O Que Somos
43 Capítulo 41
Capítulo 41
As poucas luzes da pequena cidade evidenciavam o fim de sua viagem, conseguia ver que algumas iluminavam ruas e um castelo em cima da colina, tudo aquilo era um sonho no paraíso, o veleiro deslizava suavemente pela água escura até parar no pequeno ancoradouro de madeira. Edward terminou de desligar os motores e caminhou até ela a abraçando por trás.
–Esse lugar é lindo. – a voz de Bella não passava de um sussurro. – Ainda não consigo entender como a natureza pode ser tão bela.
Ele sorriu beijando seus cabelos cacheados entendendo perfeitamente o que ela queria dizer com aquilo, a imagem do pôr do sol naquele lugar era um dos mais magníficos que já tinha experimentado e quando a raptou soube imediatamente que deveria leva-la para experimentar seus efeitos.
Desceu segurando a pequena mão caminhando na prancha, já tinham dois homens os aguardando. Um loiro com uma roupa casual e outro alto, careca e forte de terno.
–Bella, esses são Tom e Liam – a apresentou – Tom vai levar o veleiro de volta para casa e Liam nos acompanhar durante nossa estadia no país.
Ela os cumprimentou brevemente com um aceno de cabeça e seguiu Edward até o carro preto brilhante parado há alguns metros na marina, as malas estavam arrumadas e o segurança as guardou no carro. Em poucos minutos de viajem tinha se apaixonado pela pequena cidade.
–Edward? – o chamou sem tirar os olhos da janela.
–Sim.
–Em que lugar da Irlanda estamos?
–Em Galway – falou apertando sua mão – Estive aqui há alguns anos atrás e me encantei pela região, queria que você conhecesse.
–Estou amando isso. – sorriu entusiasmada com as paisagens que conseguia enxergar.
Quando o carro parou e sua porta foi aberta conteve sua respiração. Não era possível que ficariam hospedados em um castelo? Aquilo mais parecia um conto sobre princesas do que a vida real.
–Vamos?
–Nós vamos mesmo ficar aqui? – perguntou incrédula.
–Claro. A menos que você não queira. – estava começando a se desesperar com a possibilidade de ela não gostar de castelos, tinha escolhido tudo sozinho – Podemos procurar outro hotel, talvez no...
Ele foi interrompido quando os lábios dela colaram nos seus, suspirando abraçou sua cintura erguendo o pequeno corpo para ficar a sua altura.
–É claro que eu gostei. – falou depois que se separaram – Eu ficaria em qualquer lugar com você.
–É muito bom saber disso Srta. Swan.
Edward puxou sua mão entrando no luxuoso saguão, bem decorado com poucas pessoas transitando pelo local, parou no balcão recebendo um enorme sorriso da recepcionista, Bella fechou a cara na hora.
–Boa noite. Em que posso ajuda-los.
A voz da ruiva extremamente melosa fez com não pudesse conter e revirou os olhos, será que a mulher não tinha percebido que ele estava acompanhado?
–Temos uma reserva. Em nome de Cullen.
Edward pegou a carteira e tirou o cartão de crédito e os passaportes enquanto a moça procurava seu nome no computador. Apertou a cintura de sua menina mais forte ao perceber diversos olhares masculinos em cima dela, a recepcionista pegou seus documentos para fazer a verificação e sorriu.
–Sua suíte é a quinhentos e dois. Nosso carregador irá deixar suas bagagens lá. Tenha uma ótima estadia.
A boca de Bella ficou levemente aberta, aquele projeto de vadia, realmente tinha agido como se ela não estivesse ali, falando somente com Edward, teve que se segurar para não pular no pescoço dela ou fazer um escândalo.
–Obrigado. Vamos amor.
Edward a beijou suavemente para espantar os olhares maliciosos e caminhou com ela para os elevadores, o caminho foi lento e calmo, estavam sozinhos ali e agora ele conseguia se acalmar longe de todos aqueles abutres.
O quarto era altamente luxuoso com as paredes de pedra, tinham dois ambientes, o primeiro com uma sala grande com um sofá preto de couro no centro, uma pequena mesa na frente, na esquerda havia uma infinidades de bebidas no que parecia ser um mini bar, na direita um piano de calda. Bella caminhou para o quarto encontrando uma enorme cama de casal de dossel dourado, foi até a janela de madeira admirando a paisagem a sua frente. Sentiu braços fortes a envolverem e jogou a cabeça para trás encostando-se ao peito grande.
–Gostou?
–Claro que sim. Eu amaria mesmo se estivéssemos embaixo de uma ponte em uma barraca de lona. Porque eu te amo.
Ele sorriu, sabia que isso era verdade, mas queria dar apenas o melhor para ela.
–Está com fome? – perguntou a virando e encostando suas testas.
–Não muita. Queria conhecer a cidade.
Bella estava quase quicando de tanta vontade sair daquele quarto para conhecer tudo o que aquela cidade poderia oferecer. Edward fez uma pequena careta, mas concordou. Em poucos minutos estavam caminhando pelas ruas estreitas e movimentadas do vilarejo, estavam abraçados com ele sussurrando em seu ouvido ocasionalmente sobre a história do lugar, longe de todos pareciam um casal comum aproveitando um passeio em um lugar lindo.
Um grande sorriso não saia do seu rosto, era impossível, passaram em frente a um pequeno e aconchegante restaurante e Bella o puxou para dentro.
Uma moça jovem trouxe um cardápio já se oferecendo para buscar as bebidas, preferiram por sucos e olharam para o papel. A maioria das opções era feita de batatas, Bella escolheu um ensopado de carneiro com batatas e cerveja, estava curiosa com o gosto, nunca tinha provado nada parecido. Seu noivo fez uma careta e preferiu um bife com cogumelos e batatas.
–Tem certeza que quer experimentar carne de carneiro?
–Sim. – sorriu pra ele – Em uma viajem devemos experimentar tudo o que a cidade tem a oferecer, principalmente sua culinária.
–Fala a pessoa que nem se lembrava de comer direito – ironizou e ela bateu em sua mão.
–A culpa é sua Sr. Cullen, que abriu o meu apetite. – mordeu o lábio e deu um sorriso lascivo – Todos eles eu devo ressaltar.
A respiração dele se suspendeu por um instante e sentiu seu amigo dar sinal de vida, aquela pequena provocadora o estava levando ao limite apenas com palavras. Tratou de respirar fundo para se acalmar. Foram interrompidos pelo garçom que trouxe seus pratos e ficou abismado com a forma em que Isabella devorava a comida, aquilo parecia realmente estar bom. Comeu o bife apreciando o gosto apurado dos temperos.
–Quando você visitou o país? – Bella questionou entre uma colherada.
–Dois anos atrás. Era aqui que estava enquanto Tanya me traia.
Ela ergueu os olhos do prato e deixou a colher descansar por alguns segundos enquanto o fitava falar tão impassível sobre aquele momento, se fosse ela estaria no mínimo estourando de raiva, desilusão ou qualquer outro sentimento, mas ele parecia não sofrer de nada disso.
–Isso não te incomoda? – perguntou curiosa – Saber que a todo o momento ela tinha outro, que aquela criança poderia não ser sua?
–Me incomodava muito. – respirou colocando os cotovelos na mesa e cruzando as mãos embaixo do queixo – Mas tudo isso não faz diferença. Eu não a amava, nem sequer tinha algum carinho por ela, tudo o que tínhamos, pelo menos da minha parte, era carnal... Uma necessidade física. Eu sinto sim pela criança, mas nunca pelo que aconteceu.
Sem querer suas lembranças daqueles dias voltaram e pode colocar na balança tudo o que tinha vivenciado com Tanya e seus sentimentos por Bella, eram totalmente diferentes, contextos diferentes e agora conseguia ver isso claramente, deixar tudo no passado e começar do zero.
–Nesses últimos dias pensei muito nas suas palavras, elas soaram em minha mente como um sino intermitente. – tentou se expressar – Eu via a traição dela na minha frente, mas nunca me importei, eu não a amava, na realidade queria que ela fosse para o inferno, só precisava que o bebê nascesse e daria um fim nela, nada mais. Já com você meus sentimentos são outros... Completamente diferentes.
Bella tentou processar suas palavras frias por segundos intermináveis.
–Se fosse eu? – ela queria entender qual era a diferença, nunca tinha saído com ninguém por apenas necessidade e principalmente nunca queria se livrar de um ex, precisavasaber qual a diferença e o que ele faria.
–Eu mataria o homem que estivesse com você. – o olhar frio a fez engolir em seco – Nunca te machucaria, não duvidaria de sua palavra, mas também não deixaria o infeliz vivo, a não ser, que me falasse que não me amava mais e o queria. Se algum dia você me falar isso... Eu vou ser obrigado a entender... Te deixaria porque te amo e desejo apenas a sua felicidade. Quando você me deixou levou meu coração com você, levou minha vida e só de lembrar dói.
Ela pegou a mão dele sobre a mesa e a apertou levando aos lábios depois.
–Nunca mais vou te deixar. Eu prometo a você. – garantiu – Só iremos nos separar quando estivermos bem velhinhos e chegar a nossa hora, mas sei que mesmo assim estaremos juntos no paraíso porque o nosso amor é mais forte que a morte. O que sinto por você, tem certeza que não é algo descrito em textos poéticos... É mais... Muito, muito mais. É algo primordial e que está inscrito em minha alma, talvez desde antes do meu nascimento.
–Eu não contratei Garret para te vigiar, ele está ali apenas para protege-la, não suportaria que qualquer coisa de ruim acontecesse a você.
–Eu sei. – apertou sua mão – Dissemos coisas em um momento de raiva, algumas que magoaram muito a nós dois, tudo o que podemos fazer é aprender a não repetir nossos erros e sermos mais parceiros. Já nos amamos, acho que podemos lidar com o resto se estivermos juntos.
Aquelas palavras foram capaz de fazer o peso dentro do peito de Edward ser expulso, se sentia da mesma forma a todo o momento que estava com ela. Aquele sentimento esmagador de desejar que ela estivesse por perto, de ouvir sua voz, ver seu sorriso e seus olhos alegres.
–Sua comida vai esfriar. – brincou voltando ao clima de descontração anterior.
Bella riu e voltou a comer, assim que terminou tomou o último gole de suco e esperou seu noivo terminar.
–Vai querer mais alguma coisa?
–Café Irlandês. Ouvi falar que é ótimo.
–Bella, são nove da noite. É muito tarde para tomar café e ainda mais com uísque.
Ela fez um bico gigante e seus olhos lacrimejaram, como uma criança.
–Mas eu quero e você falou que eu poderia experimentar tudo.
–Tudo bem, tudo bem – suspirou, não podia lidar com aquele bico. – Uma xícara.
Ela sorriu e quase pulou nele, mas se conteve. O gosto do café era estranho misturado com o álcool do uísque, na verdade era estimulante e levava todos os sentidos ao máximo, o tomou em poucos goles. Edward se aproximou dela e beijou sua boca para tirar o bigode formado pelo chantilly, aquela menina estava testando sua sanidade todo o dia e os gemidos baixos que ela soltou enquanto bebia o café foi o ponto final. Chamou o garçom e deixou uma gorda gorjeta. Saiu do pequeno restaurante praticamente correndo até o hotel, Bella o seguiu em alguns momentos tropeçando nos próprios pés, não entendia o que tinha dado nele.
Avistou a portaria do hotel e ele nem ao menos falou uma palavra, o caminho de elevador ele batia o pé nervosamente e ela mordeu o lábio para não rir, seja lá o que tinha acontecido ele parecia desesperado e se lembrou da noite que passaram na casa da árvore no quintal de seus pais.
Mal passaram pela porta do quarto e seu corpo foi prensado contra a madeira e sua boca atacada. Edward podia sentir o gosto do café e o pouco toque de uísque, prendeu os cabelos mognos com a mão esquerda e tentava tirá-la de suas roupas com a direita.
Naquele momento não tinha tempo e muito menos paciência, não conseguindo abrir os botões da camisa dela se afastou um passo e rasgou o tecido espalhando botões pelo chão. Desabotoou a calça jeans junto com a calcinha as descendo até os joelhos e Bella terminou de tirar, mal saiu das roupas e seu corpo foi erguido por ele. O abraçou forte tornando a beijá-lo e cruzou as pernas em seu quadril, puxando seus cabelos cobre.
Sem fôlego ele deixou os lábios inchados e começou a beijar seu pescoço, sugando a pele, cada gemido que ela deixava apenas fazia com que a euforia que estava presa aumentasse a níveis alarmantes, em um movimento seu membro estava livre e com outro dentro dela, sendo acolhido pelo seu calor apertado, arrancou um gemido dela e quando estava completamente em seu interior ficou parado tentando retomar o controle.
–Você sabe o que faz comigo?
–Não. – choramingou tentando se mover – Por favor, Edward.
–Você me tira todo o controle Isabella. E eu amo isso. Amo você.
A cena parecia estranha e desconexa, sua menina parcialmente nua e ele ainda com suas roupas. Bella se moveu contra ele e sugou sua orelha o distraindo, seu hálito quente soprando em seu ouvido fazendo todo seu corpo se arrepiar. Edward segurou sua cabeça acariciando seu rosto com reverencia e a beijou com fúria ao mesmo tempo em que investia nela com estocadas rápidas e profundas a escutando gemer dentro de sua boca desesperada e se agarrar mais forte ao seu corpo jogando a cabeça para trás em abandono.
–Mais forte Edward...
Afastou suas bocas e atacou seus seios ainda cobertos pelo sutiã, mordendo e sugando a parte de cima, sentia o suor escorrer de seus corpos ofegantes, mas poderia se importar menos naquele momento, escutava ao fundo as costas dela bater contra a porta e sentiu que ela o apertava e mudou uma mão para seu clitóris e o esfregou freneticamente.
–Vem pra mim Isabella.
Bella soltou um grito de rendição sentindo seu corpo explodir em milhares de partículas. Sem parar de se mover Edward deu poucos passos até o sofá de couro se sentando, mal esperou que ela se recuperasse e agarrou a pequena cintura em suas mãos e a moveu atacando novamente seus lábios, não entendia a totalidade dos seus sentimentos, mas a necessidade que tinha por Bella era demais, era sua bussola em uma tempestade, aquela mulher rebolando no seu colo era a única pessoa que realmente importava.
Jogou a cabeça pra trás sentindo o êxtase tomar conta do seu corpo e a moveu mais rápido, grunhindo quando ela mordeu seu peito e gritou seu nome chegando ao clímax novamente, sem se conter deixou-se levar caindo no abismo de sensações com ela.
–Eu te amo Bella. – sussurrou sem folego a abraçando apertado.
Depois de alguns minutos em total silencio e se sentindo mais refeito Edward a pegou no colo e caminhou para o quarto, deitou o delicado corpo na cama e sorriu quando ela virou de bruços e abriu os braços ocupando quase todo o espaço.
Tirou suas roupas as jogando em qualquer lugar do quarto e voltou a sala para pegar uma garrafa de água, precisava se hidratar se quisesse continuar com seus planos. Bebeu em grandes goles e encontrou Bella da mesma forma. Ajoelhou-se na cama beijando dos pés até as nádegas, mordeu sua marca de nascença e ela pulou tentando fugir, mas ele a segurou firme e beijou suas costas parando nos ombros, seu corpo cobrindo o dela. Bella ofegou quando sentiu que ele estava ereto de novo.
–Você não cansa? – perguntou sem realmente se preocupar.
–De você? Nunca.
(...)
O avião passou por mais uma turbulência e Edward segurou seu café mais forte para não derramar, Bella nem se moveu na poltrona, pelo contrário, agarrou seu braço e se colou mais ao seu peito suspirando contente, tinham passado a noite em claro e pegaram o avião ás sete da manhã, ela tinha adormecido assim que ele prendeu seu cinto e depois de três horas de viagem ela mal se mexeu no assento. Olhou pela pequena janela observando o mal tempo e suspirou frustrado, estava cansado e queria chegar logo ao seu destino para dormir o resto do dia. Agradeceu aos céus quando o aviso para apertar os cintos, foi ligado e prendeu o de Isabella e depois o seu. Com o balanço do avião Bella abriu um olho um pouco confusa e depois abriu outro, seu corpo doía em lugares que ela nem ao menos sabia que existia, se espreguiçou bocejando, Edward estava sorrindo pra ela e não pode deixar de sorrir de volta.
–Já chegamos?
–Sim. Estamos pousando agora.
Ela se inclinou sobre ele para tentar ver alguma coisa do destino surpresa, mas estava nublado e a chuva forte não deixava enxergar nada. Fez uma careta e voltou a se arrumou no assento sentindo o jatinho balançar, parecia que seria um pouso difícil. Se lembrou imediatamente porque gostava tanto de manter os pés em terra firme, não era fã de adrenalina, preferia uma vida longa e pacata com o coração saudável.
O copiloto os ajudou a descer do avião segurando um grande guarda-chuva caminhando até a caminhonete prata estacionada há alguns metros, Edward a ajudou a entrar na porta do carona e se direcionou até o lado do motorista. Observou a paisagem totalmente verde, com diversas árvores e grama alta em volta, se questionava sobre esse lugar, mas não conseguia fazer nenhuma relação.
A estrada cheia de curvas estava praticamente vazia por causa da chuva forte, mas Edward era um condutor excelente e parecia não ter pressa para chegar ao se destino, olhou em frente notando as muitas parreiras espalhadas e a ficha caiu, estavam no vinhedo dele na Itália.
–Essa era a surpresa? – perguntou animada – A Itália?
–Não. – sorriu de lado sem tirar os olhos da estrada e parou o carro – Aquela é a surpresa.
Bella segurou a respiração quando olhou para cima na grande placa de madeira que mostrava a entrada da vinícola, não estava preparada para aquilo. Leu pelo menos umas vinte vezes para ter certeza do que estava escrito:
“La Mia Douce Bella”
–Este é meu presente para você.
Fale com o autor