O Que Somos
77 Capítulo 74
Notas iniciais
Capítulo 74
Bella acordou com um sorriso no rosto. Era manhã de véspera de natal. O seu primeiro natal como uma mulher casada, gravida e com sua família completa. Não poderia estar mais feliz na vida. Nunca antes havia ganho tanto.
Red pulou em seu colo e ela coçou suas orelhas antes de ir para o banheiro cantando canções natalinas.
A neve já caía na cidade mostrando que realmente o natal estava batendo na porta. Aquele dia do ano em que famílias se uniam, amantes de conectavam e os erros eram perdoados. Como ela adorava o natal.
Depois de colocar um moletom desceu até a sala para ter certeza de que os presentes estavam todos lá, o mais especial também já se mostrava reluzente em um pequeno pacote ali embaixo.
Mal podia esperar para abri-los, afinal, a melhor coisa do natal era a comida deliciosa e os presentes.
–Pensei que fosse dormir mais um pouco.
Com um sorriso enorme Bella se virou para o marido e o abraçou dando o seu beijo entusiasmado de bom dia.
–Eu ia, mas me lembrei que é véspera de natal e como tal eu tenho que ver se tudo está pronto.
Edward riu do seu tom animado e a abraçou tirando seus pés do chão.
–Nosso primeiro natal juntos, Sra. Cullen.
–O primeiro de muitos, Sr. Cullen.
–Quer tomar café?
Ela negou com a cabeça e saltitou até a cozinha abraçando Heidi.
A mulher riu e devolveu o carinho beijando o rosto da moça.
–Bom dia, Heidi.
–Bom dia, Bella, entusiasmada com o natal?
–Muitíssimo, só vai faltar você aqui.
–Eu prometi a minha irmã que iria visita-la, querida, mas no próximo prometo que passo com vocês e com o bebê.
–Assim espero porque vai fazer muita falta aqui amanhã. Você sabe que te considero como da família e família não passa o natal separados.
A governanta sorriu com lagrimas nos olhos e abraçou a menina teimosa que também aprendeu a considerar uma filha.
–Vocês também são uma família pra mim.
–Então marque na sua agenda que teremos muitos feriados juntas.
–Certo, querida. Prometo que farei isso o mais rápido possível.
Bella se separou dela ainda sorrindo e voltou a saltitar até o quarto do bebê. Ela, Esme, Renée e Alice já tinham começado a decoração, faltava escolher muitas coisas, mas em algumas semanas aquele quarto estaria habitável. Com cuidado foi até o closet e ficou na ponta dos pés para pegar o presente de Edward. Quando pensou em um lugar para escondê-lo aquele foi o perfeito, ainda mais por conta do conteúdo daquele pequeno envelope.
Não via logo a hora de ter toda sua família reunida na mesa de jantar para comemorarem sua primeira ceia juntos.
–Você viu meu celular?
Ela saltou levemente e corou.
–Está no criado mudo.
–O que está aprontando?
Com um sorriso nervoso, Bella escondeu o envelope a suas costas e deu um passo para trás.
–Nada.
–O que está escondendo? – questionou sorrindo malicioso.
–Eu tenho um presente pra você, mas queria te entregar com todos juntos.
Ele assentiu e caminhou até a esposa, aprisionando seu corpo contra a parede.
–Não me importo se você me der ele agora mesmo.
Mordendo o lábio ela suspirou e mostrou o envelope deixando na mão dele.
–Quando pensei no presente não sabia o que te dar, mas aí nosso pequeno sapinho me lembrou que nesse natal ele e você foram meu maior presente, então quis deixar uma marca na nossa vida, na do nosso filho.
Com um nó na garganta Edward abriu o envelope e um pequeno papel grosso branco apareceu. Algumas lágrimas escaparam ao ler as poucas palavras.
–Bella?
–Eu quero que nosso filho seja como você, Edward, que ele seja forte, inteligente, bonito e que me deixe com as pernas bambas quando for super protetor comigo. Quero que o nosso filho tenha o seu nome, que ele se chame Edward Anthony Cullen, assim como o amor da minha vida.
–Bella... Eu... Eu te amo, pequena.
Bella sorriu ao ver seu marido tão emocionado.
A verdade era aquela. Desejava que seu filho herdasse as características do pai, então nada melhor do que carregar o nome dele como prova.
–Também te amo e o nosso pequeno Edward também vai te amar.
–Obrigado por esse presente.
–Só queria algo que significasse muito para nós dois e o nome do nosso filho é, no momento, a coisa mais importante que tínhamos de decidir.
Ele assentiu e a puxou para um beijo inflamado de carinho e desejo. Bella sorriu contra seus lábios e o abraçou pelo pescoço para um melhor acesso aos seus lábios tão tentadores.
Seu beijo era quente, embriagante, forte e dominante, em conjunto com seu cheiro e toque as pernas de Bella se transformavam em gelatina. Seu corpo sempre se rendia a ele como se fosse massa de modelar aos seus cuidados.
Sem ar, Bella se afastou e sentiu os lábios dele cobrindo seu pescoço e busto com avidez. Um gemido escapou quando Edward mordeu seu ombro.
–Tão linda, pequena. – sussurrou em seu ouvido – Toda minha.
–Só sua! – confirmou.
Seus lábios voltaram a se encontrar com um carinho suave e determinado, suas línguas moldando-se para encontrar um ritmo só deles que evidenciava o amor de um pelo outro.
–Estamos no quarto do bebê.
–Ele ainda está dormindo, então me deixa aproveitar um pouquinho, amor.
–Aqui não.
Determinada, Bella afastou o marido e tentou colocar sua respiração sob controle, mas era difícil quando a visão daquele espécime perfeito a sua frente.
–Estou com saudades do seu corpo, Isabella.
–Eu sinto saudades do seu também. – murmurou – Da sua pegada forte, da forma em que você me dominava quando estava na cama, seu corpo cobrindo o meu.
Ela percebeu pelo canto de olho o passo determinado que Edward deu em sua direção. Seus verdes flamejavam de desejo e para provoca-lo, Bella mordeu o lábio inferior e o lambeu em seguida.
–Se lembra de quando fizemos nosso bebê na Itália? – questionou maliciosa – Eu desejava tanto você, Edward, queria tanto ter você dentro de mim que nem me importei com a chuva que caia só pensei em uma determinada parte sua dentro de uma parte minha.
Edward grunhiu e deu mais um passo na sua direção, antes que pudesse aperta-la de novo contra a parede, Bella correu porta a fora rindo até chegar dentro do quarto.
Seu marido ultrapassou a porta como um touro bravo a fechando em seguida, para quem não o conhecesse aquela cena poderia ser assustadora, contudo para aquela diminuta mulher aquilo era cômico, sabia que mesmo no seu extremo ele nunca a machucaria.
–Tire sua roupa e deite-se na cama!
Bella piscou algumas vezes pensando ter escutado errado.
–Agora, Isabella!
Ainda atordoada ela tirou a blusa pela cabeça e expulsou as calças com os pés correndo para se deitar.
Seus olhos brilhavam de ansiedade pelo que poderia acontecer e não esperou muito porque em segundos Edward tirou a camiseta e caminhou até a cama puxando seus tornozelos para ajeitar seu corpo nos lençóis.
Seus lábios roçaram sua perna até chegar a sua coxa e mordeu a pele sensível atrás de seu joelho. Bella engoliu em seco, sua respiração saía aos arquejos e ele nem a tinha tocado intimamente.
As mãos fortes tocaram sua barriga com reverencia para deixar um beijo molhado em seguida. Quando seus dedos traçaram seus seios mais sensíveis e maiores Bella gemeu baixinho.
Seus olhos estavam presos nele, observando cuidadosamente cada movimento que fazia, atenta a qualquer mudança em sua respiração e na simples forma em que seu marido engolia em seco quando soltava um gemido.
–Eu amo como me olha, pequena. Ver o desejo em seu olhar, sentir pela forma em que me toca.
–Sou eu quem ama quando você simplesmente me encara como se fosse à única pessoa no mundo. – sussurrou.
Bella fechou os olhos sorrindo levemente quando Edward mordiscou seu lábio inferior e depois o superior para infiltrar a língua em sua boca, seu beijo foi calmo e ardente, uma amostra dos sentimentos que compartilhavam e que nunca seriam alterados.
–Eu amo você! Amo você!
(...)
O natal é uma época em que Bella sempre tentou evitar, admirava a ideia de que aparecia um bom velhinho benevolente que entregava presentes para crianças que se comportavam durante o ano, era uma boa manipulação para crianças.
Para ela o feriado sempre mostrava que havia esperança e amor, mostrava que a fé sempre precisava ser mantida e nos dias em que a família estava reunida era o momento de renovar os votos de felicidade e preparação para um ano novo.
Seu último natal foi calmo, afinal, estavam ela, Charlie e Renée, Gabe continuava no Iraque e os três não entraram muito no clima natalino, mas durante esse ano sua casa estava cheia, hoje ela sabia que tinha quatro pais maravilhosos, avós, irmãos, cunhados, dois sobrinhos lindos, um marido maravilhoso e seu bebê a caminho.
Ela acreditava que sua sala era grande, mas com tantas pessoas nela, o cômodo parecia diminuído. Todos falando ao mesmo tempo, sorrindo, bebendo vinho e brincando.
–Assustada com esse monte de doido?
Bella sorriu e inclinou o corpo para encostar-se a Carlisle.
–Estou deslumbrada em ver que nossa família seja tão grande e perfeita.
Os braços do homem apertaram a moça em um abraço beijando seus cabelos cacheados.
–Foi um ano interessante, não foi?
–Interessante é um eufemismo. – riu suavemente – Eu diria que foi inesperado.
–Foi o melhor ano da minha vida desde que você nasceu.
–O meu também.
Carlisle se afastou acariciando o rosto delicado.
–Acho que ainda não te disse, mas eu amo você, filha. – seus olhos lacrimejaram – Você foi a realização de um sonho que me recusava a acreditar, eu nunca vou ser capaz de pagar a Charlie pelo que ele fez por você, por ter te protegido quando não fui capaz de fazê-lo.
Secando suas lágrimas com um beijo carinhoso, Bella apertou suas mãos.
–Charlie fez muito por mim sim, não nego, o amo como um pai, assim como também amo você. – sussurrou emocionada – Durante minha adolescência tentei entender porque era tão diferente, por que não me enquadrava em lugar nenhum, e, às vezes, não me sentia bem em torno das pessoas que mais me amavam e isso me incomodou muito porque parecia ingratidão a eles... Mas eu conheci vocês, meus pais, minha família e tudo fez sentido. O problema é que eu não estava completa porque me faltavam vocês e hoje sim estou feliz, estou... Eu... Estou bem e não quero que esse sentimento, que essa complacência mude nunca.
–Se depender de mim não vai mais.
Ela assentiu e o abraçou forte sentindo seu bebê mexer.
–Está tudo bem aí?
Bella deu um sorriso para Edward e foi até ele beijando suavemente seus lábios.
–Tudo perfeito.
–Você não está no meio do pessoal curtindo a festa, estranhei.
–Eu e o meu pai estávamos conversando um pouquinho. – ela piscou para Carlisle que sorriu enormemente.
–Não se esqueça que essa menina antes de ser sua mulher é a minha filha, moleque, e eu tenho mais privilégios que você.
–Podemos ver quem tem mais privilégios em uma boa luta, velho. – brincou erguendo os braços em sinal de combate.
–Vai achando que estou velho que te coloco no chão com um só golpe.
–Tudo bem. – Bella os interrompeu – Já chega de testosterona Cullen.
Com um riso Edward a levou até a sala sentando na poltrona e a puxando para seu colo.
–Encontrei a nossa fugitiva.
–Bella gosta de se esconder durante o natal, Edward. – Charlie o alertou – Se acostume.
–Quando era pequena se enfiou dentro do armário porque não gostava do Papai Noel.
–Só nunca achei interessante e prudente um velho que fazia as crianças sentarem em seu colo para ganhar presente, qual ele pegava em um saco. – deu de ombros – Pra mim aquilo se assemelhava a pedofilia.
Todos riram e Bella fez uma careta.
–Uma filosofia bem ao estilo de Emmett, só prova que não se deve negar o sangue. – Alice brincou.
–Mas também era bem animada quando adolescente, – Gabe provocou – conseguia ter energia para jogar baseball comigo e ainda derrubar muitos idiotas, essa menina tem um gancho de direita potente.
–Cortesia de Charlie Swan. – ergueu sua taça de suco – Mas não sei por que todo esse interesse em falar sobre os meus desastres.
–Natal é para ressaltar as qualidades dos membros familiares, querida.
Bella abriu um sorriso doce para Sophie, como adorava ela e Robert.
–Vovó, eles estão colocando todos os meus defeitos e não minhas qualidades.
–Isso é porque irmãos nunca falam das qualidades das irmãs caçulas. – Emmett piscou – Já basta ter dois marmanjos com minhas irmãs no colo e alguns correndo atrás, então não precisamos dizer que elas são lindas, inteligentes, carinhosas e tudo mais, só falamos o fato de serem chatas, irritantes, acordam com o cabelo nas alturas e com a maquiagem borrada.
Gabriel concordou solenemente.
–Imagina para um pai então? – Charlie disse com desgosto – Você cria, coloca nas melhores escolas, universidades, mostra o que é bom e ruim; certo e errado; aí ela se casa com o primeiro namorado, que é um pivete, topetudo e convencido.
–Sobrou até para nós, Edward. – Jasper suspirou falsamente triste e abraçou Alice mais forte beijando seu pescoço.
–Charlie me ama, por isso fala esse tipo de coisas.
–Minha arma também te ama. – alertou.
Os rapazes riram e Bella também não pode deixar de soltar um riso, desconfiava que seu marido e a arma do pai haviam tido uma boa conversa e era cômico imaginar a cena.
–Vocês homens são muito territoriais, — Renée negou com a cabeça – até parece que você também não teve uma conversa bem longa com o meu pai, Charlie. Se você bem se lembra ele era um fuzileiro naval e tinha uma coleção de armas.
O juiz estremeceu visivelmente se recordando do primeiro encontro com o sogro. Aquele velho era louco.
–Já existiu alguém pior que o papai? – Bella questionou inocentemente.
–Seu avô era tenente na guerra do Vietnã e acreditava que os homens precisavam ter uma noção de como proteger suas mulheres, obviamente seu pai precisou aprender com ele.
Gabe riu se levantando do tapete felpudo no centro da sala onde seu filho permanecia brincando com o cachorro da irmã.
–Algum dia você: Gabriel, Jasper e Edward terão filhas e saberão sobre o que estou falando, mas a você Emmett que já tem a sua te dou um só conselho: compre uma arma e de alto calibre.
O grandão assentiu e terminou de beber sua taça de champanhe.
–Já tenho uma, Charlie, mas agradeço pelo conselho. Meu pai falou a mesma coisa quando Liv nasceu.
Rosalie ergueu a sobrancelha como se questionasse a informação e Bella riu sabendo que seu irmão havia acabado de se meter em problemas.
–Sem conversa sobre armas no natal, por favor, — pediu rindo – até porque aqui somos todos adultos e casados, então pai 1 e pai 2, podem parar de ameaçar nossos maridos, assim como vocês dois. – apontou para Emmett e Gabriel – Vou dar uma olhada no jantar.
Esme, Renée, Alice e Rosalie a seguiram para a cozinha rindo dos modos primitivos dos homens. A pequena Liv estava no seu colo enquanto Esme terminava de colocar as travessas na mesa.
Sua sobrinha era linda e sua beleza só aumentava com os dias, seus olhos azuis para Bella pareciam com luzes fluorescentes maravilhosas e sentir o pequeno e delicado corpo em seus braços só aumentava a vontade de sentir logo seu pequeno Edward no colo.
Pensar nele o fez se movimentar como um jogador de futebol, seu menininho ciumento, assim como o pai.
–Como foi na última consulta com o obstetra?
Bella deu de ombros e beijou o pescoço de Liv, ganhando um pequeno suspiro satisfeito pelo ato.
–Finalmente minha pressão se estabilizou, ainda não posso fazer extravagancias, mas qualquer risco já passou.
–Sapinho está muito grande, ele falou alguma coisa sobre isso? – Renée a questionou posicionando as garrafas de vinho.
–Não sei se vocês repararam, mas Edward tem um metro e noventa. – pontuou sarcástica – Não é como se o bebê fosse nascer pequeno e sinceramente estou morrendo de medo do parto. Como é que uma criatura desse tamanho vai sair pela minha...
–Você o colocou aí, — Esme a interrompeu — agora aguenta.
–Sou obrigada a dizer que essa é a parte menos divertida.
Ela fez uma careta enquanto as meninas riam, talvez optasse pela cesariana.
A ceia se passou com todos falando ao mesmo tempo e rindo de histórias aleatórias sobre as ceias passadas.
Edward estava sentado na ponta da enorme mesa e Bella a sua direita rindo corada dos comentários maliciosos que ele ocasionalmente dizia em seu ouvido. No começo ficou horrorizada com o conteúdo de suas conversas, mas depois de minutos podia dizer, claramente, que não se importava.
Carlisle e Charlie discutiam levemente sobre o último jogo da liga, ambos defendendo seus times do coração como se fosse uma discussão política de extrema importância e não poderia ser feita em outra ocasião. Esme e Renée falavam sobre a comida e o que poderiam fazer para o almoço no dia seguinte.
Alice, Rosalie e Maggie conversavam sobre as melhores lojas de Nova York, o que arrancou uma careta de Bella, já imaginando que elas a puxariam para mais uma tarde congelante de compras. Previa que viraria um picolé nas próximas semanas.
Aquelas pessoas loucas, briguentas, fanáticas por compras, e amorosas era a sua família, sua família completa e perfeita, mesmo com seus problemas.
Não mentira para Carlisle, crescer com Charlie e Renée foi maravilhoso, mas ter todos agora se mostrava um sentimento que nunca sentiu antes e passaria o resto da vida alimentando essa sensação boa.
A troca de presentes não pode ser diferente, todos querendo ganhar e dar seus presentes primeiro, Bella deu o presente de Danny e Liv primeiro, já que eram, por enquanto, as únicas crianças da família, para seu sobrinho deu um trenzinho de madeira trabalhada a mão e para a bebê uma boneca de pano antiga.
Foi só as crianças abrirem seus presentes que os adultos também caíram nos pacotes abrindo juntos, ela não fez questão de abrir os muitos que recebeu, preferiu abrir os do bebê que variaram de roupinhas a brinquedos. Bella riu quando encontrou dois conjuntos de times de baseball, um branco com detalhes vermelhos do seu time favorito, Red Sox, e outro branco e azul de Carlisle que mostravam claramente o nome dos Yankees.
Logo seus pais começaram outra discussão sobre para qual time seu neto torceria, a cena era engraçada, ver aqueles dois velhos turrões resmungando sem ninguém conseguir entender sobre o que falavam.
Seu olhar se ergueu para quando Esme pegou o pacote retangular que ela fez questão de montar durante seu tempo em casa.
Um sorriso se abriu em seu olho com a testa franzida que sua mãe biológica fez ao analisar a capa grossa rosa que tinha várias colagens de pontos turísticos. Deixando de lado foi se sentar ao seu lado e apertou sua mão abrindo para mostrar a primeira página.
A mulher mais velha arfou audivelmente quando viu a primeira foto, era um álbum. Cuidadosamente passou de pagina a pagina, acariciando cada nova foto, cada descoberta sobre a filha.
–Achei que você gostaria de ver todas as encrencas que consegui me meter. – deu de ombros – Foram inúmeras.
Esme a puxou para um abraço murmurando agradecimentos em seu ouvido, esse havia sido um dos melhores presentes que ganhara na vida.
Naquele álbum tinha todas as aventuras que Bella havia feito na vida, seus desastres registrados, desde seu primeiro dia no MIT, seu primeiro projeto, suas viagens, feiras de exposições, as medalhas e troféus que ganhou e os inúmeros hematomas por querer desafiar alguma lei básica da física.
–Obrigada. Eu queria tanto estar com você em cada uma dessas fotos.
–Estamos juntas agora. – resmungou segurando o choro – É isso o que importa.
–Sim, o que importa é o agora.
–Não vai abrir seus presentes, pirralha.
Bella fez uma careta e se segurou para não mostrar o dedo do meio para Gabe, com certeza, levaria uma bronca por tal ato obsceno.
Suspirando foi até ele puxando com um pouco mais de força o pacotinho quadrado que lhe estendeu. Balançou o pacotinho estranhando o barulho.
–Não balança, sua louca.
–Vai se ferrar, Gabe.
–Vocês dois parem agora. – Alertou Charlie – Sem brigas no natal.
–Sim, papai. – disseram em uníssono.
Assim que Charlie virou as costas Bella mostrou a língua para o irmão, que se resignou a rir. Seu presente era delicado, um conjunto de brincos de pedras negras e verdes em uma combinação perfeita cheia de detalhes e que parecia ter sido talhado à mão.
–Obrigada, Chatonildo.
Dessa vez foi Gabe quem lhe deu a língua, mas logo em seguida a puxou para um abraço.
–Por nada, pirralha.
O restante dos presentes foram pequenos e significativos, um pingente de Charlie e Renée, pares de sapatos de Alice, desde que o último presente de Emmett a deixou algemada na cama o envelope dele foi o que Bella mais relutou em abrir, mas para sua surpresa não pode conseguir conter o riso.
–Uma cadeira de massagem? – questionou sorrindo.
–Acredite em mim, você vai precisar, ainda mais quando não for capaz de ver seus pés, essa cadeira vai relaxar você e nem se lembrará do motivo de estar zangada.
Com um novo sorriso ela concordou.
O presente de Esme e Carlisle era uma caixa de madeira parda e grande, logo se lembrou do conselho que sua irmã lhe dera há alguns dias para não fazer alarde com o presente do pai, isso não deveria ser um bom sinal. Curiosa abriu e franziu a sobrancelha tirando a folha de seda que cobria a segunda abertura. Arfou audivelmente com a quantidade de joias caras e lindas que encontrou.
–Você é Melanie Cullen, — Carlisle começou suavemente – assim como Emmett e Alice tem uma parte de tudo o que nos pertence você também o tem e isso o que está em sua mão garante essa igualdade.
Bella ficou sem palavras por alguns segundos e olhou do tesouro em sua mão para os pais biológicos que continuavam a sua frente.
–Não é um pouquinho demais para um presente de natal?
–É seu, querida, sempre pertenceu a você, e, essa é a nossa chance de fazer isso real. Essas joias estão na família desde sempre e preparamos essa caixa desde que você...
Ela não conseguiu terminar o pensamento e também não era necessário.
–Esme, eu não...
–Nada disso.
–Mas...
–Isabella Marie Swan!
Droga, até Charlie iria entrar nessa?
–Certo, tudo bem. – bufou – Mas não vou precisar de nenhum presente mais pelos próximos... cem anos?
Eles riram e a puxaram para um abraço em grupo que tirou o ar dos seus pulmões.
–Tio Edward não ganha presentes? – Daniel questionou com metade do corpo meio adormecido em cima de Red que também ronronava em frente a lareira – Ele foi um mau menino esse ano?
Bella riu e foi até o sobrinho acariciando seus cabelos negros e finos.
–Tio Edward foi um menino muito bom, o presente dele já foi entregue essa manhã.
Seu marido deu um sorriso e uma piscada que ela ignorou.
–O que ele ganhou?
–Um presente maravilhoso, Danny. Foi o melhor da minha vida.
–E o que foi?
Edward circulou a cintura de Bella e beijou sua testa.
–Posso dizer, pequena?
–Claro.
Ele se virou para o resto da família com um enorme sorriso no rosto.
–Escolhemos o nome do bebê.
–Qual é? Vai se chamar Carlisle igual o seu avô, não é?
–Obvio que não, ele vai se chamar Charles, um nome imponente, forte.
Novamente os dois começaram uma discussão sobre o nome do sapinho que fez com que Bella rolasse os olhos para ambos.
–Ele vai se chamar Edward Anthony Cullen, assim como o pai. – soltou calmamente fazendo-os parar imediatamente.
–Você poderia ser mais criativa. – Charlie resmungou e Carlisle concordou solenemente – Ter dado um nome mais original talvez.
Bella riu e se apertou ao marido bocejando.
–O nome é perfeito, assim como os dois homens da minha vida.
–Tem gosto pra tudo. – comentou Emmett.
–Edward ficou com o melhor presente. – Rosalie comentou.
–Você nem faz ideia. – murmurou com um sorriso de lado.
No fim da noite todos saíram juntos com abraços de felicitações e beijos de despedida.
Não havia duvidas de que aquele dia foi mais que perfeito e deitando no peito de Edward com seu filho mexendo suavemente em sua barriga Bella tinha certeza de que não precisava de nada mais porque tudo de valor já estava em seus braços com ela.
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