O Que Somos
14 Capítulo 14
Capítulo 14
Por um momento Bella perdeu a fala e ficou sem ar, pensou que nesse momento teria um ataque cardíaco, sua respiração estava descompassada e arfante.
Edward se apavorou ao ver que além de não ter uma resposta parecia que Isabella estava tendo uma crise asmática, não sabia como agir, a única pessoa que tinha asma na sua família tinha partido a tanto tempo que mal se lembrava de seu rosto.
–Bella, você está bem? – perguntou preocupado segurando seu rosto – Está me deixando preocupado.
Depois de alguns minutos de exercícios respiratórios Bella foi recuperando sua cor e sua respiração foi se normalizando.
–Desculpe, você me pegou de surpresa. – falou depois um tempo – Quando me falou que tinha uma proposta pra me fazer nunca imaginei que seria isso.
–Eu não sou o tipo de homem que fica só em beijos sem compromisso, não tenho mais idade pra isso, já disse que eu sei o que quero e eu quero que fique comigo sei que é recente e que temos algumas diferenças, entretanto eu gosto muito de você e pelo jeito que você responde a mim tenho certeza que também gosta de mim. Não quero ficar assim com você, você merece mais, muito mais. Quero lhe dar tudo.
Ela se aproximou dele e colou suas testas, tinha sido um dia estranho e animador, Edward era um cara intenso ao extremo e ele tinha razão nunca tinha ficado assim com ninguém e ele queria um relacionamento com ela.
–Se eu aceitar, você vai ficar menos mandão? – perguntou já sabendo como ele demonstrava ser ciumento.
–Não garanto, mas posso prometer que irei tentar. – sussurrou enquanto sua mão segurava a cabeça dela bem rente a sua.
–Você sempre planejou isso?
–Desde a primeira vez que a vi me encantei com você e conhece-la a cada dia só intensifica isso, quero conhecer seus segredos, quero cuidar e amar você.
“Ele sabia” – foi o pensamento de Bella ao notar suas palavras, com certeza ele tinha percebido algo, ela não era a melhor das pessoas em ocultar nada e Edward era observador.
Ele notou quando o corpo dela enrijeceu e a puxou para o seu colo como se ela fosse uma criança a abraçou apertado e beijou o topo de sua cabeça.
–Não precisa me dizer nada, quando estiver pronta e se sentir segura comigo aí sim vou querer saber, todos tem segredos, mas não quero que algo nos afete Bella.
–Não consigo falar sobre isso, o pior é que faz tanto, tanto tempo e não sai da minha mente, simplesmente não sai.
Edward a apertou mais tentando mostrar que enquanto ela estivesse dentro de seus braços nada aconteceria, ele não iria deixar nada e ninguém feri-la.
–Vou te ajudar com tudo o que precisar, então aceita?
–Sim, eu aceito ser sua namorada.
O sorriso no rosto dele a fez sorrir também, eles já tinham dado altos pegas, então por que não chutar logo o pau da barraca? Ele a beijou com tanto carinho e com tanto amor que ela teve vontade de chorar, aquele homem era carinhoso e intenso tudo na medida certa, realmente nunca teve chances de lutar contra ele e nem queria.
O sol estava no seu rosto, o escondeu debaixo do travesseiro, então notou que seu coxão estava mais macio do que o normal, se aconchegou mais naquele calor gostoso que estava em suas costas e braços fortes a apertaram mais, seus olhos se abriram rapidamente entendendo o porquê de se sentir tão confortável, havia dormido com Edward e ele a estava puxando mais pra ele enquanto seu rosto estava enterrado em seus cabelos. Lembrou-se que na noite passada eles estavam assistindo algum programa idiota na tv e ele provavelmente deve tê-la colocado na cama.
Se virou lentamente para ele observando sua face serena enquanto dormir, seus traços marcantes, passou seus dedos pelos lábios dele, como adorava beijá-los e agora podia sempre que quisesse porque era sua namorada, sorriu consigo mesma ao deixar as informações do dia anterior serem processadas por seu cérebro. Tentou sair dos braços dele, mas suas pernas foram impedidas e ficou mais colada a ele ainda com suas mãos naquele peitoral definido que agora estava nu, deu um suspiro de rendição.
–É cedo ainda o despertador não tocou. – ao ouvir a voz rouca dele olhou para cima dando de cara com seus olhos esmeraldas sonolentos a encarando.
–Não consigo dormir muito. – explicou mudando uma das mãos para o queixo dele que agora tinha uma pequena sombra de barba.
Ele mudou seu corpo o suficiente para ficar em cima dela, acariciou sua face dando pequenos beijos em sua testa, olhos, nariz, viu ela fechando os olhos e fazendo um biquinho adorável, mas passou seus lábios mordendo o queixo levemente. Ela soltou um suspiro e ele beijou seu pescoço suavemente, ela se contorceu embaixo dele e seu amigo queria dar boas-vindas a sua nova e única dona, mas se controlou e desceu mais até a linha do vestido tomara que caia que ela ainda estava, beijou aquele pedaço de pele raspando sua barba a ouvindo gemer baixinho, apenas com o toque de seus lábios.
As mãos dela estavam em suas costas e quando ele sugou seu pescoço novamente ela o arranhou o fazendo se arrepiar. Ele desceu as mãos lentamente pelo corpo dela pela lateral dos seios, as espalmando em seu estomago e depois suas coxas a apertando. Sem aguentar mais a beijou lentamente, provando o gosto dela, conhecendo, depois intensificou o beijo o tornando exigente, as unhas dela afundaram nas costas dele o puxando para mais perto, querendo mais contato, se entregando as suas vontades. Quando ele cessou o beijo e desceu novamente para seu pescoço algo apitou na mente de Bella.
–Edward. – tentou falar, mas pareceu mais um gemido.
–Sim? – respondeu com a voz colada em sua pele.
–Eu... eu... eu sou virgem.
Bella pensou que ele iria parar ou se assustar com o que ela tinha dito, mas ele não parou, voltou a beijá-la com carinho e a olhou nos olhos.
–Eu imaginei que era – confessou – A forma como você se entregou pra mim desde a primeira vez que nos beijamos parecia que você era ou então era muito inexperiente.
–Você... você não se importa? – ela estava vermelha como ele nunca tinha visto, tinha certeza que em parte era excitação e outra era constrangimento.
–Não Bella, eu me sinto contente em que vou ser o seu primeiro e o seu último. – ao ver o olhar assustado dela continuou – Não vou força-la, vamos nos conhecer primeiro, depois isso irá acontecer normalmente e não forçado por qualquer situação ok?
Ela assentiu com a cabeça o puxando para um beijo de agradecimento por ele a ter entendido mesmo sem dizer uma palavra. Quando se separaram ele sorriu pra ela vendo que já estava na hora de se levantarem, que o trabalho os chamava.
A semana se passou mais fácil depois daquele dia e pareceu que mais rápido também, Edward era um outro homem, mais relaxado e tranquilo, mas apenas com Isabella porque havia momentos em que poderia matar algum dos incompetentes que trabalhava para ele. Sua mesa estava cheia de trabalho em plena sexta-feira de manhã e parecia que os problemas não acabavam nunca e nem se passavam das nove ainda. Se jogou de cabeça no trabalho para tentar terminar até a hora de ir embora.
Bella estava confusa, Edward havia prometido almoçar com ela e já era quase meio dia e meio e nada dele aparecer, tentou ligar no celular dele, mas dava caixa-postal, então desistiu de espera-lo, com certeza estava atolado de trabalho.
–Hey Bella, pensei que tinha ido almoçar. – Jake falou confuso porque nesse horário ela sempre estava almoçando com o Cullen.
–Ainda não, vou ir agora.
Seu amigo sorriu e coçou a cabeça.
–Eu também vou agora, se quiser podemos ir juntos.
–Claro, vai ser legal.
Eles foram até uma lanchonete em frente a empresa, pelo horário o local estava cheio, mas conseguiram uma mesa no fundo, após fazerem seus pedidos esperaram conversando sobre o trabalho e as pessoas.
–Sério Bella, tenho certeza que ele leva os grampeadores embora. – Jake se referia a um de seus colegas. – É o terceiro que ele pega emprestado e não devolve. Se pedir o seu não empresta.
–Larga de ser bobo. – Bella riu com as besteiras dele – Vai ver ele tem uma coleção.
–Sim, sim, pessoas normais colecionam selos, cartas, moedas, sei lá, mas grampeadores é meio bizarro.
–Eu tinha um colega de classe que colecionava imãs magnéticos. Se você entrasse no quarto dele até uma moeda era detectada.
Ele riu e continuaram a conversar no caminho de volta eles ainda falavam besteiras sem sentido.
–Então, hoje o pessoal vai a um barzinho, quer vir conosco?
–Bem que eu queria, mas já tenho um compromisso a noite.
–Tudo bem, porém você terá que me prometer sair conosco outro dia.
Jacob era uma boa companhia, um bom amigo sair com ele era divertido, mas ainda sentia falta de almoçar com Edward eles almoçaram juntos todos os dias da semana e já estava se acostumando a ter ele por perto, hoje iria ter um jantar na casa da família dele e estava apreensiva, apenas uma vez tinha conhecido a família de um namorado e eles nem tinham esse tipo de relacionamento. Ele provavelmente queria terminar logo para saírem.
Sua tarde passou lentamente, tinha muito trabalho para terminar, não queria deixar nada pendente para segunda-feira, faltavam catalogar poucos acessos, supôs que ainda não estava na hora de ir embora porque Jake não tinha ido jogar na sua cara que era uma viciada em trabalho como ele fazia diariamente. Olhou por cima do cubículo e percebeu que havia só ela e outros dois técnicos que ela não lembrava o nome, olhou no relógio e praguejou, já passava das dezoito horas.
Travou o computador e arrumou suas coisas da melhor forma que podia, estava atrasada, o elevador demorou pra chegar e mais ainda pra descer. Ao chegar no saguão correu até a saída, hoje iria pra casa de táxi, mas ao chegar na porta deu de cara com um Edward Cullen encostado em um carro prata, se não estava enganada era um volvo. Ele parecia ter tomado banho e agora estava com uma calça social e camiseta polo azul marinho e com óculos escuros e os cabelos cobre bagunçados, suspirou, queria se jogar nos braços dele.
Edward estava impaciente, seu dia foi horrível, mal conseguiu almoçar e quando ligou pra Isabella e o telefone dela só chamava, foi necessário pedir para Félix ir atrás dela para descobrir que ela tinha almoçado com o cachorro, foi difícil controlar o ciúmes, mas conseguiu, quando terminou sua última reunião ainda eram dezessete horas, então foi para casa se arrumar, deixou seu segurança na empresa para cuidar de sua menina, quando voltou ao prédio ela estava saindo distraída com muitos papéis em uma mão e a bolsa na outra, quando ela olhou pra cima e seus olhares se encontraram tudo o que queria fazer era prende-la em seus braços e não soltar mais.
Caminhou até ela a ajudando com os papéis e a beijou lentamente, ela passou os braços por seu pescoço e aprofundou o beijo gemendo na sua boca, não conseguia se afastar dela. Depois que entraram no carro foram em direção do apartamento dela.
–Senti sua falta hoje no almoço. – ela falou depois de um tempo em silêncio o olhando enquanto dirigia.
–Também senti a sua, mas pelo o que soube você estava bem acompanhada. – ele não tirou o olhar da estrada e sua voz era perigosamente calma.
–Jak-Jacob, me convidou pra almoçar, tentei te ligar, mas seu telefone só dava caixa postal. – ela mordeu o lábio ansiosamente – Você se importa?
–Me importar, eu me importo. – olhou pra ela quando pararam em um sinal vermelho – Entretanto lembro que prometi a Srta. que iria tentar ser menos mandão.
Ela riu e deu um selinho nele. Entrou no apartamento rapidamente correndo para o banheiro ou iriam se atrasar, apesar de ele afirmar que ainda tinham tempo não queria dar uma primeira má impressão.
Edward olhou em volta procurando alguma coisa para fazer, sabia como mulheres costumavam demorar para se arrumar, mesmo falando que seria rápido, imaginou que Isabella não seria diferente, caminhou até a estante e percebeu que havia algumas fotografias, dela com um homem de bigode, que supôs ser seu pai, com uma mulher de cabelos claros e um sorriso gigante, essa ele tinha certeza ser Renée e outras mais divertidas dela com um rapaz quando mais nova, ela sempre tinha um sorriso, mas era um sorriso triste e apagado, menos quando estava com esse rapaz.
–Esse é o Gabe – ela pegou a foto da estante e acariciou levemente o vidro. – Ela é antiga, foi antes de ele se mudar.
–Você sente a falta dele. – não foi uma pergunta.
–Sim, mas agora tenho você comigo. – ela sorriu e o beijou suavemente.
Quando se afastaram ele pode notar que ela estava com um vestido branco justo nos seios, rodado na barra que ia até o joelho, seu cabelo estava solto e seu rosto sem maquiagem, apenas com um gloss que ele tinha tirado com o beijo. No caminho a casa dos Cullen ele percebeu como Bella estava nervosa, ela mordia constantemente o lábio e remexia as mãos, por mais que afirmasse dezenas de vezes desde que a convidou a ir que todos iriam adora-la, ela ainda não se sentia segura. Sabia que quando fosse conhecer seus sogros seria a mesma coisa.
Ao parar em frente a mansão Bella segurou o fôlego, a casa parecia como um pequeno castelo ou uma daquelas propriedades inglesas do século XVI, não estava segura que pertencia a essa vida de luxo, sabia que aceitaria qualquer coisa por Edward, mas não sabia se seria capaz de lutar contra a família dele se fosse necessário.
–Hey. – ele a tirou dos seus pensamentos. – Não precisa se preocupar com nada está bem?
Ela apenas concordou com a cabeça e o viu dar a volta no carro para abrir a porta pra ela. Assim que alcançaram o limiar da porta, a mesma se abriu mostrando uma mulher de estatura média, olhos verdes doces e cabelos cor de mel cacheados sorrindo. Em algum lugar da mente de Bella ela a reconhecia, mas não conseguia fazer uma conexão, entretanto o pensamento foi deixado de lado ao ser tirada dos braços de Edward para um abraço reconfortante.
–Seja bem-vinda a família.
Ainda estava um pouco surpresa, mas respondeu ao abraço suspirando e olhou para seu namorado que estava com um sorriso gigante nos lábios e sorriu também. Já se sentia em casa.
“É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?”
Stephanie Perkins
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