O Que Somos
70 Capítulo 67
Capítulo 67
Edward praguejou quando o carro parou no transito pela decima vez, tudo por conta da neve que começava a cair e dificultava a movimentação.
Já era para estar em casa, mas com o final de ano sempre aparecia trabalho de onde nunca poderia imaginar, estava cansado, estressado e mal humorado, tinha dó do coitado que entrasse em seu caminho nesse momento.
Chegou em casa depois de quase uma hora, assim que tirou o casaco estacou ao ver uma arvore de natal de mais de três metros ao lado da lareira, mas o que o deixou extremamente irritado foi ver sua mulher em cima de uma escada tentando alcançar o topo para colocar a estrela dourada.
Queria gritar com ela, puxá-la lá de cima e amarrá-la na cama. Será que sua esposa era tão ignorante quanto a sua própria vida e a de seu filho para não perceber o perigo que corria ao subir em uma escada tão alta e grávida? Ela não pensava no que poderia acontecer ou no que ele sentiria?
Ao vê-la no chão e com um sorriso enorme tentou engolir sua raiva, mas não conseguiu.
–Que porra você estava fazendo em cima daquela escada?
Bella engoliu em seco e seu sorriso morreu ao ver o marido com uma carranca enorme.
–Estava colocando a estrela. – murmurou – Garrett estava me ajudando, mas Jared o chamou na sala de segurança e eu queria que ela estivesse lá em cima antes de você chegar.
–Será que você não vê o risco que estava correndo? – sua voz aumentou gradativamente – Será que não consegue pensar que se caísse dali poderia se machucar ou machucar ao bebê ou você não se importa com ele?
Seu lábio inferior tremeu com suas palavras, só queria deixar tudo pronto pra ele e Edward achava que ela não se importava com seu filho.
–Desculpe. – sussurrou abaixando o olhar.
–Não quero desculpas, Isabella. Temos funcionários, eles estão aí para fazer aquilo que você não deve. Caso não tenha escutado ao médico, na última consulta ele te proibiu de subir em lugares perigosos.
–Eu escutei, mas...
–Mas nada, se você se preocupasse com sua saúde e com a do nosso filho faria o impossível para preservar sua segurança, seria mais cuidadosa.
Bella engoliu e o choro e enxugou as lágrimas que escaparam sem sua permissão, não sabia o que tinha acontecido para ele falar daquela forma, certo que tinha subido na escada quando estava proibida pelo médico de ir a lugares elevados, contudo pela forma que Edward falava parecia que tinha cometido um crime bárbaro, ele a acusara de não se preocupar com a vida do seu filho.
–Eu me preocupo com a vida do bebê, queria apenas fazer uma surpresa para o imbecil do pai dele, mas como sempre nada do que faço está bom pra você. Me desculpe por não ser tão perfeita, Cullen, prometo que não voltará a acontecer.
Dando as costas pra ele foi para a biblioteca e bateu a porta com força.
Idiota, isso é o que Edward Cullen era.
Queria apenas fazer uma surpresa e ele aparecia com dez pedras na mão. Maldito cabeça dura.
Não queria chorar, mas seus hormônios estavam atacados e as lágrimas pareciam inevitáveis. Se aconchegou na poltrona em frente ao fogo e ignorou as batidas na porta e o toque do seu celular, não queria falar com ele, sabia que seu marido tinha momentos em que se comportava como um asno e ser o alvo de sua ira não costumava ser seu pensamento de diversão.
Algumas horas depois um pouco mais calma e com muita fome colocou a cabeça para fora da porta, nem um barulho poderia ser ouvido, então caminhou até a cozinha. Heidi estava preparando o jantar.
Deu um sorriso triste a mulher mais velha e abriu a geladeira procurando o mousse de chocolate que Renée havia mandado mais cedo. Aquilo era divino, estava com uma vontade gigantesca de comer o bolo de chocolate que Esme fazia, só de pensar nele sua boca salivava, havia revirado a cidade em busca de uma bomboniere que fizesse algo, ao menos, parecido, mas não teve sucesso e sua vontade só aumentava com os dias.
Ela sentiu mesmo antes de ouvir os passos do marido no corredor. Seu coração bateu mais forte, contudo ignorou esses sinais e voltou sua atenção para o doce, não estava no humor para ele.
–Boa noite, Heidi.
–Boa noite, Sr. Cullen.
Edward observou como sua esposa comia calmamente, ignorando sua presença na cozinha. Não queria ter explodido com ela, mas o medo ao vê-la em cima daquela escada contribuiu para o seu mau humor, seu dia tinha sido infernal e quando menos percebeu estava falando o que não queria.
–O jantar já está pronto?
–Só mais alguns minutos e coloco a mesa.
Bella terminou de comer e levou o prato até a pia, aproveitando para lavar. Passou por ele indo direto para o banheiro, hoje precisava de um banho relaxante e aquela banheira enorme iria servir maravilhosamente.
Depois de muitos sais de banho, velas aromáticas e seu sabonete preferido, se deixou apenas aproveitar do calor escaldante, seu filho se mexeu inquieto e acariciou sua barriga enquanto cantava pra ele, parou quando notou que November Rain não era a melhor forma de acalmar seu bebê, nem ela mesma conseguia se acalmar pensando na letra dessa música, talvez precisasse um rock mais pesado, algo que fosse capaz de tirar da sua mente as palavras de Edward.
Gabriel costumava dizer que nada é melhor que uma boa musica no momento certo, começou a sussurrar Always, não era muito mais otimista que a anterior, mas nessa o significado de querer estar sempre com a pessoa amada, mesmo longe, o som calmo da música a deixava mais calma e parece que o sapinho também porque ele parou de mexer instantaneamente.
Minutos depois com os dedos enrugados e visivelmente mais calma, Bella saiu da banheira e colocou sua camisola azul de cetim e rendas. Alice tinha obrigado a comprar camisolas novas para gestante, segundo ela, não era porque uma mulher estava gravida que precisaria se vestir como se vivesse no século XV e Bella concordou solenemente, mesmo seu marido não merecendo, queria se sentir bonita.
Edward bufou inconformado depois de jantar, odiava comer sozinho, mas não iria impor sua vontade a Bella, ainda mais depois das asneiras que soltou. Aquelas palavras eram necessárias, mas não de forma tão grotesca e insensível, deveria ter pensado melhor, não tinha o direito de dizer a sua esposa que ela não pensava na segurança do bebê, ainda mais depois de ela abdicar de tanto pelo seu bem estar.
Sabia que ela queria estar trabalhando, que desejava ter sua rotina de volta e por causa das orientações médicas ela preferiu se manter em casa, mesmo odiando ficar parada.
Olhou para a enorme arvore e suspirou, aquele objeto deveria trazer harmonia e não desavenças. Sem sono e com as energias renovadas pegou as caixas de decoração, vendo o que tinha lá dentro.
Depois de verificar todas começou a enfeitar a árvore, conseguiu colocar todas as lâmpadas no lugar, Red veio trotando até seus pés e se deitou no tapete o observando com curiosidade enquanto seu dono mais se enrolava com os fios do que colocava na árvore.
–Você deve estar rindo de mim, não é?
O cachorro latiu e continuou deitado o observando, Edward teve certeza de que se um cachorro pudesse rir do dono, o seu fazia exatamente isso, até ele faria, afinal um homem de quase dois metros que fecha contratos milionários todos os dias e não consegue colocar lâmpadas natalinas era de se dar pena.
Quando finalmente acabou a sala foi tomada por diversas luzes coloridas iluminando a parede e o chão. Esperava não ter que fazer aquilo uma segunda vez, não levava jeito para decorar nada que tivesse fios.
Cansado subiu para o seu quarto, a silhueta de Bella estava marcada pelo enorme cobertor, queria se juntar a ela e esquecer seus problemas, deixa-los do lado de fora da casa, mas ele mesmo os trouxe e era seu dever como marido expurga-los.
Tratou de tirar a calça de moletom e a camiseta e se enfiou na cama apenas de cueca. Bella quando sentiu o seu corpo automaticamente se aproximou, pareciam imãs, sempre eram atraídos em qualquer situação.
Com carinho ele acariciou o rosto delicado da esposa, tê-la em seus braços é a única garantia de que tudo estava bem, no dia seguinte trataria de conversar com ela e pedir desculpas, controlaria seu mau gênio.
Bella gemeu quando algo fez pressão na sua barriga e se moveu incomodada, um novo movimento a fez acordar. O céu ainda estava escuro e Edward enrolado contra seu corpo. Seu filho chutou e entendeu o que estava acontecendo, ele tinha acordado.
Com dificuldade se desvencilhou dos braços do marido e suspirou acariciando sua barriga, aquele bebê só poderia mesmo ser seu filho, teimoso e genioso. Um pequeno reloginho com fuso horário da China.
Sem a possibilidade de poder voltar a dormir, pegou um penhoar e foi para a cozinha, tentaria comer alguma coisa para ver se conseguia descansar.
Depois de duas xicaras de chocolate quente e um pedaço de bolo estava cheia e com sono, mas seu pequeno sapinho não parava de se mexer, a neve já caía sobre a cidade deixando um rastro por todo o jardim, até a fonte tinha congelado pelo frio intenso.
Red mordeu a barra do penhoar, sorrindo acariciou sua cabeça, luzes coloridas chamaram sua atenção e foi obrigada a ir ver do que se tratava. Sua boca foi ao chão quando viu a árvore totalmente decorada, bolinhas vermelhas, amarelas e verdes penduradas nos galhos. Anjinhos dourados, sapatinhos, meias ocasionalmente postas. Uma figura dourada na forma de um sapo estava no centro refletindo as luzes, passou a mão calmamente imagem, era o seu primeiro natal em Nova York, primeiro natal casada, grávida e – possivelmente – com a família incompleta.
Ela se conhecia bem o suficiente para saber que não suportaria muito tempo de distanciamento, caso seus pais não se acertassem seria obrigada a tomar uma posição mais firme, era capaz de coloca-los em uma sala e força-los a ver o que estavam fazendo.
Em questão de meses seria mãe, teria um bebê nos braços e precisava encontrar uma forma de mostrar a seu filho todo o amor que nutria por ele, mostrar que sua família completa ansiava pela sua presença e que seria muito feliz quando nascesse.
–Está tarde e frio para estar caminhando pela casa como se fosse um zumbi, pequena.
–Estou morrendo de sono. – confessou ainda admirando a arvore de natal – Mas seu filho não quer dormir.
Bella escutou uma risada baixa enquanto os passos dele se aproximavam.
–Quando ele não te deixa dormir é apenas meu filho?
–Vocês são tão parecidos que mesmo sem ele ter nascido já me deixa louca. São dois teimosos.
Ele riu e a abraçou beijando sua cabeça.
–Teimosia não vem de mim, amor.
Bella rolou os olhos e se recostou ao corpo do marido, ainda estava chateada pelo que tinha acontecido mais cedo e mesmo assim não conseguia se afastar dele.
–Me perdoe pelo que disse. – sussurrou beijando seu rosto – Não tinha o direito de falar aquelas besteiras, você não merecia. Meu dia foi difícil e acabei descontando em você, por isso peço o seu perdão.
–Eu não deveria ter subido na escada também. Fui impulsiva e não cogitei o que poderia acontecer caso caísse.
–Mesmo assim, isso não me dava o direito de falar aquilo. Eu sei o quanto você ama o nosso sapinho e que nunca faria nada para prejudica-lo.
Com um sorriso pequeno ela beijou seu rosto, deixaria isso no passado.
–Quem terminou de decorar a arvore?
–Eu queria te fazer uma surpresa e ajudar. Confesso que mais me enrolei no pisca-pisca do que arrumei, mas no fim deu tudo certo.
Bella riu e bocejou, seu pequeno tinha dado um pouco de sossego e queria cochilar um pouco antes de ele despertar daqui a algumas horas para comer de novo.
–Vamos pra cama, anjo.
Sem deixar que ela respondesse a pegou no colo e voltou para seu quarto. Estar aconchegada nos braços dele e no calor dos cobertores a fez adormecer imediatamente.
Edward beijou o rosto da esposa incontáveis vezes, ela parecia exausta e deveria concordar que o bebê alterava seu horário de sono, ele dormia aos poucos e chutava sempre que podia, era um pequeno espoleta que já mostrava ter personalidade forte, mesmo antes de nascer.
Não conseguindo pegar no sono se levantou, precisava urgentemente se exercitar, o bom de ter uma academia dentro de casa era não ser obrigado a suportar o barulho e a quantidade exorbitante de pessoas caminhando em volta.
Correu por um longo tempo na esteira, pegou um pouco de peso e socou o saco de areia, nada ajudou a diminuir sua ansiedade.
Seu celular tocou e foi obrigado a interromper seu exercício. Suspirou ao ver o nome de sua tia no visor, hoje iriam ter uma nova ultrassonografia e se o bebê colaborasse descobririam o sexo, todos estavam fazendo apostas e ansiavam pelo resultado.
–Oi, tia. – disse animadamente.
–Bom dia, querido. Te acordei?
–Não, já estava de pé. Queria saber, como você e Bella estão?
–Estamos bem, ela e o bebê dormem agora.
–Descanso sempre é bom durante a gestação.
–Concordo, mas o bebê é exigente e dorme quando quer, é um resmungão de primeira.
–Eu queria vê-la. – ele poderia apostar que sua tia chorava – Queria poder abraça-la. Você acha que ela ficaria zangada?
–Claro que não, tia. – murmurou – Nos queremos ter uma família unida.
–Estragamos tudo não é?
–Tudo acontece como tem que acontecer. – sussurrou pegando uma toalha.
–Carl conversou com Charlie anteontem, eles se entenderam.
–Isso é ótimo. Bella ficará feliz em saber. E já que estamos falando disso, esse ano queria que o jantar de natal fosse aqui em casa. Quero todos aqui, precisamos selar a paz formalmente.
–Concordo, querido. Quando Bella acordar diga que eu mandei um beijo e que sinto saudades.
–Pode deixar, tia.
Após tomar um banho rápido observou sua mulher ainda adormecida, a deixaria dormir por mais algumas horas, tinham tempo de sobra antes da consulta e ela realmente precisava do máximo de descanso que o bebê permitisse.
Bella suspirou quando seu despertador pessoal se mexeu, com certeza, estava com fome, não aguentaria até o fim da gravidez se ele continuasse parando seu sono pela metade.
Se arrastando tomou um longo banho quente, mesmo adorando o natal odiava o frio, suas lembranças ruins sempre eram mais fortes nessa época do ano, se sentia extremamente sozinha e desamparada quando isso acontecia, mas dessa vez não estava sozinha. Tinha toda sua família. Sabia quem era e, principalmente, sabia que era amada.
Sapinho chutou forte a tirando dos seus pensamentos e um sorriso se abriu em seu rosto.
–Hey, pequeno. – sussurrou acariciando a barriga – Eu sei que com você não estou sozinha, até porque, você nunca me deixa esquecer, não é?
Mais movimentos podiam ser sentidos mostrando que ele entendia o que ela falava.
–Você é uma coisinha bem exigente, mal vejo a hora de te pegar nos meus braços, de te ninar e ensinar um montão de coisas. Vou ler pra você uma estória nova a cada noite e te levarei ao parque para fazermos piqueniques todos os finais de semana. Nunca vou deixar o seu lado.
–Estou começando a ficar com ciúmes. Vocês dois tomam banho sem me convidar e conversam sozinhos.
Bella riu e desligou o chuveiro correndo para se enrolar em uma toalha quente.
–Eu e o Sapinho conversamos tanto porque não iremos nos separar por um longo tempo.
–Você acha que eu permitiria que ficasse longe de mim?
–Espero que não, Sr. Cullen, porque eu não conseguiria me afastar.
No caminho para a consulta Bella olhava fascinada para a intensa movimentação nas calçadas, malditos nova-iorquinos não paravam por nada, ela estava congelando mesmo com a calefação do carro e imaginar todas aquelas pessoas caminhando entre a neve e a chuva fraca fazia seus ossos estremecerem. Nunca se acostumaria com o ritmo frenético daquela cidade, não importava quanto tempo morasse ali.
–Hoje conversei com Esme.
Bella encarou o marido esperando que ele continuasse.
–Ela perguntou sobre como você estava e mandou um beijo.
Suavemente ela concordou com a cabeça, sentia muitas saudades monstruosas de Esme, sempre que pensava nela sentia vontade de chorar.
–Eu estava pensando em ir conversar com ela. – confessou baixinho – Conversei com Gabe e ele me aconselhou a fazer aquilo que meu coração manda e hoje quero falar com a minha mãe primeiro, devo isso a ela.
–Ela me contou que Carlisle e Charlie se entenderam.
Uma rusga se formou entre suas sobrancelhas e ele a tirou com o dedo.
–Eles estão muito machucados? – questionou hesitante.
Edward riu beijando sua testa por um longo tempo.
–Não houve brigas, só uma longa conversa.
–Esse é mais um motivo para que eu vá visitar minha mãe, ela vai poder me confirmar algumas coisas.
–Se você quiser eu vou com você.
–Não precisa, sei que você tem uma reunião importante hoje e preciso fazer isso sozinha.
Com um suspiro de resignação ele concordou, sua esposa precisava fechar esse capítulo da sua vida e não cabia a ele intrometer, ficaria ao seu lado e qualquer coisa que ela precisasse sabia que estaria ali para apoiá-la.
O médico ficou surpreso com o crescimento do bebê, a pressão de Bella ainda estava alta e ele recomendou dezenas de coisas para auxiliar no controle, assim como no peso. Durante o ultrassom, Edward segurou firmemente a mão de Bella, estava mais nervoso que ela.
–Seu bebê se desenvolveu bastante, Bella, mas parece que agora não quer se mostrar.
–Ele só está tímido agora porque qualquer pessoa que toca na minha barriga ele se meche.
Ela fez um bico gigantesco, queria saber o sexo do seu sapinho, iria começar a comprar o enxoval e ele não colaborava.
Edward passou o dedo pelo seu pescoço que arrepiou seu corpo todo, como se estivesse com ciúmes do toque, o bebê se mexeu em total sincronia, esticando os bracinhos e chutando com a perna esquerda, parecia irreal que os mesmos movimentos que ela sentia dentro do seu corpo estavam sendo mostrados na tela em 3D.
–Ah, mas que pequeno esperto. Vou tirar algumas fotos, mas agora que ele resolveu se mostrar vocês tem algum palpite?
Os pais se entreolharam com lágrimas os olhos, era óbvio que seu filho tinha puxado ao pai, para Bella não havia duvidas, principalmente em determinada parte do seu pequeno corpinho que só de pensar fazia um rubor intenso cruzar seu rosto.
–É um garotão! – afirmou com orgulho.
–Sim, Sr. Cullen. É um menino.
Edward coçou os olhos para espantar as lágrimas enquanto o médico descrevia as medidas do seu menininho, ele teria um rapazinho para ensinar a andar de bicicleta, levar ao estádio para assistir algum jogo, que o ajudaria a cuidar de Bella. O seu filho.
–Está feliz?
–Muito, Bella. Se tivéssemos uma menininha ficaria feliz, mas é bom ter um menino primeiro para que ele ajude a cuidar das nossas futuras filhas.
Bella riu e o beijou suavemente, mal descobriram que iriam ser pais de um garotinho e seu marido planejava como iria cuidar das futuras menininhas.
Félix a deixou no prédio dos seus pais junto com Garrett, aquele ali nunca saía do seu pé e tinha que confessar já acostumar com ele seguindo cada um de seus passos, hoje não via nele um Dois de Paus, enxergava um amigo que tinha como trabalho a manter longe de problemas, o que era totalmente compreensível dada a sua capacidade de ser desastrada.
Sua mãe assim que a encontrou na porta a abraçou com força, quase a sufocando, mal faziam dois dias desde que se falaram pela última vez e ela ainda a tratava como uma criança.
Renée foi a única da qual não manteve distancia totalmente, ela sempre ligava e mesmo quando Bella não queria conversar com ninguém a mulher estava se mostrando presente.
–Me diga logo, qual o sexo do bebê?
–É ótimo ver você também, mamãe. E como está o papai, Gabe, Maggie e Dan? Espero que bem.
Renée rolou os olhos para o sarcasmo da filha, mas logo tratou de explicar que todos estavam bem e trabalhando, menos Dan que brincava no seu quarto.
Ela chamou o menino que correndo saltou em seu colo falando por intermináveis minutos sobre os jogos novos e os desenhos que assistia. Quando o bebê chutou ele sorriu enormemente adorando os movimentos.
–E então?
–Vamos ter um menininho. – disse por fim com um enorme sorriso.
–Que bom, mas eu queria uma menininha, só tem homem na nossa família.
Bella riu e concordou, ela cresceu em torno de meninos, com brincadeiras de meninos e jogos que os envolviam, ter vivido com Charlie e Gabe desde sempre havia sido sua melhor experiência e passaria muita coisa para seu filho.
–Eu imaginava que seria um menino, ele é temperamental, ciumento e teimoso, os genes de Edward estão totalmente presentes nele.
A mulher mais velha riu. Não. Ela gargalhou. Era o eufemismo do século dizer que seu neto havia puxado aquelas características de Edward, só pelo que ouviu se lembrou da época da infância e adolescência da filha e se isso um dia confirmasse seu neto daria trabalho.
–Queria conversar com você sobre outro assunto.
Notando que o assunto tinha mudado para outro mais sério mandou que Daniel fosse jogar vídeo game e se sentou ao lado da filha encarando seus olhos tão doces.
–O que se passa nessa cabecinha?
–Preciso entender o que realmente há por trás da minha adoção. – vendo que a mãe hesitou, Bella segurou suas mãos – Não estou julgando ao papai. Nunca faria isso, eu amo você e o amo demais, só quero entender direito tudo isso, quero deixar para trás essa parte da minha vida.
Renée suspirou encarando aquela menina teimosa.
–Quando você estava no hospital Gabe se ligou muito a você, ele te visitava todos os dias e eu já me sentia sua mãe. – Ela sorriu com alguma lembrança e respirou fundo antes de continuar – Você não falava muito, não se sentia a vontade em torno dos médicos e enfermeiros, mas toda vez que eu ou Charlie pegávamos você no colo seu corpo relaxava. Quando te adotamos acreditávamos que não tinha família nenhuma e mesmo se tivesse eu morria de medo que o Estado pudesse te devolver a um lar abusivo. Recebi uma proposta para assumir as aulas na Universidade de Boston depois de alguns meses, mas não aceitei porque tínhamos uma vida estável, então num belo dia Charlie chega em casa e fala que seria bom nos mudarmos, enfrentarmos novos ares e tirar você daquela cidade que te fazia ter pesadelos todas as noites.
–Não me lembro dessa época. – comentou baixinho – Tudo é tão confuso na minha cabeça.
–Você tinha quatro anos, passou por um trauma, é obvio que não se lembra, bebê. A psicóloga nos aconselhou a fazer isso por você e nos mudamos. Você conhece nossa vida em Boston e não há nada de diferente nisso. Não acho que Charlie teria feito isso se soubesse que você tinha uma família, mas...
–Está tudo bem, mãe. – a interrompeu com um pequeno sorriso – Não vim pedir por explicações, tudo isso está no passado e queria apenas entender melhor, conheço o papai e sei que ele me ama e tudo o que fez por mim é a maior prova desse amor.
A mulher mais velha fungou e apertou a filha em um abraço.
–Pensei que você nos excluiria da sua vida.
–Nunca faria isso. – afirmou firme – Você é a minha mãe e Charlie Swan o meu pai. Isso nunca vai mudar. Vim aqui para informar que esse ano, quero fazer a ceia de Natal lá em casa e quero todos lá. Temos uma família grande e soube que o papai e Carlisle se entenderam, então, quero todos comigo.
–Não gosto de admitir, mas eles são os seus pais... Assim como Charlie e eu e eles a amam. Entendo que fizemos toda essa confusão por causa de todo o medo de perder você, não os culpo e sei que quem mais sofre é você, portanto, irei apoiar cada decisão sua.
–Obrigada, mamãe.
–Não precisa me agradecer, mas saiba que Esme e eu teremos uma longa conversa depois.
Bella riu imaginando as duas mulheres da sua vida em um debate sobre ela. Não iria querer estar presente, que Deus a livrasse de ter duas mães super-protetoras embaixo do mesmo teto por algum espaço de tempo relativo. Não era tão forte assim e estranhamente, mal poderia esperar.
Edward batucou a caneta na mesa por longos minutos enquanto repassava os dados de verbas para o próximo semestre. A empresa tinha crescido e enfrentava a crise com peito de aço, então conseguiram ultrapassar o faturamento esperado para aquele ano.
Sempre acreditara no potencial da sua equipe, mas os valores fez com que ele fosse obrigado a dar créditos aos seus funcionários, daria uma bonificação a cada um deles, era o mínimo que poderia fazer.
Emmett durante a reunião murmurou alguma coisa sobre ficar em casa pelos próximos seis meses de licença paternidade e riu dele, quando seu filho nascesse queria ficar pelo menos um ano curtindo ele e Bella e se possível no vinhedo na Itália. Queria ver seu moleque correndo por entre aquelas parreiras para brincar na terra.
Assinou as ultimas atas da reunião e se jogou na cadeira olhado para Nova York, sem se conter tirou uma cópia da foto da ultrassonografia, o rosto do seu filho em 3D o fascinava, ele teria um menininho em seus braços, um garoto em alguns anos e um rapaz futuramente. Não sabia que era capaz de amar tanto alguém assim como soube quando descobriu que seria pai e adorava esse sentimento.
Mal tinha guardado a foto no bolso do paletó e Emmett entrou afobado na sua sala com Laurent e Félix a tira colo.
–Onde é o incêndio? – perguntou brincando.
Eles se entreolharam e fizeram uma careta sincronicamente mostrando que tinha acontecido alguma coisa errada.
–Algo grave aconteceu? Foi com Bella?
–Não, nada com Bella.
Edward encarou seu primo por longos minutos querendo saber o que se passava, até que Emmett respirou pesadamente e soltou a bomba:
–James saiu da prisão.
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