O Que Somos
42 Capítulo 40
Capítulo 40
–Eu espero que seu sobrinho consiga amansar Isabella. – Renée falou para Esme enquanto escolhiam os cristais para o casamento em uma loja.
–Por quê? – questionou apreensiva.
–Conheço aquela menina melhor que ela mesma e sei o quão temperamental ela é. Se ele não conseguir domar a fera, estaremos com problemas quando voltarem.
Esme riu entendendo o ponto. Mas também conhecia o seu sobrinho, duvidava que ele deixasse Bella descer daquele barco sem que resolvesse todos os seus problemas.
–Não se preocupe com eles, Edward é um bom negociante – piscou – Você já pensou para quem vamos mandar os convites?
–Pensei em algumas pessoas que vão se roer de inveja.
~//~
–Você emagreceu muito – A voz de Edward fez Bella abrir um olho.
Estavam deitados na proa do veleiro no grande sofá que caberiam pelo menos seis pessoas, olhando as milhares estrelas visíveis naquele paraíso, durante o dia ele a tinha ensinado pilotar o barco e hastear as velas e com o cair da tarde a arrastou para se deitarem a luz da lua e das estrelas.
–Você também. – murmurou cansada, nem passava das sete da noite e tinha dormido por mais de dez horas, não sabia como ainda tinha sono.
–Eu não perdi tanto, mas você sim. – ele acariciou suas costas – Eu consigo sentir suas costelas.
Ela bateu na mão dele e se virou ficando em cima do seu peito o olhando nos olhos.
–O que você quer que eu diga? – questionou confusa – Nada descia pela minha garganta e quando comia parecia pedaços de isopor. Sem gosto e sem graça.
Edward a abraçou forte, sabendo como era a sensação de não conseguir fazer nada além de tentar sobreviver a um dia após o outro levado pela esperança de que um dia a teria de volta, pelo menos tinha Heidi que o obrigava a comer, e, a bebida, mas ela estava sozinha naquele apartamento. Respirou fundo para controlar o seu temperamento, deveria tê-la raptado antes.
–Eu vou cuidar de te alimentar durante nossa viajem. – falou sério e a pegou no colo entrando na cozinha.
Sentou-a na cadeira atrás da pequena mesa de madeira e pegou alguns ingredientes para começar a cozinhar. Ela o observou se mover pelo espaço limitado e mordeu o lábio. Percebeu de longe que ele tinha ficado irritado com sua perda de peso, não sabia como ele poderia imaginar que ela ficaria feliz e saltitante longe dele, aquele foi o pior período de sua vida adulta e não queria repetir.
–Quer ajuda? – questionou depois de um tempo em silencio.
–Não. – se virou sorrindo pra ela – A comida está pronta, vou apenas acrescentar algumas coisas.
Suas sobrancelhas franziram com mais essa informação, não tinha dúvida alguma que havia sido drogada e levada até ele por sua própria mãe, se lembrava vagamente da conversa que tiveram, quando retornasse ou tivesse acesso a um telefone trataria de esclarecer tudo com ela.
Um prato foi depositado a sua frente tirando-a de seus devaneios, logo depois um copo com agua e os talheres. Edward sorriu e sentou a sua frente começando a comer, ela ainda demorou alguns segundos, mas logo seguiu seu exemplo apreciando a refeição sem pressa, ainda queria realocar seus pensamentos dispersos.
–Aconteceu alguma coisa? – Edward perguntou – Você está muito calada.
–Está tudo bem – deu de ombros e tomou um gole de água.
A mão de Edward se fechou com força sobre a mesa, poderia perceber de longe que algo a incomodava e muito, ela esquivava de todas as suas perguntas e preocupações, não queria pressioná-la muito, afinal tinham acabado de se reconciliar, começou a batucar os dedos na madeira e fixou o olhar nela ainda comendo, queria uma taça de vinho, mas tinha feito uma promessa a si mesmo reduzir o consumo de álcool se ela o perdoasse, agora tinha que cumprir.
–Você pode me dizer se alguma coisa está errada. – falou suavemente – Se quiser voltar... Podemos voltar.
Ela colocou a mão em cima da dele e a apertou forte.
–Não... Eu... Eu quero estar aqui com você. Longe de tudo.
Ele sorriu aliviado e levou a mão dela aos lábios beijando seus dedos.
–Só estou pensando sobre as últimas semanas, tudo isso... Tudo o que aconteceu... Que está acontecendo me deixa... Só é demais. – tentou explicar, mas não conseguia reunir suas conclusões para um pensamento coerente.
–A mesma coisa está se passando pela minha cabeça. Não quero que se isole em si mesma, sei como isso te prejudica, então se quiser conversar com alguém sabe que pode contar comigo.
Ela sorriu fraco e rodeou a mesa para sentar em seu colo com uma perna de cada lado do seu corpo, o abraçou pelo pescoço e beijou sua boca, sugando seus lábios, um de cada vez e depois a língua se deixando levar pelo gosto dele que a embriagava, ele agarrou sua cintura a apertando forte, subindo uma mão até sua nuca prendendo os cachos e dominando sua boca, mostrando para Bella o que tinham perdido no tempo que ficaram separados.
Se levantou com ela presa em seu quadril e caminhou cegamente até sua cabine parando no caminho para prende-la na parede e tentar tirar suas roupas, ato impedido pelo grau de excitação que se encontravam, as mãos de Bella correram pelo peito dele desnudo e o arranhou escutando um rosnado contido e seu corpo se estremeceu com o som, adorava quando ele ficava assim.
Ao chegarem à cama macia Edward deitou o pequeno e delicado corpo no centro e se afastou ofegante ficando de joelhos. Tirou a camiseta que ela usava e o sutiã com calma deixando beijos do pescoço a sua barriga. Bella se contorceu na cama o prendendo pelos cabelos, a chama do desejo queimando seu corpo seguindo o rastro que ele criava com a boca.
Edward tratou de tirar a calça que ela estava e jogou em algum lugar na cabine, subiu seu corpo pelo dela e prendeu suas mãos juntas a olhando.
–Pensei que nunca mais teria você dessa forma – sussurrou e mordeu o lóbulo da orelha – Não me deixe mais.
–Oh Deus... – Bella não se sentia capaz de racionalizar com o corpo dele acima do seu depois de um tempo que pareceu a eternidade – Nunca! Prometo!
Para selar a promessa ele se introduziu no seu calor quente sem pressa, sentindo seu interior o envolver centímetro por centímetro, nunca desviando o olhar do dela, seus narizes se tocando, suas respirações mesclando na única forma que conseguiam mostrar que tudo ficaria bem. A se ver completamente envolvido por ela a beijou começando a se mover, sempre devagar usufruindo da sensação que era possuir o corpo de sua menina, sua mulher, sua amante. Ver o desejo nublando os olhos verdes o fez gemer alto e apertar suas mãos firmemente para começar a investir com mais força nela, mordendo seu queixo e pescoço se deliciando com os gemidos baixos e profundos que fazia seu orgasmo se aproximar rápido.
–Eu te amo Edward...
Aquelas palavras foram capazes de fazer sua vista se nublar e se deixou levar com uma última arremetida em seu centro e grunhiu algo parecido com o nome dela se derramando em seu interior. Sua cabeça caiu entre o pescoço e o ombro dela, sua respiração falha e seu coração batendo tão forte no peito que parecia querer pular para fora, Bella não estava em melhores condições, sempre parecia à primeira vez, não pode evitar que lágrimas escorressem por seus olhos e mordeu o lábio para conter um soluço. Puxou suas mãos e acariciou o cabelo macio que estava maior, beijou sua cabeça deixando o cheiro amadeirado misturado com menta e agora suado infiltrar no seu sistema e a acalmar.
Nunca deveria ter deixado tudo chegar naquele ponto, não deveria ter permitido que se afastassem, todo aquele tempo longe dele a tinha matado aos poucos e agora dentro de seus braços parecia que fazia anos que aquilo tinha se passado e como poderia esse tipo de coisa acontecer logo com ela?
Se fez uma promessa, não importasse o que acontece estaria com ele, não o condenaria a aquilo novamente, não poderia suportar causar dor a ele. Sentiu que a respiração de Edward se acalmou e fugiu dos seus braços indo para o banheiro, tomou uma ducha rápida e se secou. A se ver no espelho pode perceber que nas poucas horas a bordo tinha pegado um pouco de cor e seus olhos pareciam bem mais brilhantes. Era o efeito: Edward Cullen.
Sorriu para si mesma e entrou na cabine o vendo jogado na cama de costas agarrado ao travesseiro, pegou uma camisa dele no armário e vestiu, durante os dias anteriores para conseguir dormir se agarrava a uma de suas camisas que tinha roubado do closet quando saiu do apartamento, chorava até conseguir dormir com a camisa enrolada em seus braços, suspirou e foi até a cozinha, juntou as poucas louças e as lavou, depois subiu para o convés se sentando no chão de madeira e olhou para todo aquele escuro, era fascinante e assustador ao mesmo tempo, era como fazer parte do espaço infinito sem saber para onde estava indo, um dos melhores sentimentos que já provara.
Edward passou a mão pela cama para puxar o corpo de Bella até o seu e o encontrou vazio, se sentou tentando acostumar os olhos com a escuridão e nem se importou em pegar algo para se cobrir, caminhou pelo catamarã sem encontrar nenhum vestígio de sua noiva, subiu e parou na porta a vendo imersa em pensamentos olhando para o céu totalmente estrelado, foi até ela e se sentou a colando em seu peito, Bella não ficou surpresa ao escutar passos e logo depois o corpo quente se recostando nela e beijando seus cabelos.
–Venha pra cama, está tarde.
Ela se recostou no peito dele e se levantou o puxando para dentro, logo que deitou na cama e ele a abraçou foi vencida pelo cansaço, caindo em um sono profundo e sem sonhos. Edward a olhou ressonar e a apertou mais forte para que não conseguisse sair dos seus braços e dormiu.
O cheiro do café pairava por todo interior do veleiro a acordou, a luz forte do sol bateu no seu rosto por uma das janelas de vidro e tentou se esconder debaixo do travesseiro, mas não tinha jeito, não conseguiria mais dormir se sentou e espreguiçou, escovou os dentes e seguiu o cheiro de café, ele estava forte da forma em que gostava, foi atrás de Edward no posto de comando, com certeza ele já estaria lá. Parou na porta vendo como ele fazia anotações no computador de bordo enquanto conversava com um rapaz, provavelmente da guarda costeira, poucos instantes depois ele levantou a cabeça e a olhou sorrindo de lado.
–Sim, 45 graus a nordeste e seguindo a estibordo, sendo favorecido por barlavento. Cambio. – falou sem desviar o olhar do seu sorrindo.
–Copiado The Lizzie, mantenha o curso. Cambio e desligo.
Assim que Edward desligou o rádio Bella caminhou até ele e sentou no seu colo beijando seus lábios.
–Por que The Lizzie? – perguntou se afastando para continuar tomando seu café.
–Era o nome da minha mãe, – explicou – Elizabeth, quando a empresa construiu o catamarã não pensei duas vezes e coloquei o nome dela. Era uma forma de ela estar presente comigo.
–É uma linda homenagem. – afagou seu rosto. – Mas não entendi nada do que você disse.
–Basicamente disse que vamos seguir a nordeste, à direita, e que temos o vento a nosso favor. – explicou acariciando sua cintura coberta apenas pela sua camisa branca.
–Entendi. Quantos dias mais teremos de viajem?
–Mais um ou dois, se o vento continuar assim. – beijou sua bochecha – Achei que iria dormir o dia todo.
–Que horas são?
–Uma da tarde.
Bella escondeu o rosto no pescoço dele, agora que tudo estava bem seu organismo voltou a funcionar normalmente, particularmente gostava disso. Fez questão de cozinhar pra ele o almoço, comeram conversando sobre assuntos banais, nenhum dos dois querendo relembrar os últimos dias, ainda .
No fim da tarde o vento começou a soprar mais forte e o céu escureceu evidenciando a tempestade a caminho, Edward suspirou e direcionou as velas, aproveitaria o mal tempo para ganhar mais velocidade e diminuir o tempo de viajem, Bella estava do seu lado todo o tempo o olhando apreensiva, era a sua primeira vez em mar aberto e com certeza não estava pronta para uma tempestade.
–Vai ficar tudo bem. – garantiu beijando os seus dedos quando gotas grossas de chuva batiam no grande vitro – Já enfrentei grandes temporais.
Ela assentiu e mordeu o lábio se sentando no sofá ao canto o observando guiar o veleiro pelas ondas grandes que faziam o barco balançar como um avião passando por turbulências, não havia dúvidas de que ele era um piloto excelente, aliás, assim como em tudo o que fazia. Se apertou mais forte quando o veleiro ficou com a ponta erguida ao passar por uma onda grande, as batidas do seu coração se suspenderam por alguns segundos até que o barco ficou na sua posição correta.
–É apenas uma área climática, só mais algumas léguas e tudo ficará bem. – o sorriso calmo não a ajudou, pelo contrário, fazia algum tempo que não orava e começou agora, não era corajosa o suficiente para passar por toda essa adrenalina, seu coração não era tão forte assim.
Quando a luz da lua apareceu na sua frente e o temporal cessou completamente soltou um suspiro de alivio e não ousou se levantar, com certeza suas pernas não responderiam. Aquilo se parecia com a sua vida, uma enorme tempestade causando danos e depois a calmaria tão almejada e esperada. Agradeceu aos céus pelos dois terem dado certo.
Existia um nó em seu estomago que não descia e não subia, respirou fundo e abriu os olhos, Edward estava ajoelhado em sua frente preocupado, foram apenas meia hora de temporal muito bem aproveitada e que acelerou sua viagem, sua menina estava pálida e pregada no sofá, parecia que ela não curtia muita adrenalina, sentou ao lado dela e a puxou para o seu colo acariciando suas costas.
–Está bem?
Ela assentiu com a cabeça sentindo seu corpo voltar ao normal, voltaria para casa de avião, dependendo da situação até mesmo a pé, nada a faria voltar entrar no veleiro para uma viagem em alto mar. Já tinha sido o suficiente pra uma vida.
Edward a pegou no colo e desceu para a cabine e entrou no banheiro descartando suas roupas no caminho para um bom banho. Lavou o corpo de sua menina com cuidado deixando pequenos beijos em seus ombros e pescoço, ela se aconchegou mais a ele, gostando do calor que desprendia do seu corpo, sorriu ao beijar acima do seu coração e o ouvir gemer baixinho. Afastou-se pegando a toalha e começou a se secar enquanto ele terminava o seu banho. Vestiu a camisa verde dele que cobria apenas o essencial deitou na cama de bruços e fechou os olhos cansados.
Sentiu uma mão acariciar sua perna e não se moveu, a mão atrevida subiu a acariciando e fazendo todos os pelos de seu corpo arrepiar. Fugiu do alcance da caricia dele e o olhou ainda com a toalha enrolada na cintura e o cabelo molhado com gotas de água escorrendo para o peito.
–Gostei da sua camisa. – falou rouco deitando em cima dela.
–Eu também. Ela tem o seu cheiro.
–Uhm, Srta. Swan. – ronronou beijando seu pescoço – Eu prefiro o seu cheiro e essa camisa é minha, então eu te ordeno que a tire agora.
Bella riu e o empurrou para sentar em seu colo, acariciou o peito forte com as unhas e sentiu o membro dele dar sinal de vida, beijou seu queixo e o mordeu deixando uma pequena e imperceptível marca vermelha tirou as mãos dele de sua cintura e as segurou ao lado da cabeça o beijando suavemente, um encontro de lábios, dominando sua boca para depois introduzir sua língua procurando a dele, se moveu em seu colo o ouvindo gemer e morder seu lábio inferior. Rapidamente se levantou da cama respirando com dificuldade, Edward a olhou confuso, ela não o deixaria assim, com o mastro hasteado. Deixaria?
–Estou com fome. – ela falou mordendo o lábio.
–Você não pode tá falando sério. – ela o deixaria exatamente assim – Não dá pra comer depois?
–Eu não consigo pensar em nada com meu estomago rocando. – desamassou a camisa e saiu da cabine para procurar alguma coisa para comer.
Edward suspirou frustrado, não era possível que sua menina insolente o tinha deixado a ver navios, se praguejou, quando pela segunda vez utilizava termos sobre barcos para sua situação, respirou fundo e foi atrás dela, Bella estava comendo um grande prato de frango frito com purê de batatas e legumes cozidos, sem ter o que fazer se sentou com ela roubando alguns dos legumes de seu prato ocasionalmente. O que não era capaz de fazer por essa mulher afinal?
Bella sorriu pra ele ainda mastigando e apertou sua mão tentando mostrar quão agradecida era por ter ele novamente.
–Prometo que assim que fazer a digestão vou te compensar. – falou depois de engolir.
–Eu espero isso pequena, porque vou cobrar. – sua voz era uma promessa sensual – Com juros.
Fale com o autor