O Que Somos
13 Capítulo 13
Capítulo 13
No fim do dia Bella estava bem mais tranquila, tinha conseguido concluir todas as tarefas do dia e adiantado as do dia seguinte e nem eram cinco e meia, pegou os documentos que os outros analistas tinham deixado e repassou os principais pontos destacados, seu sexto sentido dizia que havia alguma coisa de errado, teria que analisar isso com mais atenção, mas pelo menos agora tinha uma base para iniciar o Ônix.
–Vai ficar de novo até tarde? – Bella saltou na cadeira e procurou o dono da voz.
–Jake, por tudo que é mais sagrado não faz isso. – ele riu da cara de assustada que ela estava.
–Desculpe, mas você estava tão concentrada que eu não resisti. – piscou – Mas então, não vai mais embora?
–Sim, já estava indo, mas comecei a fazer algumas anotações e perdi a hora.
Ele fez uma expressão que queria dizer: “De novo”, que ela fez questão de ignorar.
–Vem eu te acompanho. Vou ter certeza de que você vai sair daqui.
O rapaz a puxou pela mão em direção aos elevadores, ela ria atrás dele, parecia que naquele prédio só trabalhavam loucos e controladores, mas sentia que Jake seria um bom amigo.
–Como está indo o projeto? – ele perguntou depois de um tempo que estavam no elevador.
–Vou começar a criar os códigos amanhã, apenas uma Demo, ainda acho que vai dar para usar o antivírus atual. – deu de ombros vendo o visor apontar os andares que estavam passando, o elevador parava em quase todos para pegar pessoas e sua mente estava calculando automaticamente o peso das pessoas e o peso suportado pelo restrito local.
–Tem medo de elevadores? – ele perguntou intrigado por causa da careta que ela fazia sempre que entrava mais uma pessoa no elevador.
–Não, mas como Física sou obrigada a calcular nossas chances de sobrevivência caso o cabo do elevador se rompa. – apontou o obvio.
Jacob riu com gosto, aquela menina tímida era bem mais inteligente e esperta do que poderia imaginar.
–Tudo bem, acho que tem razão. Mas pensei que você era formada em Engenharia de Software?
–E sou.
Ela deu um pequeno sorriso pretencioso pra ele e não falou mais nada, podia sentir como ele estava curioso e tentando entender o motivo da sua formação acadêmica, entretanto ela não diria tão fácil, eram poucas as pessoas que a conheciam realmente e por mais que a companhia de Jacob Black fosse agradável, ainda existiam defesas em seu interior que estavam erguidas e tinha de admitir que elas apenas se abaixavam para Edward.
Ao saírem no saguão Jake já parecia ter se recuperado do fato de que além de tímida, aquela garota era misteriosa, sua mãe sempre lhe disse que toda mulher que se preze tem que ter mistério no olhar e ele queria desvendar os de Isabella Swan.
–Quer uma carona? – perguntou quando já estavam na porta do prédio.
–Não será necessário Black.
Bella não soube explicar o que sentiu ao ouvir a voz de Edward atrás dela, se lembrava perfeitamente bem que da última vez que ele a viu com Jake tinham discutido e não queria acabar com o clima bom que estava entre os dois durante todo o dia. Ela olhou para Edward questionando o motivo de ela não precisar de carona, está certo que não ia aceitar, mas como ele poderia ter tanta certeza assim?
–Sr. Cullen está certo, eu agradeço, mas não precisa.
–Sem problemas. Até amanhã Bella, Sr. Cullen.
O moreno apenas concordou com a cabeça e se despediu dela com um beijo no rosto, sabia que tinha perdido para o grande Cullen, Bella parecia não ser o tipo de mulher que sai com um cara apenas por interesse, porém sabia que homens como o seu patrão não entravam em uma disputa por uma mulher para perder, então era melhor manter apenas amizade com a garota, pelo menos por enquanto.
Edward respirou fundo controlando a vontade de socar o cão do Black, já não bastava Rosalie e Emmett agora até ele chamava sua pequena pelo apelido, não queria estragar seu humor, tinha tomado a decisão de mostrar para Isabella que ele poderia no fim ser um homem racional e compassivo, mas não aguentaria muito tempo tendo que aturar outros homens dando em cima dela. Tinha que fazer algo quanto a isso imediatamente.
–Venha Isabella, pode deixar que eu te dou uma carona. – piscou pra ela a vendo rir.
–Não precisa Edward.
–Eu faço questão.
A conduziu em direção a um Bentley SUV parado em frente a calçada com um homem grande e forte de terno ao lado.
–Isabella, esse é Felix – a apresentou ao seu segurança pessoal, afinal ela teria que se acostumar com ele. Antes de ela chegar já havia conversado com ele sobre sua pequena e que teria que encontrar um segurança pra ela.
–É um prazer – ela falou timidamente recebendo um pequeno sorriso simpático de resposta.
Edward a ajudou entrar no carro e prendeu seu cinto de segurança, calma e precisamente, depois entrou pelo outro lado enquanto Felix seguia pelas ruas de Manhattan. Ele segurou firmemente sua mão a dele.
–Como foi sua tarde?
–Produtiva, acho que estou conseguindo entender seu antivírus.
–Isso é bom, mas quero que você entenda que fora daquele prédio somos apenas Edward e Isabella.
–Acho que gosto disso. — ela sorriu pra ele.
–Creio que entendo porque todos lhe chamam de Bella. — falou pensativo mais pra si do que pra ela.
–É o meu apelido, ninguém me chama de Isabella, apenas você.
Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu tirando uma mecha da franja dela que tinha caído em seus olhos.
–Prefere que a chame de Bella?
–Não sei, talvez por causa do costume, mas gosto quando me chama de Isabella.
–Gosto de chama-la assim, seu nome é muito bonito, é um nome que representa teimosia, o que reparei que você tem, mas mesmo assim eu gosto.
Ela o olhou chocada por alguns instantes, afinal era tão obvio assim que era teimosa, mal se conheciam há algumas semanas e ele não se importou em jogar isso pra ela. Quando ele percebeu que a deixou sem palavras continuou.
–Queria continuar com o assunto do almoço – quando percebeu que ela corou e olhou para Felix explicou – Como é seu irmão?
–Ele é fantástico. – sorriu – Devo minha vida a ele. Sabe, ele é médico voluntário pela ONU no Iraque, sempre quis salvar o mundo e coisa e tal.
–Ele parece ser legal.
–É sim, sinto falta dele as vezes. – seu olhar se perdeu por um momento na primeira lembrança que tinha com ele: um menino de cabelos escuros e olhos brilhantes correndo entre os carros parados vestido de Lincoln ainda com a cartola horrível na chuva e lhe oferecendo seu casaco.
Edward a tirou de suas lembranças quando abriu a porta do carro pra ela em frente a um magnifico edifício em frente ao Central Park, ela olhou pra ele questionando o motivo de estarem ali, quando aceitou sua carona pensou que a deixaria no seu apartamento e pelo jeito estavam bem longe dele.
–Por que paramos aqui? – perguntou ao observar o interior luxuoso.
–Vamos jantar no meu apartamento e depois te levo pra casa, ainda quero que nos conheçamos melhor e tenho uma proposta a te fazer.
–Qual? – perguntou curiosa.
–Só depois do jantar Srta. Swan. – bateu com o dedo indicador no nariz dela como se explicasse a uma criança que ela só poderia ter a sobremesa depois de ter comido toda sua refeição.
Ao entrarem na sala a boca de Bella estava literalmente aberta, era realmente sem palavras, havia uma parede de vidro que cobria todo o cômodo, com dois sofás brancos grandes, um pequeno bar a direita e um piano de cauda negro a esquerda, estava impressionada.
–Gostou? – questionou com expectativa, se ela falasse que não, ele mudaria tudo a seu gosto.
–É lindo. – sorriu – Você mora sozinho?
–Mais ou menos – quando viu o olhar dela de curiosidade tratou de responder – Felix fica boa parte do tempo aqui, ele e Heidi minha governanta.
Da boca dela apenas saiu um som de compreensão enquanto observava algumas das pinturas que ele tinha na parede, eram abstratas, algumas coloridas constatando com o ambiente um tanto etéreo e algumas um pouco sombrias.
–Vou me trocar, você quer tomar um banho?
–Não tenho roupas aqui. – o lembrou.
–Minha irmã deixou algumas que ela nunca usou, tenho certeza de que servirão em você.
–Edward, não...
–Pare de se preocupar, ela não vai se importar. – ele a interrompeu sabendo que iria negar. – Essa época do ano a cidade parece um forno, você vai se sentir mais confortável.
Ela não tinha como negar, por mais que se conhecessem a pouco tempo sabia que mesmo se o fizesse ele a convenceria, afinal era por isso que estava em NY. Assentiu o seguindo até uma das portas em um corredor e a mostrou um quarto com as paredes em tons de lilás com uma cama de casal no centro, dois criados mudos com abajures, um em cada lado, era um quarto simples, mas muito aconchegante.
–O banheiro fica naquela porta, você vai encontrar produtos de higiene na gaveta abaixo da pia e as roupas estão no closet, não precisa se preocupar com qual usar, são novos – fez uma pequena careta lembrando de como Alice era consumista – Fique à vontade.
Quando saiu do quarto, mal pode acreditar que sua pequena garota insolente estava ali, soltou um suspiro e foi tomar uma ducha fria e rápida.
Bella mal podia respirar, não deixava sua mente analisar tudo o que estava acontecendo, deixaria para fazer isso depois, tomou um banho rápido sem molhar os cabelos, se enrolou em um dos roupões que estavam no banheiro e foi olhar no closet, realmente tinha muitas roupas de grife ainda com a etiqueta, se sentiu constrangida por mexer nas coisas de uma pessoa que nunca vira na vida, optou por um vestido amarelo e pegou uma lingerie que ainda estava com a etiqueta, a dona que a perdoasse, mas não havia opção no mundo que a faria ficar no mesmo cômodo com Edward Cullen sem suas roupas intimas, não naquele momento de qualquer forma.
Saiu do quarto descalça voltando pelo mesmo caminho da sala de estar, ele ainda não estava lá, então aproveitou para olhar melhor, mas se sentiu atraída para o belíssimo piano que ele tinha, sem se conter dedilhou poucas notas de uma canção antiga que tinha aprendido.
Edward caminhou pelo corredor calmamente pensando que Bella ainda estava se arrumando, mas parou abruptamente ao escutar uma suave música ao piano, ele conhecia aquele som, Esme tocava pra ele quando era criança, foi uma das primeiras que havia aprendido a tocar, era Dolannes Melody, voltou a caminhar e parou logo atrás de Bella enquanto ela tocava as últimas notas.
–Você toca muito bem.
Ela pulou quando ouviu a voz dele, não deveria ter mexido, mas fazia tanto tempo que não sentava a frente do instrumento que não pode resistir.
–Desculpe, não deveria...
–Pare de se preocupar, sempre que quiser pode tocar, eu não me importo.
Ele a pegou pela mão e seguiu em direção a cozinha, o jantar estava servido na mesa, com dois lugares postos, mas Heidi estava longe de ser vista, com certeza Félix a advertira que ele tinha convidada. Ajudou Isabella a sentar e caminhou até a geladeira.
–Posso lhe oferecer vinho dessa vez? – perguntou enquanto pegava o vinho e duas taças.
–Vou beber uma taça com você.
Após servi-los com a refeição e o vinho comeram silenciosamente, assim como no almoço Edward terminou primeiro e se serviu de mais uma taça de vinho enquanto ela degustava do pedaço restante de salmão do seu prato, o jantar estava simplesmente delicioso. Bebeu mais um gole do vinho e limpou a boca olhando aquele homem impressionante a sua frente, a forma como se comportavam parecia que se conheciam a muito mais tempo do que parecia, ele estava com uma calça jeans e uma camiseta azul mostrando os músculos definidos dos braços e do peito.
–Espero que tenha gostado.
–Sim, estava divino realmente.
Ele sorriu pra ela e bebeu mais um gole do vinho a olhando intensamente, o que não daria pra saber o que ele pensava.
–Quando jantamos no seu apartamento você disse que não bebia.
–Ah, bem naquele dia eu não sabia nada de você, além de que era o meu chefe. – falou dando de ombros o olhando – E não costumo beber.
–Entendo, você está muito bonita.
As bochechas dela coraram com elogio e ele sorriu, gostava de como o rubor ficava adorável na face dela.
–Espero que sua irmã não se importe. – ela parou por alguns segundos lembrando de ler em algum lugar que ele não tinha irmãos – Eu não sabia que você tinha uma irmã.
–Alice é minha prima. – falou notando a crescente curiosidade dela nele – Ela é irmã de Emmett, que você provavelmente já conheceu, cresci com eles. Meus pais morreram e eu era muito novo então fui morar com os meus tios, eu os considero como meus pais.
–Sinto pela perda deles. – disse sinceramente colocando sua mão na dele por cima da mesa que a pegou de bom grado e deixou um pequeno beijo na palma que a fez estremecer.
–Já foi a muito tempo. – se levantou a ajudando também e a levou pra sala sentando no sofá. – Lembre-se que eu tinha uma proposta para te fazer?
Ela concordou com a cabeça, na verdade não lembrava porque sempre que estava perto dele, sentindo o perfume que desgrudava dele era capaz de esquecer até seu nome.
–Eu não sou de fazer rodeios então vou falar de uma vez. – ele parecia nervoso e apertava a mão dela na dele – Isabella... Bella, você quer ser minha namorada?
“Julgue um homem pelas suas perguntas e não pelas suas respostas.”
Voltaire
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