O Que Somos
60 Capítulo 57
“-Não corra, pequena raposa.
Aquela voz ainda era um sussurro malévolo em torno de muita nevoa em uma mata fechada e sem nenhuma escapatória, ele acabaria por encontra-la a qualquer momento, sabia que aconteceria e não tinha mais forças para correr. Talvez devesse apenas desistir e parar de lutar contra o destino, não queria mais continuar com aquele suplicio.
Do nada a cena que estava acostumada mudou e não era mais a pequena menina indefesa perdida e agora sentia dores excruciantes no ventre, sentia no fundo do seu ser que ainda não era o momento do seu bebê nascer, olhou em volta com horror ao perceber que estava na mesma cabana velha, seu tornozelo estava preso por uma corrente grossa e cada vez que tentava puxá-la o ferro machucava sua pele.
Gritou por Edward, por ajuda e por piedade, mas parecia nada adiantava, sentia um medo enorme.
A porta decadente de madeira se abriu e um rosto se fez presente ao ultrapassá-la, por causa da dor sua vista estava turva e demorou um pouco para ver com clareza.
–James?
O sorriso que passou pelo seu rosto mostrava apenas maldade, seus olhos azuis chegavam a brilhar de ódio. Com dois passos estava a sua frente puxando seu cabelo da nuca com força.
–Sentiu minha falta?
Lágrimas de dor e medo caiam pelo rosto de Bella, ela sabia que seu bebê estava nascendo e não havia ninguém além daquele monstro ali, temia pela a vida de seu filho mais que a sua própria.
–Me ajude. – implorou com a voz entalada na garganta pela dor.
O homem loiro apenas riu e a empurrou mais no chão rindo com sua dor, mesmo que gritasse e implorasse ele apenas continuava ali com aquele sorriso doentio.
Uma figura feminina estava parada atrás dele vendo tudo, mas não se movia para ajuda-la e seu desespero aumentava ao sentir toda aquela dor, no fundo sentia que ninguém iria salva-la, que estava sozinha novamente, contudo, dessa vez, não perderia apenas a sua vida e sim a do seu bebê inocente também e ter consciência disso aumentava seu desespero.
Estava em um estado de letargia, sentia sua vida se esvaindo quando pensou que ele disse algo:
–Vou te levar até o seu pai. ”
A cabeça de Bella se levantou rapidamente da mesa de madeira, demorou alguns segundos até perceber que tinha sido um pesadelo, o pior pesadelo de sua vida. Tentando controlar sua respiração colocou as pernas na cadeira acolchoada de Edward e abraçou os joelhos querendo proteger seu ventre, não poderia deixar que ninguém machucasse seu bebê.
Em seu rosto tinha uma camada de suor frio e sua mão tremeu quando a secou, estava assustada, em seus pesadelos nunca tinha aparecido nenhum rosto e associar o monstro que a perseguia com James era uma tortura sem fim, sabia que isso poderia ser causado pela pesquisa que estava fazendo sobre ele ou toda a crueldade que ele mostrou com as pessoas mais próximas a ele.
Estava pressionada por todos os lados, pelo trabalho, o casamento, a gravidez. Não conseguia simplesmente parar para pensar em nada de especifico porque havia muitas preocupações em torno de sua vida, se sentia perdida e desconsolada.
Seu peito estava apertado e sua respiração artificial, rapidamente mexeu em sua bolsa procurando seu inalador, mesmo com as mãos trementes conseguiu acioná-lo sentindo o alivio imediato.
Não suportava mais as crises de asma ou o pânico que sentia antes de elas virem, queria que Edward estivesse ali para acalentá-la em seus braços e fazer seus medos irem embora, não suportava essa sensação de vazio, não sabia lidar com todo o medo do desconhecido.
Quando suas pernas estavam mais firmes se arriscou a ir para o quarto, tudo o que precisava era se enrolar no cobertor quente e esquecer-se do mundo exterior pelo menos por alguns minutos, Red a acompanhou e deitou ao seu lado na cama colocando a cabeça acima do seu ventre, adorava quando ele fazia isso, parecia que sabia haver alguém ali que ele deveria proteger e realmente precisava.
Edward estava inquieto, seu pé batucava embaixo da sua mesa constantemente, alguma coisa tinha acontecido com Bella, podia sentir isso, durante a reunião que assistia havia mandado duas mensagens para ela e não obteve retorno.
Só precisava aguentar mais dois minutos e iria para casa, só precisava disso, ir para casa e abraçar sua mulher até o ar sair do seu corpo, as poucas pessoas que assistiam a reunião aplaudiram quando o diretor de finanças terminava de explicar sobre os últimos balanços e começaram a questioná-lo sobre poucos pontos que não compreenderam.
–Nosso crescimento foi dentro do esperado e mesmo com a crise tivemos um lucro percentual elevado. – O homem careca e baixinho olhou orgulhoso para o chefe – Isso tudo se deve as novas mudanças de pessoal e estratégia, talvez pudéssemos implantar essa estratégia em todas as filiais.
Edward o olhou por poucos segundos e deu um elogio ao seu trabalho. Já que tudo parecia ótimo por ali não precisavam mais de sua presença, fez um gesto para Riley e seguiram para sua sala.
–Estou indo para casa. Qualquer coisa importante envie para Jasper, ele sabe de tudo relacionado aos contratos.
–Sim, senhor.
–Amanhã eu vou chegar mais cedo, preciso que vá ao escritório de Thomas Morrison, o advogado no centro e pegue um pacote que ele me enviou. Vou precisar dele até o final do dia amanhã.
–Claro, senhor. Mais alguma coisa?
Ele coçou a cabeça sabendo que estava se esquecendo de alguma coisa.
–Sim, na verdade tem. Amanhã passe na alfaiataria e pegue meu Smoking, o recibo está dentro da primeira gaveta.
Passou algumas instruções para seu assistente e entrou no elevador aliviado. O andar de Desenvolvimento estava um caos, pareciam trabalhar para a bolsa de valores, um falando mais alto que o outro.
–O que está acontecendo aqui? – questionou para a mulher loira que nunca conseguia lembrar o nome.
–Isso sempre acontece quando Bella fica fora. – respondeu com uma careta – Incrivelmente eles ficam perdidos sem ela e reclamam quando ela está aqui.
–Você não vai os ajudar?
–Para quê? Os homens daqui são muito orgulhosos e enquanto não aprenderem a falar gentilmente vão continuar como estão, batendo a cabeça na parede para resolver uma coisa simples.
Jane sabia que estava falando com o chefe de todos ali, mas aquela era a verdade, Bella os tinha acostumado mal e eles nunca deram valor, agora sem ela lá ficavam sem rumo. Era pouco para o que realmente mereciam. Incrivelmente Edward deu um sorriso convencido, ele sabia que Isabella fazia a diferença dentro daquele setor, mas agora poderia constatar com os próprios olhos como ela era importante.
Ignorando o pandemônio criado foi até a mesa dela recolhendo a pasta que ela queria, em poucos minutos estaria em casa nos braços de Isabella.
O apartamento estava calmo e silencioso como sempre, ao contrário do que imaginou ela não estava em seu escritório. Aproveitou para deixar sua pasta e o arquivo dela lá e foi para o quarto.
Bella estava enrolada nos cobertores apertando Red em seu abraço. O cachorro levantou as orelhas quando ele passou pela porta, mas não ousou se mexer, sua menina estava com o rosto pacifico, mas havia um rastro de lágrimas que denunciava que ela tinha chorado até dormir. Passou a mão pelos seus cabelos e deixou um beijo em seus lábios a questionaria quando acordasse.
Depois de um banho longo se sentou na poltrona que tinha no quarto e a observou em seu sono, não deveria deixa-la dormir àquela hora do dia porque a noite ela vagaria pela casa como um morto vivo, no entanto, era um fraco quando se tratava dela e vê-la tão tranquila amenizava o aperto em seu peito.
Sua menina foi acordar pouco antes do jantar, continuava enrolada ao cobertor, o observando com os olhos cautelosos, ele estava revendo alguns documentos no escritório e se surpreendeu quando ela passou pela porta daquele jeito.
–Boa noite. – abriu um sorriso a chamando para seu colo.
Imediatamente Bella foi até ele, deixando-se ser abraçada e o calor do corpo dele acalmar o frio que sentia por dentro. Edward imediatamente percebeu que tinha alguma coisa errada, Isabella não era de ficar em silencio por muito tempo.
–O que aconteceu? – ergueu seu rosto para encarar seus olhos – Está se sentindo bem?
Bella era uma péssima mentirosa, mas não queria falar pra ele de seus pesadelos, não queria ao menos se lembrar das cenas que passavam por sua mente.
–Só estou um pouco cansada e enjoada. – resmungou escondendo o rosto em seu peito para que não pudesse ver como o seu rosto tinha ficado rubro.
–Já tomou o remédio?
–Sim, mas não tem ajudado. Nada está parando no meu estomago.
Ele acariciou seu cabelo e a apertou mais em seus braços, se pudesse dividiria tudo o que ela estava passando. Seria capaz de tomar tudo para ele só pra que ela não mantivesse esse olhar desolado e confuso.
Na sua pesquisa sobre gravidez tinha lido que o primeiro trimestre era o mais difícil por causa do aumento dos hormônios, da adaptação do corpo ao feto e todas as mudanças, sem contar o risco de aborto espontâneo. O que ela estava passando agora era normal pra uma gestação saudável, mas para pais de primeira viagem poderia ser assustador.
–Quer que eu faça uma sopa pra você?
Ela negou com a cabeça se sentindo incapaz de comer qualquer coisa. Seu bebê era exigente com sua alimentação e nem as bolachas de agua e sal tinham ajudado. Com certeza, parte disso se atribuía a toda a pressão que estava envolta, felizmente depois que conseguisse apresentar os dados da nova empresa a Edward isso se normalizasse, mas por enquanto ainda se sentia envolta de areia movediça.
–Você precisa comer alguma coisa, pequena. – tentou convencê-la – Quando foi sua última refeição?
–Eram quatro da tarde. – resmungou – E depois coloquei tudo pra fora.
–Tudo bem. Que tal uma xicara de chá e alguns biscoitos amanteigados?
–Não quero.
–Só tente, você não pode ficar sem comer.
Relutante ela aceitou. Aproveitando que seu noivo protetor tinha saído Bella pegou a pasta que tinha pedido pra ele trazer. Lá tinha muitas evidencias do trabalho de James coletada nos últimos meses, foi difícil e trabalhoso reunir tantas informações, mas quando finalmente encontrou uma, todas vieram atrás.
Sua cabeça palpitava só de rever todos aqueles papeis, não estava pronta para encarar toda a merda por trás de James, o temia de uma forma que não era normal, só de lembrar dos seus olhos ou da forma que falou com ela quando foi preso seu corpo se arrepiava de pavor, parte desse medo era pelo que tinha feito a pessoas que confiavam nele e a maior parte, uma desconhecida, vinha de um lugar que não conseguia acessar em sua mente e preferia deixar assim.
Ouviu os passos de Edward no corredor e fechou a pasta deixando-a de lado, ainda não queria falar com ele sobre todos os seus receios e os pesadelos que a atormentavam, tinha certeza que quando o casamento passasse tudo voltaria ao normal e não queria preocupa-lo sem necessidades.
–Encontrei algumas frutas na cozinha e iogurte.
A preocupação e dedicação de Edward com ela e com o bebê foram capazes de expulsar todo seu temor.
–Mas primeiro acho melhor você tentar comer alguma coisa mais substancial, Heidi fez uma lasanha de berinjela com salada verde. – Ele deixou uma enorme bandeja em cima da mesa e começou a tirar os papéis para dar espaço a ela. – Depois você come as frutas e o iogurte.
–Não sei, talvez seja melhor ficar apenas com as frutas.
Edward ergueu uma sobrancelha e se preparou para discutir sobre isso, Heidi lhe tinha dito que Isabella passou mal durante grande parte do dia e mesmo que insistisse para que ela comesse alguma coisa seu estomago não aceitava.
Com um sorriso resignado ele a sentou no seu colo e pegou o garfo, se ela não queria comer, teria que obriga-la.
–Amanhã vamos ligar para o Dr. Caius e questionar se não há outro medicamento. – disse suavemente enquanto a alimentava – Você não pode ficar sem comer, não faz bem pra você e muito menos para o bebê.
–Eu sei. – resmungou entre uma garfada e outra, a lasanha estava deliciosa – Hoje de manhã estava ótima, fui até Esme e voltei bem, só que quando tentei tomar o café da tarde nada mais parou.
–Talvez você esteja sobrecarregada com o que está acontecendo e seu corpo protesta com os enjoos.
–Pode ser, mas essa sempre foi minha rotina. – Bella limpou a boca com o guardanapo e atacou a taça de frutas – Mesmo antes de conhecer você eu estudava e pesquisava muito, nunca fui de ficar parada e meu trabalho no escritório até que é calmo demais.
–Antes você não estava grávida. E aquele lugar é uma selva isso sim.
Bella o olhou questionando seu comentário e riu de sua explicação para o pandemônio que encontrou quando foi pegar os documentos, já havia sido alertada diversas vezes para não mimar os meninos e não o fazia, realmente, apenas cuidava para que realizassem um trabalho mais simples e rápido com eficiência.
Na hora de dormir tomou mais um comprimido para náuseas e se ajeitou ao lado de Edward, não tinha sono por causa do seu cochilo e temia os pesadelos que poderiam vir, rolou na cama por um longo tempo até que seu corpo fosse preso contra o dele pelos seus braços fortes, percebia que ele estava cansado, mas fez questão de sussurrar uma cantiga de ninar em seu ouvido até que ela adormecesse e por fim caiu na inconsciência.
(...)
Jane olhava a amiga correndo de um lado a outro desde quando havia pisado os pés no escritório. Estava preocupada, pelo que Demetri tinha dito no dia anterior ela estava passando mal e agora nem ficar parada por mais de dois segundos conseguia e não adiantava falar nada porque os olhares irritados que ela direcionava já mostravam a resposta.
Os meninos nem se atreviam a se aproximar dela depois da bronca que foi obrigada a dar pela baderna que causaram porque a Bella não estava, se sentiu no direito de coloca-los contra a parede e pedir gentilmente para que dessem um pouco de espaço e prestassem mais atenção aos seus próprios deveres porque via a hora em que Bella sairia correndo dali ou teria uma crise de nervos.
–Jane, preciso dos arquivos de dados do servidor três. – sua amiga estava mais pálida do que o normal – Já recebemos retorno da última atualização do sistema? Demetri quer que terminemos todo o procedimento de segurança antes de começar a mudar todos os arquivos para os novos e servidores. Você viu se o e-mail da companhia aérea já chegou, não sei que horas o voo dele vai sair. Não sei onde coloquei os relatórios de análise para a reunião que ele vai ter.
–Bells, respira. – falou calmamente – Tudo está em ordem, você mesma já distribuiu as tarefas, hoje até o final do turno vamos ter feito toda a transição. Paul vai ficar até mais tarde para garantir que tudo saia perfeito.
Pela primeira vez no dia Bella se permitiu cair na cadeira para descansar por poucos segundos, sua manhã estava atribulada e cheia de tarefas pendentes. Se sentia cansada, mas precisava deixar tudo em ordem para a próxima semana, Edward queria ficar pelo menos uma semana em lua de mel, sozinhos e sem qualquer meio de comunicação por perto. Seriam apenas os dois e um pequeno paraíso.
–Você me parece tão pálida. Já foi ao médico?
Claro que estava pálida, o nervosismo não deixava nada parar em seu estomago, felizmente Dr. Caius mudou o remédio para náuseas e agora conseguia comer em pequenas quantidades.
–Sim, eu fui. Ele falou que era apenas ansiedade e nervosismo por causa de todo o estresse que estou passando. – mentiu, não estava pronta para falar sobre o bebê.
–Te falei que não era nada grave. Depois que passar o casamento você vai ficar mais tranquila e tudo vai tomar o seu eixo.
–Assim espero. – murmurou esperançosa. – Tenho uma reunião com Edward e não sei que horas volto. Você consegue controlar os meninos aqui?
–Claro, vá lá e prove pra ele que Santiago é o melhor!
Bella riu ao ver o sorriso malicioso no rosto de Jane, não fazia ideia do que ela tramava, mas não queria se meter, ela que se entendesse com Demetri e o seu novo interesse romântico.
Ao parar em frente à mesa da assistente dada do noivo Bella se obrigou a respirar fundo, não poderia criar uma briga agora, o que menos precisava era de mais um problema enquanto flutuava em meios a dezenas deles.
Um homem loiro apareceu na sua frente com um enorme sorriso, ele parecia jovem com o cabelo liso caindo na testa chamando atenção para seus olhos azuis.
–Posso ajuda-la, senhorita? – sua voz era calma e solicita.
–Ah sim, estou esperando a assistente do Edw... Digo, Sr. Cullen.
–Ela foi dispensada e agora eu sou o assistente do Sr. Cullen. – esclareceu pacientemente – Você tem horário?
–Sim, tenho uma reunião com ele agora.
–Claro. – ele correu pra sua mesa verificando o tablet – Você é do setor de Desenvolvimento de Softwares correto?
–Exatamente. – sorriu pra ele – Bella Swan.
–Prazer, Bella, posso te chamar assim?
–Todos me chamam assim.
–Sou Riley Biers, o Sr. Cullen está em uma reunião, mas logo terminará e você entra.
Riley era completamente diferente das últimas assistentes de Edward, ele se mostrava simpático e bem humorado, mas sempre respeitoso. Estavam conversando há alguns minutos sobre o trabalho dela quando Bella sentiu um frio na barriga e seus pelos da nuca se arrepiarem. Se virou lentamente encontrando o noivo com uma carranca parado na porta e Alice sorrindo.
–Bom, vou correr para fazer o que me pediu. – Alice quebrou o silencio que se formou e deu um beijo na bochecha do primo – Oi, Bella. Nos encontramos amanhã para ir ao Spa, preciso falar com você.
–Claro, Allie. Até amanhã.
Assim que a fadinha entrou no elevador o silencio voltou a reinar no saguão.
–Sr. Cullen. Devo preparar a sala de reuniões?
–Não é necessário, Riley. – forçou sua voz a sair calma – Entre, Isabella.
Bella sorriu para o assistente do noivo e entrou na sala imponente que ele passava a maior parte do dia, sempre que ia ali era como se fosse à primeira vez, ainda se lembrada do sentimento de apreensão ao encontra-lo em meio aos muitos arranha-céus que rodeavam o prédio da Cullen.
–Você consegue fazer amizades com uma facilidade impressionante.
Suas palavras saíram antes de conseguir se controlar. Não suportava que outros homens ficassem todos bobos em cima de sua mulher, sabia que ela era linda e com um ar inocente que parecia atrair até mesmo os mortos, quando saíam para caminhar até os idosos a olhavam, mas ver seu assistente conversar com ela e ficar mandando sorrisos já era demais.
–Faz parte do meu charme. – murmurou seca. – Vim aqui para falar sobre a mudança da prestadora de serviço, não tenho tempo para entrar em uma discussão com você sobre ciúmes.
Edward bufou conformado, o humor de Isabella não era um dos melhores desde que tinha acordado e se viu quase revirada ao avesso. A noite não havia sido boa, escutou ela resmungando coisas inteligíveis em seu sono e teve certeza de que se tratava de um pesadelo, mas a teimosa se negou a falar do sonho e quando tentou puxar assunto com ela durante o café da manhã e o caminho para empresa o tinha recebido com quatro pedras na mão.
–Certo. – puxou a cadeira para ela se sentar e foi até a sua – O que tem para me apresentar?
–Eu queria que ficasse calmo quando lesse os relatórios e antes de tomar qualquer decisão me deixe explicar para você tudo isso.
Com uma sobrancelha arqueada com desconfiança ele assentiu pegando a pasta com o símbolo da empresa que ela colocou em sua mão.
–Eu estava investigando o padrão que James usava para desviar dinheiro da empresa e achei curioso que o antigo antivírus fosse tão facilmente desativado, eu demorei dias para conseguir fazer o mesmo e ainda sim algumas barreiras ainda apareceram, então fui mais fundo e descobri que a Sukhoi mantinha um código de acesso único para ele e com esse código ele tinha acesso e controle sobre várias partes da empresa.
Edward lia os papéis incrédulo, até preso o infeliz ainda conseguia lhe atormentar, até quando continuaria aparecendo novidades sobre ele?
Quando a investigação sobre James começou foram descobertos vários crimes: Sonegação de impostos, desvio de dinheiro, super faturamento com alguns contratos e muitos outros crimes, mas lavagem de dinheiro ainda não foi um deles, ainda.
–A Sukhoi então facilitava a entrada dele, eles tinham alguém que liberava essas informações?
–Não era preciso. – Bella mexeu na pasta que estava em sua mão procurando pelo documento que tinha encontrado – Ele é o dono da empresa, junto com um tal de Marcus Petrov, esse cara é sinal de problemas, já foi acusado de diversos crimes contra o governo e é procurado em cinco países diferentes, parece que usa uma identidade falsa.
–Como não descobri antes?
–Essa informação não é fácil de conseguir, eu mesma demorei dias no banco de dados russos para ao menos ter uma combinação de que era a pessoa certa.
Como puderam ser tão tolos durante todos esses anos quanto a James, ele manipulava boa parte da empresa como bem entendesse, se lembrava de ter negociado com o representante da Sukhoi pessoalmente e eles pareciam ser os melhores no que faziam.
–Como você conseguiu? Pediu favores?
–Não foi preciso.
–Então como conseguiu?
–Invadi o sistema do governo.
Bella disse como se fosse a coisa mais natural do mundo sair por aí invadindo sistemas governamentais.
–Você é louca. Eles podem ter rastreado você.
–A tecnologia russa não é boa o suficiente para isso. – fez um gesto de desdém com a mão – Garanti de fazer tudo da forma mais invisível, não existe a mínima possibilidade de terem rastreado qualquer informação, até porque, a lista de procurados para crimes federais fica disponível para qualquer um que tenha curiosidade.
Foi impossível para Edward segurar o riso. Sua menina sempre tinha uma resposta para tudo, ele queria uma prova de que a nova empresa poderia ser melhor que a Sukhoi e ela esfregou em sua face algo maior que isso.
–E a RS apresentou um projeto melhor que esse?
–Bem melhor, Santiago Willians, representante da RS nos trouxe bastante conteúdo sobre o trabalho da empresa e a investigação sobre eles foram positivas, não encontrei nenhuma irregularidade nas suas finanças e muitos dos seus clientes nos recomendaram o serviço.
–Deveria contratar você para trabalhar na segurança no lugar de Laurent, está me saindo mais eficiente que ele e olha que é pago para fazer isso.
Bella riu. Não era culpa do assessor de segurança que tudo isso estava acontecendo, a verdade é que se ela não tivesse tão avida por informações não teria chegado a toda aquela descoberta.
–Então eu posso fechar o contrato?
–Sim, pede para Demetri me enviar uma cópia e vamos começar logo a preparar a produção da Ônix, quanto mais cedo ela estiver no mercado melhor. Já perdemos tempo demais com toda a confusão que se abateu na empresa.
–Estou surpresa com a nossa reunião.
–Esperava instrumentos de tortura e tochas? – sorriu de lado.
–Não. Tochas não. – riu com a careta que ele fez – Só não estava preparada para tudo sair com toda essa tranquilidade, normalmente nossas reuniões sempre acabam em discussões acaloradas e debates intermináveis.
Ele saiu de sua cadeira e a ajudou levantar colando seus corpos.
–Acho que apenas não suporto mais brigar, você estava certa todo o tempo, eu lhe devo um pedido de desculpas.
–Cadê o meu noivo? Esse não é o Edward que eu conheço.
–É sim pequena, mas ele está tão feliz que em dois dias vai estar casado com a mulher da vida dele e em menos de sete meses vai ter um pequeno tesouro, que não se importa mais com seu orgulho de macho. E ele só quer te amar aqui e agora.
–Na sua sala? – Ele confirmou sorrindo de lado começando a beijar seu pescoço – Não, Edward seu assistente está lá fora. Vão escutar.
–Não tem como Bella. Essas paredes são a prova de som e eu preciso de você aqui em cima da minha mesa.
Sabendo que ela estava pensando demais Edward a beijou, apenas um encontro de lábios, brincando com ela, Bella estava quase choramingando quando ele sugou seus lábios e permitiu que suas línguas se encontrassem a dominando, querendo mostrar que ela o pertencia. Suas mãos traçando seu rosto, o gravando em sua mente.
As pequenas mãos estavam inquietas e logo se moveram para a camisa dele abrindo os botões com pressa suspirando em contentamento quando tocou a pele quente e forte do peito de Edward.
–Você me deixa louco, pequena. – mordeu o lóbulo da sua orelha descendo para o pescoço o sugando – Eu te quero tanto que chega a doer.
Ela era incapaz de pronunciar uma palavra sequer, seus sentidos estão dominados por ele, sua boca era atacada ferozmente enquanto se despiam desajeitadamente.
Edward passou a mão na mesa derrubando os papeis que estavam ali e a colocou sentada se infiltrando entre suas pernas, Bella circulou seu corpo e beijou seu peito sugando a pele e deixando uma pequena marca.
–Me diz como você me quer Isabella? – segurou em seus cabelos encarando seus olhos – Me quer rápido e forte ou lento e suave?
–Quero tudo de você. – sua voz saiu rouca e necessitada, mas expressou o que realmente desejava.
–Essa sempre foi a minha fantasia. – a deitou na mesa deixando suaves beijos na sua clavícula até chegar aos seios – Desde que você entrou na minha sala na primeira vez, queria domina-la aqui, te mostrar o quanto lhe desejo.
Sua mão acariciou o seio esquerdo com carinho, e sugou o direito, eles estavam maiores e mais sensíveis, adorava as mudanças que a gravidez causava no corpo de sua pequena, os pequenos detalhes que descobria aos poucos.
–Por favor, Edward... – suspirou se contorcendo – Preciso de você.
Com um sorriso sua mão desceu para seu estomago até alcançar seu sexo, ela estava lisa e molhada, foi impossível segurar um gemido, a acariciou sem pressa, hoje queria que tudo se fodesse do lado de fora daquele escritório.
–Logo vou estar dentro de você. – sussurrou antes de atacar seus lábios – Vou estar tão fundo que você vai implorar por mais.
–Edward...
–Vou dominar seu corpo pra mim, mostrar a você que eu sou o único que é capaz de te dar o que precisa.
Bella estava quase desmaiando com suas palavras, ele a estava castigando, pois toda vez que estava próxima ao clímax ele diminuía o ritmo de seus dedos. Cansada do jogo dele levou a mão para seu clitóris, mas foi impedida.
–Nada disso. O seu corpo é meu Isabella, apenas meu.
–Por favor, Edward... Eu preciso de você...
–Não. Ainda não. – sussurrou – Quando eu estiver dentro de você, quero que grite! Grite alto! Para que qualquer pessoa em um raio de três quilômetros escute o que sou capaz de fazer com você.
–Edward... Por favor... Por favor...
–Você pode fazer isso por mim? Pode gritar?
–Sim, eu faço tudo o que você quiser...
Com um sorriso sacana ele se afastou e tirou o cinto abaixando a calça, a cabeça de seu membro brincava com a abertura úmida da mulher a sua frente, não queria tortura-la, no entanto ao vê-la tão entregue e disposta foi impossível segurar o seu lado possessivo.
A olhando nos olhos invadiu seu corpo ouvindo o suspiro longo de satisfação. Estar dentro dela sempre melhorava, sempre parecia a primeira vez, a beijou com ternura se movendo lentamente, sentia as unhas dela se afundarem em suas costas e poderia se importar menos. Tudo o que queria e precisava estava em seus braços gemendo baixinho o seu nome.
–Edward... Mais... Mais...
–Você ainda não gritou, pequena.
–Mais rápido.
Atendendo ao seu apelo intensificou suas estocadas e podia sentir o corpo dela deslizar pela mesa de vidro. A visão de Isabella Swan em sua mesa nua, descabelada e o puxando mais pra ele parecia uma miragem. Os gritos roucos que saíam de sua boca era o incentivo que precisa, o que queria.
–Puta que pariu. – não conteve o palavrão quando ela rebolou – Você quer me matar, pequena.
Ela não respondeu e o puxou para mais perto quando seu corpo se convulsionava o ordenhando e os levando para um universo paralelo, onde nada e nem ninguém poderia atrapalhar.
Agora sim se sentia pleno e seguro. Com Isabella em seus braços poderia enfrentar os problemas que o mundo lá fora os esperava, mas nada importava agora, deixaria para enfrenta-los mais tarde.
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