O Que Somos
69 Capítulo 66
Capítulo 66
Bella sorriu quando pegou sua sobrinha no colo, a pequena Olivia Rosalie Cullen era linda. Suas bochechas rosadas, os grandes olhos azuis e os poucos cabelos loiros que estavam com um laço rosa.
Era impossível não ficar alegre com aquela pequena criaturinha inocente em seus braços, Emmett fez questão de que ela fosse a primeira a entrar no berçário para ver sua pequena e havia de confessar que se apaixonou a primeira vista, a sensação de segurar um recém-nascido nos braços só aumentava sua vontade de ter o seu bebê também.
–Ela é tão linda. – sussurrou para o grandão – Se parece com Rosalie.
–Espero que a personalidade dela seja como a minha, não vou aguentar duas mulheres controladoras dentro de casa. – brincou – Sinto que vou explodir de felicidade, irmãzinha.
–Não é por menos, grandão. Você ganhou um belíssimo tesouro.
–Ganhei vários tesouros nos últimos meses. Você também está na lista, onde eu poderia imaginar que a menina que eu busquei no aeroporto quando se mudou seria a minha irmã? Você é um presente e um tesouro pra mim, não importa que seu nome tenha mudado, que seu rosto não seja o mesmo que carregue em minha mente ou que não tenha a visto se tornar essa mulher fantástica. Você sempre vai ser minha irmã amada.
A voz de Emmett se prendeu na garganta e ele engoliu o choro, aquelas palavras precisavam ser ditas desde que seus pais contaram que haviam descoberto toda a verdade, ele precisava garantir que nada poderia se interpor no caminho da felicidade da sua irmã, nem mesmo os seus pais, amava aquela menina desde sempre e a protegeria, compensaria o tempo que ficaram longe um do outro.
Bella deixou a pequena Liv no berçário e abraçou Emmett, passar a tarde com eles e saber de seus sentimentos trouxe um pouco de paz para seu coração, amava aquele grandão de sorriso fácil, o havia amado desde que vira seu rosto e escutou suas piadas sem graça.
–A melhor decisão da minha vida foi ter aceitado vir para Nova York, não me arrependo de nada que fiz, mesmo que tudo ainda esteja uma enorme bagunça, sei que estou no lugar certo e no momento certo, o resto resolvemos com o tempo.
–Assim espero porque amo a mamãe e o papai, quero que tudo dê certo, contudo entendo o que você sente e sempre vou respeitar suas escolhas.
–Fico feliz em ter o seu apoio, Emm, assim como o de Allie. – ela mordeu o lábio e suspirou – Eu amo mesmo Esme e Carlisle, acho que eles precisam de um tempo para pensar, assim como eu, então não vou forçar uma situação que está fora do meu controle, quando eles souberem como agir estarei aqui.
Ele concordou e beijou seus cabelos voltando para a sala de espera, fazia quase meia hora desde que levaram sua bebê para o berçário e era permitida apenas uma visita de cada vez.
Bella sorriu para Edward quando ele a viu voltar para os seus braços, com ela presa em sua cintura deu alguns tapas nas costas de Emmett o parabenizando, em poucos meses também teria a felicidade de ter seu filho em seus braços.
–Estou cansada. – Bella sussurrou ainda agarrada ao marido.
–Também estou. Vou me despedir do pessoal e depois vamos para casa.
Ela concordou com a cabeça olhando Esme e Carlisle de longe, queria ir até eles, mas não poderia ceder ao que eles esperavam, infelizmente, eles viam nela apenas a filha sequestrada, não enxergavam que aquela garotinha fora mudada e talvez nem existisse mais dentro de si. Doía que os Cullen quisesse a mudar de tal forma que a deixou sem chão e o pior era as atitudes deles com Charlie e as de Charlie com eles.
Chefe Swan tinha sido o único que ficou com ela desde o começo, o homem que acreditou que poderia ser salva, ele lhe deu um lar e uma vida, foi graças a seu amor que era a mulher que eles viam hoje e não mais uma estatística de crianças mortas, mesmo que a atitude dele tenha sido um enorme fator para o sofrimento deles.
Todos estavam errados, não existia ninguém naquela história que tinha as mãos totalmente limpas e acima de tudo entendia e aceitava isso, pra ela não importava mais o passado, ele já ficou para trás a muito tempo, agora só precisavam encarar o futuro e as possibilidades do que poderia acontecer eram imensas e não dependia apenas de si.
Assim que chegou em casa tirou o casaco e foi para o banheiro, o cheiro de hospital estava em suas roupas e odiava aquilo.
Edward a encontrou dentro do Box e sorriu ao encarar sua esposa com os pensamentos longe enquanto se ensaboava, seu olhar foi atraído para seu ventre e um sorriso maior se abriu involuntariamente em seu rosto. Como era possível amar tanto uma mulher desde sempre?
Agora era capaz de entender porque mulher nenhuma foi capaz de atrair sua total atenção, seu coração já estava conectado com o dela e se pertenciam, nunca houve chances para ninguém na vida de ambos, o destino os havia mantidos presos e não adiantava lutar contra, eram almas gêmeas.
–Vai ficar aí só olhando?
–Estou admirando a minha linda esposa, Sra. Cullen. – riu indo até ela e encostou-se à porta do Box de vidro.
–Não vai se banhar?
–Vou, mas não com você aí dentro porque se o fizer não sairemos tão cedo do chuveiro e tenho que te colocar na cama.
Bella rolou os olhos e desligou o chuveiro se enrolando na toalha aquecida, estava exausta demais para tentar convencer Edward.
Como todas as noites, ele a colocou na cama e acariciou seus cabelos até que o sono vencesse.
Depois que teve certeza que Bella dormia profundamente, Edward tomou um longo banho e foi até o quarto ao lado, precisavam começar a comprar os móveis do bebê, escolher os nomes e tudo mais, todas as noites ia até ali, aquele quarto significava esperança, mostrava que sua prioridade era aquela menina forte qual entregou seu coração.
Pelo que o médico disse no próximo ultrassom se o bebê colaborasse poderiam ver o sexo e estava ansioso com essa perspectiva, sentia que seria um menininho, mas também ansiava por uma garotinha de cabelos chocolate e personalidade difícil, mas não importava qual o sexo do seu filho, o amaria completamente.
Talvez agora com o nascimento da sua sobrinha as coisas finalmente entrassem no eixo, não suportava mais ter que servir de intermediador entre as atitudes dos tios e sua proteção com Bella. Para ele, todos estavam errados. A única pessoa em quem deveriam se concentrar era aquela menina em sua cama e nenhum deles pensou nela quando tomaram suas decisões egoístas. Não pensaram em como ela se sentiria.
Foi uma surpresa que ela aceitasse seu passado tão bem, certo, sabia que ela amava seus tios, contudo sempre que tocava no assunto dos pais biológicos ela se retraia tão rápido quanto um raio, pensou que quando contasse a verdade seria ela quem teria a pior reação e tudo aconteceu terrivelmente ao contrário.
Cansado do dia interminável foi para a cama e a abraçou o mais apertado que conseguia, não a deixaria sair de seus braços, não era tolo para permitir que os erros dos outros caísse sobre si.
Não saberia dizer quando dormiu, mas foi desperto por sussurros e murmúrios indecifráveis. De inicio, pensou que Bella estava tendo um pesadelo e riu quando compreendeu a razão de seu sonho.
–Me dá, Edward. – se mexeu em seus braços – Eu quero chocolate... Morangos... Não leva.
–Não vou tirar seus chocolates, pequena. – murmurou pra ela.
–Me devolve, amor.
–Eles estão aí. – retrucou beijando seu rosto.
–Quero lamber o chocolate do seu corpo.
Droga, suas palavras fizeram seu amigo acordar na hora.
Completavam alguns dias que não faziam amor e ela falando esse tipo de coisas em seu sono não ajudava em nada.
–Me deixa te lamber, Edward. – ela gemeu baixinho mesmo em seu sono se esfregou contra ele – Por favor, amor.
Sem se conter beijou o pescoço dela e suas mãos acariciaram seus seios descobertos, eles mal cabiam em sua mão e estava mais sensível ao seu toque.
Bella gemeu e empurrou seu corpo em direção das suas mãos procurando pelo contato mais intimo iminente, como o bom marido que era, Edward traçou cada canto do seu busto e beijou seu queixo.
–Eu quero te chupar, Edward.
Ele estava convencido que iria gozar nas calças como um fodido adolescente só por ouvi-la falar o que queria fazer com ele ainda dormindo. Se sentia um aproveitador nessa situação.
Com a mente nublada a acariciou com as pontas dos dedos até chegar em sua intimidade, surpreendentemente ela estava molhada, praticamente implorando por ele.
Bella estava em um sonho quente, muito quente, Edward havia amarrado suas mãos com uma gravata e derramava chocolate morno em sua pele para depois lambê-lo até o ponto de deixa-la louca e pedindo por mais.
O ponto alto foi quando ele a provocava com morangos, mordendo a ponta para depois passar por seus lábios, nunca deixando que ela mordesse, era uma tortura sensual que não conseguia lutar contra. Queria a boca dele contra seu corpo, queria sua boca contra o corpo dele, queria tudo.
Pensou que morreria quando ele a tocou, seu corpo todo se arqueou quando um dedo dele a penetrou, não sabendo como lidar com toda aquela sensação fechou firmemente os olhos e quando os abriu o encontrou acima de seu corpo com um sorriso tímido e lindo.
Demorou alguns segundos para perceber que estava sonhando e agora ali estava Edward a tocando, suas mãos grandes e firmes tocando cada pedaço de pele que conseguia.
–Que bom ver que você acordou no melhor momento.
Sua voz era um sussurro rouco e um convite para sedução que seria incapaz de negar, queria os morangos e chocolate, mas sua mente ainda nublada pelo sono e pelo desejo ignorou tudo.
Edward sorriu e a beijou lentamente, tomando seu tempo para seduzi-la através do beijo, sem ar desceu os lábios para seu pescoço e seios, os adorando como um amante devoto, dedicado.
A cada gemido que Bella soltava ele sorria e sugava um pouco mais forte, manteve o peso do seu corpo no braço esquerdo enquanto a mão direita descia por sua barriga até chegar a seu centro úmido e tocá-la firmemente. Ela estava úmida e quente, quase pronta pra ele.
Inseriu dois dedos em sua intimidade e com o polegar circulou seu clitóris, os movimentos fortes de seus dedos mostrava o que faria com ela com seu membro logo mais.
–Edward... Eu preciso... Preciso...
–Eu sei, pequena. Sei do que precisa.
–Por favor.
Seus murmúrios incoerentes o faziam enlouquecer. Não queria que aquele momento fosse rápido, pelo contrário, faria com que durasse o máximo possível, a cada investida da sua mão o corpo dela se ondulava procurando mais prazer.
Sentindo seus dedos serem esmagados pelo seu centro apertado, Edward se posicionou entre suas pernas e a penetrou devagar, soltando um gemido alto a se ver totalmente dentro dela.
–A cada dia estar dentro de você é melhor, pequena.
A cabeça de Bella se moveu freneticamente em busca da sua boca e a atacou em um beijo calmo e profundo, a cada movimento dele em seu interior seu corpo se aquecia, sua mente presa apenas naqueles olhos esmeraldas que lhe tiravam o fôlego, que eram capazes de fazê-la se esquecer do mundo.
–Eu te amo. – sussurrou com a voz embargada enquanto Edward continuava a se mover suavemente – Te amo tanto.
Com um sorriso de lado ele beijou seu queixo aumentando a velocidade das suas estocadas, usando cada gemido que a esposa soltava para definir o ritmo que a levaria até o céu, nunca estaria satisfeito dela, nunca conseguiria ficar sem ela.
Seu orgasmo foi tão forte que arrebatou todo o ar dos seus pulmões e o paralisou. As batidas do seu coração tão rápidas que era capaz que aquele órgão quebrar suas costelas e saltar para fora.
Bella acariciou os cabelos cobre do marido e beijou sua cabeça enquanto aos poucos sentia seu corpo voltando ao normal, apenas nesses momentos de intimidade conseguia esquecer todos os problemas em que estavam rodeados.
O corpo de Edward ainda cobria o seu quando um movimento forte na altura do seu estomago o fez arfar. Seus olhos brilharam quando se afastou rapidamente e constatou que seu filho havia chutado. Sua mão cobriu o lugar e sentiu mais dois chutes fortes.
–É o nosso sapinho, amor. – sussurrou sem folego – O nosso bebê resolveu se mostrar ao papai.
–É a primeira vez que ele chuta tão forte. – Bella engoliu as lágrimas e acariciou sua barriga – Parece tão real quando ele se mexe.
–Eu queria senti-lo, mas parece que ele prefere a mãe que a mim.
Bella riu do bico que se formou na boca do marido e o beijou rapidamente, seu peito estava quase explodindo de felicidade, não entendia como poderia amar tanto uma pessoinha que só via vultos.
–O natal está chegando. – sussurrou ainda sentindo seu bebê se mexer.
–Verdade. E o que minha rainha quer de presente?
–Eu queria nossa família unida. Me doeu ver Esme e Carlisle, mas não posso abandonar Charlie, amo a todos e não queria ter que escolher. – sua voz falhou – Não quero passar as festas de final de ano com esse clima pesado.
Edward a aconchegou em seus braços e beijou sua cabeça, também era difícil pra ele saber que possivelmente o feriado mais importante do mundo passariam com a família separada, não gostava de como isso soaria, mas precisava encontrar um jeito de consertar tudo, mesmo que o erro não fosse seu, o bem estar de Bella era o mais importante.
–O que você acha de ir trabalhar comigo amanhã?
–Sério?
–Só por algumas horas. Aposto que aquela selva deve sentir falta de você.
Ele riu quando sua esposa soltou um gritinho animado e um enorme sorriso se abriu em seu rosto, adorava ver sua menina tão animada, parecia com uma garotinha que acabou de ganhar um doce delicioso.
–Depois podemos ir comprar uma arvore de natal?
–Podemos fazer o que você quiser.
–E também poderíamos comprar alguns presentinhos para Liv. Quero escolher macacões, vestidos, lacinhos.
–Você pode escolher a loja toda se quiser.
Ela riu e se aconchegou melhor em seu peito.
–Obrigada, Edward.
–Pelo que?
–Por ser esse homem maravilhoso, um marido dedicado e o melhor pai que nosso sapinho poderia ter.
–Sou tudo isso por você, Bella. Só por você.
Na manhã seguinte enquanto Edward terminava de amarrar a gravata observou de canto de olho como Bella bufava a cada peça de roupa que colocava e não servia, queria rir, mas os olhares que ela lhe direcionava o fazia desistir, não queria sua esposa zangada.
Quando ela gemeu baixinho e soltou um fungado foi obrigado a intervir, antes que todas aquelas roupas fossem para o lixo ou acabassem virando trapos.
Foi até o closet dela e pegou um vestido longo azul, de magas cumpridas e decote de canoa.
–Tenta esse.
Ela fez um bico de choro e fungou baixinho.
–Nada me serve. Estou ficando um monstro barrigudo.
Antes de conseguir se controlar abriu um sorriso e a puxou para seus braços, ficando ambos em frente ao espelho de corpo inteiro. Ele já completamente vestido e ela apenas de calcinha e sutiã.
–Olhe para o espelho. – ela não o fez e Edward segurou em seu rosto a forçando olhar – Olhe, pequena.
Com relutância Bella o fez.
–Você é a mulher mais linda que já conheci. – suas mãos traçaram seu pescoço e ombros – Seu corpo me enfeitiça, sou um escravo do seu cheiro, da sua pele.
Bella suspirou quando ele tocou seus seios maiores e beijou sua nuca.
–Você nunca. Nunca se tornará um monstro, seu corpo pra mim é uma obra de arte, hoje você está maior para abrigar a vida do nosso filho, a nossa benção.
–Eu vou ficar maior, Edward e você não vai mais me querer.
–Sempre vou te desejar, amor. Você é a minha droga, o meu vicio.
–Mas...
–Parou. — interrompeu sentindo seu filho se mover – Você é a minha esposa, não vou discutir com você sobre isso. Agora vá se vestir para tomar café.
Bella mordeu o lábio ainda insegura e se segurou em seus braços, não imaginou que sua barriga cresceria tão rápido em pouco tempo, estava com quatro meses de gestação, seu filho estava enorme e cresceria mais, com certeza, se arrastaria até os nove meses. Iria precisar de um guincho para se levantar.
Incrivelmente o vestido azul caiu perfeitamente bem em seu corpo, teria que aproveitar essa tarde para comprar roupas, precisava urgentemente fazer isso antes que se tornasse uma gravida relapsa, mau arrumada e descabelada.
Os meninos adoraram sua visita, assim que o elevador parou no seu andar eles praticamente a ergueram nos braços, todos falando ao mesmo tempo e a abraçando. Jane quase tirou o ar de seus pulmões quando percebeu o volume em seu ventre.
–Por que você não me contou antes sua traidora?
A morena riu e pegou em seu braço enquanto caminhavam para sua mesa de costume.
–Eu nem consigo acreditar direito que é real e tantas coisas aconteceram nesse meio tempo.
–Entendo, mas nossa... Você vai ter um bebê... Nós vamos ter um mascote.
Os meninos riram do termo e Bella lançou o grampeador neles, bando de hienas.
–Qual é, Bells, você tem que confessar que esse é um excelente apelido.
–Seth, eu nunca iria permitir que chame meu filho de mascote. Imagina se Edward escuta isso?
O rapaz empalideceu rapidamente o que fez todos rirem e dar tapas em suas costas.
–Acho que se o chefão nos pegar chamando sua cria de apelidinhos geek vamos ser todos demitidos.
–Não duvidem disso. – Jane reforçou rindo – Mas esse é o primeiro bebê do nosso setor e precisa ter um apelido.
–Eu o chamo de sapinho.
Os meninos riram entre si do apelido, mas pareceu agradar a todos depois que Bella mostrou o motivo, seu filho não era tímido e sempre que alguém tocava sua barriga ele se mexia com afinco mostrando que estava bem ali.
Depois que todos voltaram ao trabalho Bella sorriu para Jane e engataram uma conversa sobre o que ela tinha perdido nos seus dias longe, estavam entusiasmados com as possibilidades de mudanças que viriam com a nova implementação dos servidores novos. Aparentemente tudo estava indo bem, a equipe receberia um prêmio pelo programa que criaram para amenizar os custos de energia e todos pareciam eufóricos e entusiasmados.
–E você e Demetri, como estão?
A loira sorriu e seus olhos brilharam.
–Ele me pediu em namoro. Santiago veio mostrar o progresso da Ônix e me convidou para um café, quando cheguei em casa Demetri estava lá, me jogou sobre os ombros e me falou que não conseguia ficar sem mim, me disse que estava errado e que era um idiota.
–Que bom, Jane. Fico muito feliz por vocês.
–Eu já não sabia mais o que fazer com esse sentimento que carrego por ele, estava a ponto de desistir.
–Quando eu me separei de Edward passei pela mesma coisa, mas meu amor por ele não me deixava, estava entrando em desespero.
Bella viu como o rosto da amiga corou e ela desviou o olhar, imediatamente percebeu que alguma coisa estava errada.
–O que você fez?
–Se eu te contar, você promete não ficar brava?
–Cospe logo, Jane.
–Eu falei com Alice sobre como você estava e sugeri para que tomássemos parte.
–Você e Alice tramaram contra mim?
–Basicamente. Eu não chamaria de tramar, mas pode-se ver desse jeito.
Com um suspiro de resignação Bella resolveu deixar de lado, afinal agora estava com Edward, casada e gravida, graças a seus amigos e família, não adiantava discutir com a amiga quando ela apenas queria ajudar.
–Sem problemas. – resmungou – Mas que isso não aconteça de novo.
–Não vai acontecer se você não precisar.
Ela riu e negou com a cabeça;
–Eu tenho que ir agora, mas depois conversaremos sobre isso.
–Sem problemas.
Bella murmurou uma musica qualquer enquanto subia até o andar de Alice, precisava dela agora, sempre viu nela uma irmã e sempre que precisava ela estava ali para apoiá-la.
Bateu na porta da sua sala e a baixinha gritou para que entrasse.
Nunca tinha ido lá, o andar de marketing parecia outro mundo, as paredes brancas e rosas com várias baias modernas de vidro, algumas pessoas caminhavam enquanto outras digitavam no computador, todas em movimento, era evidente que aquela baixinha autoritária era responsável por tudo ali. Cada cantinho mostrava um pouco da sua personalidade.
–Maninha, não esperava ver você aqui.
Bella sorriu e foi abraça-la. A sala de Alice parecia com uma casa de bonecas, as paredes lilás com quadros modernos, uma estante de madeira branca à direita com várias fotografias e alguns livros, sua mesa como a de Edward era de vidro com um computador moderno e mais fotografias dela com Jasper.
–Edward queria me tirar de casa, então vim dar uma volta.
–Você me parece cansada.
–O bebê começou a chutar de verdade e gosta de fazer isso à noite. Não consegui dormir direito.
A fadinha saltitou e foi até ela acariciando sua barriga, Liv nunca mexia quando ela tocava, era desanimador, mas seu novo sobrinho assim que colocou a mão na barriga da irmã deu um chute forte.
–Nossa, esse pequeno é espoleta.
Bella riu pela escolha de palavras, todos percebiam que seu filho daria trabalho.
–Vim te convidar para darmos uma volta.
–Aonde você quer ir?
–Preciso de roupas. – suspirou triste – O sapinho cresceu muito e não tenho roupas. Também queria comprar alguns presentinhos para Liv.
Alice riu e abraçou a irmã caçula, adorava comprar e sabia que Bella odiava, agora com ela vindo até aqui para pedir não poderia negar nunca. Esse era o seu programa favorito, afinal.
O shopping estava cheio e caminharam animadas de loja em loja, a cada roupa que ela gostava forçava Bella a experimentar, compraram roupas que dariam para usar por mais um ano depois que desse a luz ao sapinho.
Quando passaram em frente a uma loja de roupas para bebês Bella arrastou Alice pelo braço, ainda não tinha comprado nada para o bebê, queria primeiro saber o sexo para depois caírem nas compras.
A cada macacãozinho, sapatinho e mamadeira que via se apaixonava.
–Vou comprar um sapatinho para o bebê. – anunciou quando viu um vermelho com azul – Esse tem as cores do meu time de baseball preferido.
–Emmett e papai torcem para os Yankees, vão te provocar pelo resto da vida.
–Deixe que eles provoquem, eu torço para os Sox e meu filho também irá.
–Já que é assim, você leva os sapatinhos e eu vou dar de presente para o bebê aquele conjuntinho branco que vi.
Bella aproveitou para comprar um vestido rosa para Liv, um conjuntinho de lã com toca e gorro. Mimaria sua sobrinha o quanto conseguisse, a trataria como a princesinha que era e merecia ser.
Mesmo que seu relacionamento com Esme e Carlisle estivesse danificado, não abriria mão da sua amizade e irmandade com Alice e Emmett, eram uma grande família e só precisavam de tempo para recuperar e aceitar que tudo havia mudado porque família não se escolhia e só tinha uma, então preservaria seus laços.
~~//~~
Era isso, ele precisava fazer o certo, mesmo que fosse difícil de engolir o nó que estava em sua garganta. Já tinha passado da hora de enfrentar esse obstáculo, mesmo querendo fugir como se fosse um menino.
Há muito não tinha medo de nada e aprendeu a lutar contra qualquer adversidade, mesmo quando o destino lhe pregou uma peça ele ainda continuou em pé e enfrentou, agora não seria diferente.
Juntando toda sua coragem tocou a campainha e esperou impaciente trocando de pés para tentar conter a ansiedade que corroía seu peito.
A porta se abriu e a mulher o encarou surpresa, acredite, ele também estava surpreso de estar ali.
–Boa noite, Renée. Charlie está aí?
A mulher concordou com a cabeça algumas vezes sem saber como verbalizar suas ideias.
–Está, entre Dr. Cullen.
Mesmo todos seus instintos protestando ele entrou.
O apartamento dos Swan continuava idêntico a sua última visita, mas dessa vez ele pode observar melhor a decoração simples e calma, as inúmeras fotografias na parede e os livros de direito empilhados ordenadamente na estante.
Renée o acompanhou até uma porta e a abriu mostrando que era para que ele entrasse. Respirando fundo deu um passo para dentro e parou encarando o homem de bigodes que tinha o queixo caído.
–De todos que poderiam vir aqui você é a última pessoa que imaginei.
Carlisle soltou um risinho e negou com a cabeça.
–Precisamos ter uma longa conversa, Charlie, uma conversa sobre a única coisa que nos une.
–Nossa última conversa não foi muito produtiva. – ironizou se levantando para se servir com uma dose de whisky – Aceita?
O médico deu de ombros e assentiu caminhando mais para dentro do escritório. Seu olhar foi imediatamente atraído para uma fotografia em cima da mesa. Uma menininha de óculos sorria timidamente enquanto segurava um troféu. A sua menininha sorria.
–Ela tinha dez anos nessa foto. – Charlie comentou entregando o copo ao outro homem – Esse prêmio foi por um projeto de integração tecnológica, nunca entendi disso, mas foi um dos melhores momentos da minha vida. Vê-la subir ao palco e receber um enorme troféu e a bolsa de estudos.
Os dois ficaram em silencio por algum tempo. Uma chuva fina começava a cair e as gotas batiam suavemente na janela, fazendo um barulho aconchegante.
–Não posso dizer que me arrependo do que te disse, Charlie, só carrego um enorme peso pela forma em que disse. – respirando fundo ele terminou de beber o liquido âmbar e encarou o juiz – Fui precipitado e estava com raiva, então não pensei no que realmente fazia.
–Não o culpo, Carlisle. Não por ter me chamado de todas aquelas coisas.
O homem loiro soltou uma risada e mordeu o lábio inferior suspirando depois.
–Eu também me culpo pelo sequestro de Melanie. Todos os dias que ia dormir me culpava, quando acordava e garantia que não estava sonhando me culpava. Saber que James foi o responsável pelo que aconteceu... Pelo que ele fez – sua voz entalou na garganta — só quero dizer que não sou o melhor juiz de caráter, Charlie.
–Você a ama? – essa pergunta pegou o médico desprevenido, não espera esse tipo de questionamento – Você ama Isabella ou ama a figura de Melanie que existe nela? Ama a garotinha que perdeu ou a mulher que ela se tornou?
Não foi preciso que pensasse muito para que respondesse:
–Não amo um nome. Quando Edward levou aquela garota para que nós a conhecêssemos eu senti um carinho muito grande por ela, eu a amei como se fosse uma filha, desde sempre. Ela poderia ser a maior assassina do Estado e mesmo assim eu continuaria a amando.
Charlie assentiu e se sentou na poltrona no centro do cômodo coçando o pescoço.
–Eu cometi um erro. – sussurrou – Não deveria ter me envolvido emocionalmente com o caso de Bella, se tivesse a tratado como apenas parte do meu trabalho descobriria que ela tinha pais, irmãos, avós, pessoas que se preocupavam com ela, contudo me senti conectado a aquela menina e sem perceber já a amava e não podia deixar que nada de ruim acontecesse com ela. Eu queria protege-la de todos. Do mundo, caso necessário. Não peço o seu perdão porque não cabe você me perdoar e sim Deus. Sei bem que vou responder pelo que fiz tanto na Terra como no céu.
–O processo contra você foi retirado e realmente não precisa me pedir perdão porque eu querendo ou não você salvou a minha filha e te devo uma por isso, quanto a Deus, não sou eu quem dirá sobre seus pecados porque também tenho a minha cota. Não estou aqui para brigarmos ou nada do tipo, assim como sei que não seremos amigos. Temos uma filha em comum que precisa de nós dois. Quero dizer, precisa mais de Esme e Renée, mas fazemos parte do pacote e como iniciamos essa merda toda achei que deveria vir aqui e conversar com você para chegarmos a um consenso.
–Qual seu plano?
–Não tenho nenhum plano. – confessou – Você continua me odiando por acreditar que sou um pai relapso, eu continuo te odiando por achar que parte da culpa por ter perdido anos da vida da minha filha é sua, porém, juntos dela somos uma família e na família não podemos escolher nossos parentes.
Charlie riu baixinho e fez um gesto para que o médico sentasse na cadeira a sua frente.
–Agora consigo ver de onde Isabella puxou o jeito esperto e manipulador. – comentou suavemente – Vocês dois são mais parecidos do que imaginei.
–Vou tomar isso como um elogio.
–Não é um elogio, Carlisle. Seu sangue canta alto nas veias dela, o comportamento dos dois é bem similar, a forma que falam e agem. – ele suspirou antes de continuar – Ela manipulou toda essa situação para que encontrássemos uma forma de conviver, pelo que conheço de Bella, imagino que ela nunca aceitaria se ver pressionada para tomar uma decisão, ainda mais porque ela ama vocês e nos ama também.
Carlisle franziu a sobrancelha e, por fim, concordou.
–Isabella fez o que achava correto, não a recrimino por isso, sua atitude foi bem madura se comparada com a nossa. Nós agimos como dois moleques que brigam pela mesma menina na pré-escola.
–Pode ser. Eu ia até você amanhã. Queria que entrássemos em acordo, mas estou contente por ter vindo hoje. Realmente não somos amigos, Cullen, mas teremos que nos suportar pelo resto das nossas vidas, então vai ser bom manter um pouco de paz.
O médico se levantou com um pequeno sorriso e estendeu a mão para o juiz que a apertou de volta selando o acordo.
–Foi bom falar com você, Charlie e só reafirmando, obrigada por cuidar tão bem de Isabella.
–Você não tem que me agradecer, parte do que ela é veio de você e Esme, então só contribuímos para essa soma maravilhosa.
–Somos dois sortudos filhos de uma mãe.
–Quanto a isso não posso negar.
Ambos sorriram.
–Agora tenho que ir. Tenho muitos assuntos pendentes.
–Claro. – o homem ia saindo, mas se virou quando seu nome foi chamado. – Você não é um pai relapso, foi apenas vitima das circunstancias, então não se culpe por algo que estava fora do seu controle.
Com um aceno de cabeça o médico saiu se sentindo mais leve do que poderia se lembrar em toda a sua vida.
Nem tudo estava perdido, ele ainda tinha em mãos a chama da esperança e ela voltava aos poucos a crescer e em muito breve se concretizaria e nada faria com que ela saísse de dentro do seu peito.
Fale com o autor