Bônus 2

A mulher olhou da janela do quarto para o quintal completamente tomado de flores bem organizadas. Toda aquela casa era linda e perfeitamente planejada, tudo ao seu redor era maravilhoso como um sonho, mas ainda sim tinha um sentimento ruim no peito que não sabia definir o porquê dele estar ali. Desejava voltar para casa com seus filhos e deitar no tapete felpudo para assistir algum filme, mas infelizmente não podia.

No dia seguinte teria uma importante festa para comemorar as bodas de casamento dos seus sogros, então teria que manter a calma e paciência para passar por esse dia. Nada iria acontecer. A porta do quarto foi aberta e um pequeno foguete abraçou suas pernas.

–Oi bebê. – pegou sua menininha no colo – Gostou do casarão?

–Sim. – abraçou sua mãe mais forte – É muito bunito, tem um montão de velde.

Esme riu com a mania de sua filha em mudar as letras das palavras, por mais que ela tivesse uma inteligência acima do normal para sua idade ela ainda não conseguia formar corretamente muitas palavras. De certo modo, era grata por isso, porque, assim, seu pequeno anjinho mantinha sua inocência.

–Eu vi. – caminhou com ela até o sofá no canto do quarto e se sentou – Você encontrou com o papai?

–Ele tá com a Allie e o Memmett. – coçou os olhos cansados – Estão comendo, como semple.

–E você não está com fome?

–Não. Eu quelo colo.

A mulher riu apertando sua pequena em seu abraço caminhando com ela para a cozinha no primeiro piso. Seus cunhados e sobrinho chegariam mais tarde naquele dia e estavam apenas eles e seus sogros para o almoço.

–Oi, amor – Carlisle sorriu as encontrando na escada – Pelo jeito encontrou nossa pequena fugitiva.

–Sim, na verdade ela me achou lá em cima.

O homem loiro pegou sua filha caçula do colo da mulher e a jogou nas costas indo para a cozinha. Sua pequena ria alegre quando ele a balançava nos ombros. Emmett e Alice já estavam atacando a comida que Emma, a nova governanta da família, tinha preparado. Amava ter sua família completa para o almoço em volta da mesa. Logo seus pais se juntaram a eles comendo com calma e em silencio. A mão dele nunca desgrudava da de sua esposa e ele era grato a ela por lhe amar, e a Deus por ter sido agraciado com todas essas bênçãos.

–Anthony já ligou para avisar que horas chegam? – Sophie perguntou depois que todos finalizaram a refeição.

–Em meia hora ele já deve estar aqui. – Carlisle respondeu – Ele me ligou avisando que estavam na estrada.

–Isso é bom. – Robert refutou – Não gosto quando vocês pegam a estrada à noite.

–Pai, nós crescemos. – seu filho riu – Uma hora você vai ter que aceitar isso.

–Quem sabe algum dia isso aconteça. Quero os meus três meninos na festa comigo. Ao nosso lado.

–James virá? – Esme questionou surpresa.

James era um antigo amigo que a apresentou ao seu marido, ele era considerado um filho para os Cullen. Tinha crescido naquela casa e criado pelos sogros, era graças a ele que hoje pertencia àquela família. A última noticia que teve dele foi que ele estava morando na Califórnia cuidando dos negócios lá. Seria bom vê-lo depois de tanto tempo, mal se lembrava de quando o vira, provavelmente no nascimento de Mel.

–Ele confirmou, mas você sabe como aquele ali muda de ideia. – Sophie falou com carinho, adorava aquele rapaz.

–Mãe – Emmett falou baixo, inquieto na cadeira. Conversa de adultos era chato – Pode brincar lá fora?

–Vocês acabaram de comer. – respondeu acariciando seus cabelos escuros herdados da sogra.

Seus filhos mais velhos tinham puxado completamente a família do seu marido, Ambos Emmett e Alice tinham os cabelos escuros de Sophie e os olhos azuis intensos de Robert, apenas sua pequena Mel tinha o seu cabelo, olhos e nariz, mas a boca era extremamente parecida com a do marido.

–Deixa as crianças amor. – Carlisle piscou para o filho – Vocês vão também meninas?

–Não. – Alice disse rápido – Quero escolher minha roupa para a festa amanhã e fazer as unhas. Não quero, de forma alguma, rolar na lama parecendo um porco.

Emmett deu a língua para ela e para suas palavras. Não entendia como sua irmã poderia ser tão “fresca”, pelo menos tinha Mel que sempre corria com ele.

–Eu posso papai? – seus olhos verdes chegavam até brilhar em expectativa.

–Deixa, Carl. – Esme sussurrou. Ela entendia o receio dele em deixá-la correr e se pendurar como fazia na companhia dos meninos, mas também sabia que crianças precisavam se desenvolver, cair e levantar. O fato de ela ser asmática deixava seu marido em alerta e a prendia como se fosse de vidro.

–Claro, estrelinha. – falou por fim ganhando um abraço de urso e um beijo de esquimó. Só com esses gestos ele ganhava o dia.

Depois que as crianças saíram da mesa, todos caminharam para o jardim para observá-los correr com o enorme cachorro, um pastor alemão, que adotaram depois do nascimento de Alice, Rufles, que sempre protegia a todos.

–Você tem que dar mais liberdade a ela, filho. – Sophie repreendeu Carlisle suavemente – Não pode protegê-la do mundo sempre. Melanie é inteligente e esperta, se você a prendê-la ela irá encontrar uma forma de fazer o que deseja e sem que você esteja por perto.

–Eu sei, mamãe, mas é difícil. – suspirou abraçando a mulher – Aquela menininha é a mais ligada a mim e o pensamento de alguma coisa acontecer com ela me assusta. Não só ela, mas com todos eles.

–Eu tenho esse sentimento por você e seu irmão ainda, no entanto, já aceitei que ambos têm suas vidas e não há o que possa fazer para que vocês não sigam seus próprios caminhos.

Esme sorriu com as palavras da sogra, considerava-a uma mãe. Aquela mulher era muito sabia. Com certeza a inteligência estava no sangue dos Cullen assim como forma calma que Sophie tratava tudo. Ela era como um anjo. Conversaram sobre os preparativos para o dia seguinte e o que faltava ficar pronto, volta e meia seu olhar se voltava para os latidos e os risos alegres das crianças.

Rufles tinha quase o dobro do tamanho de sua filha e sempre que ela corria para longe dele, o cachorro mordia sua roupa para trazê-la para perto deles novamente. Ele era definitivamente melhor que uma babá.

A porta da varanda foi aberta rapidamente e um menino de cabelos cobre os cumprimentou com poucas palavras, saindo correndo até o cachorro e seus primos. Quase surtou durante toda a viajem até a casa de seus avos. Bateu na cabeça de Emmett, como sempre fazia quando se encontravam, e abraçou Mel. Adorava a menina desde que sua tia trouxe aquele pequeno embrulho rosa nos braços para casa, e esse sentimento só aumentava a cada dia.

–Demorou, cabeção. –Emmett o separou da irmã, não gostava quando ele ficava todo cheio de abraços com ela – Pensei que tinham se perdido.

–Papai que preferiu vir depois do café. – rolou os olhos – O que estão jogando?

–Nada em especial. – resmungou se sentando na grama – Estava brincado de correr com o cão.

–Não chama ele assim – Mel protestou deitando em cima do seu enorme amigo peludo.

–Melanie, você sabe que ele é um cão – Emmett falou apenas para irritá-la – não há forma de mudar isso.

–Eu sei que ele é um cão, mas eu não fico chamando ele assim. – deu a língua pra ele – Você é um bulo e nem por isso te chamo dessa folma.

Edward riu das palavras de sua pequena inteligente. Era sempre assim, Emmett a provocava e ouvia uma resposta que poderia dormir sem. Mel era surpreendente em algumas respostas, parecia que tinha resposta para tudo.

–Sabe, Memmett – usou a forma que sua priminha o chamava – Você realmente é um cabeça oca que perde um argumento para uma menininha de quatro anos.

–Tenho culpa se ela é inteligente? – bufou sem realmente se importar.

–O que é um agulagulmento? – se enrolou na palavra.

–É “argumento”, princesa. – a corrigiu suavemente acariciando seu cabelo – É quando temos uma prova para justificar alguma coisa.

O pequeno nariz se enrugou, não conseguia entender o que ele explicou, era complicado demais.

–É como quando o Emm fala alguma coisa e você o responde. – tentou encontrar uma forma mais fácil de mostrar a ela – Assim como fez agora. Isso é um argumento.

–Ah... Entendi. Então quando eu respondo o Memmett é um agulmento?

–Sim. É um argumento – focou no “r” para ela notar a diferença, mas como sempre acontecia era um sacrifício para ela falar a palavra correta.

O sol de fim de tarde estava fraco, mas continuaram no jardim. O casal mais velho tinha entrado para descansar um pouco e os homens da família conversavam sobre negócios. Era interessante ver como os irmãos brincavam ao mesmo tempo em que discutiam sobre assuntos importantes, era notável a cumplicidade. Anthony tinha o cabelo um pouco mais escuro que o irmão, era mais alto e forte, porém com os mesmos olhos brilhantes e sorridentes que nunca escondia sua alegria em provocar o irmão caçula. Adorava ficar na casa dos pais, aquele pequeno pedaço de paraíso era um escape para sua rotina tortuosa ainda mais com todos ali.

–Tenho certeza que poderemos investir na China. – falou seguro – Eles estão crescendo e a mão de obra barata ajuda muito. Pelo que notei nos próximos anos eles serão uma importante potência.

–Eu não o faria, parece um pouco instável, mas sou apenas um médico, então deixo essa decisão em suas mãos, Tony. Você é mais bem preparado.

–Eu sei que sou – riu levemente – E você não é apenas um médico a mais. Eu vi o que você é capaz de fazer, com certeza você tem o dom.

–Tio Tony.

A voz da menina o fez virar e sorrir, Alice estava linda com seu vestido branco rodado e seus cabelos escuros ao vento, a abraçou e beijou sua bochecha. Não era apenas um pai coruja, era também um tio coruja. Amava os sobrinhos com a mesma devoção que tinha pelo filho e saber que o sentimento era recíproco o alegrava muito.

–Está muito linda, como sempre. Com certeza vai dar trabalho para o seu pai. Já tem namoradinho?

–Não vai mesmo. Minha filha só vai namorar depois dos trinta.

–Pai. – Alice ralhou ainda com os braços em volta do tio – Você me constrange dessa forma.

Sua filha tinha uma mentalidade muito adulta para sua idade, deveria ficar atento com ela, pois era capaz de qualquer dia um malandro qualquer bater na sua porta para pedi-la em namoro. Pelo menos com Mel isso ainda demoraria a acontecer.

–Tony, você só fala isso porque tem um menino. – o repreendeu – Queria ver se Lizzie tivesse uma menina.

–Eu a trancaria no quarto, meu irmão – falou sem receio algum e ganhou um tapa no braço da esposa.

–Se, algum dia, tivermos uma menina, ela será livre, está entendendo, Anthony?

–Sim, Senhora. – respondeu sorrindo cúmplice com a sobrinha. – Mas agora falando sério, Carl. Não é com Allie que você tem que se preocupar.

Seu irmão arregalou os olhos, um pouco confuso e tentou entender aonde ele queria chegar com aquela conversa.

–Olha atrás de você!

Se virou e viu sua Mel deitada na grama sorridente com Edward ao seu lado falando e gesticulando para ela e uma de suas mãos estavam juntas. Questionou-se sobre quais as consequências de assassinar seu sobrinho atrevido ou pelo menos cortar as mãos dele.

–Se você ama o seu filho é melhor aconselhá-lo a tirar as mãos dele da minha menininha. – rosnou — Ou eu vou tirá-las do corpo dele.

Anthony gargalhou com suas palavras, Carlisle ou era muito inocente ou disperso porque de longe poderia se perceber que entre seu filho e sua sobrinha existia um sentimento maior que apenas amizade ou amor fraternal.

–Relaxa, Carl. Até parece que os dois estão namorando.

–Melanie! – Gritou. Ele não estava pronto para aguentar marmanjos com suas filhas e muito menos os comentários – Venha com o papai!

Sua pequenina veio correndo, com seu vestido sujo de lama e se jogou em seus braços sorridente, não se importando em sujá-lo. Caminhou com ela até o interior da casa murmurando que iria banhá-la para o jantar.

Esme riu com a atitude do marido e jogou uma das almofadas do enorme sofá no cunhado. Já havia notado o sentimento da filha pelo primo, mas ambos eram crianças, não havia malicia, então deixou como estava. Anthony adorava provocar o irmão, que deveria ter percebido suas intenções. A super proteção de Carlisle com a filha já era excessiva e apostava que agora ele ficaria do lado de Mel pelo resto da vida.

–Ele nunca mais irá permitir que Edward se aproxime de Mel novamente – o alertou.

–Daqui a pouco ele esquece. – falou com desdém – Mas vai me dizer que você nunca percebeu os olhares? Meu filho baba em cima da sua princesinha.

–Já percebi. Estava falando com Lizzie agora sobre isso, os dois alimentam apenas o amor inocente, não é como se algo fosse acontecer entre eles quando crescerem, até porque há a diferença de idade.

–Com certeza. – Elizabeth se pronunciou – Eles têm interesses diferentes e mais pra frente seguirão esse processo natural. Se for pra ser, então teremos que aceitar, mas se não for, não há o que fazer.

–Eu ainda acho que foram predestinados – o homem sorriu convencido – Conheço meu filho, a forma que ele protege Melanie, não é como se ele fosse largar o osso.

As mulheres riram, mas não insistiram no assunto, até porque era melhor não contrariar o homem sábio da família. E se havia algo em que Anthony Cullen fosse bom com certeza era na sua intuição, ela nunca falhava.

Depois do jantar, que Carlisle fez questão de comer com a filha no colo, o que rendeu um grande sorriso triunfante do irmão por ter conseguido provocá-lo, subiram para colocar as crianças na cama. Cada um tinha seu próprio quarto no casarão, primeiro deu boa noite para Emmett, depois Alice e por fim era a vez de sua princesinha. Já era a terceira história e nem sinal do sono dela aparecer.

–“O príncipe beijou a Bela Adormecida e eles viveram felizes para sempre. Fim.”

–Mais uma – pediu enrolada no cobertor, inquieta.

–Agora chega princesa. Papai já contou muitas hoje.

Pol favô, papai. – pediu – Mais uma de plíncipe.

–Qual príncipe?

–Do plíncipe Edwald e a plíncesa Mel.

Carlisle suspirou, triste. Não era possível que sua menininha mantivesse um sentimento por seu sobrinho, ainda era muito novo para se preocupar com os futuros namoradinhos de suas filhas, ainda mais com um que estava embaixo do mesmo teto.

–Por hoje chega, amanhã o papai conta quantas você quiser.

–Mas eu não to com soninho.

–É só fechar os olhos que você fica. – tentou convencê-la – Por que não tenta?

–Papai? – pediu com a vozinha que mostrava querer algo.

–Sim, princesa?

–Posso te da um plesente?

–Claro. O que é?

–Um desenho. – falou animada se desenrolando da manta e indo até a penteadeira.

Carlisle olhou o desenho emocionado, ele retratava, com formas disformes, toda a sua família, e em outra folha era um apenas dos dois e um coração ao lado com o nome dela escrito.

–Eu amei, princesa. Agora vamos dormir.

Embrulhou-a nas cobertas e deu um beijo em sua testa. Rufles, como de costume estava deitado no tapete ao lado da cama os observando, ele acariciou seu pelo e saiu do quarto deixando a porta meio aberta para não ficar totalmente escuro.

Sua esposa já estava deitada lendo e o olhou por cima do livro. Com certeza ainda estava carrancudo, porque não estaria? Tinha um pivete, que por acaso era seu único sobrinho, encantado por sua filha. Trocou suas roupas para um pijama, escovou os dentes e se deitou.

–As crianças dormiram?

–Sim, pelo menos Emm e Allie já capotaram, Mel estava um pouco relutante.

–Ela está agitada. – o corrigiu – Não está acostumada a passar a noite fora de casa.

–Eu sei. – a aconchegou em seu abraço.

–Você tem que parar de tratá-la como se fosse feita de vidro. Melanie é forte e centrada, você querendo ou não, ela vai seguir seu próprio caminho. Seja com Edward ou com outro qualquer.

–Eu sei. Mas ela só tem quatro anos, não tem idade para isso. – suspirou – Ela é o meu bebê.

–Nosso bebê. – o corrigiu – Não estou dizendo que os dois vão ficar juntos, apenas que você tem que aceitar a amizade existente. Não podemos ignorar os sentimentos, você me disse isso quando começamos a namorar.

Depois de minutos em silêncio com seus pensamentos, finalmente sorriu um pouco mais tranquilo.

–Você tem razão, Sra. Cullen, se estiver escrito que esse amor dos dois é para acontecer irei tentar aceitar. Prometo.

~//~

A chuva no meio da noite fez com que abrisse um olho. O galho da arvore batia incessantemente contra sua janela em uma mostra de que o temporal estava forte. Não gostava de chuvas fortes. Coçou os olhos e procurou pelo seu cachorro que estava deitado roncando ao lado da cama, aquele preguiçoso não acordaria nem se o mundo acabasse.

Levantou-se devagar e foi até a porta. O corredor gigantesco estava vazio. Iria bater na porta de seus pais. Ela deu poucos passos e escutou um barulho. Se virou e encontrou seu primo com seu pijama do super-homem com um copo de leite na mão.

–Hey, pequena. – falou baixo – O que aconteceu?

–A chuva me acoldou. – remexeu na barra da camisola – Vou plo qualto da mamãe.

–Eles estão dormindo. Você quer leite?

Quelo. Posso ficar com você?

Ele sorriu e foi até ela segurando a pequena mão com a sua livre e caminharam até a penúltima porta do corredor. Ele abriu a porta para ela entrar e acendeu a luz do quarto. Sentou-se no tapete com ela ao seu lado, colocou o copo em sua mão e a olhou enquanto ela bebia o leite. Como de costume, inclinou a cabeça de lado.

–Ainda tem medo da chuva? – perguntou depois que ela terminou.

–Sim, não gosto muito quando to sozinha. – fez uma careta.

–Vamos tentar dormir. – a puxou para sua cama enorme a cobrindo e depois se deitou – Vou te contar uma história. Qual você quer?

–A do plíncipe Edwald e da plíncesa Mel. – pediu entusiasmada o fazendo rir.

–Eu sou o seu príncipe? – questionou com um sorriso.

–Sim. – coçou os olhos se aconchegando nele – O meu único.

(...)

Carlisle estava colocando sua gravata borboleta na frente do espelho, pelo menos tentando, já que toda vez o laço saia errado. Esme estava vestindo as crianças e agora teria que dar um jeito de se arrumar sozinho, parecia impossível fazer aquilo.

–Carl, está bonitão hein. – a voz masculina o fez virar.

–James. É bom te ver.

Sorriu e foi abraçar o irmão, fazia anos que não se viam. Ele parecia bem. Normalmente usava o cabelo grande abaixo do pescoço, mas hoje estava cortado e bem penteado com seu smoking bem cortado.

–Você está bem. – bateu em suas costas. – Está diferente.

–Só cortei o cabelo. – passou a mão pelos fios loiros.

–Mamãe queria que você viesse ontem. – suspirou voltando sua atenção para o espelho – Não consigo amarrar essa porcaria.

–Já me encontrei com ela lá embaixo. Onde está Esme que não arruma a gravata para você? – perguntou falsamente despreocupado.

–Arrumando as crianças. Mas pelo jeito eu sou o que mais precisa de ajuda.

O outro homem riu das tentativas inúteis do homem em tentar arrumar a gravata borboleta. Por fim, ele desistiu, jogou o pedaço de tecido na poltrona ao seu lado e desabotoou o primeiro botão da camisa branca, irritado. Esperaria a esposa voltar para o quarto.

–Veio com alguém? – James nunca aparecia com ninguém em nenhuma festa, tinha duvidas de sua masculinidade.

–Não. Só vou trazer uma mulher para casa quando tiver certeza e que ela é a certa. – sorriu fraco – Assim como você tem sua Esme eu vou ter a minha mulher perfeita.

–Boa sorte. – disse sincero.

–Papai! – o grito de sua menininha o fez sorrir e abrir os braços para pegá-la no colo.

–Oi, princesa. Você está linda.

Mel sorriu e suas bochechas ficaram vermelhas. James a olhou curioso. Era impressionante a semelhança da menina com a mãe, seu vestido azul rodado fazia um contraste com seus olhos verdes brilhantes.

–Diga oi para o tio James.

–Oi tio. – falou escondendo o rosto no pescoço do pai.

–Olá. Você está muito bonita mesmo. – se virou para o outro homem – Ela se parece muito com Esme. Quando a vi era ainda um bebê.

–Sim, uma miniatura. – a balançou nos braços sorrindo. – Eles crescem muito rápido, você vai perceber quando tiver os seus.

–Aqui está você. – Esme falou ao ver a filha no colo do marido.

–Você sabe que ela gosta de fugir. – Carlisle riu da mulher – E sempre acaba no meu colo.

–Claro, ela é tão ligada a você que às vezes acho que quem deveria ter gestado essa pequena era o senhor e não eu. – brincou – James, como é bom vê-lo.

O abraçou brevemente.

–É bom te ver também Esme. Você fica mais linda a cada dia.

–E você continua gentil. – seu rosto estava levemente corado. Ela se virou para Carlisle – Por que você ainda não está pronto?

–Não consigo colocar a gravata. – colocou a filha no chão e abraçou a esposa pela cintura beijando seus lábios.

–Eca. – sua pequena pronunciou. – Isso é nojento.

–Não é, não, pequena. – Esme sorriu se afastando pra pegar a gravata. – Quando gostamos de outra pessoa nós demonstramos com beijos.

–Então eu posso beijar o Edwald? – perguntou inocentemente.

James riu e Carlisle engasgou com o vento. Esme rolou os olhos para os dois, dando leves batidas nas costas do marido. Quando ele parou de tossir se virou para filha que aguardava uma resposta ansiosamente.

–Pode filha, mas só na bochecha porque vocês são crianças. – explicou acariciando seus cabelos. – O Emm tá lá embaixo comendo bolo de chocolate, vai lá com ele.

Ela assentiu e correu para fora do quarto, James aproveitou e saiu também.

–Eu vou bater naquele moleque se ele se engraçar com Melanie – avisou a esposa.

–Não vai nada. – começou a dar o nó na gravata – Ele é seu sobrinho e amigo dela, os dois são muito unidos, então coloque na sua cabeça que não pode bater nele. Se, e eu digo “se”, algum dia os dois ficarem juntos, não será melhor com ele do que com um desconhecido?

–Claro que não. – resmungou – Não quero meu bebê com marmanjo nenhum.

–E você a prefere com uma garota? – ironizou.

–Não! – por fim ele suspirou rendido – Vai demorar não é?

–Muitos anos ainda. – o beijou alisando seu rosto.

–Pelo menos isso.

~//~

As meninas riam cúmplices, estavam escondidas dos olhos dos adultos atrás da grande arvore no quintal brincando de esconder. Alice colocou um dedo na boca pedindo silêncio para a irmã e saiu sorrateiramente em direção às pessoas que estavam na festa. O jardim havia sido tomado de mesas por toda parte e pelos convidados em seus trajes elegantes. Viu os meninos correndo tentando encontrá-las, seu cachorro estava com eles e latiu alto mostrando a direção que elas estavam.

Alice, prevendo o que aconteceria, correu para tampar a boca da irmã antes que ela gritasse o nome do bicho, mas foi em vão porque em milésimos de segundos aquele cachorro idiota e sujo estava a jogando no chão e sujou sua roupa nova.

–Sai agora, Rufles! — Gritou irritada, mataria aquele cachorro idiota com suas próprias mãos.

–Foi sem querer, Allie — Mel puxou a coleira do cachorro que se escondeu atrás do seu corpo.

–Você o chamou. A culpa é sua! — com passos rápidos ela deixou a irmã menor sozinha e foi atrás da mãe.

Esme estava conversando com uma amiga, esposa de um dos médicos do hospital, quando percebeu três pequenos foguetes vindo em sua direção, e um deles estava totalmente sujo de lama. Queria sorrir da aparência da filha mais velha, mas sabia que Alice era bem ligada a sua aparência e com certeza não estaria contente por estar toda suja.

–O que aconteceu? — pediu indo com ela para o interior da mansão.

–Melanie e aquele cachorro idiota me sujaram toda.

–Mentira mãe. — Emmett a interrompeu — Foi um acidente.

–Como assim um acidente? — não podia acreditar que iriam defender aquela fedelha mesmo estando errada.

–Não foi um acidente, ela chamou aquele monstro de quatro patas. A culpa é dela! Eu nunca quis ter uma irmã!

–Alice, você não deve falar isso! — Esme ralhou com a filha e viu sua pequena na porta da cozinha com os olhos tristes e lacrimejantes. Logo que foi notada, ela saiu correndo para o quintal. — Por que você falou aquilo?

–Porque é verdade. Eu nunca quis ter uma irmã, queria que Melanie desaparecesse.

Esme já estava irritada pelo comportamento de Alice. Sabia que a filha tinha ciúmes da irmã caçula e não importava o que fizesse o sentimento continuava ali, mas as últimas palavras egoístas dela conseguiram tirá-la do sério.

–Sobe para o seu quarto agora! Depois você, seu pai e eu vamos conversar.

Com passos duros a menina subiu. Emmett olhou para a mãe por alguns segundos e resmungou que iria atrás de Mel. Não poderia a deixá-la pensando que a culpa havia sido dela.

Carlisle sorriu ao ver a esposa caminhando em sua direção, mas não durou muito ao se dar conta que sua expressão, parecia preocupada e irritada. Ele se desculpou com um dos colegas que estava conversando e foi até ela.

–Aconteceu alguma coisa? – questionou segurando o seu rosto.

–Alice teve uma crise de ciúmes e disse para Mel que nunca queria ter uma irmã. – suspirou – Tudo isso porque estavam brincando e Rufles pulou em cima dela.

–Onde ela esta?

–No quarto de castigo, quero que você me ajude a conversar com ela.

–E Melanie?

–Saiu correndo. – escondeu o rosto no peito do marido – Os meninos foram atrás dela.

–Vamos deixá-la sozinha por um tempo e depois eu falo com ela. Primeiro quero conversar com Alice, eu vou lá em cima e você vai ver Mel.

–Tudo bem.

O quarto estava escuro quando abriu a porta, tinha batido diversas vezes até cansar da pirraça que Alice estava fazendo e entrar, logo acendeu a luz e encontrou sua filha na varanda, foi até ela e se sentou no banco vazio ao seu lado.

–Podemos conversar? – pediu calmamente e ela não o respondeu – Sei que esta chateada, mas me ignorar não vai resolver o problema que criou.

–Não criei problemas nenhum – resmungou – Só falei a verdade.

–E qual é a verdade?

–A culpa é de Melanie por aquele cachorro tonto ter sujado o meu vestido. – se virou para o pai. A verdade é que tinha plena consciência de que pegou pesado.

Só falou aquilo porque estava com raiva, seus pais faziam tudo pela sua irmã caçula e ela já não aguentava mais aquilo.

–Era apenas um vestido, Alice. – a repreendeu – Você tem dezenas de vestidos no closet e brigou com ela por causa de um? Ela tem quatro anos, você é a mais velha, deveria ter cuidado com o que fala. Em momento algum ouvi Emmett falando que não gostaria de ter irmãos e ele sim poderia ter essas crises porque você e Melanie são meninas e mais novas. Isso não é uma atitude que eu posso tolerar. Amo vocês igualmente, trato Melanie com mais cuidado porque ela precisa e não por predileção.

–Me desculpa, papai. – sussurrou arrependida.

–Não é a mim que você deve desculpas. – segurou sua mão e beijou sua cabeça a abraçando, sabia que ela tinha entendido seu erro.

O homem observou por longos minutos a menina agachada atrás da arvore, ela chorava copiosamente, desejava ir até lá, mas primeiro precisava garantir que ninguém o visse. Aquela garotinha o pertencia e essa sua chance de reaver aquilo que tiraram dele. Com passos decididos se sentou ao seu lado.

–Está brincando de esconder? – ela negou ainda chorando – Venha. Vou te levar até o seu pai.

Não pode evitar sorrir quando ela concordou. A pegou no colo e saiu dali.

A porta foi aberta com um estrondo e sua mulher atravessou o cômodo até eles rapidamente.

–Mel está aqui? – questionou ofegante.

–Não. Ela não estava com os meninos?

–Eles não a encontraram. – sua voz saiu fina e desesperada – Rufles está desmaiado perto da garagem, eu não consigo encontrá-la em lugar nenhum.

Carlisle foi até ela com o coração na boca e a abraçou brevemente antes de sair para procurar os seguranças da festa, precisava encontrar sua menininha. Com certeza ela estava apenas escondida na imensa propriedade ainda magoada, conhecia sua filha e quando ela estava triste costumava se esconder de todos.

Depois de duas horas que ninguém conseguia encontrá-la, ele estava em um estado maior do que o preocupado, mil imagens passavam por sua mente. Policiais transitavam pela mansão pegando depoimentos e conversando com os seguranças. Esme estava inconsolável trancada no quarto, ninguém conseguia tirá-la de lá. Seus pais e sua cunhada davam toda a assistência que podiam para facilitar tudo.

–Vamos encontrá-la. – Anthony falou se sentando ao seu lado na biblioteca.

–Não deveria tê-la deixado sozinha. – passou a mão pelo rosto cansado – Ela é só um bebê, tem medo de praticamente tudo e se não conseguirmos encontrá-la?

–Nós vamos! – afirmou – Melanie é muito inteligente. Eu te prometo que vou encontrá-la, vou trazer sua menininha de volta.

–Obrigado, irmão.

Sem saber mais o que fazer subiu para o seu quarto, tentaria conversar com Esme. Bateu na porta e a chamou, mas não teve resposta, ela tinha se trancado lá dentro desde que os seguranças afirmaram não ter visto Mel em canto algum. Com um suspiro deixou seu corpo cair no chão, algumas lagrimas escorreram por seu rosto e se forçou a pará-las, não podia ser fraco agora. Sua família dependia dele, pequenas mãos se colocaram em seus ombros e não conseguiu mais conter o choro, abraçou Emmett e Alice forte.

–Desculpe papai. – Alice chorou contra o seu ombro – A culpa foi minha, não deveria ter dito aquilo.

–Não foi não. – a afastou e secou suas lágrimas – A culpa nunca teria sido sua. Você é só uma criança e vamos encontrá-la. Como está Rufles?

–Chorando – Emmett respondeu – Ele esta com um machucado grande na cabeça, mas continua do lado da cama de Mel chorando.

–Ele sente falta dela. – Alice completou.

–Assim como nós. — os abraçou mais forte ainda, ao seu lado na porta do quarto de Mel, Edward os observava com os olhos vermelhos e, logo que foi notado, fechou a porta com um estrondo.

–Ele está chateado. – Emm deu de ombros – Acha que a culpa é dele por não tê-la alcançado quando ela correu, não quer falar com ninguém.

–Deixe-o, agora já está tarde. Por que não vão para a cama?

–Não estamos com sono. Podemos dormir com o senhor e com a mamãe?

Carlisle não sabia como contar a eles que Esme tinha se trancado e não queria ver ninguém, que ela estava tentando lidar com a dor sozinha e longe deles, conhecia seu modo de autopreservação. No entanto, também sabia que seus filhos precisavam dos dois fortes para conseguir encontrar Melanie. A pesada porta de madeira se abriu e sua mulher ficou parada no limiar da porta os olhando. Seus pequenos logo correram para ela a abraçando forte e sem saber como agir ficou apenas os observando, recebeu um pequeno sorriso triste e a apertou em seus braços.

–Eu vou encontrar nossa menina. – olhou em seus olhos – Nem que seja a última coisa que farei na vida. Eu a encontrarei.

Notas finais
Olá amores da minha vida. Bônus novo, queria dedicar a todos que tem comentado, o apoio de vocês tem sido importante, um agradecimento especial a Heyde Oliveira, que com seus interrogatórios tem me dado muita inspiração, ela praticamente já sabe quase tudo que se passa em minha mente sobre a fic. Esse capítulo é mais pra explicar a percepção da família em dois aspectos importantes que mostrou um pouco do comportamento familiar e como nos anos seguintes lidaram com o trauma de perder uma filha, irmã, alguém amado. Pessoas, alguém sabe de uma pessoa ou faz capas para fics? Estou escrevendo uma nova, mas ainda não tem capa e eu sou um desastre com editores de imagem. Me deixem saber o que estão achando da fic que sábado tem mais. Bjos Kim