O Que Somos
44 Capítulo 42
Capítulo 42
A fazenda era enorme, as terras verdes lotadas de parreiras a se perder de vista iam além de uma montanha há alguns quilômetros a sua frente, o ar puro, doce e suave se misturava com o cheiro gostoso de terra molhada por causa da chuva, o interior do carro estava abafado e silencioso, nenhum dos dois sabendo como começar a falar.
–Me diz que não é um presente pra mim. – A voz de Bella saiu esganiçada ainda surpresa.
Edward riu e soltou o cinto de segurança para abraça-la.
–Não é um presente. – seus olhos estavam brincalhões e alegres – É uma... Homenagem, uma forma de mostrar que em tudo o que faço minha mente e meu coração sempre está com você.
Ela se derreteu contra o peito forte e suspirou rendida, não sabia como retribuir todas as coisas que ele fazia para ela. Em determinados momentos se sentia constrangida por isso, mas também tinha o conhecimento que Edward apenas fazia isso por querer mima-la e adorava seu lado romântico e dedicado.
–Obrigada – murmurou contra o seu peito e se afastou – Esse lugar é lindo.
Edward sorriu aliviado, mas percebeu que ainda havia um sentimento em seus olhos que não conseguia reconhecer, deixaria para questiona-la depois que estivessem mais confortáveis, não queria discutir e acabar com a paz que viviam esses dias.
Seguiu com o carro pela extensa estrada de cascalho até a enorme casa no centro do terreno. A residência antiga tinha sido o fator crucial quando comprou o vinhedo, as paredes de pedra escura de dois andares que ainda conservavam os aspectos dos primeiros donos, parou o carro no início dos poucos degraus que levavam até a porta de madeira na entrada e saiu correndo para abrir a porta dela. A chuva torrencial já havia passado e agora caia apenas uma fina garoa.
A porta da frente se abriu uma velha senhora de cabelos brancos com um vestido azul e avental os olhou com um sorriso simpático no rosto.
–Signore Cullen. É un piacere darvi il benvenuto. (Senhor Cullen. É um prazer recebe-lo) – A voz da mulher era baixa e alegre, seu forte sotaque italiano fez Bella sorrir. – Sejam bem-vindos.
–E 'bello incontrare finalmente, Mariza. (É bom finalmente conhecê-la). – retribuiu a saudação – Esta é minha noiva Isabella.
–Sì, signorina Isabella, é um prazer conhece-la.
–Pra mim também.
Sem que esperasse a mulher a agarrou em um abraço, seu rosto queimou em constrangimento pelo contato, não esperava essa reação.
–Venham, tudo está pronto como o signore pediu.
Eles a seguiram para o interior aconchegante da casa, mostrou o quarto principal e onde poderiam encontrar o que precisassem, ao se verem sozinhos Bella se jogou na cama macia e fechou os olhos, ainda estava cansada do exercício da noite anterior e tirar um cochilo parecia muito atraente naquele momento. Sentiu o movimento ao seu lado e a mão dele acariciar seu cabelo.
–Poderia passar dias nessa cama.
–Com certeza, poderíamos. – a voz maliciosa a fez rir baixinho.
–Estou começando a acreditar que você só quer o meu corpo Senhor Cullen. – brincou virando para olhá-lo.
–Eu quero o seu corpo. – murmurou descendo a mão para o seu rosto – Mas eu quero muito mais do que isso. Quero seus sorrisos, seus abraços, seus beijos, quero ser o motivo da sua felicidade.
–E você é tudo isso. Quero tomar um banho. Vem comigo.
A agua morna da banheira era incrível, principalmente porque Edward massageava suas costas ocasionalmente, sentir as mãos dele molhadas em contato com determinadas partes sensíveis do seu pescoço e ombros era uma doce tortura. Ele a abraçou por um momento e Bella se permitiu ficar assim por alguns segundos apenas, colada a ele. Passou o pé pela perna dele o provocando e o sentiu arfar, sua respiração quente batendo na sua orelha.
–O que quer fazer hoje?
–Conhecer a cidade, apreciar as comidas, os vinhos.
Edward não pode deixar de rolar os olhos.
–Você não acha que está comendo demais?
–Por quê? Eu engordei? – ela estava assustada com essa hipótese e virou pra ele tão rápido que um pouco de agua caiu da banheira.
–Claro que não, bem pelo contrário. – a segurou levantando – Eu gosto de te ver comer bem. Amo escutar os sons que você faz quando gosta de algo.
–Nunca fui de comer muito, mas desde que conheci você meu apetite melhorou bastante. – confessou – A culpa disso é sua, já que gasta todas as minhas energias e depois eu preciso repô-las.
Ele riu a secando com uma toalha branca e macia, tinha que se conformar que a culpa era sim sua e deveria ter se lembrado de que não tomaram café da manhã corretamente por causa da viagem e passaram a noite em claro com atividades desgastantes e prazerosas. Sim, ela precisava repor suas forças.
As ruas de Florença eram clássicas pela história da cidade, as casas de pedra com corredores pequenos e rústicos os transportavam para outra época. Estavam abraçados sorrindo passando por algumas ruas aleatórias. O vilarejo era muito mais bonito do que a Irlanda, cada um tinha suas qualidades, mas aquele lugar a tinha conquistado.
Volta e meia Edward sussurrava palavras de carinho em seu ouvido a fazendo corar e sorrir, ele era apaixonante e se não o amasse o amaria naquele momento. Pararam para almoçar em um restaurante no centro, comida italiana era a preferida de Bella e comer com toda aquela beleza em torno era um sonho realizado, suspirou apertando a mão dele em cima da mesa redonda de madeira.
–Gostando do passeio? – questionou ansioso.
–É obvio. – mordeu o lábio – Há quanto tempo você planejou isso?
–No dia em que nos... – fez um gesto desconfortável com a mão – Estávamos nos distanciando e Jass deu a ideia de te trazer pra cá.
Bella fez uma pequena careta e balançou a cabeça se livrando das lembranças tristes e se apegou nas novas que estavam criando.
–Sempre quis conhecer Florença – admitiu querendo expurgar o silencio tenso – Eu gostava muito de história, ainda gosto, minha parte preferida era sobre o Renascimento e essa cidade é considerada o berço dele, o inicio de muitas das minhas obras de literatura e arte preferidas. Podemos ir há alguns museus e galerias enquanto estivermos aqui?
–Podemos ir aonde você quiser. – beijou seus dedos – Espero que não se importe, mas já tinha comprado ingressos para a Ópera hoje à noite.
–Nunca fui a uma. Vou adorar ir com você.
O passeio se estendeu durante boa parte da tarde, aproveitaram para comprar presentes e lembrancinhas para todos, ao voltarem para a vinícola estavam cansados pela longa caminhada de descobrimento, Bella tomou um banho rápido e se lembrou de que não tinha nenhuma roupa formal para usar em um evento como aquele. Queria muito ir.
Saiu do banheiro enrolada na toalha e se surpreendeu ao encontrar um vestido preto de renda em cima da cama. Edward. Suspirou e pegou o vestido sentindo a seda e a renda em contato com suas mãos, o tecido moldava perfeitamente em seu corpo, colocou uma sandália de salto alto preta e se olhou no espelho, ainda se surpreendia com a imagem que via. Sempre preferiu jeans e camisetas, mas ao colocar aquelas roupas se sentia mais feminina.
Seu noivo mandão entrou no quarto e ofegou ao vê-la pronta e magnífica, os cabelos estavam presos em um coque com algumas mechas cacheadas caindo no rosto, os brincos com um diamante solitário combinando com sua maquiagem marcando os olhos, os lábios rosados e o vestido de alças finas, quando o escolheu não passou por sua mente que ela ficaria tão linda, tão maravilhosa e tão sua. Caminhou até ela em passos lentos afrouxando sua gravata borboleta e desalinhando o cabelo penteado com gel.
–Srta. Swan, você está simplesmente perfeita essa noite.
As bochechas de Bella se esquentaram e ela mordeu o lábio sorrindo para ele e sua escolha de palavras, Edward segurou em sua mão e a fez dar uma volta em torno de si mesma apreciando suas costas nuas por causa da abertura do vestido, a abraçou por trás e sussurrou em seu ouvido.
–Acho que vou ter que andar a noite toda assim com você para que os abutres fiquem longe.
Bella riu e se virou para abraça-lo.
–Foi um presente seu, então aguente. – beijou seus lábios – Eu adorei, mas...
–Mas?
Ela não sabia como explicar para ele que tudo aquilo era demais. A viagem, os passeios, os presentes.
–Me sinto constrangida com tudo isso. – ele ia interromper e ela colocou a mão na boca dele – Não me entenda mal, eu adorei tudo, mas cada vez que me dá um presente me sinto estranha.
–Não precisa. Eu faço isso porque quero mimar você. Quero te dar o melhor e toda vez que faço algo por você me sinto mais feliz, vamos nos casar e é meu dever como marido, nutrir todas as suas necessidades, tudo bem?
–Eu só não acho que vou me acostumar com isso. Com toda a sua bondade e eu não poder retribuir da mesma forma.
–Você me ama e isso é mais do que eu poderia pedir algum dia em troca. Vamos?
Encerrou a conversa passando o braço esquerdo pela sua cintura e caminhando para o exterior da casa uma limusine preta estava parada e se Edward não estivesse segurando seu corpo tão firmemente contra o dele ela teria dado a volta. Um rosto conhecido a fez parar no meio do caminho, Félix, não o via desde o fatídico dia, sentia falta do homem gigante, sorriu pra ele e o abraçou, o segurança retribuiu o gesto um pouco sem jeito e não ousou encarar o olhar irritado do patrão.
–É bom revê-la Srta. Swan. – falou gentilmente abrindo a porta para ela.
Assim que estavam acomodados no interior do veículo Edward a olhou com a cabeça inclinada e as sobrancelhas arqueadas, não sabia que Isabella tinha tanta intimidade com seu segurança dessa forma.
–Eu apenas senti falta do pessoal. – deu de ombros envergonhada.
Ele agarrou sua mão na dele e levou aos lábios deixando o assunto morrer, não deixaria seu ciúme estragar a noite, entendia que ela ao se afastar dele cortou contato com praticamente todas as pessoas que conhecia em NY, se fosse com ele certamente sentiria falta do contato que teve com eles. No pátio externo do Alditorium Al Duomo.
Estava cheio, era noite de estreia para La Traviata de Giuseppe Verdi, com apresentação de um novo diretor, alguns dos empresários que estavam no local reconheceram Edward e acenaram com a cabeça emconsideração pela sua presença e por sua bela companhia. Bella não soltou o braço de Edward por momento nenhum, toda aquela riqueza a intimidava.
Logo a s portas foram abertas e Edward caminhou com Bella para um camarote privado no quarto piso, a visão para o palco era perfeita, quando as luzes se apagaram a respiração de Bella se suspendeu admirando a voz profunda e triste da personagem principal, Edward teve que puxar o corpo dela diversas vezes para trás na cadeira porque a cada passagem ela se arrastava para frente em expectativa.
No terceiro ato os olhos dela estavam lacrimejantes e tristes pela passagem da vida da cortesã que realmente se apaixona, mas por um pedido do pai desse homem ela o deixa e chega até ser humilhada por ele, só recebendo o perdão e redenção no seu leito de morte. Não pode deixar de imaginar que se a família de Edward fosse contra o seu relacionamento talvez passasse pela mesma situação. Ao fim não conseguia segurar suas lágrimas em compaixão e quando a última nota tocou e os aplausos soaram pelo teatro, pegou o lenço de Edward e secou seus olhos, agradeceu a Alice mentalmente por tê-la convencido a comprar maquiagens à prova d’agua porque a essa altura ela estaria toda borrada.
Na volta para casa se encostou a ele e deitou a cabeça no seu ombro cansada.
–Gostou da peça?
–Muito. É um tanto triste, mas me lembrou muito o filme: Uma linda mulher. Menos pelo final. Quando voltarmos pra casa podemos vê-lo.
Ele sorriu, nunca tinha feito essa comparação e realmente fazia sentido, ambas as histórias sobre prostitutas que se apaixonam por homens influentes. Passou o braço pelos ombros dela trazendo-a mais próximo ao seu corpo, a noite tinha esfriado consideravelmente. Puxou o terno que estava no banco a sua frente e colocou sobre os ombros desnudos. Antes de chegarem ela pegou no sono se sentindo protegida contra o seu corpo e com o seu cheiro. Edward saiu do carro com Bella no colo, a casa tinha algumas luminárias acesas aleatoriamente até o caminho para o quarto, tinha pedido para que Mariza deixasse assim antes de se retirar.
Deitou-a na cama e tirou seus sapatos e o vestido com calma não querendo que ela acordasse, puxou o pequeno corpo para debaixo do edredom e foi para o banheiro, escovou os dentes e tirou as roupas, se juntou a ela e abraçou seu corpo agradecendo a Deus pelo presente de ter o seu anjo de volta.
Bella acordou com uma luz batendo no seu rosto e o canto de pássaros, abriu os olhos devagar tentando se acostumar com a claridade e suspirou lembrando do lugar maravilhoso em que estavam, se moveu e o braço esquerdo de Edward a prendeu mais forte contra seu corpo e sua perna cobriu as dela, com calma e paciência conseguiu se soltar dele. Caminhou até o banheiro e fez suas necessidades matinais, tomou um banho rápido e se enrolou no roupão, quando voltou para o quarto ele ainda dormia, provavelmente estava exausto. Vestiu uma calça jeans com uma camiseta e pegou uma blusa de manga comprida xadrez, o outono estava começando e mesmo com o sol, os ventos vindos do mar ainda eram frios. Entrou na cozinha e a mesa já estava servida, se sentou pegando algumas coisas.
–Buongiorno signorina (Bom dia senhorita). – a voz de Mariza a fez levantar os olhos e sorrir.
– Buongiorno Mariza. Per favore, mi chiami Bella.
Bella sabia falar bem italiano, tinha um colega do intercambio em Harvard que falava pouco o inglês então fez um acordo com ele, o ensinava a falar inglês e ela aprendia italiano, foi uma boa coisa porque a partir disso teve a ideia de criar o projeto Genesis.
–Sí Bella, vuole qualcosa di diverso per la colazione? (Sim Bella, quer algo mais para o café?).
–Não, grazie.
A senhora assentiu e se retirou de volta para a cozinha, Bella aproveitou a infinidade de massas e queijo, teria que voltar a se exercitar quando voltasse para casa porque senão iria ficar uma bola. Como Edward não tinha decido pediu para que Mariza preparasse uma bandeja, levaria o café pra ele. Como imaginou ele ainda estava dormindo, agora de bruços, as costas largas e musculosas descobertas, o seu rosto calmo como de um menino inocente. Colocou a bandeja de lado e subiu na cama ao seu lado, deixou pequenos beijos de boca aberta em suas costas o ouvindo gemer baixinho, sorriu e sugou sua nuca mordendo depois, percebeu os pelos do seu corpo arrepiarem e mordeu sua orelha, sem esperar seu corpo estava preso na cama com ele por cima a olhando sonolento.
–Bom dia tigrão. – sorriu inocentemente tentando sair do seu agarre e ele segurou suas mãos acima de sua cabeça. – Espero que tenha tido uma boa noite de sono.
–Isabella, com certeza minha noite foi boa e estava tendo um excelente sonho – sua voz estava rouca – Mas então alguém me induziu a acordar na melhor parte, você sabe quem foi?
–Acabei de chegar. – falou séria entrando na brincadeira.
–Sério? Porque eu acho que você sabe quem foi e se não me disser de boa vontade eu vou ter que tirar essa informação de você.
–Sou inocente. – arfou quando ele beijou seu pescoço deixando uma mordida – Você que me atacou e me prendeu aqui.
–Se a senhorita prefere não confessar então vou fazer você falar.
Ele prendeu as mãos dela com apenas uma e desceu a sua por seu corpo parando em suas costelas aonde sabia que ela tinha cocegas e deixou um beijo em seu queixo o mordendo, aplicou um pouco de força nos dedos os movendo e a ouviu prender um risinho e seu corpo se contorcer para fugir de suas mãos.
–Vai me dizer quem foi ou terei que ser mais duro?
–Com certeza terá que ser mais convincente que isso Sr. Cullen. – ergueu o queixo em sinal de desafio.
–Tudo bem. – sorriu de lado – Foi você quem pediu.
Sem aviso ele atacou seus lábios os sugando e mordendo brevemente, quão rápido como começou ele se afastou arrastando sua barba pelo rosto e pescoço dela, sua mão livre passou por baixo da camiseta e acariciou seu seio o apertando, Bella arfou e puxou suas mãos da dele, conseguiu se soltou e o agarrou pelo cabelo grudando suas bocas o dominando, Edward se infiltrou entre suas pernas e a puxou seu corpo para que ela pudesse sentir a evidencia do seu desejo por ela.
–Me diga Isabella. – falou baixo em seu ouvido – Só confesse que eu te dou tudo aquilo que você quer.
–Eu te acordei. – confessou rendida – Te trouxe o café e você ainda dormia então eu encontrei uma forma de te acordar.
Edward sorriu triunfante e se levantou notando a bandeja em cima do criado mudo, Bella o olhou incrédula, cadê aquela parte do: “te dou aquilo que você quer?”.
–Não vai terminar? – o questionou por fim.
–Primeiro vou tomar uma ducha para acordar, apreciar meu café, levar minha namorada para conhecer o museu da cidade e talvez depois de um jantar na varanda a luz de velas possamos terminar.
A boca de Bella se abriu em choque até perceber que ele estava jogando com ela, provocando e quando finalmente a ficha caiu, ela se levantou lentamente da cama e sorriu, beijou o queixo másculo e se afastou.
–Claro. Não quero que o senhor se prive da sua refeição. – sussurrou com um brilho no olhar que Edward nunca tinha notado antes – Assim que terminar me avise, vou estar lá embaixo.
Se ele achava que a seduziria estava enganado, ela faria esse jogo se virar contra ele, afinal adorava um bom desafio e Edward Cullen que esperasse para ver do que Isabella Swan era capaz quando desafiada.
O amor é o único jogo no qual, dois podem jogar e ambos ganharem.
Erma Freesman
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