O Que Somos
9 Capítulo 9
Capítulo 9
Bella não podia acreditar no que estava vendo, seu chefe mandão a sua frente com duas sacolas de papel a olhando com aquele mesmo olhar intenso do dia da reunião na sala dele. Ela tinha chegado da pequena exploração que tinha feito cansada e suada, então resolveu tomar um banho longo pra ver se sua mente clareava, ficou alguns momentos debaixo do chuveiro deixando a agua cair por seu corpo, lavou a cabeça com seu shampoo de morangos, estava terminando o banho quando escutou a campainha, não sabia quem era, afinal estava a menos de vinte e quatro horas cidade, só poderia ser Rose, correndo pra atender a porta secou rapidamente o cabelo em uma toalha e vestiu o roupão, tudo pra dar de cara com Edward Cullen em uma calça jeans e camiseta polo com detalhes verdes que realçavam seus olhos esmeraldas.
A voz rouca dele ao dizer aquele simples “Boa Noite”, fez todos os pelos do seu corpo se arrepiarem.
–Boa Noite, Senhor Cullen.
–Isabella, me chame de Edward.
Edward, não conseguia parar de olhar as pernas dela, tinha muitos pensamentos impuros com elas. Já Bella não sabia como agir na frente daquele homem.
–Posso entrar? – perguntou erguendo a sobrancelha.
Ela respondeu um claro meio murmurado e deu passagem pra ele, como era de se imaginar a presença dele tomou conta do pequeno apartamento, Bella estava torcendo as mãos como sempre fazia quando ficava nervosa ou ansiosa, não sabia o que ele estava fazendo ali, ainda mais à uma hora daquelas.
–Pensei que não tinha jantado ainda e como não conhece a cidade trouxe pra você. – ele esclareceu suas perguntas não ditas.
Ele podia sentir a tensão que desprendia do corpo dela, por um momento se arrependeu da visita sem avisá-la antes.
–Se você não quiser tudo bem, eu sinto muito ter invadido o seu espaço.
–Não, não é isso – ela o interrompeu, em qualquer situação Edward não gostava que o interrompessem, mas nunca agradeceu tanto como nesse momento – é só que não esperava.
Ele deu um pequeno sorriso que ela retribuiu e olhou novamente para o corpo dela, o que não daria pra tirar aquele roupão do caminho, podia apostar que ela estava nua por baixo dele. Ela percebeu que ele olhava demais pro seu corpo e se deu conta de ainda estar com o roupão, ficando mais constrangida ainda se desculpou e foi vestir uma roupa. Edward observou o pequeno apartamento e não pode deixar de concordar com Rose que aquele lugar era a cara de Isabella, simples, elegante e calmo. Tirou as travessas da sacola do restaurante e colocou em cima da pequena mesa da cozinha, procurou nos armários por taças e quando as encontrou colocou ordenadamente com os pratos e os talheres, já enchendo a sua taça.
Bella apareceu momentos mais tarde com um vestido lilás, justo nos seios e na cintura com a saia rodada que ia pouco abaixo dos joelhos e uma sapatilha branca, o cabelo ainda estava molhado, ela estava simplesmente adorável.
–Senhorita. – Edward fez um gesto para ela se sentar na cadeira e se sentou à sua frente.
–Obrigada, mas não precisava, quando a fome batesse eu ia pedir qualquer coisa.
–Não precisa pedir mais. – sorriu – Temos Ravióli de Cogumelos e Lasanha à Parmegiana, o que vai querer?
–Ravióli é o meu preferido.
Ele serviu pra ela encantado e feliz que tinha acertado o prato preferido dela de primeira. Quando foi servir o vinho ela o parou.
–Eu não bebo.
–Nunca?
–Nunca. Não sou muito fã de álcool. – falou simplesmente. Ele levantou da cadeira e pegou uma caixinha de suco natural de abacaxi e serviu pra ela.
–O gosto não será o mesmo, mas atendemos a todos os pedidos.
Ela sorriu com o gesto dele, afinal ele tinha acertado sua comida preferida e trouxe a opção caso ela não quisesse beber, sem a forçar a experimentar. Engataram em uma conversa leve sobre suas famílias, filmes, músicas e artes. Bella ficou impressionada ao perceber que tinham tanto em comum, ele a fazia se sentir... Confortável, coisa que nenhum dos garotos com quem saiu fez.
Quando sua menina bocejou Edward percebeu que já estava tarde.
–Vou deixar você descansar, que amanhã tem trabalho. – disse com um peso no coração por deixa-la.
–Sim e o meu chefe é muito exigente. – falou brincando com ele, que não pode deixar de rir.
Ela o acompanhou até a porta.
–Obrigada pelo jantar, eu realmente gostei.
–Não precisa agradecer, fico contente que tenha apreciado e que eu tenha acertado seu prato preferido.
–Isso também foi muito atencioso.
–Posso te dar um beijo de despedida? – ele perguntou de repente.
–Claro.
Bella imaginou que ele a beijaria na bochecha, mas nada a preparou pra ter os lábios macios dele encostados ao seu em um beijo suave e cheio de sentimentos. Ela não sabia o que fazer, mas seu corpo estava pegando fogo somente com aquele contato, então entreabriu os lábios pra dar passagem pra língua dele e foi como se o chão tivesse desaparecido dos seus pés e somente ele estivesse ali pra lhe segurar, o beijo que começou calmo ficou ardente com suas línguas duelando entre si, Edward a agarrou uma mão em sua cintura e outra no pescoço sentindo a pele quente dela em contato com a sua fria, as mãos dela o segurou pelo pescoço não querendo o deixar ir, mas logo que o ar foi necessário ele foi cessando o beijo com ternura, lhe deu vários selinhos e sorriu.
Ela ainda estava de olhos fechados, tentando imaginar o que era aquela corrente elétrica que passou pelo seu corpo, quando abriu os olhos e encarou os de Edward tudo o que viu refletido era paixão. Soltou-se aos poucos temendo ir ao chão se não tivesse algum apoio.
–Tenho vontade de fazer isso desde a primeira vez que te vi. – ele confessou
–Por que eu? – ela estava confusa porque podia imaginar que ele teria qualquer mulher que quisesse.
–Exatamente porque é Você, Isabella. – disse simplesmente. – Você é especial e me faz sentir, sentir como se estivesse vivo realmente, faz meu coração bater. Estou cansado de apenas existir e você está me mostrando como viver.
Ele não sabia se ela entendia o que estava querendo dizer, mas essa era a verdade, em toda a sua vida ele nunca viveu, somente existiu e foi necessária uma garota insolente para que percebesse o que queria e a queria. Bella entendia exatamente o que ele queria dizer, sempre estava focada nos estudos, sempre pesquisando algo novo, mas nunca se dedicando a si mesma, ele a fez sentir e não sabia realmente se queria sentir porque isso machucava depois, mas apenas sorriu pra ele e passou a mão pelo rosto perfeito que ele tinha, afinal um pouco de esperança e de risco sempre era necessário uma vez na vida e se fosse por Edward Cullen, o homem com Síndrome de Autoridade que fazia seu coração dar pulos dentro do peito, ela faria isso.
“A esperança é o alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre ao veneno do medo.”
Voltaire
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