O Que Somos
78 Capítulo 75
Capítulo 75
Edward acordou confuso e um pouco desorientado, por reflexo suas mãos procuraram por Bella e puxou seu corpo até que ela estivesse completamente rente a ele.
Não compreendia o motivo de ter sido desperto as três horas da manhã, mas só em estar ali, naquela cama quente, com sua esposa, a mulher que mais amava na vida e que carregava seu filho já acalmava todos os temores do seu coração.
Ainda parecia impossível que em um ano ele tivesse alcançado tantas coisas maravilhosas, em meses sua vida havia sido totalmente completa por uma menina de cabelos castanhos e olhar doce que o tomou mesmo antes de nascer.
Nunca acreditou em almas gêmeas, nunca fez o estilo de homem que colocaria o seu mundo ordenado a baixo por conta de um sentimento, jamais fizera isso por ninguém, por nenhuma das mulheres que conheceu, mas bastou um olhar para Isabella e nada mais fez sentido, seu coração, seu corpo e sua mente se conectou com a dela e não sossegou até que plantasse um filho em seu ventre e uma aliança no dedo.
Hoje, mesmo com as inúmeras preocupações rondando sua mente, ter poucos e felizes momentos com ela já compensava qualquer sofrimento.
Bella resmungou ao seu lado e pode sentir o leve movimento contra suas costelas, seu menininho começava a acordar no seu horário habitual. Um sorriso se abriu em seu rosto quando tocou o local onde uma pequena protuberância se concentrava.
Com cuidado, se afastou da esposa e beijou sua barriga.
–Vá dormir, rapaz. – sussurrou contra a pele – A mamãe está cansada e precisa descansar um pouquinho e você sendo um teimoso como ela tem que entender que se dorme durante a noite.
Um chute mais forte fez um sorriso maior aparecer em seus olhos.
–Prometo que depois que você nascer poderemos caminhar todas as noites, só eu e você, mas agora, você precisa entender que a mamãe também tem que descansar.
Depois de poucos minutos de conversa seu pequeno sapinho se acalmou e ele voltou a se aconchegar contra o corpo da esposa.
Por algum motivo não tinha sono, se sentia estranhamente inquieto.
Foi conseguir deixar a cama depois das sete, neve caía insistentemente sobre o jardim deixando tudo o que sua vista poderia alcançar branco. As ruas estavam intransitáveis, perigosas demais para os poucos corajosos, então a maior parte do seu trabalho era feita no escritório em casa, o que agradecia imensamente porque poderia passar mais tempo com a esposa.
As pendencias que tinha no trabalho estavam finalizadas, contratos importantes assinados, acompanhamentos em dia, não podia negar que tudo se encontrava nos eixos, era a primeira vez que não precisava dar uma ordem para que entendesse a forma que negociava.
Sua vida profissional andava perfeitamente agora que a pessoal também começava a se endireitar, o único empecilho no seu caminho era James e iria tratar dele o mais breve possível, apenas saber que aquele monstro respirava o mesmo ar que Isabella o enfurecia, o verme não merecia nem andar sobre a Terra, mas o que ele merecia viria no momento certo.
Ter de conviver diariamente com as ameaças dele, a pressão de ser um empresário de respeito, responsável por milhares de pessoas, marido e em breve pai, simplesmente o fazia acreditar que merecia um mundo mais pacifico para seu filho e o filho das pessoas que não conhecia, então cuidar para que um criminoso ficasse fora das ruas era o seu dever como cidadão.
Uma batida na porta o tirou de seus pensamentos, seu olhar foi atraído para o relógio digital que ficava em cima da mesa de madeira e se surpreendeu notando que já estava na hora do almoço. Suspirando gritou para que a pessoa entrasse.
Um sorriso se abriu em seu rosto e suas preocupações foram todas expurgadas quando viu Bella entrar no seu escritório vestindo sua camisa com calça de moletom e o cabelo solto, seus olhos ainda estavam nebulosos, provavelmente, acabara de acordar.
–Bom dia, pequena.
–Oi, tigrão.
Se levantando, caminhou até ela e a abraçou deixando um longo beijo em seu pescoço. Adorava o cheiro dela, amava o calor do seu pequeno corpo contra o dele e ainda mais os suaves movimentos que seu filho fazia quando perto.
–Faz tempo que acordou?
–Não. – fez um bico – Estou dormindo mais que a cama, nosso pequeno Edward me deixou descansar e aproveitei.
Ele riu e a puxou para se sentar em seu colo no espaçoso sofá de couro negro que tinha no canto. Suas mãos acariciavam suavemente sua cabeça em um cafuné delicioso. Como se fosse uma gatinha, Bella se colou mais ao marido e suspirou adorando o carinho.
–É bom que durma bastante porque em algumas semanas ele começará a se mover para entrar em posição de parto e crescerá mais um pouco.
Uma careta apareceu em seu rosto. Ela hoje completava trinta e uma semanas de gestação e mal conseguia enxergar os pés, engordava um pouco mais a cada dia, assim como o bebê. Antes de engravidar ninguém havia dito que uma mulher poderia mudar tanto de tamanho, havia momentos que se sentia como um Godzilla querendo destruir a cidade de Nova York. Sempre que comentava isso com Edward ele se irritava e tratava de mostrar que não a via assim, coisa que agradecia porque não saberia o que faria sem seu apoio.
Isso sem falar das mudanças hormonais, em momentos ria alegre, para segundos depois se debulhar em lágrimas sem motivo algum.
Mesmo enfrentando problemas com o peso, hormônios, descobertas e o medo irracional de falhar como mãe, a expectativa de ter seu filho nos braços em menos de três meses enchia seu peito de ansiedade e alegria.
–Dr. Caius me passou uma dieta nova e os exercícios tem ajudado bastante, mas caminhar em uma esteira não é a mesma coisa que passear no jardim com o Red, me sinto presa ficando tanto tempo em casa.
–Poderíamos ir para um lugar mais quente, então. – sugeriu beijando seu rosto – Talvez para o vinhedo, lá conseguiríamos caminhar e conhecer lugares novos.
–E o trabalho?
–Você está afastada e eu posso cuidar de tudo por vídeo conferencia, afinal, já faço isso daqui.
Bella fez um bico pensando nas possibilidades da sua proposta, não seria ruim ficar longe dali, aproveitaria para acalmar o bebê e conseguiria deixar por alguns dias o clima tenso que viviam por conta daquele que não queria mencionar.
–Se convidássemos meus pais e meus irmãos, será que eles iriam?
Edward riu com a forma que ela abaixou o olhar e brincou com a ponta da camisa, seu lábio inferior firmemente preso entre seus dentes, essa cena o fazia lembrar de quando era um menino e tentava de todas as formas possíveis fazer a alegria da sua pequena prima.
–Levamos até os esquilos do Central Park se for o seu desejo, amor.
Com um salto ela se levantou do colo dele.
–Vou ligar pra minha mãe para avisar dos nossos planos agora mesmo.
–Ótimo, então vou avisar ao Riley para que remarque minhas reuniões.
Assim que a esposa deixou seu escritório pode se deixar analisar um bom plano, com ela longe e segura conseguiria lidar com o pequeno problema que sempre aparecia no seu caminho, eliminaria esse obstáculo de uma vez por todas.
Em menos de uma hora sua casa estava cheia, todos falando ao mesmo tempo planejando a viagem e tentando encontrar uma forma de acomodar tantas pessoas no casarão em Veneza, seria a primeira vez que conheceriam o vinhedo e seria logo na época em que se iniciava o plantio.
Em um canto mais reservado os homens conversavam a base dos sussurros, com sorrisos nos rostos, mas a expressão séria.
–O avião vai sair daqui às duas horas da tarde, então não poderemos nos atrasar. – Carlisle falou sério – A partir do momento em que você fizer isso não terá volta.
–E que opção eu tenho? – Edward grunhiu – Não posso permitir que meu filho nasça em algumas semanas com uma ameaça já o rondando.
–Mano, já te disse que estou contigo pra tudo, aquela menina é minha irmã e faria de tudo por ela.
–Valeu, Emm.
Os olhos escuros de Gabriel fitaram os do cunhado.
–Minha decisão foi tomada quando aquela menininha entrou na minha vida, nem precisava pedir meu apoio.
–Eu cuido para que Bella não se preocupe com você. – Charlie decretou coçando o bigode – O resto é com vocês.
–Eu vou deixar tudo da viagem preparado, Félix irá com você, em momento nenhum ele sai do seu lado, isso não é um pedido. Você terá vinte minutos e nada mais, o tempo é cronometrado.
Jasper entregou a Edward um aparelho celular e piscou para Alice quando ela sorriu em sua direção.
–Não se esqueça que não pode deixar rastros do que irá fazer.
–Vou deixar mais do que rastros, quero deixar uma marca bem grande para que sempre que aquele homem se olhe no espelho possa se lembrar de com quem ele está brincando.
–Só se cuide para não ficar como ele, filho. – Carlisle alertou – Não queremos vingança, apenas, justiça, mesmo que em meios termos.
–O que tanto vocês conversam fazendo tantas caretas?
Simultaneamente todos os homens sorriram inocentemente.
–Estávamos comentando sobre o jogo da liga. – Charlie suspirou – Sox irá jogar contra os Yankees e Carlisle acha que poderá ter alguma chance contra nós.
Bella riu quando se viu puxada para os braços de Edward, as mãos grandes e fortes tocando sua barriga.
–Vocês tem que parar de se comportar como dois velhos turrões, discutem por tudo.
–Como se eles já não estivessem velhos. – Gabe brincou – Eu estava só garantindo que eles não se matassem, afinal, o grandão também é um yankee.
–E você um perdedor. – Emmett provocou.
–O uso de esteroides cria efeitos negativos no corpo, como médico te aconselho a parar de usa-los antes que acredite ser possível que seu time vença o meu.
Ela rolou os olhos e fez um gesto com as mãos para os homens da sua vida.
–Chega os dois, por favor. Ambos estão dentro da minha casa e não quero discussões idiotas sobre baseball, ainda mais com meu filho presente.
Os homens mais velhos bufaram quando Bella se aconchegou mais no corpo do marido e saíram resmungando em conjunto sobre aproveitadores de filhas caçulas, assim como Gabe e Emmett.
Quando estavam em um ponto isolado da casa, Edward puxou o corpo da esposa até ele e colou seus lábios com carinho. Seus dentes prendendo o lábio inferior da moça para depois suga-lo com carinho. O beijo foi suave e delicado, cuidando para que através desse contato mostrasse a ela o quanto a amava.
Ao se separarem, estavam arfantes, Edward beijou o pescoço de Bella sentindo-a estremecer sob seu contato.
–Amo você, Sra. Cullen.
–Também amo você, Sr. Cullen.
–Decidiram quando viajaríamos?
–Depois de amanhã, aí temos um pouco de tempo para preparar tudo aqui e Mariza lá.
–Excelente, eu tenho um presente pra você quando chegarmos.
–Eu gosto de presentes.
Rindo a puxou para mais perto acariciando seu rosto.
–E eu de presentear você.
Passos soaram próximos ao local onde se escondiam e ele suspirou triste, o lado ruim de ter a família por perto era ser interrompido nos momentos mais inoportunos, como quando, praticamente, enlouquecia de vontade de tomar sua esposa do modo em que desejava e no primeiro lugar que encontrasse.
De costas para a pessoa que se aproximou, suspirou e beijou o rosto de Bella.
–Tia, se não for nada muito importante, gostaria que não nos interrompesse.
–Edward. – Bella ralhou constrangida. – Não estamos fazendo nada demais, mãe.
–Porque fomos interrompidos.
Bella deu um tapa em seu braço e se esforçou para se soltar do agarre de aço dele, qual foi prontamente impedido. Cansada de lutar contra Edward, ela desistiu e suspirou se esforçando para enxergar por trás do seu corpo.
–Qual o motivo da interrupção, tia?
–O almoço será servido e faltam apenas os dois.
–Estamos indo.
–Não demorem ou mando Carlisle vir busca-los.
Com uma careta ele soltou a esposa aproveitando para roubar mais um beijo.
–Você não deveria ter falado aquilo para Esme.
–Não disse nada, meu anjo. – sorriu inocentemente – Apenas ressaltei o fato de não termos um segundo de paz quando estão por perto.
–Seu conceito de paz não se enquadra no correto, marido. – zombou ficando na ponta dos pés para alcançar seus lábios – Talvez devesse tentar fazer uso de outra expressão.
Com o rosto pensativo, Edward a abraçou pela cintura erguendo seu corpo com facilidade.
–São um bando de Empata Foda. Sempre nos atrapalhando enquanto tentamos avançar o nível, parece que existe um radar neles, toda vez que estamos aproveitando o momento alguém aparece.
–Nunca pensou que eles aparecem porque estão por perto e não temos sido discretos o suficiente?
Ele rolou os olhos antes de erguê-la no colo enquanto caminhava em direção à sala de jantar, todos estavam sentados à mesa conversando, mesmo querendo, não conseguia ficar chateado ou irritado. Aquela era sua família, sua imensa família.
Deixou Bella na sua cadeira e tomou seu lugar, com todos ali, deram as mãos para uma oração antes de se servirem. Carlisle fez a curta prece, pedindo por paz, saúde e proteção para todos, ainda mais pelos seus pequenos netos.
Como os anteriores, o almoço seguiu recheado de conversas, risos e brincadeiras, eram uma grande família, que juntos se tornavam invencíveis e essa seria sua frente quando Edward fosse ter uma pequena conversa com James, seu intuito era apenas fazê-lo desistir de seus planos doentios e fazê-lo pagar por tudo o que fez com uma criança indefesa.
Desde que Bella havia contado sobre seu passado, havia jurado a si mesmo que encontraria o cretino e se livraria dele, daria um jeito de acabar com ele e assim seria. Não permitiria que um doente colocasse as mãos nela ou no seu filho, mesmo que desse sua vida para que isso acontecesse.
Na manhã seguinte suas bagagens já estavam prontas, Heidi tinha arrumado tudo e os protocolos de segurança foram repassados antecipadamente já pensando em qualquer imprevisto. Não queria ser pego de surpresa.
Foi mais uma noite insone, suas preocupações o impediam de racionalizar corretamente e detestava esse sentimento de impotência.
Deixou um beijo na testa de Bella quando se levantou e foi tomar um banho quente, o dia amanheceu sem nevar, então era um bom sinal para que cumprisse o mínimo da sua rotina.
No caminho a empresa, tratou de fazer alguns telefonemas pendentes, contatou seus advogados para saber se aparecera alguma novidade que conseguisse levar James de volta a cadeia, contudo, a resposta continuava a mesma, ele continuaria em condicional até o julgamento no fim de março.
Riley tinha deixado tudo pronto quando colocou os pés em sua sala na 5th Avenue, admirou a vista para a rua que aprendeu a admirar e respirou fundo. Hoje tomaria o controle em suas mãos, retomaria sua vida e ninguém o impediria.
Fale com o autor