro lado no chão era quase impossível.

–O bebê não te deixa dormir?

–Ele é agitado durante a noite e a chuva me deixa inquieta.

Ele se praguejou ao lembrar que Bella odiava as noites chuvosas, estava sendo egoísta ao se isolar no escritório e deixa-la lidando sozinha com seus demônios pessoais.

–Você está distante, Edward. – Bella comentou enquanto bebia a agua – Aconteceu alguma coisa?

–Sim.

–Alguma coisa grave?

–Sim?

–E você não quer me contar.

Bella conhecia aquela expressão, era obvio que quando ele a usava alguma coisa estava errada e há tempos tinha desistido de tentar forçar que ele falasse, a verdade sempre aparecia sem que fosse preciso tortura-lo.

–Eu não quero que você se apavore. – deu de ombros resignado – Eu queria protege-la, cuidar de você e do nosso Sapinho, mas parece que quanto mais eu luto isso acontecer mais problemas aparecem para bater em nossas portas.

Ela franziu o cenho e deixou o copo de lado. Há tempos percebia que seu marido queria carregar o mundo nos ombros. No seu afastamento da família foi ele quem ficou no fogo cruzado tentando manter a paz, quando descobriram que sua pressão estava alta era ele que cuidou dela e segurou suas mãos, ao mesmo tempo em que trabalhava arduamente. O admirava a cada dia, conhecia sua força, assim como sabia que em algum momento ele não iria suportar todo esse peso.

–Você sabe que pode contar comigo para tudo o que precisar.

–Sei disso, pequena, você é o amor da minha vida... Você é minha vida!

–É tão grave assim isso que está acontecendo?

Ele assentiu e suspirou tristemente. Não conseguiria esconder isso dela por muito tempo e não suportaria um segredo entre eles, se contasse a verdade sabia que Bella iria se cuidar melhor, deixaria que ele cuidasse dela.

–O que aconteceu?

–James conseguiu sair da prisão.

As pernas de Bella falharam rapidamente, por alguns minutos pensou ter escutado errado, mas o olhar desolado de Edward confirmaram suas palavras. Não se contendo caminhou até o salgadinho, precisava dele para colocar os pensamentos em ordem.

Edward ergueu uma sobrancelha, mas não disse nada.

Bella se sentou em cima do balcão enquanto comia tranquilamente. Não adiantava se desesperar pelo que já tinha acontecido. Ela tinha dois guarda-costas, a casa mais de quinze seguranças, toda a família estava cercada de proteção e seja lá o que James estivesse planejando teria que esperar para que ele mostrasse suas intenções.

–Seus seguranças sabem onde ele está? – questionou depois de minutos em silêncio reflexivos.

–Não, ele foi muito esperto e não deixou nenhuma pista para seguirmos.

–Poderíamos analisar os dados que ele passou para a defensoria publica quando libertado e rastrear os passos dele a partir desse ponto.

Eles estavam fazendo isso, todas as contas, celulares e a mulher com quem James se encontrava estavam sendo monitorados dia e noite, contudo não conseguiram nada ainda e isso o deixava mais inquieto do que o normal. Cansado de ficar longe dela, se infiltrou entre suas pernas e roubou um salgadinho do saco.

–Estamos fazendo o impossível, mas parece que ele sumiu no mundo.

–Será que não existe outra forma de encontra-lo?

–Todo o pessoal de segurança está trabalhando nisso agora, só nos resta esperar e detesto esse sentimento de impotência.

Ela suspirou e abraçou o marido pelo pescoço beijando seu rosto, mostrando que independentemente do que acontecesse estaria ali. Ela olharia por ele. Cuidaria dele.

Espera aí. Olharia por ele?

Era isso! Como pode ser tão burra?

–Eu posso verificar as câmeras da cidade e procurar por rostos similares. – soltou as palavras antes de conseguir filtrar o que pensava.

–Como assim?

Gostando de tê-lo tão próximo passou suas pernas pela cintura dele e beijou seu rosto áspero pela barba que começava a nascer.

–Há programas que conseguem localizar uma pessoa pela similaridade do rosto em gravações em câmeras de segurança, poderíamos tentar.

Para ela esse era um trabalho fácil e não seria a primeira vez que faria, só precisaria dar alguns telefonemas e tudo seria arranjado.

–Você e seus truques, Sra. Cullen.

Edward mordeu seu queixo e tirou o pacote de salgadinhos da sua mão jogando no lixo.

–O médico avisou sobre isso. Há quanto tempo você os mantem escondidos?

Bella deu de ombros tentando encontrar uma forma de mudar de assunto, caso ele descobrisse sobre seu estoque escondido iria apreendê-lo e nunca mais encontraria os seus tesouros.

–Esse eu comprei hoje. – suas bochechas coraram pela mentira.

–Onde estão os outros?

Rolando os olhos Bella se aproximou mais dele, colando totalmente seu corpo ao do marido. Beijou o canto da sua boca e acariciou sua nuca suavemente.

–Hoje foi um dia maravilhoso, marido, mesmo com esse pequeno empecilho. – ronronou em seu ouvido – Passei o dia todo com ideias na cabeça sobre como comemoraríamos a descoberta do sexo do bebê.

–Bella... – tentou adverti-la.

–Eu comprei até um presente pra você... Queria fazer uma surpresa.

Jesus, a voz dela tão suave, tão sedutora sussurrando em seu ouvido o fazia lembrar-se dos contos sobre sereias que atraiam marinheiros para a morte e se sentia extremamente preso em seu feitiço, não queria nunca sair de dentro dos seus braços.

–Droga, pequena, qual surpresa?

Bella sorriu maliciosa sabendo que estava conseguindo evitar uma discussão.

–Abra meu roupão.

Com pressa ele puxou o nó do roupão e gemeu quando viu uma camisola minúscula vermelha, a renda não cobria nada e deixava seus seios com o dobro do tamanho que parecia ter e aquele pedaço de linha que ela ousava chamar de calcinha e que na realidade não servia para nada. Suas mãos automaticamente traçaram a pele das suas coxas.

–Agora, — mordeu sua orelha – me leva pra cama, amor.

Sem um segundo pensamento ele a pegou nos braços correndo para o quarto, mas mal chegaram ao corredor do segundo andar, se amaram com pressa nas escadas mesmo, com a chuva forte caindo do lado de fora daquelas paredes, ambos exorcizando seus medos nos braços um do outro, deixando os medos e as duvidas do lado de fora. Ali dentro nada poderia os machucar, nada seria capaz de toca-los.

Bella acordou com relutância, sua mente ainda estava em alfa pelo orgasmo intenso que lhe foi proporcionado na madrugada. A chuva ainda caía com força aumentando a sensação de frio, no entanto a ignorou apreciando os movimentos calmos do seu filho em seu ventre e o cheiro do marido nos lençóis. Cansada olhou para o teto, seus dedos batucavam no colchão macio tentando encontrar uma forma de ajudar Edward a encontrar aquele monstro.

Na noite anterior fez o impossível para não deixar transparecer seu medo. Aquele homem a assustava a ponto de morte, contudo não seria por ele que viveria com medo, confiava no marido e sabia que nada a machucaria.

James era um homem cruel e não temia nada. Já esteve nas mãos dele, conhecia muito bem o monstro, se lembrava de cada agressão e cada medo que continuava enraizado sob sua pele e estava ciente de que nem mesmo uma vida toda a faria esquecer dele, só que nesse momento era adulta, era amada por seus pais, irmãos, marido. Tinha uma vida completa e que mesmo com altos e baixos hoje o controle do que acontecia estava em suas mãos e não se deixaria abalar por um monstro egoísta.

Nos seus tempos de faculdade havia ajudado a criar um programa para o governo para identificação visual, era uma brincadeira para alunos que gostariam de trabalhar para a CIA, ela só gostava de desafios, então participou no começo, mas logo se viu mais envolvida com o desenvolvimento da Genesis e abandonou sua equipe.

Hoje precisaria de ajuda se quisesse trabalhar com essa possibilidade, talvez pudesse pedir auxilio a alguns colegas e até mesmo Laurent, afinal seria mais viável trabalhar em conjunto com a equipe de segurança de Edward e não paralelamente.

Motivada lutou contra as cobertas para um banho rápido, Edward já deve ter ido trabalhar e aproveitaria o pouco tempo sozinha para agilizar algumas ideias e mostraria quando tivesse tudo pronto.

–Bom dia, Heidi.

A governanta riu com o entusiasmo da menina, fazia tempo que não a via acordar de tão bom humor.

–Bom dia, Bella. Alguma coisa especial para o café?

–Não, vou pegar uma fruta e depois se der fome eu como alguma coisa na rua.

–O Sr. Cullen me questionou sobre os salgadinhos de queijo.

Bella fez uma careta enquanto mordia a maçã.

–Ele me pegou no flagra ontem, você disse pra ele onde ficam meus tesouros?

–Não. Falei apenas que nunca tinha visto você com uma daquelas coisas.

–Ótimo. Te devo uma, Heidi.

–Só se lembre de manter bem escondido os seus tesouros porque já sabe para onde eles vão se forem descobertos.

Para o lixo e ela levaria mais uma bronca, só que Edward não iria descobrir, manteria tudo o mais escondido possível, estremecia só de pensar em suas preciosidades sendo enviadas para a lixeira.

Deixou esses pensamentos de lado enquanto caminhava para a garagem, Garrett e Jared já estavam postos, nem precisava pensar que eles sempre apareciam, prontos e dispostos.

No caminho a chuva estava mais fraca, mas o tempo continuava extremamente frio, depois do banho tinha se vestido com a roupa mais quente que possuía e mesmo assim ainda sim sentia um frio incomodo. Com um pouco de tempo livre até chegar à empresa aproveitou para ligar para Aro e Angela, se havia alguém que poderia ajuda-la seria sua amiga.

Foram necessários vários minutos no celular para explicar o que queria e como precisava ser feito, sem deixar nada escapar, o que menos precisavam era de um escândalo envolvendo o nome Cullen.

Depois de vários telefonemas e alguns contatos conseguiu permissão para acessar o mecanismo de busca do aplicativo, agora só faltava falar com Emmett para tentarem conseguir uma liminar para utilizar as câmeras da cidade.

O carro parou no subsolo da empresa com um movimento suave. Com certeza, os protocolos de segurança deviam ter sido alterados porque mais dois homens de dois metros usando terno esperavam por ela. Nem poderia reclamar, já que todo o cuidado era necessário.

Quando caminhou até a sala de Emmett não havia um só curioso que não a encarava com os três monstros que me seguiam, se sentia um floco de neve em meio a uma vasta vegetação em volta daqueles homens, a cada passo bufava. Estava dentro da empresa e mesmo assim eles a seguiam como se fosse uma carga de diamantes, teria que conversar com Edward sobre isso.

Seu irmão a recebeu com um sorriso no rosto e riu ao ver sua feição irritada por conta dos monstros que a acompanhava, puxou uma cadeira para ela e se sentou atrás da sua mesa.

–Você está bem acompanhada, hein. – brincou.

–Muito bem acompanhada. – resmungou – Como está Rosie e Liv?

–Ótimas, Rosie continua brigando comigo, mas Liv é um anjo de bebê.

Bella sorriu amolecendo, sua sobrinha seria uma menininha calma ao contrário do seu sapinho que poderia apostar que daria trabalho.

–Tenho que ir visita-las. Comprei muitos presentes para Liv.

Emmett fez uma careta engraçada que resultou em uma risada da irmã.

–Allie comprou quase um departamento completo, a bebê deve ter roupas até os vinte.

–Estava com ela quando comprou, mas as minhas são apenas presentes mesmo. Juro!

–Se é assim, fico bem mais tranquilo, mas você não veio aqui para me perguntar sobre Liv porque sei que você conversa com minha ursinha todos os dias. Em que posso te ajudar, formiguinha?

Bella coçou a cabeça e fez uma careta para o apelido que ganhou de Charlie e até Emmett tinha pegado, queria pensar em uma forma de expor seu plano sem que ele achasse que estava pirando porque já sentia essa reação em m futuro próximo. Respirando fundo ela soltou.

–Preciso que você entre com uma liminar para utilização das imagens da câmera de segurança da cidade, tanto passadas quanto atuais.

O grandão encostou-se à cadeira e batucou os dedos na mesa de madeira por longos segundos, uma expressão de seriedade dominando seu rosto.

–Qual a necessidade disso?

–Quero rastrear James. Se conseguir a liminar eu já tenho a autorização para usar um programa de localização facial, podemos seguir seus passos assim até encontrarmos uma forma mais eficaz de deixa-lo preso.

–Você não deveria se envolver nesse assunto, Bella. – a alertou – Se James apenas tiver a ideia de que você está viva ele vai atrás de você.

–E o que garante que ele já não está atrás de mim?

Com o silencio do irmão mais velho Bella suspirou.

–Ele é louco, Emmett. Vocês não tem ideia de quão lunático esse homem é. Eu sei do que ele é capaz de fazer, sei até onde ele é capaz de ir, a diferença é que agora ele não precisa se esconder.

–Eu não vou permitir que você entre nesse jogo louco que ele quer criar. Não posso. O papai não me perdoaria.

–Prometo que lido com Carlisle mais tarde. – sussurrou energética – Lido com Edward e com quem for, mas agora eu preciso que você me ajude, nem que seja para outra pessoa trabalhar nisso.

–Você aceitaria deixar outra pessoa no controle? – questionou sem se alterar – Ficaria de lado sem poder se intrometer em nenhuma decisão?

Ela mordeu o lábio sabendo que necessitaria de muito autocontrole para conseguir ficar de fora de um assunto que poderia definir sua vida, mas todos já mantinham preocupações demais para colocar mais uma, ainda mais Edward que surtaria assim que contasse.

–Faria sim. – confirmou sem titubear – Só quero que isso acabe, não vou ficar no caminho da investigação, vou me manter de fora. Prometo!

–Certo. Eu vou solicitar essa liminar para o mais rápido possível.

Bella sorriu animada quase quicando na cadeira.

–Só preciso que você escreva e mande para esse homem, ele vai liberar tudo o que precisamos.

Emmett fez uma careta ao ler o nome no cartão. Não fazia ideia de que sua irmãzinha conhecesse pessoas na CIA, ainda mais em tão alto escalão.

–Como você conheceu esse cara?

–Se eu te contasse teria que te matar. – brincou se levantando – Só envie pra ele.

–Tudo bem, vou fazer isso, então quero te pedir um favor em troca.

–Pode me pedir o que você quiser, irmãozinho.

–Ligue para mamãe. Ela está doente de preocupação.

A moça sorriu benevolente retorcendo os dedos em frente à barriga.

–Eu vou ir visita-la hoje.

O grandão deu um sorriso largo e abraçou sua irmã caçula.

–Isso é ótimo, não via logo a hora desse dia chegar.

–Eu também não, mal estou contendo minha ansiedade.

–Vamos jantar lá em casa. Te encontro as oito.

A morena riu e saiu em direção ao elevador. Agora só faltava enfrentar a fera.

O assistente de Edward estava teclando furiosamente quando apareceu, foi preciso que assobiasse para chamar sua atenção.

Riley quase pulou caiu da cadeira quando notou três homens gigantes o encarando atentamente, foi quase impossível engolir o nó que ficou preso em sua garganta, aqueles homens pareciam monstros com todo aquele tamanho e suas carrancas. Ele não sabia se seria capaz de se levantar, suas pernas tremiam muito, até que viu uma pequena figura entre eles.

–Oi, Riley. Edward está?

–Sim, Sra. Cullen. – sua voz tremeu e inevitavelmente corou por conta disso – Devo avisá-lo da sua presença?

–Ele está sozinho?

O loiro acenou com a cabeça apressadamente evitando encarar os monstros que circulavam a pequena mulher.

–Então não se preocupe que vou entrar.

Com um sorriso sapeca Bella entrou na sala do marido.

Edward estava sentado de costas falando freneticamente no fone bluetooth, gritava ordens a torto e direita, ameaçando demitir a pessoa se não resolvesse a besteira que tinha feito e seja lá o que fosse parecia grave.

Bella dispôs a permanecer em silencio enquanto observava a vasta coleção de livros que havia na estante em conjunto com muitas fotos, a maioria dela ou dos dois, havia uma em que ela estava fazendo bico pra câmera e não pode evitar sorrir, eram poucos e muito satisfatórios os momentos em que se divertiam juntos apenas pelo prazer de ser um casal jovem e apaixonado.

Seu sapinho chutou com força lembrando que em breve ali também estaria recheado de fotos dele. Seu marido já se mostrava um homem dedicado e carinhoso; e antes de o filho nascer já o enchia de carinho, com certeza, quando o segurasse se tornaria um pai babão.

Uma foto em particular chamou sua atenção. Nela um homem de cabelos claros e olhos escuros carregava um menino nas costas, um menino de cabelos cobre, ambos com enorme sorrisos. Aquele era seu tio Anthony, o pai de Edward.

Uma imagem desse homem a pegando no colo e colocando nos ombros passou por sua mente como um filme, mas tão rápido como ela veio, ela se foi.

Tentando normalizar sua respiração pela aquela sensação estranha Bella colocou a mão na estante, não sabia de onde aquela... Coisa tinha vindo, mas a pegou desprevenida.

Expulsou rapidamente a sensação estranha que começava a cobrir seu corpo e voltou a focar na foto.

Esperava que seu filho fosse tão forte e integro como todos os Cullen. Como o seu pai era e seus avôs mostravam ser, afinal, parecia que se eles nasciam com alguma característica essa era o caráter e se orgulhava de todos por isso.

–Hey, está perdida?

Retornando dos seus pensamentos dispersos Bella sorriu e foi até o marido o beijando, sua intenção de ser um beijo doce fracassou totalmente quando ele a pressionou contra sua mesa e introduziu a língua em sua boca com vontade, querendo dominá-la.

Sem folego afastou seus lábios, mas Edward desceu o beijo para o decote do seu vestido sugando a pele carinhosamente.

–Edward... – gemeu baixinho, seus dedos se infiltrando nos seus cabelos – Aqui não...

–Já fizemos isso antes, amor.

Sua mão acariciou suavemente seu seio por cima do pano do vestido adorando ouvi-la gemer seu nome baixinho com a voz carregada de luxuria.

–Por favor...

–O que você quer, linda?

–Pare... Não...

Sorrindo ele deixou um beijo abaixo da sua orelha e a encarou.

–Você quer que eu pare ou continue?

Edward riu mais quando a sua esposa abriu a boca diversas vezes, mas não emitiu som algum.

–Continue... – balbuciou sem folego – Continue, por favor.

Antes que ela pudesse mudar de ideia ele atacou novamente os seus lábios, o toque de suas mãos fortes fazia com que o corpo de Bella se incendiasse, cada terminação nervosa implorava por mais.

Quando as mãos traçaram suas coxas um suspiro acompanhado de um gemido sôfrego escapou da sua garganta e quando ele tocou em seu centro úmido seu corpo quase desfaleceu.

–Você gosta disso, amor?

–Oh, sim, Edward...

–Hoje vou tomar o seu corpo no topo do mundo. Do meu mundo.

Um rosnado escapou da sua garganta quando as pernas de Bella circularam sua cintura e prensou bem encima da sua ereção dolorida. Precisava tê-la, precisava marca-la como sua, necessitava dela, assim como do ar para respirar, talvez mais.

A puxou pela cintura e caminhou até a parede de vidro que ficava atrás da sua mesa. A Quinta Avenida estava a todo vapor abaixo dos seus pés, centenas de pessoas caminhando em diversas direções, carros se movimentando e buzinas soando.

O corpo de Bella deslizou pelo do marido enquanto ele ainda a beijava, dessa vez um beijo mais suave e doce, seu gosto masculino e único a incendiando. Sem saber como, seu corpo foi virado e agora era ela quem admirava toda aquela beleza rustica.

–Olhe pra baixo, amor.

Ela o fez sem titubear, adorando ouvir seu tom rouco.

–Todas essas pessoas a nossos pés... Nenhuma delas tendo noção do que acontece aqui com a gente.

Um gemido soou na sala quando Edward rompeu o elástico delicado da calcinha e colocou no bolso. Com calma ergueu o pano do vestido e acariciou o interior das suas coxas, ela estava tão molhada que seu mel escorria pelas pernas, foi preciso que se segurasse enterrar nela rápido e forte.

Se ajoelhando beijou atrás do seu joelho, sugando a pele devagar para depois morder. Subiu seus beijos sem pressa, fazendo questão de tocar cada pedaço de pele.

Ao se ver diante da sua feminilidade não perdeu tempo e a lambeu.

–Doce Jesus, Edward. – quase gritou.

Bella sentiu como se um raio tivesse atravessado seu corpo e se concentrou no meio das suas pernas. Seus joelhos fraquejaram quando ele a sugou com força de novo, mas se obrigou a permanecer em pé.

Gotículas de suor se formaram em sua testa enquanto seu marido a chupava com afinco. Cada movimento brusco que ele fazia com a língua ela se sentia mais próxima daquelas pessoas lá embaixo, como se estivesse caindo rápido, e sem chances de alguém deter a queda, seu ventre se contraiu inesperadamente, suas pernas tremiam. Seus gemidos baixos e intensos. Nem em cem anos, Bella saberia como explicar a onda de fogo que a pegou desprevenida quando seu orgasmo vibrou em ondas intermináveis deixando sua visão turva e seu corpo mole.

Antes que pudesse se recuperar Bella notou que Edward se levantou e beijou sua nuca, então inesperadamente a penetrou com força, quase erguendo seus pés do chão. A alargando e tocando em cada terminação prazerosa em seu interior.

–Edward...

–Isso, amor... Geme meu nome... Mostra pra toda Nova York quem é o homem mais fodidamente sortudo.

A cada impulso mais forte seus gemidos aumentavam, sua sanidade desaparecia e seus instintos dominavam. Estava quase alcançando aquela sensação maravilhosa quando ele parou seus movimentos ainda enterrado nela.

–Edward... Eu...

–Olhe lá pra baixo. Veja como quando você está nos meus braços nada e nem ninguém é capaz de nos ferir.

Bella concordou freneticamente tentando fazer com que ele continuasse a se mover, contudo ele nada fez.

–Eu vou proteger vocês, amor. Juro que não vou deixar que nada e nem ninguém te machuque.

–Eu... Eu sei, Edward, mas continue... Por favor... Continue... Não pare.

–Eu amo você, Isabella Cullen.

Fazendo ver o seu ponto de vista ele voltou a investir com força e precisão alcançando aquele lugar especial em seu interior que a fazia ver estrelas, com duas estocadas sentiu que ela o apertava como um punho e se deixou levar, sua cabeça caindo sobre seu ombro, beijando repetidamente o pouco de pele exposta.

Demorou alguns minutos para que sua respiração voltasse ao normal e conseguisse forças o suficiente para sair do seu interior. Com uma mão puxou sua cadeira e desabou, puxando Bella para o seu colo.

–Você está bem?

–Nunca estive melhor, marido. – sussurrou enterrando a cabeça em seu pescoço – Mas o que foi isso?

–Desculpe por te atacar assim, mas... Não conseguimos encontrar nada sobre James ainda e isso me deixa instável e você apareceu na figura de um anjo com esse vestido branco me olhando com tanto amor que algo dentro de mim só pedia por você.

Com muita força de vontade Bella ergueu a cabeça e encarou aqueles olhos esmeralda que tinha certeza de que seu filho herdaria, seu pequeno sapinho.

–Eu confio em você, Edward. Sei que nunca permitiria que algo nos machucasse.

–Obrigado por confiar em mim, anjo.

Depois de alguns minutos naquela posição Edward se ergueu com a esposa no colo indo para o banheiro. A sentou em um puff branco no canto e molhou uma toalha de mão para limpar suas coxas, por mais que gostasse de ver sua marca no corpo dela precisava confessar que necessitavam de um banho, contudo isso teria que esperar até chegarem em casa.

–O que você veio fazer na empresa hoje? – questionou desinteressado.

–Bem, vim conversar com Emmett e você.

–Sobre o que?

Bella brincou com a barra do vestido por alguns minutos tentando chegar à melhor forma de contar pra ele sobre o que pretendia fazer, era obvio que ele nunca permitiria que ela rastreasse James, mas se não tentasse nunca saberia, o conhecia bem o suficiente para pensar bastante no que iria dizer.

–Eu tive uma ideia para encontrarmos James.

A mão de Edward ficou suspensa por longos segundos silenciosos e logo retornou seus movimentos.

–Qual é a sua ideia?

–Há alguns anos eu estava em um projeto que tinha como objetivo localizar pessoas procuradas pelo rastreamento facial, queríamos aperfeiçoar esse sistema, não terminei porque tive que sair para trabalhar com Aro, eu conheci várias pessoas quando trabalhei nisso, algumas muito importantes dentro do governo e eu cobrei um ou dois favores, então só precisava que Emmett escrevesse uma liminar para solicitar a autorização para que possamos utilizar das câmeras de segurança da cidade. Se conseguirmos encontrar a última combinação visual podemos rastreá-lo.

Edward sorriu para a inteligência da sua esposa, ela sempre o surpreendia e amava isso.

–É uma excelente ideia, anjo. Já pensou em alguém para trabalhar nisso?

–Eu teria que auxiliar a pessoa para conhecer o programa, mas não me importaria de servir apenas de guia, sei que é arriscado pra mim me manter diretamente em algo que envolva aquele homem.

Edward concordou com a cabeça e se ergueu para arrumar a calça e a camisa.

–Nunca a proibiria de trabalhar nisso se é o que deseja, só te peço para que tome cuidado e se for demais para você, futuramente, que abandone essa ideia.

A boca de Bella foi ao chão pela surpresa, não esperava essa reação.

–Eu posso trabalhar nisso?

–Você ajudou a fazer esse programa, vamos conseguir encontrar James mais rápido se você trabalhar com isso. – deu de ombros arrumando a camisa e a gravata – Não gosto nem um pouco dessa possibilidade, mas reconheço seu potencial, sei o quanto é inteligente.

Bella sorriu alegre e deixou vários beijinhos estalados em seus lábios. Não existia duvidas de que se casou com o melhor homem do mundo.

–Eu te amo, Sr. Cullen.

–Também te amo, Sra. Cullen.

Se lembrando que teria muita coisa pra fazer Bella se apressou em se deixar o mais apresentável possível. Corrigiu a gravata do marido e caminhou com ele até a porta do seu escritório.

–Já estava me esquecendo. Emmett nos convidou para jantar na casa dele.

–Você sabe que Esme e Carlisle vão estar lá, não é?

Ela concordou serenamente com a cabeça ainda sorrindo.

–Eu cansei de toda essa merda, vou ligar pra Esme quando estiver indo pra casa e pedir pra que a gente se encontre agora. – deu de ombros – Ela é minha mãe, afinal de contas e eu a amo muito e já que não temos mais motivos para ficarmos afastadas quero recuperar todo o tempo perdido com ela e Carlisle.

–Fico feliz por saber disso, pequena. Agora vá antes que esfrie mais e essas ruas fiquem intransitáveis.

Lançando um beijo pra ele ela correu para dar tempo de falar com Jane antes de ir para casa, estava com fome, o bebê iria querer dormir em alguns minutos e deveria aproveitar esses momentos em que ele a deixava descansar porque sabia que a noite caminharia pela casa toda tentando acalmar a ferinha.

Depois de combinar com Jane sobre ela a ajudar com todo o programa que instalaria na biblioteca do casarão pode se deixar pensar. Não havia dito a Edward que já cogitava o nome do bebê, queria lhe fazer uma surpresa, afinal, essa era uma decisão importante que também o envolvia, só que dessa vez agiria sozinha, só esperava que ele gostasse da ideia porque em sua cabeça o nome tinha ficado perfeito.

Félix abriu a porta traseira do carro do lado esquerdo para ela entrar, a chuva tinha voltado a cair e com o frio formavam-se pedaços de gelo que se não tivesse cuidado poderia facilmente causar um acidente.

Aproveitou que estava parcialmente sozinha e pegou o celular, precisava ligar para Esme, não conseguiria ficar mais uma noite sem ter um abraço. Discou o numero tão conhecido e quando ia teclar para ligar o carro derrapou suavemente e o aparelho foi parar embaixo do banco de Jared.

Suspirando tentou pegá-lo sem soltar o cinto, contudo não obteve sucesso, então destravou e se inclinou. Um sorriso se abriu em seu rosto quando conseguiu recuperar o celular, abriu a tela e estava pronta pra discar quando um barulho de freada chamou sua atenção. Mal deu tempo de erguer os olhos e viu um carro branco enorme vindo em sua direção, sua respiração se suspendeu quando sentiu o impacto na lataria do automóvel, seu corpo foi lançado para trás fazendo sua cabeça bater em algo duro que a deixou tonta e tudo o que pode fazer foi abraçar sua barriga quando tudo ficou escuro de vez.

Notas finais
Olá, amores. Senti saudades de vocês durante a semana. Preciso dar duas noticias pra vocês antes que queiram me jogar na fogueira junto com a Joanna D'Arc. Primeira, eu trabalho em uma empresa de logistica e em final de ano o trabalho triplica, então já viram, estou trabalhando por seis e meu tempo está bem reduzido, mal tenho tempo para dormir e com isso também não consigo escrever direito. Para quem acompanha O Desafio sabe que estou há duas semanas sem conseguir postar, isso porque eu prefiro ficar sem postar do que colocar um capítulo lixo. Nisso entra a segunda coisa; como tudo está muito corrido é possível que as postagens atrasem, vou fazer o impossível para não acontecer, mas se vier a ocorrer quero que já saibam os motivos. Espero que gostem do capítulo e não queiram me matar - muito. Beijos Kim