Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado à Juliane Assis e dryka Pettinson.

Capítulo 60

Bella estava preocupada com Esme, deixa-la lá sem uma resposta sobre o que estava acontecendo e ir para sua lua de mel foi difícil, mas não tinha muito direito de escolha quando precisava lutar contra Alice e Edward, então cedeu com muitos resmungos e um bico.

Com um suspiro olhou para o seu marido. Era inacreditável que agora estivesse realmente casada com Edward, que eram uma família, foi impossível suprimir um sorriso de alegria, mesmo se vivesse cem anos não esqueceria esse dia maravilhoso.

–Está feliz? – ele questionou quando a pegou sorrindo para o nada.

–Muito. – se aconchegou nele – Tudo ainda parece um sonho. Para onde vamos?

–Você me disse que gostaria de passar a lua de mel em um lugar quente, então vou cumprir seu desejo.

Ela riu baixinho pela sua escolha de palavras. De todos os planos que tinham feito a lua de mel era um dos poucos que saíram conforme o planejado. Esperava ter o mínimo de paz durante esses poucos dias, a esperança de que tudo iria melhorar continuava plantada firmemente em seu peito e a agarraria com unhas e dentes.

–Para onde vamos?

–Brasil.

–Eu gosto disso, bastante praia, comida e sol. – suspirou animada – Em que lugar no Brasil?

–Aí é surpresa.

O carro parou na entrada privativa do aeroporto e Félix abriu a porta para ela com um sorriso discreto, logo estavam acomodados no interior do jatinho, se sentia bem naquele ambiente, ele trazia velhas e felizes lembranças.

–Por que você não quis nossa noite de núpcias em casa?

–Quero ter você em um ambiente cercado e sem ninguém por perto.

Bella soltou um risinho entendendo que seu marido tramava alguma coisa. Como ela gostava de como essa palavra soava. Marido. Ele pertencia a ela agora.

–Marido, se não conhecesse você, diria que está aprontando.

–Esposa, eu estou. – confirmou mordendo seus dedos, seu tom de voz malicioso – Esses dias longe vou abusar de você.

–Eu sou uma mulher grávida. – franziu as sobrancelhas para ele – Não pode me explorar.

O alerta para apertar o cinto soou o fazendo voltar sua atenção para o tempo presente, Isabella Cullen que esperasse para ver o que ele tinha preparado para ela.

–Quais são os planos afinal?

–Bem Sra. Cullen. Primeiro; vou te deixar nua... Segundo; dar-te um banho de champanhe... Então eu vou bebê-lo diretamente do seu corpo, com o gosto da sua pele, imagina o quão bom vai ser...

Bella sentiu o corpo aquecer e sua cabeça flutuar, não acreditava que Edward podia mexer tanto com o seu lado psicológico de forma tão deliberada, ainda mais com Félix e Garret a algumas poltronas à frente.

–É... Vamos... – limpou a garganta tentando se lembrar de como articular as palavras – Vamos estar sozinhos não é? Sem Félix e Garret?

–Sim. Eles vão ficar em uma casa anexa, mas a principal é só nossa.

–Ótimo. Seria constrangedor poder encontrar com eles no corredor ou saber que eles estão nos ouvindo quando... Você sabe.

Edward riu e mordeu a bochecha corada, não entendia como Bella ainda podia corar depois de tantas coisas que fizeram, mas adorava esse lado tímido e meigo, quase inocente.

–Eles não vão e voltando ao assunto... Acho que parei no champanhe não foi?

–Sim, no champanhe.

–Então esposa, depois que tirar o champanhe do seu corpo, eu vou te beijar do dedinho do pé até sua orelha. Minhas mãos vão redescobrir todos os caminhos do seu corpo e por fim vou me enterrar dentro de você. Vou marcar minha posse em você e só vamos sair daquela cama quando não conseguirmos ficar em pé.

–Inferno. Você não pode me falar isso em um voo de dez horas.

–Aposto que consegue se controlar até chegarmos.

–Eu vou entrar em combustão e queimar o avião, marido. A culpa será sua se morrermos.

Com uma risada rouca Edward a apertou em seus braços, suas mãos parando sobre sua barriga, sua esposa estava com um bico enorme e deixou um selinho em seus lábios.

–Pense nisso como uma preparação.

–Estou grávida, você deve cumprir todos os meus desejos.

–E qual é seu desejo?

–Você!

–Mas estou bem aqui, abraçado a você.

Bella se soltou e deu um tapa em seu braço, o ordinário a fazia queimar com apenas palavras, estimulava sua imaginação a ponto da sua excitação romper pela sua pele e ainda fazia piadinhas?

–Eu quero você dentro de mim. – pontuou suas palavras – Hoje foi o meu casamento, eu quero que o meu marido e o pai do meu filho faça amor comigo, que consume nosso compromisso e me mostre como o corpo dele pertence a mim e o meu a ele.

–É isso que você quer amor?

Ela concordou freneticamente com a cabeça.

–Tem certeza de que não deseja esperar até pousarmos?

Bella acariciou o colarinho da sua camisa e o apertou.

–Edward, eu estou gravida. Meus hormônios furiosos e você me atiçou, agora, marido, preciso que apague o fogo que me queima.

–Mas teremos que ser silenciosos. – sussurrou – Temos companhia bem próxima e aqui não é o lugar mais apropriado. Você consegue fazer isso?

–Sim, eu consigo.

Um sorriso lento escorregou em seu rosto enquanto tirava o cinto se levantando.

–Félix. – o segurança o olhou por cima do ombro – Eu e a Sra. Cullen vamos descansar, quando chegarmos me avise, por favor.

–Sim, senhor.

O pequeno e luxuoso quarto continuava da mesma forma que tinha visto da última vez, a belíssima decoração em mogno com uma televisão tela plana acoplada em frente à cama de casal bem arrumada. Aquele espaço era bem similar ao veleiro que tinham viajado para a Irlanda. Tudo muito parecido com Edward, calmo e sóbrio.

Bella parou no pequeno espaço e suspirou ao sentir o marido as suas costas.

–Tem certeza que não quer ter nossa noite de núpcias quando pousarmos?

Ela se virou e o abraçou pelo pescoço, acariciando com os lábios o pescoço dele, deixando leves beijos ocasionais.

–Absoluta. Podemos fazer todo o ritual que você quiser quando chegarmos, mas no momento, preciso de você agora.

Sem um segundo pensamento Edward deu um sorriso de lado e a empurrou na cama, logo se deitando por cima dela, seus lábios trilharam um caminho de beijos suaves pelo decote do vestido, sugando a pele levemente. Seus seios estavam maiores e aumentando a cada dia, coisa que ele descobriu adorar.

–Eu vou te amar lentamente... Do jeito que você merece... Como se fosse a nossa primeira vez.

–Edward? – a vulnerabilidade no tom da sua voz o fez erguer a cabeça.

–O que foi meu amor?

–Eu te amo.

Seus lábios se colaram imediatamente, suas línguas provando o gosto um do outro, um duelo íntimo e sem vencedor. Suas mãos traçando as coxas da esposa, com um gemido sôfrego de total entrega se afastou.

–Deus, Bella. Você está de liga?

–Por que você não tira o vestido pra ver?

Com um longo gemido ele ergueu a barra do vestido mordendo e beijando pernas, ela já era tentação demais com aquele vestido, ao vê-la em um conjunto de corpete branco, uma minúscula calcinha, as meias brancas e a sinta liga foi como se todos os seus presentes de natal tivessem sido entregues antes para que se esbaldasse.

–Cristo, Isabella. – mordeu sua coxa a fazendo se contorcer – Você está maravilhosa. Perfeita. E minha. Apenas minha.

–Só Sua! – concordou veemente.

Seus olhos estavam conectados mostrando o enorme sentimento que mantinham no peito, mostrando a entrega sem reservas, o amor, carinho e companheirismo que compartilhavam.

Com uma das mãos, Bella traçou o rosto do marido e parou em seus lábios, podia sentir a respiração morna bater sobre sua pele, ele beijou seus dedos e os mordeu, sorrindo em seguida.

Antes que pudessem dar conta sua bocas estavam coladas, as mãos se acariciando e reconhecendo o caminho que lhes daria mais prazer.

Seus carinhos eram ousados e provocantes, sempre a levando ao limite para parar em seguida, estimulando seus sentidos a deixando quase entrando em combustão espontânea.

–Por favor, Edward... Preciso de você.

Sem delongas ele invadiu seu interior lentamente, era a primeira vez que faziam amor como marido e mulher, sua obrigação era fazer essa conexão durar o máximo possível, dar tanto prazer a ela quanto possível.

Bella o olhou entre os cílios adorando a expressão que cruzava seu rosto enquanto se amavam, seu marido era o homem mais lindo que já tinha conhecido, a forma em que seu corpo investia lento, mas firmemente dentro dela, alcançando um lugar especial que a fazia ver estrelas e sentir que estava flutuando.

–Você é tão linda.

A mão dele era grande e extremamente cautelosa enquanto acariciava seu rosto.

–A minha luz. – sua voz não passava de um sussurro hipnótico – Eu te amo.

Ele sorriu quando Bella soltou um longo e baixo gemido mordendo o lábio inferior, seu interior o esmagando com longas contrações enquanto suas unhas afundavam nas suas costas. Edward mordeu de leve em seu ombro se deixando ir com ela.

Algum tempo depois estavam jogados ainda tentando recuperar o fôlego, a cama era grande, mas ocupavam uma pequena parte, seus corpos colados, presos um ao outro compartilhando os últimos resquícios de prazer.

–Bem, agora você realmente é a Sra. Edward Cullen.

Seu comentário fez Bella dar um risinho e abraçar o marido. Marido, gostava de como soava essa palavra em seus lábios, não entendia o motivo de ter apresentado tanto medo disso no inicio do dia porque aqui e agora com ele nada parecia mais perfeito.

Sentiu os lábios de Edward descer beijos pelo seu pescoço, seios e um longo em cima da sua barriga.

–O que foi? – o questionou quando percebeu que ele parou ali.

–Não vejo logo a hora da sua barriga crescer, – confessou com os olhos brilhando – de segurar nosso filho nos braços e acalentá-lo.

–Eu também espero muito por isso. – acariciou seus cabelos rebeldes – A cada vez que sinto um frio na barriga de quando ele se meche é como se todo dia me lembrasse o quão feliz e afortunada eu sou.

–Você acha que será um menininho ou uma menininha?

–Não sei. – bocejou – Só quero que venha com saúde e que tenha os seus olhos.

Edward sorriu se deitando ao seu lado e a aconchegando em seus braços, Bella estava certa, já bastava seu filho vir com saúde que estaria de excelente tamanho, além do mais tinham todo o tempo do mundo para fazerem um time de futebol e faria.

(...)

Bella respirou fundo o cheiro do mar. Essa foi à primeira coisa que percebeu quando o avião pousou, o barulho gostoso das ondas e o cheiro salgado que desprendia das aguas do oceano. Estava eufórica de ansiedade por conhecer mais da sua localização final, sabia que pararam no Rio de Janeiro apenas como uma espécie de escala, mas logo iriam para seja lá onde Edward queria a levar.

Quando colocou os pés na cidade foi incendiada por amor à primeira vista, já tinha viajado algumas vezes para vários lugares, no entanto nunca tinha visto um povo animado e falante, por onde o carro passava era possível ver claramente a movimentação de pessoas. Com certeza poderia me acostumar a viver em uma cidade assim.

–Está gostando da vista?

A voz maliciosa de Edward a fez suspirar, desde que tinha acordado ele a provocava falando que o momento passado no avião era apenas uma preliminar para o que os esperavam na lua de mel, não duvidava da possibilidade de passar uma semana inteira na cama com ele, o conhecia o suficiente.

–Esse lugar é maravilhoso. – sorriu apertando sua mão – Não podemos mesmo ficar alguns dias aqui?

–Talvez no natal ou ano novo voltemos, mas agora não.

–Certo. – pelo menos existia a possibilidade de voltar para conhecer a cidade melhor.

Já era o suficiente ter a oportunidade de conhecer aquele pedaço do paraíso.

Bella era obrigada a confessar já ter vários modelos em sua mente de como seria o lugar que passariam a próxima semana, mas nada a preparou para uma ilha gigantesca e exclusiva apenas para eles, aquilo com certeza não era real.

–Essa é a Ilha de Esme.

Sua boca foi ao chão quando ainda na lancha que os levava até a ilha conseguiu enxergar seus contornos, aquele lugar era perfeito, maravilhoso... Espera. Esme?

–Ilha de Esme? – perguntou intrigada – Como assim?

–Tio Carlisle a presenteou com essa ilha no aniversário de quinze anos de casamento. – acariciou seu rosto – Aqui foi uma forma de conseguirem lidar com muita coisa que passaram.

Bella soltou um som de compreensão, percebendo a importância daquele lugar para a família Cullen e o que simbolizaria para ela e Edward a partir daquele momento.

Assim que pararam no pequeno ancoradouro de madeira pode enxergar melhor a beleza que os cercavam. À sua frente tinha uma casa imensa de madeira e em volta dela várias árvores, a areia fofa em seus pés e o sol sobre sua cabeça a inebriou.

Mas como nem tudo era perfeito seus passos se suspenderam ao dar de cara com um homem moreno, ele tinha quase dois metros, musculoso, a pele um pouco queimada e vestia trajes esportivos, como Félix e Garret. Já o tinha visto antes na empresa quando foi almoçar com Rosalie e ele pegou o mesmo elevador. Tentando controlar seu temperamento olhou para Edward.

–Mais um?

–Amor, agora não é o momento. Esse é Jared.

O homem... Jared apenas a cumprimentou com um aceno de cabeça e foi ajudar aos outros homens com a bagagem.

Edward sabia que teria problemas com ela para que aceitasse um segurança e tentou adiar esse momento o máximo possível, mas foi inevitável porque sua esposa teimosa precisava entender que sua segurança era necessária, ainda mais com o bebê a caminho.

Se acomodaram no imenso quarto no segundo andar e ela parou no centro para observar a decoração, Esme tinha cuidado de tudo e o estilo harmonioso era calmo, pacificador e completamente bucólico.

–E então... – ela começou ao se sentar na cama macia – O segurança?

–Ele vai dar apoio a Garret. – o melhor era falar logo a verdade – Estamos formando um cerco com a segurança da família.

Pra que diabos fariam isso? Não entendia o que ele queria dizer, não se lembrava de ver seguranças adicionais com as meninas quando foram ao SPA no dia anterior ao seu casamento, apenas os mesmos de sempre.

–Se é pra toda família então por que só eu ganhei mais um de brinde?

–Na verdade, tia Esme também foi premiada.

Os olhos dela se fecharam em fendas tentando entender o motivo real do que estava acontecendo.

–Me explique isso, e, por favor, sem enrolação.

Ele respirou fundo coçando a cabeça.

–Laurent me enviou o relatório completo de James. – se ajoelhou a sua frente – Ele não estava sozinho, tinha um comparsa, talvez mais de um. Estava tão furioso que fui confrontá-lo na cadeia, ele... Ele enlouqueceu de vez, não parece manter uma mente sadia e fez ameaças.

–James é o tipo de homem que gosta de fazer ameaças Edward.

–Eu sei, mas ele disse coisas que não teria como saber se não tivesse alguém do lado de fora e próximo a nós. Ele ameaçou você e tia Esme. Me garantiu que acabaria com vocês assim que saísse de lá e me mandaria...

Suas palavras morreram, não gostava de lembrar-se da dor que sentiu quando aquele monstro disse que a torturaria e esquartejaria para mandar os pedaços pra ele pelos correios.

–Por que não me disse antes?

Era visível que Edward ficou perturbado com as palavras de James, ela ficava apavorada apenas em pensar nele, quanto mais falar.

Seu corpo se estremeceu com a possibilidade de ter que ficar frente a frente com aquela criatura.

–Você andava estressada e passando mal, não queria atribular mais isso. Aí veio a noticia do bebê e o nosso casamento, só não queria te preocupar mais.

–Tudo bem. – sorriu fraco o beijando nos lábios – Não vou brigar com você porque entendo o que sente e agora temos o nosso bebê para proteger também, mas não me esconda mais nada. Somos um casal e temos que tomar nossas decisões juntos.

Edward suspirou aliviado, esperava por mais uma guerra do século. Foi um erro seu não ter dito tudo o que estava acontecendo, porém como poderia fazer isso se todo dia de manhã ela mal conseguia permanecer em pé, se já não comia direito e suas crises asmáticas pioraram. Não a colocaria em mais uma situação de estresse.

À noite depois do jantar caminharam pela trilha iluminada de lanternas de papel que levava até a praia, conversando sobre nada de importante, ficar isolado do mundo sempre era perfeito para os dois.

–Tudo bem, por que você não namorou mais?

Estavam em um jogo de perguntas e respostas divertido sentados em frente ao mar.

–Porque nenhum dos caras que conheci fez meu coração bater como ele bateu na primeira vez que te vi. – sorriu beijando sua bochecha – Por que trabalhar na empresa se você tinha outros sonhos?

–Eu vivi minha juventude cheia de expectativas. – se jogou de costas a puxando para seu peito – Desde que meu pai morreu todos esperavam que eu fosse uma cópia dele, agindo como todos os Cullen agem e tomando o controle de tudo a meu redor. Queria ter estudado musica e artes, mas não me arrependo de ter feito tudo o que fiz. Hoje tenho você, nosso bebê e um futuro alegre pela frente.

–Quando você fala assim me faz te amar mais.

–Isso é bom. Agora é minha vez, se os seus pais biológicos aparecessem como você reagiria?

No momento em que ele fez essa pergunta se arrependeu. O corpo de Bella ficou rígido e ela se sentou olhando para o nada.

Não esperava esse questionamento e não tinha resposta para ele. Pensar no passado sempre seria uma ferida não cicatrizada que ainda sangrava muito.

–Bella...

Ele estendeu a mão para tocá-la, mas ela se afastou levantando e caminhando para o mar, água alcançava sua cintura quando sentiu braços fortes a segura-la.

–Você não pode guardar ressentimento deles. – não queria julga-la e muito menos aos seus pais biológicos, tinha total consciência de que esse era um assunto delicado e precisava preparar terreno para quando abrisse o jogo sobre J. Jenkis.

–Eu me lembro de uma vez que aquele homem me bateu. – sussurrou – Estava chovendo muito. Lá só chovia. Eu tentei fugir dele, mas não consegui, Ele me pegou pelo pescoço e me jogou no chão. Me lembro claramente da sensação da mão dele me asfixiando, como se fosse ontem.

Inconscientemente passou a mão pelo pescoço prendendo a pedra da gargantilha na palma.

–Ele me disse que... Que meus pais não amavam... Não tinham a capacidade de amar uma criatura nefasta, eu nem sabia o que isso significava. – um pequeno riso fraco escapou de sua garganta – Ele me fez acreditar que eu não merecia ser amada, que não merecia permanecer viva. Acho que no fundo tudo isso foi uma lavagem cerebral demoníaca, mas com o tempo acreditar que havia sido abandonada se tornou mais fácil para que eu abrisse meu coração e aprendesse a deixar o passado onde ele está. Eu não sei como reagiria se minha família biológica aparecesse. Minha cabeça não é a mesma de um ano atrás e não consigo compreender se isso é realmente bom.

Edward escutou seu relato em silencio, sua mão a acalentando suavemente, sem duvida alguma, quando encontrasse o monstro que a fez passar por isso o mataria com suas próprias mãos e bem lentamente, não teria piedade com uma pessoa que foi capaz de causar mal a uma criança indefesa e inocente.

–Nossa vida está apenas começando. – beijou seu cabelo – Mesmo com o que aconteceu quero que deixemos tudo para trás e nos concentremos no nosso filho. Eu não vou permitir que ninguém os faça mal.

–Obrigada. – respirou aliviada – É minha vez de te fazer uma pergunta.

Ele riu a puxando mais para a água morna fazendo-a abraçar seu corpo com as pernas enquanto apreciavam da privacidade do lugar e do brilho da lua.

Os próximos dias se passaram em um borrão de acontecimentos, na maioria do tempo estavam se amando, fizeram amor em cada canto da casa, curtindo um ao outro. Conversaram sobre o passado, presente e o que desejavam para o futuro. Brincaram sobre os membros da família e os nomes mais ridículos possíveis para o bebê.

À noite caminhavam pela praia em silencio ou dançavam sob a lua uma música imaginaria, Edward era apaixonante e conseguia que cada dia o sentimento que existia por ele aumentasse a níveis alarmantes, principalmente nesses momentos de intimidade pura. Não precisavam de mascaras ou subterfúgios, eram apenas um casal apaixonado curtindo a lua de mel sem a interferência de nada e nem ninguém.

O mundo exterior foi completamente esquecido e só existiam os dois. Bella não se lembrava de ter rido ou sorrido tanto antes em sua vida, amou cada momento que passaram juntos, os beijos apaixonados ao acordar e os sussurros de quando iam dormir exaustos.

Seu último dia na ilha foi melancólico e triste, não queria voltar pra casa. Voltar significava encarar os problemas que ainda precisavam enfrentar e aqueles que viriam a aparecer, nunca na vida tinha sido o tipo de mulher que se escondia, no entanto, a perspectiva de ficar ali naquele paraíso se tornara muito tentadora.

–Amor, a lancha já chegou. Temos que ir.

Edward sorriu para a visão da sua esposa, ela parecia muito mais com uma mulher. Quando a conheceu meses atrás carregava um ar de garotinha assustada que precisava ser cuidada e hoje visivelmente era ela quem cuidava dele.

Ela estava linda, a pele levemente bronzeada por causa do sol do hemisfério sul, os olhos verdes brilhantes, os seios maiores que o enlouqueciam e a pequena protuberância de seu ventre que agora era visível.

Queria passar o resto de sua vida a amando, presos em um lugar deserto e seguro, seria capaz de comprar um pequeno pedaço do céu como aquele para ela e concluir seus sonhos.

–Não podemos mesmo ficar?

Sua voz fragilizada fez com que caminhasse até ela a abraçando, seus hormônios estavam mudando e o cair de uma folha a fazia se debulhar em lágrimas.

–Sinto muito, meu anjo. – beijou sua testa – Temos compromissos em Nova York e você tem que ver as mudanças que vai querer fazer na decoração da nossa casa.

–Verdade.

–Você não sente falta de todos?

–Sim.

–Aposto que eles também estão surtando com a nossa ausência. Agora coloque um sorriso no rosto.

Ela sorriu e o abraçou mais apertado, sua lua de mel foi tão curta e sentiria saudades daquele lugar.

O voo pareceu passar mais rápido na volta do que na ida, Bella dormiu durante todo o caminho enquanto Edward velava seu sono, ela era linda e perfeita, o seu anjo amado.

O jatinho pousou no aeroporto no meio da tarde mostrando uma Nova York com o tempo seco e quente típico do outono. Em breve as ruas estariam cheias de neve por todos os lugares e ficaria quase impossível de transitar ali, mal podia esperar para sentir a neve cair.

O cansaço de Bella não passou nem mesmo depois de um banho quente já em seu apartamento, se sentia exausta, queria apenas dormir. Sabia que isso se ocasionava por conta da mudança de fuso horário e da gravidez, mas não conseguia manter os olhos abertos.

Edward a deixou descansando no quarto enquanto começava a ver o que tinha perdido essa semana. Felizmente não era muita coisa e conseguiria colocar tudo em ordem em breve. Havia vários e-mails de Riley sobre o trabalho, repassou todos parando no de J. Jenkis e o lendo com calma, não queria cometer equívocos, seu encontro com ele na manhã seguinte mostraria tudo o que estava ansioso para saber e precisava se preparar psicologicamente.

Aproveitou que estava próximo ao telefone e ligou para todos avisando que tinha chegado, Renée havia os convidado para jantar e não conseguiu negar, também precisava falar com Charlie, queria que ele estivesse junto com o desenrolar da investigação, sua presença era essencial.

Sua tia parecia estranha quando atendeu ao telefone, um pouco eufórica e triste ao mesmo tempo, sua mente deu um nó com tosas às perguntas intermináveis que ela fez. Tiraria alguns minutos do seu dia e iria conversar com ela.

Sua esposa foi acordar um pouco antes das seis da tarde ainda com as feições cansadas, demoraria algum tempo para voltar a sua rotina normal. Depois de um banho longo e frio colocou uma calça jeans e uma camisa branca com o blazer. Sua menina usava um vestido verde que realçava seus olhos com uma sapatilha que a deixava adorável.

–Amanhã você vai até o casarão pra ver o que quer mudar?

–Acho que sim. – resmungou encostando-se a seu ombro.

Félix dirigia enquanto Garret estava no banco do passageiro olhando tudo com atenção. O novo segurança... Jared estava cuidando das mudanças de segurança na casa nova, Edward não queria deixar nada ao acaso e concordava plenamente que prevenção era o melhor caminho.

–Vou me preocupar com isso amanhã.

–Já reparou que você pegou o péssimo habito de não colocar o cinto de segurança? – a repreendeu suavemente.

Bella esfregou os olhos e puxou a contra gosto a fita de couro. Desde que viera para Nova York não dirigia e ficar só no banco do passageiro a acostumou mal, deveria prestar mais atenção a isso.

–Desculpe, não voltará a acontecer.

–Isso é bom, Sra. Cullen. – murmurou – Não quero saber da senhora andando sem cinto esse é um risco que não estou disposto a correr.

–Prometo que vou me atentar mais para que não ocorra, Marido.

Bella ria das piadas de Edward sobre como a prenderia em casa se ela ousasse se estressar ou trabalhar demais, não ousava contraria-lo porque falavam da vida de seu filho, mas era preferível rir do que entrar em uma discussão desnecessária, deixaria para voltar a esse assunto em outra hora.

Como tinha a chave da porta da casa dos pais não fez questão de tocar a campainha, entrou ainda sorrindo, porém seu sorriso morreu ao ver a mesinha de canto quebrada, o vaso caríssimo de sua mão estilhaçado e uma desordem incompreensivo no sofá.

Seu pai estava desgrenhado e com um visível hematoma no queixo, assim como Carlisle que tinha um corte na sobrancelha, um lançando olhares repreensivos para o outro, pareciam que tinham brigado e saído no tapa. Nunca tinha visto Charlie brigar com ninguém, ele era o exemplo de homem calmo e pacifico, imaginava que Carlisle também fosse assim, afinal o médico sempre parecera ser controlado e mesmo quando aconteceu o episódio com James ele não tinha perdido a compostura.

–Está tudo bem? – sua voz saiu fraca e hesitante.

Charlie forçou um sorriso para a filha e para o genro.

–Sim. Eu e o Dr. Cullen tivemos apenas um desentendimento.

Um silêncio incomodo caiu na sala enquanto sua mãe, irmão, pai e o Dr. Cullen a olhava como se em seus braços contivesse o segredo do universo.

–Tio, você está bem?

Pela primeira vez Carlisle abriu um sorriso sincero e cheio de carinho que deixou o casal atordoado.

–Sim...

Ele a abraçou tão forte que Bella teve um pouco de dificuldade para respirar, olhou para o marido o questionando com o olhar sobre o que estava acontecendo, ele apenas deu de ombros tão confuso quanto ela.

–Eu preciso falar com você. – um ar tenso tomou conta do apartamento – É urgente.

Tentando juntar as peças do que estava vendo, Bella sentiu uma leve vertigem, algo dizia que a conversa que teriam não seria agradável e não queria acabar com sua felicidade recente causada com o casamento e a lua de mel.

–É que nós... Acabamos de chegar... Pode ser amanhã?

O médico soltou um suspiro e assentiu deixando um carinhoso e demorado beijo em sua testa.

–Claro. Com certeza, minha filha.

Bella o viu sair do apartamento fechando a porta atrás de si e encarou seus pais, não entendia nada do que estava acontecendo, se sentia mais perdida que cego em tiroteio.

–E então? Será que alguém pode me explicar o que aconteceu?

–Papai e o Dr. Cullen tiveram um pequeno desentendimento sobre ideias divergentes – essa era a maior mentira que já tinha escutado na vida – Você sabe como o sangue Swan é quente.

Provavelmente eles acreditavam que ela ainda tinha cinco anos de idade e precisava ser protegida e mantida no escuro. Era claro como água que escondiam algo dela, algo muito importante para que fosse necessário a mentira do irmão. Olhou dele para o pai que trocava insistentemente de pé e depois para Edward.

O olhar dele estava rastreando a sala com cuidado, haviam papeis em cima da mesa de centro e o que pareciam ser fotos, quando Charlie notou que as estava olhando, rapidamente as recolheu resmungando algo sobre serem do trabalho.

Cansada daquele clima abraçou a mãe sendo recebida com um suspiro de alivio e um beijo no rosto, adorava a calma que Renée passava.

–Tem alguma coisa acontecendo não é? – a questionou.

Recebeu um aceno relutante como resposta, comprovando que algo muito errado acontecia.

–Tem a ver comigo? – outro aceno – Vocês vão me contar tudo quando encontrarem as respostas?

–Sim, filha. Nós vamos.

Ela sorriu, isso já era o suficiente, confiava em seus pais e os conhecia. Não manteriam um segredo que a envolvesse por muito tempo, então o que restava fazer era esperar, afinal não tinha como piorar.

Notas finais
Olá amores da minha vida. Enfim chegamos na lua de mel do nosso casal, foi preciso 60 capítulos para que eles se casassem, mas casaram. Essa semana foi uma correria que pensei que não teria tempo de escrever, só consegui ler os comentários ontem, aí dei de cara com duas recomendações, tipo DUAS em uma semana. - Novamente minha mãe acha que eu preciso de acompanhamento psicológico por ficar pulando que nem uma doida - Muito obrigada meninas, amei, amei, amei o presente que me deram. As meninas que comentam, queria agradecer ao carinho, ao apoio. mas não pelas ameaças rsrsrsrsrs Não adianta ameaçar, assustar ou coagir a autora porque eu sou apenas o... Instrumento, é isso, sou o instrumento entre minha imaginação louca com o ato de colocar isso no papel. As opiniões estão bem dividas, gostei disso, respondi alguns comentários ontem e coloquei que essa é a essência de O Que Somos, afinal, ninguém é igual a ninguém e cada um pensa de uma forma diferente, então consegui chegar em um outro nível do qual vocês não notaram, mas eu sim =D Voltando ao capítulo, a lua de mel foi bem calma, nosso casal aproveitou bastante e se curtiram, a partir do próximo que a coisa vai começar a pegar fogo, mas não se preocupem que nem tudo vai acabar em desastre ainda. Como a autora está feliz os capítulos saem felizes, quando a autora está triste saem dramáticos e quando a ameaçam... Bom, ainda não pensei em uma atitude para quando ameaçam a autora, mas vou chegar em alguma coisa nos próximos capítulos. Já falei demais por agora, então nos vemos nos comentários e lembrem-se, façam uma autora feliz. Comentem, Favoritem e Recomendem. Beijos Kim