Capítulo 62

Edward estava inquieto, várias coisas diferentes passavam por sua mente. Bella tinha acabado de dormir em seus braços, vencida pelo cansaço e mesmo assim sua mente não dava descanso, beijou seu rosto e respirou o seu cheiro.

Não a culpava por ter ficado chateada com ele, pelo contrário, entendia muito bem seus motivos, tinha prometido compartilhar tudo com ela e em menos de uma semana já mantinha um segredo que era capaz de mudar suas vidas. Era claro não poderia chegar pra ela e contar o que estava acontecendo. Só de tocar no assunto dos seus pais biológicos ela se encolhia, teria que abordar isso com cuidado para não fazer besteira, essa era uma decisão que não tinha volta e tudo dependia dele.

Ainda precisava conversar com Carlisle e Esme, pelo que tinha presenciado na sala dos Swan eles não estavam a fim de conversa e temia o que fariam com a possibilidade de Isabella ser Mel, não podia permitir que essa noticia abalasse sua esposa, a conhecia o suficiente para saber que isso a quebraria, ainda mais porque ela não aceitava que havia algo positivo em sua genética.

Era muito recente para Bella tentar enxergar as inúmeras possibilidades por trás da sua infância traumática e logo quando começou a trabalhar nisso aparecia essa bomba.

Vendo o sol nascer no horizonte suspirou a apertando em seus braços, não a deixaria sair dali, aquele era o lugar que ela pertencia, faria o impossível para que tudo a beneficiasse e o mais importante, estaria ao seu lado a ajudando com tudo o que precisasse.

–Edward... – seu sussurro chamou sua atenção.

–Já acordou?

–Estou cansada, mas não tenho sono. – acariciou seu rosto – Você não dormiu?

–Também não tenho sono, anjo.

–Podemos voltar pra ilha?

Ele riu brevemente beijando seus cabelos, deixando que o cheiro dela acalmasse seus temores.

–Por que já quer voltar?

–Lá os problemas não nos alcançam.

–Isso é, mas crescemos com os problemas. – ele sabia bem que às vezes era necessário – Que tal um banho quente?

Bella abriu um sorriso e resolveu deixar os problemas de lado, não iria viver uma vida carregada de paranoia e duvidas, aproveitaria cada momento com seu marido e seu bebê e o que aparecesse lidaria com o tempo, até porque não tinha outra escolha.

–Não quer mesmo ir à casa dos meus tios?

–Primeiro vou caminhar, sair um pouquinho com Red, senti falta dele nesses dias.

–Podemos fazer isso. – beijou seu pescoço – Eu vou com você para a caminhada, precisamos passar mais tempo juntos, principalmente nessa cama quente e aconchegante.

–Eu gosto disso, Sr. Cullen.

–Que bom, Sra. Cullen, porque vou te mostrar o quanto é bom agora.

Bella soltou uma risadinha quando seu corpo foi sujeitado no colchão e o musculoso de Edward cobriu o seu.

(...)

Bella tinha aprendido amar Nova York como seu lar, não gostava muito da poluição, do enorme barulho dos carros e a quantidade absurda de pedestres, mas quando ficava longe sentia saudade de toda a agitação. O que mais amava, era ter os braços de Edward em torno de seu corpo enquanto saiam para uma caminhada matinal no Central Park, nesses momentos pareciam com um casal normal, sem toda a pressão e expectativa de milhares de pessoas e a mídia mundial cobrindo cada um de seus passos prontos para apontar uma falha.

Pararam por alguns minutos soltando Red para correr livre e se sentaram em um banco de madeira mais afastado observando as outras pessoas que caminhavam ali.

–Não vejo a hora de a sua barriga ficar daquele tamanho. – sussurrou ao ver uma mulher grávida passar a sua frente com uma enorme barriga.

–Eu vou parecer um elefante. – fez um bico arrancando uma risada do marido – Você ainda vai me amar se parecer que eu comi uma melancia inteira?

–Eu vou te amar independentemente de qualquer situação. – beijou seu bico – Mesmo se ficar parecendo uma elefantona, grande e chata, ainda vai ser a mulher mais linda que já conheci.

Indignada ela deu um tapa no seu braço.

–Você sabe que a culpa é sua se eu ficar enorme. Foi você que não usou preservativo.

–E você esqueceu o anticoncepcional. – segurou suas mãos beijando seus lábios – Somos os dois responsáveis por essa criaturinha que está dentro de você, Sra. Cullen. Você mais que eu.

–Por quê?

–Pelas nossas contas, quando a fizemos você tinha me seduzido debaixo de uma macieira na chuva.

As bochechas de Bella coraram e ele fez questão de mordê-la beijando em seguida, um vento frio bateu no casal e Edward abraçou a esposa mais forte. O gigante que insistiam a chamar de cão veio trotando até ela e mordeu o pano do agasalho dele pedindo por atenção.

–Vamos pra casa. – a puxou pela mão – Está esfriando e vocês não estão agasalhados o suficiente.

–Eu e Red?

–Você e o Bebê. – abraçou sua cintura fazendo o caminho de casa – Minhas duas pessoinhas preferidas.

(...)

Edward tentava conter a ansiedade enquanto esperava pelo detetive em uma cafeteria no centro, as informações que ele havia conseguido poderiam confirmar suas suspeitas ou enterrar esse assunto de uma vez por todas e francamente não sabia por qual opção torcer, queria apenas que isso se solucionasse antes de ir para a casa dos seus tios.

Olhando no relógio pela milésima vez puxou o cabelo, se Jenkis demorasse mais cinco minutos bateria nele, queria logo voltar pra casa e apertar Bella nos braços, a caminhada que fizeram juntos mostrava o que desejava para o resto da vida: Isabella, seu bebê e um cachorro folgado, enfim, uma família sua. Não conseguia se afastar dela por um período de tempo muito grande, sentia sua falta mesmo quando estava trabalhando em casa e ela estava no quarto.

–Senhor.

Se levantou com a voz do detetive e apertou sua mão com um gesto para que tomasse o assento a sua frente.

–Eu gostaria de ser mais cortês e perguntar como foi sua estadia em Forks, mas no momento isso não faz muita diferença, então peço que me mostre logo o que encontrou.

–Claro, senhor.

J. Jenkis estava vestido com sua forma costumeira, calça jeans e camisa azul, seus olhos negros brilhavam enquanto discretamente perscrutava o homem a sua frente e todas as pessoas ao seu redor, habito adquirido depois de anos no serviço secreto.

Entendendo que seu cliente estava ansioso, pegou os papeis do seu relatório, as fotos e o pendrive com todas as informações os colocando em cima da mesa.

–Não foi fácil descobrir tudo, esse caso se parecia com um enorme quebra-cabeça cheio de falhas, mas depois tudo fez sentido.

Edward pegou os papeis os lendo por cima, havia registros bancários, endereços, nomes de pessoas e fotos, tudo muito confuso para sua cabeça, nada lhe era familiar.

–Resuma, por favor, você sabe quem era a pessoa que manteve minha esposa naquela cabana?

–Sim. – acenou parando de falar quando a garçonete o servia com uma xicara de café – Como disse, foi muito complicado. Descobri que poucas pessoas tinham acesso a aquele lugar, a principal delas é essa mulher.

Pegou a foto analisando, nunca a tinha visto antes, era obviamente uma mulher bonita, ruiva, os olhos verdes, alta e esbelta.

–Não a conheço.

–Essa é Victoria Brown, ela não tem ficha policial e é uma possível desconhecida, mas você provavelmente conheça esse aqui.

–James... – sussurrou quando viu a foto do crápula com a mulher – Eles estão juntos?

Parecia que a foto era recente, ambos estavam em frente a uma lanchonete, suas expressões era de desagrado, como se estivessem discutido.

–Sim. Pelo que descobri estão em um relacionamento por dezoito anos, ele a sustenta, deposita uma quantia razoável periodicamente e mantem contato constante, contato esse que permanece ainda hoje com ele na prisão.

–Merda.

Se aquilo fosse verdade tudo agora fazia sentido.

–Victoria trabalhou na festa de aniversário dos seus avós há quinze anos, na mesma festa em que sua prima foi sequestrada, estou certo?

Não tendo palavras apenas concordou deixando aquela informação descer pela garganta, sentia que estava comendo cacos de vidro.

–Bom, não tinha muitas provas, então entrei em contato com um conhecido e Senhor Hunter foi multado diversas vezes naquele período em Chicago e em Seattle, falei com um dos policiais que fez isso e ele diz se lembrar bem do homem porque sua esposa entrou em trabalho de parto naquela noite e quando parou o carro viu uma menininha no banco de trás, ao questiona-lo, respondeu que era sua filha. Ele afirmou nunca poder esquecer do olhar triste e abatido que a menina apresentava, os machucados que ela tinha no rosto.

–Você tem evidencias reais de que a garota mantida naquele lugar é minha prima?

O detetive deu um olhar de consolo para o homem a sua frente e pegou o pequeno saco transparente deixando em cima da mesa.

–Isso estava embaixo de um pedaço de madeira solto.

As mãos de Edward tremiam quando tirou o medalhão de prata do plástico, se havia alguma duvida ela tinha acabado ali. Aquele medalhão tinha o brasão da família Cullen, todos ganhavam um quando nasciam, o seu era um bracelete que estava na sua gaveta.

Lágrimas imediatamente tomaram seus olhos enquanto analisava o objeto, aquela história ainda parecia fantasiosa demais para ser verdade, quase dezesseis anos depois do desaparecimento da sua prima, anos achando que ela estava morta, de culpa por não tê-la alcançado e ela foi reaparecer em sua vida como uma mulher fantástica e brilhante, a pessoa mais importante de sua vida, sua luz.

–Eu... Eu preciso que você faça um último serviço pra mim. – reencontrou suas defesas – Acho que esse não é seu trabalho rotineiro, mas eu preciso mesmo disso.

–Se estiver relacionado com o caso?

–A família Swan, adotou essa menina. Preciso saber se eles agiram dentro da lei, com todo o protocolo ou se a adoção foi irregular, você pode descobrir isso pra mim o mais rápido possível?

–Claro. Posso te entregar essas informações na segunda de manhã.

–Ótimo.

Se levantou tratando dos últimos detalhes, se antes tinha a necessidade de ir pra casa e abraçar Bella agora essa necessidade tinha se multiplicado em milhares de vezes, tudo o que precisava era recostar nos braços da sua esposa. Isso não era pedir muito, afinal.

(...)

Bella estava sentada na cozinha com Rosie, ela havia vindo visita-la enquanto Emmett cuidava de alguns assuntos da família, que ela não ousou questionar. Fazia algum tempo que não ficavam só as duas para conversarem e trocar receitas.

Sua amiga estava enorme com sua barriga de quase nove meses, em duas semanas ela daria a luz a uma linda menininha, não via logo a hora de pegar a sobrinha nos braços, já que o seu bebê demoraria um pouco mais para nascer, iria mima-la muito.

–Parece que a lua de mel te fez bem. – comentou – Está mais corada, alegre... Tem um brilho diferente no olhar.

A morena riu bebendo o chá que Heidi tinha servido era uma das poucas bebidas que seu estomago aceitava.

–Me sinto melhor. – admitiu – Mais ou menos.

–Deixa adivinhar? Edward anda te deixando louca com a superproteção?

–Também, mas com isso eu já aprendi a lidar. Estou preocupada porque tem algo acontecendo e ele não quer me falar.

–Pode ser alguma coisa do trabalho, aquela empresa é imprevisível.

–Eu sei, mas não é sobre o trabalho, é pior. Ontem quando fomos jantar na casa dos meus pais Carlisle estava saindo no braço com meu pai.

A boca de Rosalie foi ao chão, conhecia seu sogro há anos e ele nunca demonstrou perder a paciência com nada e pelo que sabia de Charlie, ele também não tinha um comportamento violento.

–O que aconteceu?

–Não me disseram de forma clara. Estou tão confusa que nem sei o que pensar.

–Bem, ambos não têm esse comportamento usual, mas o que será que desencadeou isso?

–Sei lá. No fundo tenho medo da resposta, todos falam que eu não vou gostar da resposta e não vou contra isso por enquanto.

–É estranho. Confuso mesmo.

Bella deu de ombros e suspirou.

–Já escolheram o nome do bebê?

Era bom mudar o rumo da conversa para um mais neutro.

–Ainda não. As sugestões de Emmett são as piores possíveis.

–Sério? Quais?

–Pompeia, Jovelina, Bear, Apple, April, Era, Afrodite e por aí vai.

Bella riu enquanto a lista se estendia, esperava encontrar um nome fácil e simples para o seu bebê.

–Alguns aí são bons.

–Então os coloque nos seus filhos. – bufou indignada – Quero um nome significativo, mas que não vá causar constrangimento na criança.

–Verdade. Eu quero escolher o nome perfeito para o meu.

–Oh meu Deus! Você está grávida?

Os olhos de Bella se arregalaram quando notou ter se entregado, se bem, que já estava na hora de contar a novidade para a família.

–Sim, Fiz doze semanas alguns dias atrás, ainda é novidade pra mim.

–Que bom. Fico tão feliz por você. – os olhos de Rosie brilhavam – Eu vou ser a madrinha.

–Isso você vai ter que disputar com Alice. Aposto que ela vai lutar com unhas e dentes para conseguir esse posto.

–Me esqueci dela. Você já contou pra alguém?

–Bom, Edward, obviamente; meu pai. E Esme descobriu sozinha, ela juntou as peças.

–Essa é uma ótima noticia. O seu bebê vai crescer junto com o meu.

Elas conversaram por um longo tempo, até que Rosalie se sentisse cansada demais e decidiu voltar pra casa, Bella ainda ficou algum tempo na sala lendo um dos livros de gravidez que Edward havia comprado, pensando nele, já estava na hora dele chegar, quando saiu havia dito que não demoraria mais que duas horas e faziam quase quatro. Pegou no celular para ligar pra ele quando o viu passar pela porta de entrada.

Seus olhares se conectaram imediatamente, ela sempre tinha sido atraída por ele, como a mariposa pela luz. Seus sentimentos eram tão fortes que era perigoso explodir seu peito de contentamento, nunca imaginou que seria capaz de amar alguém como o amava.

–Pensei que iria dormir na rua. – brincou.

Edward sorriu se sentindo em paz ao retornar pra casa, depois que falou com J. Jenkis dirigiu por um longo tempo tentando clarear as ideias e sua resolução era uma só: Não abriria mão de Isabella. Não importava que ela fosse sua prima ou qualquer pessoa. Acima de tudo isso ela era a sua esposa, a mulher que amava e nada e nem ninguém a tiraria dele. Nunca.

–Desculpe, anjo. – foi até ela beijando seus lábios – Como foi sua tarde?

–Boa. Rosie veio aqui e conversamos um pouco.

–O bebê dela deve estar pra nascer.

–Nasce em duas semanas ou menos.

Ele a abraçou e deixou o pequeno corpo em cima do seu enquanto acariciava seus cabelos.

–Estava pensando. Que tal irmos jantar fora hoje. Só você e eu.

–Você não queria ir à casa dos seus tios?

–Sim, mas podemos fazer isso depois. Minha prioridade é minha esposa. Você é tudo pra mim.

Bella o encarou por longos segundos, havia algo errado com Edward, ele parecia tão triste e confuso.

–Podemos ir até o casarão e dar uma olhada no que queremos mudar. – opinou – Levamos comida e frutas, algumas roupas e passamos a noite lá.

–Essa é uma excelente ideia, Sra. Cullen. Poderemos fazer amor em cada maldito metro quadrado daquela casa.

–Ela é uma casa muito grande, Edward.

–Por isso mesmo. – sorriu malicioso – Vou tomar um banho rápido. Peça pra Heidi preparar alguma coisa para comermos e pegue bastante frutas, quero você bem alimentada e preparada para a nossa noite fora.

Bella correu saltitante até Heidi fazendo uma lista do que iriam precisar, se sentia uma adolescente qual os pais iriam passar a noite fora de casa e para aproveitar sairia com o namorado em uma aventura.

A governanta acatou seus pedidos com um enorme sorriso no rosto, aliviada de que a menina parecia mais calma e ostentava uma vibração invejável, seus olhos vibravam.

–Quando dona Esme arrumou o casarão, deixei muitas mantas no armário do corredor. Eu não consigo mexer naquela lareira direito, mas Edward deve saber, é bom manter o aquecedor central ligado às noites estão bem frias, ainda mais perto de toda aquelas arvores. Não se esqueçam de verificar os alarmes, Jared não disse nada sobre as mudanças de senhas ou alguma coisa do tipo, então se cuidem.

–Pode deixar, Heidi. – a abraçou – Vamos ficar bem.

–Acredito nisso, só que vocês dois mal acabaram de voltar e já vão sair de novo.

Edward encostou-se ao batente da porta enquanto escutava a interação entre Isabella e Heidi, as duas sempre se deram bem e mantinham uma amizade, sua governanta cuidava dele desde que tinha ido morar sozinho depois que voltou da faculdade e o tratava como o filho que não teve, mesmo que em alguns momentos era temperamental e mal humorado.

–Hey, moças. Se não acelerarem vamos sair muito tarde.

Bella riu e terminou de guardar a montanha de comida na cesta, aquilo daria para alimentar uma família inteira por um mês, provavelmente estavam querendo transforma-la em uma bola.

–Já está tudo pronto. Vamos, Senhor Meu Marido?

–Claro, Senhora Minha Esposa.

Ao chegarem a casa já estava iluminada, as luminárias minimalistamente calculada posicionada em locais planejados mostravam a áurea vitoriana de um ponto quase artístico preso naquela residência.

Muitos seguranças já estavam em guaritas e alguns mais caminhando pelo jardim, Bella queria discutir a necessidade disso, mas sabia bem que precaução era melhor do que remediação.

Assim que passaram pela porta de entrada o ar quente e acolhedor Edward tirou o casaco dos ombros e ajudou Bella com o seu, amava aquela casa, tinha passado os melhores momentos da sua vida ali naquele ambiente com seus pais e aprender a reviver ali não parecia difícil ou um sacrifício, queria aquele lugar para criar seu filho, reconstruir um lar.

–Tudo parece diferente depois que tiraram a parafernália do casamento. – Bella comentou olhando para a sala de estar.

–Ainda bem. Não seria bom viver em uma casa cheia de pessoas indo e vindo, como faríamos amor em cada cantinho?

Bella soltou um risinho e o abraçou pelo pescoço beijando seu pescoço e queixo.

–E o que estamos esperando? Não vejo logo a hora de ter você dentro de mim, Sr. Cullen.

–Ham? É...

–Edward, esqueceu-se de como verbalizar suas ideias?

De certo modo ele tinha mesmo se esquecido, sua mente estava tomada de imagens dos dois em frente à lareira.

–Vamos ver como a casa ficou, depois deixo você decidir aonde começamos.

Ela resmungou uma aceitação qualquer e o seguiu pela exploração daquele enorme lugar, passaram por todos os cômodos, desde o sótão até o porão, ainda se lembrava de quando esteve ali com Esme quando tudo o que tinha restado eram paredes e tintas.

Amaram o quarto ao lado do principal, era amplo, iluminado e perfeito para ser o quarto do bebê. Na cabeça de Bella milhares de decorações possíveis já se formulavam, queria saber logo o sexo dele para poderem comprar macacõezinhos, sapatinhos, mamadeiras e tudo o que se podia encontrar no departamento infantil.

Quando finalmente chegaram à biblioteca pode admirar como aquele lugar era fantástico, como dito anteriormente, o espaço de dois andares era repleto de livros, talvez mais livros do que seria capaz de ler em toda sua vida, uma parede era de vidro e a vista dava de encontro ao extenso jardim com poltronas de couro negro e outras de linho, impecavelmente brancas. A enorme lareira já estava acesa, as chamas cintilavam nas paredes atrás de seus corpos deixando sombras perfeitas.

–Esse lugar é maravilhoso.

–Fico feliz que gostou. Se algum dia você quiser deixar o escritório e trabalhar em casa podemos colocar uma mesa para você aqui.

Essa era a proposta mais tentadora que Bella tinha ouvido. Ela gostava de trabalhar no escritório, adorava os meninos e Jane, já havia se acostumado a socializar mais. No entanto, sentia muita falta de quando tinha tempo para fazer suas pesquisas, de um lugar só seu que conseguiria colocar suas ideias no lugar e fazer algo construtivo, sem nenhum tipo de pressão.

Edward a abraçou por trás e deixou o queixo encostar-se ao seu ombro, não diria a ela que desejava sua presença continua dentro de casa, se cuidando e cuidando do bebê, apanharia se essas palavras saíssem da sua boca e ela nunca aceitaria.

–Posso pensar nisso?

–O tempo que você quiser. Essa casa não vai sair daqui. Já decidiu por onde quer começar nossa exploração?

–Sim, marido. – se virou para encara-lo – Quero você aqui, se esse for ser o meu cantinho, quero o maior numero de lembranças possíveis de você nele.

Ele sorriu de lado a beijando suavemente, primeiro o lábio superior, o inferior para depois encontrar sua língua, uma mão em sua cintura sustentando o peso do seu corpo e a outra infiltrada no seu cabelo, como gostava. Logo o carinho que começou inocente passou para um desejo intenso e feroz.

Se separaram quando o ar se fez necessário, suas respirações falhas, o coração descompassado e o desejo crescente.

–Está calor aqui, não?

Bella sorriu se aproximando mais de Edward para desabotoar sua camisa lentamente, a cada botão deixava um pequeno beijo no pedaço de pele exposta, adorava sentir como o cheiro dele, a embriagava, tirou as mangas da camisa e jogou no chão. Quando chegou ao botão da calça o corpo forte e másculo se ondulou sobre seus dedos, sua pele se arrepiou.

–Assim já melhorou.

Ele segurou as mãos dela com as suas parando seu movimento, não aguentaria muito tempo se ela continuasse o tocando e olhando daquele jeito.

–Mas nem tirei tudo.

–Depois você tira, mas agora é a minha vez.

Mostrando seu ponto ele a virou segurando a barra da blusa xadrez azul que ela usava a tirando lentamente, sempre que ela usava roupas tão casuais parecia com uma adolescente inocente, beijou seu pescoço sugando a pele delicadamente adorando saber como a afetava. Os olhos de Bella não saíam das mãos do marido, concentrada nos seus movimentos calculados ao tirar sua blusa e a calça, deixando-a apenas de lingerie.

–Você é tão linda. – murmurou beijando seu rosto – E é toda minha! Só minha!

–Sou sua. – confirmou rendida – Você sabe.

–Minha Isabella. O meu amor.

Não dando tempo para a esposa responder Edward atacou seus lábios, prendendo o corpo dela rente ao seu, suas mãos pacientemente explorando sua pele macia, horas longe dela parecia uma tortura cruel.

Seu carinho começou paciente e cauteloso, suas mãos traçando cada pedaço de pele, a tocando com reverencia, quando faziam amor não desnudavam apenas suas roupas e sim suas almas, ficavam expostos um ao outro.

Edward a deitou no sofá, metade do seu corpo cobrindo o de Bella sem colocar força, estava sem ar, contudo não poderia deixar de beija-la, temia que se por um momento ousasse se afastar a levariam dele e nunca permitiria que isso acontecesse.

–Edward...

Ele afastou a boca de sua pele e encarou seus olhos brilhantes, aquele verde tão lindo e familiar, os olhos do seu primeiro e único amor que foi devolvido a ele, como pode duvidar que ela era sua, desde sempre, ela lhe pertencia.

–Eu te amo. – sussurrou com a voz embargada – Só você! Eu amo você!

Sem saber como responder a declaração apaixonada do marido Bella encostou sua testa na dele, sentindo seu peito inflar de amor e carinho, estava superada por palavras e sensações.

Palavras não eram o suficiente para expressar seus sentimentos, então trataria de mostrar de uma forma mais eficaz, como sempre fazia, entregando seu corpo e alma a ele.

(...)

Bella acordou com pássaros cantando.

Estranho, não tinham pássaros perto do apartamento de Edward. Foi preciso algum tempo para perceber que estava deitada em uma enorme cama de dossel negro na mansão e assim que conseguiu colocar suas memórias em ordem, um sorriso enorme se abriu em seu rosto.

A noite anterior tinha sido perfeita, se amaram em cada canto da enorme casa e os que ainda não foram batizados seriam em breve, com certeza. Se virou notando que o lado da cama estava vazio, pegou seu relógio no criado mudo e se surpreendeu pelo horário, passava do meio dia, Edward deveria ter acordado e estava fazendo alguma coisa.

Seguindo o exemplo, levantou da cama e tomou um banho rápido, estava com uma fome monstruosa, tentando se lembrar do caminho até a cozinha começou a caminhar no corredor. Tinha chegado na escada quando escutou vozes alteradas, parecia ser Edward, Carlisle e Esme.

Estranhando desceu alguns degraus tentando escutar melhor, tudo ainda parecia muito confuso, de onde estava conseguia ver claramente Edward com sua calça de pijama puxando os cabelos, o gesto a fez sorrir um pouco, ele sempre ficava assim quando nervoso. Carlisle resmungava alguma coisa pra ele sobre a verdade e seja lá qual fosse aquela verdade fazia Esme chorar e pelo tom de voz do homem ele também estava quase desmoronando. Continuou a descer as escadas, mas as palavras seguintes forma capazes de paralisar seu coração.

–Você tem que entender, eu falhei, Edward. Como pai, como marido. Não quero magoar ninguém, mas precisa ver o meu lado, entenda que pela primeira vez em muitos anos eu sei que a minha filha está viva, que ela está do meu lado.

A cabeça de Bella deu um nó com essa informação. Melanie estava viva? Como assim?

–Eu só quero correr e abraçar a minha filha e garantir que Isabella é a minha Mel. A minha menina perdida.

–Edward?

O pequeno e fraco sussurro chamou a atenção de todos e seu olhar imediatamente seguiu para a escadaria. Sua esposa estava parada no meio dela, pálida e tremendo.

Como um raio foi até ela para garantir que não cairia, ao segurar em suas mãos notou que elas estavam frias e suando.

–O que é isso?

–Ela precisa saber a verdade, Edward. – Esme implorou entre o choro – Não há outro jeito agora.

–Qual verdade?

–Você é filha de Esme e Carlisle... Você é Melanie Cullen.

Notas finais
Olá, Amores. Muita coisa acontecendo nesse capítulo. O Edward lidando com a responsabilidade de intermediar essa confusão, o encontro com J. Jenkis, a Bella descobrindo tudo, enfim, bastante coisa. Queria agradecer a todos pelos comentários, pelo incentivo e pela preocupação. Finalmente depois de semanas tirei a tala do braço, ainda vai demorar alguns dias para retomar a rotina, mas já estou pronta pra outra e nada de judô pra mim, vou continuar sedentária porque oferece menos riscos rsrsrsrsrs. Feliz dia das crianças para nós que não somos mais crianças, mas que deveriamos ganhar presentes do mesmo jeito. Enfim, espero que tenham gostado. Beijos Kim