O Que Somos
33 Capítulo 32
Capítulo 32
Bella rolou na cama escutando o barulho da chuva cair forte e bater contra o vidro da janela. Não conseguia dormir, estava exausta e aquele barulho não ajudava a pregar os olhos. Ela se virou para Edward, que a prendia nos braços, acariciou seu rosto e suspirou baixinho. Seria muita crueldade se o acordasse para que fizesse companhia a ela?
–Não consegue dormir? – a voz baixa e rouca a assustou brevemente antes de negar com a cabeça. – Tudo bem.
Ele a puxou mais perto de seu corpo a cabeça dela em seu pescoço e começou a cantarolar uma música suave, uma cantiga de ninar, ela nunca tinha escutado essa canção. Se deixou levar e poucos segundos depois caiu no mundo da inconsciência. Acordou com pequenos beijos sendo deixados em suas costas, do pescoço descendo por sua coluna e depois uma mordida em sua marca de nascença. Seu corpo se arrepiou com o contato e gemeu baixinho.
–Bom dia, amor. – Edward falou em seu ouvido
–Bom dia, tigrão. – ele abriu um sorriso enorme com o apelido e a virou.
–Dormiu bem?
–Sempre durmo bem com você. – se levantou caminhando para o banho, ele já tinha se banhado e estava vestido com a calça social e sem camisa. Uma tentação – Tenho que levar Red para uma caminhada.
–Félix já fez isso e providenciou comida e uma cama para ele. – ele falou a observando se vestir com uma saia vinho que ia pouco abaixo do joelho e colocar a camisa preta. – Ainda está chovendo. Ele é muito novo ainda então vai ser adestrado em casa e depois o ensinamos coisas no parque.
Ela concordou e calçou a sandália de salto se maquiando rapidamente. Pegou sua roupa de ginástica e colocou na bolsa, hoje iria para a academia, precisava criar mais resistência se quisesse acompanhar o ritmo do noivo. Tomou o café apreciando o gosto. Sua mãe era contra o consumo de cafeína e desde que viajara não tinha bebido, sorveu dele com vontade apreciando os ovos mexidos que apenas Heidi sabia fazer. O caminho para o escritório foi gasto com Edward lendo alguns e-mails no celular e olhou para fora da janela vendo como a chuva ainda forte batia na janela do carro. Félix parou na garagem do subsolo e abriu a porta para ela.
Sentou em sua mesa, ligou o computador e começou a analisar a quantidade de papéis e os conteúdos, separou tudo por ordem de prioridade e começou a verificar alguns códigos da Ônix. Tudo estava indo perfeitamente bem, o sistema estava seguro e o espião não tinha dado sinal de vida, provavelmente já sabia da nova barreira.
–Oi Bella, como foi o feriado? – Jacob perguntou se inclinando em sua mesa.
–Foi ótimo. Perfeito, na verdade – estava começando a se sentir desconfortável com a presença constante dele perguntando sobre suas coisas pessoais.
–O Cullen foi com você?
–Sim, Edward foi conhecer meus pais. – tentou mostrar o nível de comprometimento que seu colega ignorava – Eles o adoraram.
–Que bom. Fico feliz por você.
Ela soltou um suspiro de alivio quando ele saiu, daria um jeito de cortar o mal pela raiz o mais rápido possível, estava com um mau pressentimento.
Edward olhou para a pilha de papeis pendentes em sua mesa e gemeu baixinho, olhou por cima sobre o que se tratava. Rosie já tinha separado e avaliado todos, na capa de cada contrato tinha um breve relatório e os tópicos mais importantes que precisava saber sobre cada um. Ele os leu e assinou alguns. Na hora do almoço ligou para Bella e avisou que teria uma reunião e não poderiam almoçar juntos. No fim da tarde ainda teria uma vídeo conferencia com um sheik árabe a respeito de alguns negócios que estavam fazendo. Bella o tinha avisado que iria para a academia e Garret estava com ela, dessa vez ela não reclamou e nem brigou, apenas assentiu com a confirmação que o segurança a esperaria no carro. Era um sacrifício para ele deixá-la sem proteção, mas estava conseguindo ser o mais razoável possível.
Quando chegou em casa a mesa estava posta, faltava pouco para as oito. Red veio recepcioná-lo com o rabo abanando, o acariciou e foi até seu quarto. Bella estava deitada no tapete felpudo em volta de alguns papéis e com fones de ouvido cantarolando uma música antiga. Foi até ela puxando o seu pé e riu quando ela saltou de susto.
–Chegou tarde. – sussurrou se levantando para ajudá-lo a tirar as roupas – Você parece tão cansado. Vai tomar um banho enquanto arrumo minha bagunça aqui.
Ele concordou a beijando suavemente tirando seu fôlego. Ao se separarem ele se arrastou até o chuveiro e ela pegou os papéis deixando apenas um envelope em cima da mesa de cabeceira, leria ele depois. Edward apareceu na cozinha com apenas a calça xadrez do pijama, Red estava brincando com Bella na sala, rolando com ela enquanto tentava pegar um ursinho de pelúcia que ela segurava longe do alcance dele. Quando ela o viu, o cachorro aproveitou que a dona estava distraída e pegou o urso correndo para sua casinha.
–Acho que nunca vou me acostumar ao te ver vestido apenas com essa calça. – falou passando a mão pelo peito forte e o abdômen definido.
–Eu é que nunca vou me acostumar ao te ver apenas com essa minúscula coisa que você chama de camisola.
Ela tinha se vestido com a camisola nova da Victoria Secrets. Era azul marinho de renda na parte dos seios com alças finas de seda e mal cobria sua bunda. Quando passou pela loja no dia que foi almoçar com Rosie no shopping tinha aproveitado e comprado algumas. Riu do comentário dele, ele tinha rasgado uma delas na casa da arvore, esperava que essa continuasse inteira no final da noite.
Durante o jantar mantiveram uma conversa leve sobre o casamento e o bebê de Rosie e Emm.
–Seu trabalho tá muito atrasado? – perguntou vendo que ele parecia cansado.
–Um pouco, mas agora que Jazz voltou tudo vai ficar mais calmo. – tomou um gole do vinho – Como foi na academia?
–Bom. Meu personal sugeriu começar com poucas coisas, como esteira e bicicleta para criar mais fôlego, inclusive natação por causa da dificuldade de respirar em alguns momentos.
–Seu personal é homem? – o ciúme já começava a aparecer. Só de imaginar um homem tocando no corpo de sua menina ele ficava louco.
–Sim, mas não se preocupe porque ele também gosta de homens – esclareceu bufando – E o namorado dele é muito ciumento.
–Ah bom. – respirou mais calmo – Concordo com a natação e se quiser podemos colocar alguns equipamentos na sala da piscina lá em cima. Quase nunca usamos.
–Seria bom, mas e quando eu ficar no meu apartamento? – questionou lembrando que precisava ir lá arejar o lugar.
–Não sei por que você ainda o mantém, você passa mais tempo comigo aqui do que lá. Vem morar comigo de vez. – ela abriu e fechou a boca várias vezes, novamente sem palavras – Vamos nos casar, simplesmente não tem cabimento você continuar com ele.
–Eu não sei, Edward... E quando eu precisar de espaço?
–Quando você precisar terá. – segurou sua mesa por cima da mesa – Esse lugar é grande. Além de que já tenho alguém interessado nele.
–Já? – questionou intrigada – Quem?
–Um amigo, ele vai trabalhar para as empresas e o seu apartamento é o mais próximo ao local. Mas ele só vai vir em novembro.
Bella se questionou o que tinha nas proximidades que pertencia às empresas Cullen, mas não conseguia se lembrar de nada, ela nem fazia noção do tamanho das posses que ele administrava e não fazia questão nenhuma de saber. Ele tinha razão: não havia motivos para manter um apartamento quando fazia semanas que não ia lá. Então, concordou com ele, combinando de irem pegar seus itens pessoais no final de semana. Ele estava radiante e, naquela noite, enquanto faziam amor lentamente, tratou de dizer pra ela o quanto a amava e o quanto estava feliz por tê-la em sua vida permanentemente.
Na manhã de sexta-feira Edward levantou e olhou para fora, ainda chovia, mas, ao contrário dos dias anteriores, era apenas uma garoa fina. Tirou os braços debaixo de Bella e se sentou na cama. Olhou para o criado mudo e percebeu um envelope com o emblema de Yale, provavelmente era o convite para o congresso sobre tecnologia renovável que teria naquele mês. Tomou um banho demorado, fez a barba e se vestiu. Ao voltar para o quarto, Bella continuava da mesma forma que deixou. Nesses meses de relacionamento ele tinha descoberto que sua pequena não era uma pessoa da manhã e que, se deixasse, ela dormia o dia todo, provavelmente porque a cansava durante a noite. Outro de seus descobrimentos era que ela havia transformado-o em um tarado por ela, durante o dia no escritório se pegava imaginando ela curvada em sua mesa ou presa contra a parede de vidro. Nesses momentos, normalmente, ele tentava pensar nos contratos mais complicados que ainda precisavam ser analisados, mas, mesmo assim, seu amigo se mostrava presente dentro das calças. Chegava a ser constrangedor quando estava em uma reunião e isso acontecia.
Em um desses dias se viu obrigado a arrastá-la para a escada de incêndio num ponto escuro e fora das câmeras de segurança. Nem eram dez da manhã, ele a tinha tomado antes de saírem para o trabalho e já a queria de novo. Ele se sentiu um adolescente fazendo aquele tipo de coisas, fugindo do trabalho para uma transa rápida, uma muito boa diga-se de passagem. Passou a mão pelo rosto tentando controlar seus pensamentos, não teria tempo para isso hoje, se não saísse em dez minutos se atrasaria para o café com um ex-agente da CIA. Ele tinha sido indicado por Laurent para cuidar de procurar pistas sobre o cretino do passado de sua menina.
–Amor, acorde. – falou suavemente a vendo abrir um olho e depois o outro.
–Estou atrasada? – perguntou confusa, o vendo arrumado com o terno cinza caindo perfeitamente em seu corpo com a gravata vermelha, sua preferida.
–Não, eu tenho um compromisso agora, tudo bem? – ela aquiesceu se sentando na cama e deu um selinho nele.
–Boa sorte, tigrão – falou enquanto ele saía do quarto.
Suspirou e caiu na cama novamente. Como não estava chovendo iria aproveitar para caminhar no Central Park com Red, aquela era uma sexta-feira aparentemente animadora então aproveitaria a manhã. Garret a acompanhava a uma distância segura com um agasalho esportivo. O pequeno cão estava animado querendo correr atrás das aves que estavam no lugar, ela ria com as tentativas frustradas dele em tentar pegar um pombo, suas pernas eram muito curtas para conseguir correr muito, mas nem por isso ele deixava de tentar, se viu puxando sua coleira diversas vezes durante o passeio. Após meia hora retornaram para o apartamento, tomou um banho rápido vestindo um vestido azul comportado e uma sapatilha, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo deixando o brinco de argolas a mostra, criando um ar sensual, mas profissional ao mesmo tempo.
Passou as catracas cumprimentando os seguranças e caminhando em direção ao elevador social. Estava calma e feliz, hoje nada poderia estragar o seu humor, trabalhou com um sorriso no rosto. Mostrou a Seth e Embry sobre como melhorar o sistema de identificação de pacientes e equipe médica que estavam criando para os hospitais, reviu alguns projetos pendentes de Demitri para segurança nas escolas e fez modificações no servidor de arquivos de projetos deixando mais espaço para armazenamento com maior segurança para as informações. Hoje realmente era um dia lindo.
Edward se sentiu bem mais tranquilo ao falar com J. Jenkis, aquele homem demonstrava confiança e competência no que estava fazendo, e ainda garantiu que se fosse preciso iria percorrer cada minúsculo pedaço da mata do estado de Washington para encontrar a cabana que Isabella tinha sido mantida. Como não era uma área para caça reforçou que não existiriam muitas e como ela era uma criança pequena, ferida e faminta, não poderia ter percorrido uma distância tão grande. Ele iria fazer o impossível para encontrar alguma pista sobre o que tinha acontecido.
Entrou na sua sala um pouco depois do horário. Como previsto, a volta de Jasper tinha facilitado muito sua vida, ele cuidava de Relações Exteriores e Alice era Relação Pública. Toda a família era empenhada naquela empresa. Leu o e-mail dela solicitando uma data para o casamento, ainda não tinha encontrado tempo para discutir sobre isso com Bella. Estavam tentando encontrar uma brecha na sua agenda que parecia tomar todo o seu tempo. Não se lembrava de como conseguia trabalhar tanto antes, mas agora, com sua menina, já tinha diminuído o seu ritmo, nada era mais importante do que ela. Seu telefone tocou o tirando de seus pensamentos tumultuados.
–Oi, amor.
–Olá, tigrão. Só queria te avisar que vou almoçar com as meninas. Tudo bem?
–Claro. Manda um beijo pra elas, ainda não tive tempo nem de erguer minha cabeça da tela do computador.
Ela riu baixinho e automaticamente um sorriso se abriu em seu rosto.
–Foi tudo bem no seu compromisso?
–Melhor do que eu esperava, você me dá muita sorte.
–Que bom, mas lembre-se que não sou coelho para que tire o meu pé e coloque em um chaveiro.
–Nunca amor. – riu – Além do que você toda me dá sorte e não apenas o seu pé.
–Assim tá bom, então. Vou lá que Alice já está me chamando. Beijo.
–Beijo, pequena.
Desligou o celular e bateu com a cabeça na mesa, voltou a se concentrar no trabalho, já que era o que tinha sobrado.
Foram para o mesmo restaurante que tinha almoçado com Esme da última vez, estavam em uma mesa no pátio em frente a um jardim lindo, já haviam feito os pedidos e agora estavam conversando sobre a gravidez de Rosie.
–Eu como tia vou mimar muito esse bebê. – Alice anunciou – Vou comprar vários macacõezinhos e sapatinhos.
–Calma Allie, só estou de três meses ainda. Falta um pouco para que você saia comprando tudo por aí. – Rosalie protestou sabendo como a cunhada era consumista.
–Vocês têm alguma preferência? – Esme questionou.
–Não, mas eu sinto que é uma menina. Emmett fala que não quer opinar, vamos tentar saber o sexo na próxima consulta.
–Estou tão feliz em ter um neto, quero aquela casa cheia de crianças. – decretou.
–Eu ainda quero curtir mais um pouco meu casamento, pelo menos mais um ano, mãe, aí depois eu e Jass vamos tentar.
–E você, Bella? – Rosie perguntou vendo que ela tinha permanecido calada durante a conversa sobre filhos.
–Sou muito nova ainda – deu de ombros – Eu e Edward nem nos casamos, não tenho planos e nem sei se levo jeito para ser mãe e me sinto um pouco insegura para ter um bebê.
–Mas Renée é uma mãe incrível pelo que Gabe me contava, por que não se sente segura?
–Meu histórico fala por mim, Rosie – desviou os olhos para a fonte no centro do jardim – Quem sabe um dia? Se for abençoada com um bebê ficaria feliz, ainda mais de Edward, só não acho que seja o momento adequado.
Elas a olharam interrogativamente, mas deixaram passar começando o assunto do casamento. Riram com ela quando contou que seu pai tinha ameaçado Edward com um rifle e confessou que estava um pouco ansiosa sobre o casamento. Ela nunca tinha pensado em se casar, já tinha se conformado com uma vida solitária. Recebeu conselhos das meninas e riu dos desastres quando tentavam fazer alguma coisa nova e saía totalmente errado, como uma vez que Alice colocou fogo nas cortinas tentando criar um clima romântico à luz de velas. Até mesmo Esme contou alguns.
Quando voltou para o escritório com Allie e Rosie parou no seu andar combinando de sair para dançar no dia seguinte, nunca tinha ido a uma boate e seria bom ir com Edward para dançar. Tinha um bilhete em cima da sua mesa do menino que cuidava dos servidores para que ela fosse até lá o mais rápido possível, provavelmente tinha acontecido algum problema grave. Ele nunca mandava bilhetes. Deixou sua bolsa em cima da mesa e subiu até o andar. Tinha uma reunião com Edward e já estava atrasada, mas precisava saber o que estava acontecendo antes de subir.
Digitou o código no painel de acesso e forçou a porta, ela sempre travava quando digitava sua senha. Caminhou em direção a mesa que o rapaz trabalhava, mas não tinha ninguém lá e no painel central de controle não aparecia nenhuma alteração dos equipamentos, os gráficos estavam estáveis. Ela se perguntava o que diabos estava acontecendo quando escutou passos.
–Eric, não tem nada de errado aqui.
–Eu sei, Bella. – a voz de Jacob a fez se virar surpresa – Fui eu que te chamei até aqui.
–Por que me chamou até aqui? Poderia ter me dito na minha mesa.
–Precisava falar com você longe de todos e sei que aqui ninguém vai nos incomodar.
–O que aconteceu? – perguntou não gostando da situação.
–O que aconteceu é que eu sou completamente apaixonado por você – disse em apenas um fôlego – Mas você parece não me enxergar, eu faço de tudo para chamar sua atenção e você finge que não vê.
–Eu sou comprometida, Jacob – falou tentando sair da sala, mas ele pegou seu braço e a empurrou para o mesmo lugar que estava.
–Eu sei disso, eu a vejo nas revistas com o Cullen – quase cuspiu o sobrenome de Edward, enquanto Bella tentava encontrar uma forma de sair daquele lugar, não gostava do que estava acontecendo, ele era bem mais alto e mais forte que ela, estava em visível desvantagem. – Você está com ele apenas pelo dinheiro, não é? Porque eu duvido que ele seja tudo isso que falam?
–Por dinheiro? – estava indignada agora – Eu nunca sairia com alguém pela sua conta bancaria, não sou dessas mulheres que se vendem por jóias ou mordomias, Jacob. Tudo o que tenho e tudo que sou conquistei sozinha, sem a ajuda de ninguém, nem mesmo Edward.
–Sério? Porque você está agindo como a vadia dele.
Sem um segundo pensamento a mão dela acertou seu rosto fazendo o barulho do tapa ecoar por toda a sala, sua palma ardia.
–Eu não sou a vadia de ninguém e se estou com ele e não com você é porque ele me respeita, coisa que você não faz. Você é um cretino por me chamar até aqui e me dizer tudo isso. Escute bem: EU AMO EDWARD. Estou com ele porque ele me mostrou ser bem mais homem do que qualquer um aqui e principalmente você.
Ele avançou até ela retribuindo a agressão cortando seu lábio e fazendo seu rosto ficar marcado com a mão dele, segurou seu pulso esquerdo tão forte que lágrimas vieram aos seus olhos e lembranças adormecidas vieram a tona.
–Ele não vai ter você. – rosnou – Você vai ser minha.
–Nunca. Prefiro a morte a ficar com você.
Jacob a empurrou até a parede e Bella sentiu seu coração dar pulos dentro do peito, não conseguia pensar em nada, estava apavorada com o que ele poderia fazer com ela ali e ninguém viria ao seu socorro.
–Me solta, Jacob. – pediu se contorcendo de seu agarre.
–Você acha que é tão simples assim? Eu vou ter você pra mim, você vai ser minha, entendeu?
Ela se contorceu quando ele se aproximou mais com a intenção de beijá-la, rogou a Deus por misericórdia. Se ele a forçasse com certeza não conseguiria viver com isso, daria um fim em tudo. Quando estava a um milímetro de distância, ela fechou os olhos orando mais forte. Sentiu quando ele a soltou bruscamente e seu corpo caiu no chão, mas não teve coragem de abrir os olhos com medo do que encontraria. Colou os joelhos no peito e tampou os ouvidos orando como quando era criança e ouvia o carro encostando do lado de fora da cabana de madeira, escutava alguns murmúrios de vozes ao seu redor e algo que parecia gritos, fechou os olhos mais forte. Ela não queria voltar para a realidade. Sentiu alguém tocar no seu ombro e se afastou não querendo contato algum. Uma voz ao longe a chamou e logo outra, se encolheu quando foi levantada, suas mãos tiradas de seus ouvidos.
–Amor, olha pra mim. Sou eu, pequena.
Ela abriu os olhos e viu Edward encará-la preocupado, mas não tinha voz para falar nada, permaneceu na cadeira que ele a tinha sentado e olhou fixamente para frente em nenhum ponto especifico, estava apavorada, seu corpo tremia e sua respiração estava difícil. Edward olhou para ela preocupado, ela não mostrava nenhuma reação.
Quando Rosalie entrou no seu escritório sem Isabella, alguma coisa em seu interior avisou que algo estava errado, foi até o seu andar para encontrar sua mesa vazia, mas sua bolsa lá, ligou no celular e deu fora de área. Havia apenas um lugar no prédio que não tinha sinal, a sala dos servidores, foi pra lá com o coração na boca. Mal percebeu Rosalie caminhando atrás de si. Digitar o código e a porta não se abrir apenas aumentou sua ansiedade, e foi preciso mais três tentativas para conseguir entrar. Ao se dirigir até o painel de controle deu de cara com a pior cena de sua vida: Jacob Black estava segurando os braços de Bella a prendendo contra a parede e prestes a beijá-la. Apressou o passo e o puxou pelo braço o jogando no chão, longe de sua menina. Então, o chutou no estomago repetidas vezes o fazendo ofegar e tentar se proteger, se jogou em cima do cão socando o seu rosto com todas as forças que tinha.
–O que você pensa que está fazendo com ela? – perguntou furioso o levantando pelo colarinho da camisa encharcada de sangue do nariz quebrado.
–Nada que ela não queira, ela era pra ser minha, Cullen, mas você a transformou na sua vadia.
Ele deu outro soco no rosto dele o fazendo cair no chão tossindo e cuspindo sangue, ia pra cima dele novamente quando escutou a voz de Rosalie.
–Edward, Bella precisa de você.
Sua menina estava encolhida no canto com a cabeça nos joelhos e as mãos tampando os ouvidos. Ela parecia tão assustada. Colocou a mão no seu ombro para chamar sua atenção, mas ela se afastou, seu corpo todo estava tremendo, podia escutar um pequeno murmúrio que ela falava como uma prece, chamou seu nome, mas não teve resposta.
–Rosalie, ligue para a polícia vir tirar esse verme daqui e com o máximo de descrição.
Pegou suavemente sua pequena no colo notando como ela se encolheu e a sentou na cadeira que estava ali perto, tirou as pequenas mãos dos ouvidos dela e falou calmamente, mas ela não o respondeu. Parou de murmurar, mas seu olhar ainda estava perdido e sua respiração superficial, o corpo todo tremia, ela estava em choque e a um passo de ter uma crise asmática. A pegou nos braços deixando que Rosalie lidasse com a polícia quando chegasse, pegou o elevador privado e parou na garagem se encontrando com Garret ali no carro.
–Para o hospital agora e rápido.
Se sentou no banco traseiro com ela em seu colo tentando ver se aquele maldito tinha a machucado, seu lábio inferior estava cortado e seu rosto vermelho, algumas marcas vermelhas nos braços e a mão dela estava ligeiramente inchada. Parou na porta da emergência da Clínica Cullen e foi direto para o consultório do tio, invadiu a sala o fazendo pular na cadeira.
–Edward, filho, o que aconteceu? – questionou vendo sangue na sua roupa e Isabella em seus braços.
–Bella foi atacada, acho que ela está em choque.
–Tudo bem. Coloque-a na maca.
Relutante ela a deixou na maca fria, a respiração dela ainda estava superficial e era possível escutar um pequeno chiado quando respirava, ela segurou a mão de Edward como se ele fosse sua âncora naquele momento.
Carlisle a examinou rapidamente colocando o inalador com a medicação para facilitar a respiração e aplicou um calmante leve. Em poucos segundos ela dormia ainda segurando sua mão.
–Me explique o que aconteceu? – pediu analisando a mão dela, não aparentava nada grave, apenas uma distensão do músculo.
–Tínhamos uma reunião, ela foi almoçar com as meninas e quando Rosie entrou sozinha no meu escritório senti que tinha alguma coisa errada, fui atrás dela e ela não estava na sua mesa, tentei ligar, mas dava fora de área, o único lugar naquele prédio que isso acontece é na sala dos servidores, fui até lá e encontrei Jacob Black tentando forçá-la a... Você sabe – Não conseguia dizer as palavras, se não tivesse ido atrás dela o estrago com certeza seria maior.
–Eu o tirei de cima dela, dei uma surra nele – continuou com um suspiro – Bella já estava em choque.
Carlisle colocou uma compressa gelada na mão dela para diminuir o inchaço e passou um medicamento no rosto e lábio para não ficar marcas roxas e começou a limpar as mãos machucadas de Edward, eram apenas algumas escoriações.
–Por que ela ficou nesse estado se você conseguiu salvá-la? – não entendia, normalmente pacientes ficavam assim quando o abuso se concretizava, mas pelo que entendeu o homem não tinha conseguido ir mais longe.
–Bella sofreu abusos quando criança. – O médico o olhou abismado – Não abuso sexual. Físico, ela foi espancada quase até a morte antes de ser adotada pelos Swan.
–Pelos pais biológicos? – não sabia como uma pessoa era capaz de fazer isso com uma criança.
–Ela não sabe, não se lembra, mas creio que foi por um homem a quem seus pais biológicos a entregaram. – suspirou puxando a cadeira para sentar ao lado de sua menina. – Ela conseguiu fugir dele e foi encontrada pelos Swan.
–Quantos anos ela tinha?
–Quatro ou cinco.
Alguém bateu na porta e Carlisle mal abriu e Emmett, Alice, Jasper, Rosalie e Esme entraram lotando o consultório. Todos falando ao mesmo tempo querendo explicações e saber como ela estava. Edward estava perdido.
–Tenha calma, todo mundo. – falou – Ela foi sedada, estava em choque e a asma atacada, apenas isso.
–Ela está bem mesmo, Carl? – Esme perguntou se aproximando da menina e acariciando seu cabelo.
–Sim, meu amor, ela vai ficar bem, foi apenas um susto. – garantiu.
–Rosalie, o que fez com aquele verme? – Edward perguntou com o olhar frio.
–A polícia o levou, já providenciei as imagens das câmeras de segurança e deixei com um colega no departamento de polícia, vocês vão precisar depor e formalizar a queixa, mas ele foi pego em flagrante então vão mantê-lo lá por um tempo.
Ele concordou com a cabeça e beijou a mão machucada se sua pequena menina.
–Emmett, encontre o melhor advogado criminalista, eu quero aquele verme preso pelo maior tempo que a lei permitir, entendeu?
Seu primo concordou e saiu da sala para realizar as ligações.
–Tio, quando ela pode ir pra casa?
–Eu preferia que ela ficasse em observação para acompanhar a asma, mas posso ver que está desconfortável com tudo isso, vou providenciar uma ambulância, seria melhor se vocês fossem lá pra casa, me sentiria mais tranquilo se pudesse acompanhar mais de perto se houver alguma alteração.
–Claro, também vou me sentir mais tranquilo se vocês estiverem por perto.
Esme abraçou seu sobrinho fungado baixinho, ninguém queria imaginar o que teria acontecido se Edward não tivesse ido atrás dela. Ela parecia tão pálida, os lábios roxos e sua pele fria, se não visse seu peito subir e descer teria duvidas que ela estava realmente viva.
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