O Que Somos
8 Capítulo 8
Capítulo 8
POV EDWARD
Bendita garota insolente, parecia que ela tinha invadido os meus pensamentos desde que Aro tinha falado dela pra mim, não conseguia pensar em mais nada, apenas naqueles olhos tristes e distantes verdes, queria tirar a dor deles, mostrar pra ela que a vida era mais que sofrimento, certo, quem sou eu para querer fazer isso se nem da minha própria felicidade consigo tomar conta?
Mas aquela menina, meu Deus, ela ainda é uma menina, mal tem idade legal, o que estou pensado, deveria ter um pouco mais de juízo na minha mente, afinal de contas já sou um homem adulto, tô quase fazendo trinta, isso são dez anos de diferença.
Passei as mãos pelo meu cabelo já impaciente com os meus pensamentos, fazia uma semana que não a via, não sentia o seu cheiro de morangos, em pensar que posso tê-la assustado quando ela estava na minha sala comigo me deixa inquieto, mas a possibilidade de nunca mais vê-la tirou o pouco de sanidade que tinha e fui obrigado a acariciar aquela mecha errante de seus cachos, só não a beijei porque a estraga prazeres da minha cunhada bateu na porta antes, porém foi melhor assim se não ela poderia ter ainda mais um motivo para recusar trabalhar comigo, pelo menos ela tinha assinado o contrato e pelo que percebi, ela não era tão imune a mim.
Nunca fui de me ligar a mulheres, sempre que queria uma eu a tinha, mas elas não eram o tipo de mulheres que se leva para conhecer sua família ou um lugar mais íntimo, sempre mantive muitas regras sobre isso e com essa menina eu quero quebrar todas. Ao fundo da minha mente consigo escutar meu celular tocando.
–Cullen.
–Edie, conheci sua garota, ela realmente é linda cara. – tinha que ser o sem noção do Emmett, ele sabe o quanto eu odeio apelidos, isso é coisa para animais de estimação.
–Primeiro Emmett, não me chame nunca de Edie e segundo, ela não é minha garota. – ainda, completei nos meus pensamentos.
–Tá, tá, tá, pode ser, mas realmente ela me parece uma boa garota, já nos tornamos amigos. – disse no seu modo brincalhão de sempre.
Emmett nunca cresceria, não era de se imaginar que ele e Isabella iriam ficar amigos, ele era totalmente sociável, ao contrário de mim, ele conseguia se comunicar com qualquer pessoa, não importasse a idade, principalmente crianças.
–O que você quer Emmett? – fui direto ao assunto, saber que ele tinha mais contato com Isabella do que eu me deixava mais aborrecido do que o normal, em pensar que eu nunca acreditei nesses contos de paixão à primeira vista.
–Eu acho que você deveria fazer uma visita pra Bells e chamá-la pra sair, quem sabe ela não tira o seu atraso e você fica mais bem humorado.
–Quem é Bells Emmett? – perguntei confuso, até agora pensei que estávamos falando de Isabella, já que Rosalie fez questão de falar pra minha família como eu ficava com um sorriso bobo na cara quando estava com ela.
–A Bella cara. – falou como se fosse obvio
–Quem? – perguntei mais confuso ainda
–Isabella Swan. Conhece por um acaso? Morena, baixinha, olhos verdes?
–E por que você estava a chamando de Bells?
–O anormal, é o apelido dela, ao contrário de um determinado controlador ela não se importa com o apelido.
Não acredito que até Emmett já não tinha respeito por mim, antes de Rosalie abrir a boca... Não, não, antes de Isabella aparecer às coisas não funcionavam assim não.
–Emmett, por favor, vê se cresce e o que eu decidir fazer a respeito de Isabella quem deve saber sou eu e ela.
Ele apenas riu com gosto de minhas palavras como se fosse à piada mais engraçada que já tivesse contado, quando finalmente sua crise diminuiu ele suspirou.
–Não sei quem você pensa que engana, mas é melhor você agir, já sabe como as coisas são se tá livre no mercado qualquer um pode comprar maninho. Vê se não desaparece cabeção.
Nisso ele desligou no seu melhor comportamento Emmett, não sabia como ainda aguentava ele falando no meu ouvido como se fosse um especialista, mas de uma coisa ele estava certo se eu realmente queria Isabella não poderia deixa-la solta por ai. Aproveitando que era domingo e estava trabalhando em casa tomei um banho rápido, vesti uma calça jeans desbotada e uma camiseta polo branca com a gola verde escuro e calcei um sapatênis.
Como sempre Felix estava na cozinha no seu bem arrumado terno, era quase seis da tarde e as luzes do crepúsculo já começava a aparecer, mesmo em NY sempre era lindo.
–Felix, irei sair, tire o resto da noite de folga e amanhã também.
Ele me olhou surpreso porque nos três anos que trabalhava comigo suas folgas eram sempre agendadas meses antes, mas ele somente acenou com a cabeça e voltou para o espaço do apartamento que ficava o seu escritório. Peguei as chaves do Volvo e desci em direção a garagem. Estava um pouco apreensivo sobre como seria recebido por Isabella, afinal meio que forcei a barra pra ela assinar o contrato, mas não importava mais porque ela estava em NY e tudo ficaria bem.
Dirigi calmamente do meu apartamento na Upper West Side, maldita hora que deixei Rose a colocar no apartamento no Queens, mas ela afirmou que lá ela se sentiria mais confortável e que o apartamento era mais aconchegante do que o meu austero e frio no Central Park, pelo que notei da minha menina – Sim, ela já é minha – que ela é simples, então concordei, agora eu tenho que dirigir se quiser vê-la. O bairro é bem movimentado com lojas, restaurantes e bares, mas ao mesmo tempo simples, daqueles em que as pessoas antigamente costumavam sentar para falar da vida dos outros, parei em um sinal vermelho e olhei ao redor, estava a menos de duas quadras do prédio dela e foi quando a vi.
Era impossível não reconhecê-la, o cabelo cacheado em um marrom avermelhado ao vento ameno, a calça jeans preta colada ao seu corpo como se fosse uma segunda pele, a blusa de uma banda de rock que não consegui reconhecer e All star. A Segui lentamente com o carro, parece que ela percebeu que a estava seguindo ou sentiu, simplesmente não sei, mas o passo dela aumentou de velocidade, quase batendo em algumas pessoas no caminho até chegar ao seu prédio e entrar como se o diabo estivesse nos seus calcanhares.
Vi um restaurante um pouco mais a frente e pude imaginar que ela ainda não tinha jantado, então essa era a minha oportunidade, pedi Ravióli com cogumelos e uma lasanha à parmegiana com uma boa garrafa de vinho e um suco, caso ela não quisesse beber, parei o carro no estacionamento privativo do prédio e subi pelo elevador, a coisa boa de ser o chefe é não dever satisfações para ninguém.
Bati na sua porta e esperei por um momento, tentando imaginar o que ela estava fazendo lá dentro que estava demorando, com certeza se minha mãos estivessem livres a essa hora já estaria arrancando os meus cabelos.
Até que ela abriu a porta e não pude acreditar no que estava vendo, a Minha Menina estava apenas com um roupão de banho que chegava na metade de suas coxas, com o cabelo molhado, me olhando com os olhos surpresos e as bochechas coradas, não sei como, mas engoli a baba que estava querendo escorrer e falei.
–Boa Noite Isabella.
“Corro perigo
Como toda pessoa vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado”
Clarisse Lispector
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