Capítulo 33

Bella nem tinha aberto um olho quando sentiu seu corpo doer, então se mexeu, deitando de costas. Colocou sua mente para funcionar e estremeceu quando as lembranças voltaram, não pode deixar de comparar Jacob com aquele monstro, mas dessa vez teve alguém para salvá-la. Ela não sabia o que teria feito se Edward não tivesse chegado a tempo. Abriu os olhos procurando por ele, será que depois de tudo ele perceberia que ela era um grande problema para ainda querer se casar?

Não reconhecia o lugar que estava, era um quarto azul escuro visivelmente masculino. Tinha alguns quadros grandes de carros e motos; um sofá branco em frente à janela aberta onde o vento chicoteava a cortina. Notou que já estava de noite e tentou se levantar, mas seu corpo não respondeu. Estava mole. Deixou sua cabeça cair no travesseiro macio e bufou. Onde estava afinal?

A porta se abriu e automaticamente seu corpo se encolheu, puxou o cobertor até o queixo sem saber o que esperar. Edward passou pela porta e a encostou, ela o acompanhou com os olhos tentando se acostumar com a pouca luminosidade. Ele se sentou na beirada da cama notando que ela estava acordada, acariciou seus cabelos e beijou sua testa com cuidado.

–Oi, pequena. – sua voz era suave e contida.

Não sabendo como responder se manteve em silencio o observando, ele parecia cansado, suas roupas amassadas, mordeu o lábio e o soltou quando sentiu uma pequena dor. Ergueu a mão para tocar o machucado, ele parou seu movimento beijando a mão enfaixada antes de tocar o local ferido.

–Não se preocupe, vai sarar rápido. Como você está?

–Um pouco dolorida – sussurrou – Você não parece bem.

Ele riu baixinho, até quando ela estava ferida se preocupava mais com ele.

–Estou bem.

–O que... O que houve com Jacob? – perguntou se aproximando dele.

Edward soltou um som parecido com um rosnado e se deitou ao lado dela abraçando-a. Lembrar-se daquele cachorro imundo fazia uma onda de ódio tão grande se apossar do seu corpo que aumentava o desejo de ir até ele e acabar com aquele verme com as próprias mãos.

–Ele foi preso. Não se preocupe que não ele não vai te fazer mal.

Ela não sabia o que dizer, se culpava pelas coisas terem chegado naquele ponto. Deveria ter se afastado assim que percebeu a insistência demasiada dele, entretanto, nunca teve muitos amigos e pelo menos ali teriam que ter algum tipo de amizade e confiança. Edward não gostava dele, deveria ter seguido os sentimentos dele.

–Pequena, não chore, tudo acabou. – não sabia o que fazer ao perceber que ela chorava.

–É minha culpa, Edward.

–Como assim sua culpa? – estava intrigado pelo fato de ela se culpar.

–Eu deveria ter me afastado dele e não fiz. – chorou se afastando do seu corpo – Eu achava que ele era meu amigo, não queria perder sua amizade isso tudo é minha culpa.

Ele a virou para encontrar seus olhos e segurou seu queixo.

–Isabella, isso é tão sua culpa como é minha. Não é errado considerar alguém seu amigo, por mais que eu não gostasse do Black, nunca passou pela minha cabeça que ele fosse capaz de fazer o que fez. Ele enlouqueceu. Isso não é dependente de você ou de mim, se trata dele mesmo, entendeu? – ela não respondeu – Entendeu? Eu não vou deixar você se culpar pelo que ele fez.

–Entendi. – ainda não o encarou – Como você me encontrou?

–Senti que tinha alguma coisa errado, fui até sua mesa e estava vazia. Liguei no seu celular e estava fora de área, então deduzi que estava na sala dos servidores. – respirou fundo tentando manter seus sentimentos para si mesmo – Vi aquele animal te prendendo na parede e o tirei de cima de você. Dei uma surra nele e, se não fosse por Rosie, o teria matado, ela só precisou pedir para eu cuidar de você.

Acariciou seu rosto e beijou seu nariz.

–Você estava em choque, sua asma atacada. Te peguei e levei até Carlisle, ele te deu um sedativo, por isso que dormiu. Todos estão preocupados com você, Esme achou melhor te trazer para casa deles, pelo menos teria um médico por perto caso alguma coisa acontecesse.

–Obrigada por me salvar. Não sei o que faria se você não estivesse comigo.

–Não pense assim. Eu estou com você e vou estar sempre, não importa o que acontecer. Eu te amo, Isabella.

–Eu pensei que não me amaria mais depois do que aconteceu. – resmungou chorosa – Que me acharia uma...

–Pare com isso. – a interrompeu com um pequeno beijo – Eu te amaria independente de qualquer coisa. Só preciso saber de uma coisa: Você me ama?

–Mais do que tudo.

–Então é o suficiente, esqueça Jacob, o passado e se concentre em mim, em nós. O resto nós podemos resolver depois.

Ela concordou deitando no peito dele sentindo uma mão em seu cabelo enquanto cantava uma canção de ninar calma a mandando para o mundo dos sonhos.

Edward não conseguiu pregar os olhos. Mesmo com o advogado garantindo que o Black não sairia tão cedo da cadeia, sentia um pouco de apreensão. Já não bastava o passado dela que a entristecia, agora tinha o maldito para lhe dar mais dor de cabeça. Era demais. O dia estava indo tão bem, soube por Alice que ela estava feliz durante todo o dia. Se levantou da cama e foi tomar um banho frio pra ver se conseguia desanuviar a cabeça. A água o ajudava pensar melhor, sentiu pequenas mãos em suas costas e sorriu, era de se imaginar que ela acordaria quando saísse da cama.

–Pensei que estivesse dormindo.

–Acordei quando você saiu da cama. – o abraçou beijando suas costas.

Ele virou o corpo a abraçando e puxando para debaixo da água fria, ela soltou um pequeno grito e riu tentando sair, mas ele não deixou. Cansada de lutar contra ele deixou a água cair enrolada nos braços dele. Edward lavou seu corpo com carinho a ensaboando. Deu um selinho nos lábios vermelhos e a abraçou, ela mudou os braços para enlaçar seu pescoço e entreabriu os lábios para encontrar a língua dele colando mais seus corpos.

–Bella, não. — Ele se afastou um pouco.

Os braços dela caíram. Constatando que ele não a queria mais, seu lábio inferior tremeu levemente.

–Você não me quer. – sua voz saiu falhada. – Por que iria querer?

–Não, Bella, não é isso. – ele se aproximou dela, que se afastou.

–Não precisa falar nada, Edward, eu já entendi.

Saiu do banheiro praticamente correndo, procurou suas roupas, encontrou um vestido em cima do recamier rapidamente o colocando pela cabeça. Ele a amava, mas não podia ao menos tocá-la, como deveria entender isso? Secou uma lágrima que teimou em cair e se apressou em procurar sua bolsa, ela não parecia estar em lugar nenhum, queria correr dali. Edward desligou o chuveiro e foi atrás dela, ela já estava vestida e procurando alguma coisa, era um idiota por fazê-la chorar depois do dia infernal que tinham passado. A segurou pelo braço virando-a para si.

–Bella, pare. – pediu baixinho, ela lutou contra o seu agarre e ele a segurou mais forte a abraçando – Não lute contra mim, pequena.

Ela se deixou levar caindo nos braços dele chorando, não tinha mais forças, não queria mais lutar. Estava cansada de lutar contra o mundo, queria apenas que a dor parasse, desistia de tudo, não dava mais.

Edward sentiu o pequeno corpo se amolecer contra o seu e a agarrou mais forte, tirando-a do chão e deitando na cama, tirou o vestido e ficou por cima dela a olhando, seus olhos estavam opacos e sem vida, se praguejou.

–Bella, eu não queria feri-la – começou – Depois de tudo que aconteceu hoje, pensei que essa fosse a última coisa que precisava.

Ela permaneceu em silencio, suspirou colocando o rosto no pescoço dela.

–Não faz isso comigo. Não se isole, pequena.

–Pensei que você não me queria mais. – murmurou baixinho. – Que não me desejava.

–Eu sempre vou te desejar. – garantiu beijando seu pescoço – Você é como uma droga pra mim, basta um olhar que meu corpo queima pelo seu.

–Eu não quero viver sem você, Edward. Não conseguiria viver sem te ter comigo.

–Sei como se sente, também sou assim por você. Mas não acho que sexo vai garantir isso.

–É só que quando fazemos amor me sinto como se fosse a única pessoa no mundo para você, me sinto especial.

Ele a abraçou tão forte que roubou seu fôlego. Se sentia da mesma forma em relação a ela, não havia dimensão para medir o tamanho do amor que sentia, apenas parecia que tinha nascido para amá-la e protegê-la. Naquela noite, quando fizeram amor, fez questão de dizer todo o tempo o quanto a amava, que apenas ela o fazia feliz e o completava.

Bella acordou com um sorriso no rosto, seu corpo ainda estava um pouco dolorido do dia anterior, mas estava completamente saciado também. Há alguns dias, Edward havia dito algo. Algo que a fez pensar bastante na noite anterior. Coisas ruins sempre aconteciam e era apenas sua escolha deixar se abater por elas. Ela seguiria esse pensamento. Chega de se deixar influenciar por um passado esquecido, não precisava dos pais biológicos, a vida havia lhe dado Charlie e Renée, iria apenas apreciar os momentos que tinha.

Estava sozinha na cama, Edward estava longe de ser visto. Levantou-se para um banho rápido e, quando foi escovar os dentes, olhou no espelho vendo o pequeno machucado no lábio inferior. Ela suspirou e virou o rosto para ver se estava marcado, felizmente não estava, assim como seus braços, e se sentiu melhor com isso, moveu os dedos devagar sentindo uma pequena dor na mão. Na pressa, tinha tirado a faixa e não iria colocá-la de volta. Vestiu o vestido rosa pálido que estava em cima da cama e calçou um chinelo que também estava ali. Saiu do quarto olhando o grande corredor, estava perdida, depois de caminhar um pouco encontrou a escada e a desceu, encontrou mais um pequeno corredor e muitas portas. Deveria ter ficado no quarto, não fazia a menor ideia de onde estava.

–Hey, conseguiu se perder? – a voz de Alice a fez pular e se virou para ela que saía de uma das portas.

–Sim, nem sei como cheguei até aqui. – respirou aliviada, sua amiga riu e a abraçou pelo ombro caminhando juntas até o fim do corredor.

–Essa casa é imensa, é boa para brincar de esconder, o Emm fazia isso quando tinha que tomar banho. – elas riram descendo as escadas – Mamãe ficava doida.

–Como ele aparecia? – perguntou curiosa.

–Ela falava que tinha bolo de chocolate, ele sempre ia pra cozinha, era um esfomeado.

Entraram sorrindo na cozinha, todos já estavam sentados na mesa e olharam para as duas. As bochechas de Bella coraram ao perceber que todos sabiam do que tinha acontecido no dia anterior. E, por não saber o que fazer, parou no meio do caminho. Edward se levantou da mesa e foi até ela beijando seus lábios e praticamente a puxando para se sentar ao seu lado. Murmurou um bom dia e todos voltaram a conversar entre si.

–Pensei que fosse dormir mais. – falou com ela a servindo.

Depois de uma xícara quente de café, se serviu de mais uma ignorando a comida, seu estomago estava um pouco chato.

–Não consegui dormir, me perdi lá em cima – sorriu brevemente para ele – Alice que me mostrou o caminho.

–Eu iria levar o seu café na cama. – beijou sua mão que estava na dele – Não vai comer?

–Não – fez uma pequena careta – Meu estomago tá um pouquinho ruim.

–Porque você não comeu nada, filha. – Esme falou a sua frente, saiu da mesa e voltou rapidamente com uma tigela na mão – Coma.

Bella olhou para a tigela com desconfiança, era um mingau de aveia. Nunca tinha sido fã de mingau de nenhum tipo, mas, como seu estômago estava imprevisível, era melhor tentar começar com ele. Depois de algumas colheradas estava se sentindo mais confiante para comer, deixou a tigela de lado e começou a comer o waffle, seu namorado sorriu e não pode evitar rolar os olhos para ele. Após o café, Esme a arrastou para o jardim junto com as meninas, pelo que parecia todos haviam passado a noite lá.

–Como você está? – a mulher mais velha perguntou assim que se sentaram embaixo do gazebo de madeira trabalhado a mão.

–Bem melhor, eu e Edward conversamos durante a noite, não me resta outra opção do que aceitar o que aconteceu – deu de ombros e baixou os olhos mordendo o lábio machucado.

–Não foi sua culpa, Bells – Rosie disse segurando sua mão – Black estava louco.

–É pode parando de colocar coisas nessa sua cabecinha. – Alice brincou – Além do mais temos coisas mais importantes para pensar, como o seu casamento.

–Verdade. Edward está me enlouquecendo porque vocês não escolheram a data ainda. – Esme falou dramaticamente, era a mesma expressão que Allie usava – Temos tantas coisas para ver, a igreja, o buffet, a banda, o salão.

–Calma, Esme – Bella pediu – Respire, você está vermelha, não se preocupe, vou sentar com ele hoje e definir uma data, prometo.

–Melhor assim. – respirou mais aliviada – Renée vai vir ajudar?

–Ela ameaçou deixar meu pai lá e vir sim. Tenho que ligar pra ela pra confirmar.

Bella escutou um pequeno latido e olhou para trás vendo seu pequeno cachorrinho correr até ela e seu namorado atrás, escutou as meninas soltarem um pequeno suspiro alegre e caminhou até seu menininho peludo, o pegou coçando sua orelhinha. Abraçou o namorado e o beijou.

–Quando ele veio?

–Pedi para que Félix o trouxesse agora, sabia que ele te animaria – acariciou sua face – Gosto desse sorriso no seu rosto, não quero que ele saia mais.

–Se você estiver comigo ele não vai. – garantiu – Prometi a Esme que combinaríamos a data do casamento porque ela está surtando com Alice.

Edward riu, era bem a cara de sua tia e prima fazerem um drama com o casamento dele.

–Bom, pequena, podemos nos casar amanhã – ela riu deixando Red no chão pra correr e o enlaçou pelo pescoço.

–Muito próximo. Que tal daqui a um ano.

Ele fez uma careta e caminhou com ela ainda em seu pescoço em direção as meninas.

–Um mês. – contra propôs. – É o máximo que posso aguentar.

–Edward, não é como se já não morássemos juntos. Por que tanta pressa?

–Eu quero ter você completamente para mim, quero que tenha o meu nome. – sorriu – Só quero fazer tudo certo, nunca tive isso antes e agora sinto que devo isso a você, em nome do meu amor.

Ela o abraçou mais forte o beijando intensamente, o soltou quando escutaram assovios e palmas, estavam fazendo uma cena a parte, riram ainda de lábios colados e ele a girou no ar beijando sua bochecha.

–Tia, consegue organizar o casamento para daqui um mês? – perguntou sentando com Bella em seu colo.

–É tão pouco tempo filho, precisamos de mais tempo para avaliar os detalhes.

–Em janeiro está ótimo Esme, aí já vai ter passado o natal e como vai estar no inverno poderemos passar a lua de mel em um lugar mais quente. – pensou alto.

–Não sei por que esperar tanto tempo assim, mas você tem um ponto.

–É claro que tenho, o casamento é meu, então eu escolho a data – rolou os olhos para ele — esse daqui parece que nasceu de sete meses.

Elas riram da cara de indignação de Edward.

–Mãe tem um rato no seu jardim – Emmett brincou com Red que mordia seu sapato.

–Não chama meu pequeno assim, Emm. Ele não é um rato.

–Com certeza não. – pegou o pequeno no colo rindo – Um rato não é tão gordo. Qual o nome dele?

–Red. – Edward falou com o rosto enterrado nos cabelos de Bella.

–Que diabos de nome é esse? – olhou para o pequenino – Você merecia um nome mais agressivo, pequeno. Por que colocou esse nome?

–Porque é especial pra mim e também ele leva o nome do melhor time da liga. – Bella falou sabendo que Emmett era torcedor dos Yankees.

–Que pena em parceiro, eu achando você até que bonitinho, tinha que ter um defeito grave, não é? – Red latiu e mordeu o seu dedo brincando. Bella jogou um dos panos que estava na mesa nele que apenas riu.

Passaram a manhã fazendo planos para o casamento, depois do almoço Bella subiu com Edward e Red para o quarto dele. O cachorro dormiu assim que se ajeitou no tapete, eles ficaram na cama jogados presos em seus pensamentos. Edward deitou de lado e olhou para a pequena menina que compartilharia sua vida. Dali a alguns meses ela seria dele e ninguém poderia tirá-la de onde estava: nos braços dele. Ela o olhou sorrindo, o rosto corado pelo olhar intenso que ele lhe dedicava, se aproximou até colocar o queixo em seu peito e beijou em cima de seu coração. Durante a manhã ele a tinha questionado inúmeras vezes se estava bem, mas a verdade era que mesmo com o dia anterior ela estava mais que bem e feliz, precisava esclarecer o que tinha acontecido com Jacob, deixaria isso para mais tarde quando ambos estivessem mais calmos e seguros. Se sentia leve com o amor que ele provava ter por ela a cada dia e ainda tinha sua família, havia sido premiada com aquela família maravilhosa, teria que ligar para Renée e dizer que tinham algo mais concreto sobre o casamento, apostava que a mãe pulasse no primeiro avião pra lá.

–Já pensou em algum dia especifico de janeiro para o casamento? – Bella perguntou depois de um tempo.

–Dia primeiro – ela fez uma careta, ano novo já tinha muita festa – Não gostou?

–Já é um dia de comemoração. Pode ser depois?

–Tudo bem. Dois? – ela riu.

–Vamos Edward, para de brincar. – fez um pequeno bico que ele tirou com um beijo.

–Não estou brincando. Pode ser dia vinte então. Eu gosto desse dia, era o dia de aniversário de casamento dos meus pais. Você se importa?

–Claro que não, vai ser perfeito, vamos nos casar dia vinte de janeiro. Agora próximo tópico – se sentou na cama – O que está te incomodando?

–Nada está me incomodando. – falou da forma mais natural possível, mas Bella percebeu que ele estava mentindo e bufou.

–É obvio que tem alguma coisa te incomodando, faz algum tempo já. Você parece mais disperso, te pego várias vezes olhando para o nada e até quando fazemos amor você está mais... Intenso, não estou reclamando da última parte, mas percebo que você tá estranho. Parece que procura por algo que esta fora do seu alcance.

Ele deixou a cabeça cair no travesseiro, era impressionante como ela conseguiu ler seus gestos. Ninguém tinha notado isso nele antes. Não sabia o que dizer, eram tantas as preocupações, e a maioria ele não queria que ela ficasse sabendo. Como o fato de que estava investigando sobre o homem que a tinha maltratado, sabia que com isso provavelmente encontrariam seus pais biológicos; também tinha Jacob Black, na segunda teria que ir na delegacia prestar depoimento; o invasor na empresa e a insegurança dela em começar uma família. Ela se aproximou dele sentando em sua cintura, o olhou com a cabeça inclinada e um olhar doce esperando sua resposta. Sabia que omissão era pior do que uma mentira e que causava mais estragos conforme o tempo passava, mas não encontrava uma forma de como falar tudo para ela. Então, preferiu contar apenas meia verdade.

–Queria ter um filho com você. – deixou sair – Sei que você acha isso muito cedo, mas a vida é curta. Por vezes imagino você grávida, um bebê no seu colo, mas eu desejo que você também queira e não que faça isso apenas por minha causa.

Ela assentiu com a cabeça e o olhou por um longo tempo, sua mente ainda estava em curto por alguns segundos, beijou seus lábios descendo para o pescoço na abertura da camiseta pólo, a verdade é que tinha pensado nisso desde a conversa na casa da árvore, realmente não se sentia pronta para ser mãe. Mas quem se sentia? Isso era uma coisa natural nas mulheres, pelo menos era o que Renée falou quando a explicou de onde vinham os bebês. Edward em uma de suas conversas noturnas já havia confessado que nunca tinha o desejo de ser pai, que se sentia apavorado quando Tanya chegou até ele e revelou a gravidez. Poderiam deixar isso acontecer naturalmente e se fosse pra ser seria.

–Que tal assim – voltou a se sentar no colo dele – Eu vou parar de tomar o anticoncepcional, mas não vamos ficar naquela de o primeiro sintoma aparecer correr para a farmácia comprar um teste de gravidez, tudo bem? Assim eu me acostumo com a ideia e você fica mais tranquilo.

Ele sorriu de orelha a orelha, a rodou na cama ficando por cima, estava muito feliz, tanto que seus olhos brilhavam. Bella não o tinha visto assim desde o pedido de casamento e amava aquele brilho de contentamento. Era uma boa escolha.

–Na segunda ligo para o meu ginecologista para agendar uma consulta e fazer todos os exames necessários.

–Pra que tantos exames? – perguntou confuso, aquilo era uma coisa da natureza, não deveria ser tão complicado.

–Precisamos fazer para saber se não há algum problema genético que possa prejudicar o bebê e outros fatores também – o beijou – O resto perguntamos para o Dr. Caius.

–Seu médico é homem? – parou de beijá-la se afastando.

–Sim, é um homem. – o puxou para mais perto, mas ele não cedeu – Pelo amor de Deus, Edward, ele é profissional, você poderia pelo menos uma vez deixar seu ciúmes de lado?

–Não gosto disso, ele te vê nua?

Bella bateu no seu ombro e o empurrou de cima do seu corpo, se perguntava como ele conseguia quebrar o clima assim tão rápido.

–Ele não me vê nua, o que ele faz é apenas o trabalho dele. Você fala como se toda vez que eu vou ser examinada eu dormisse com ele.

–O quê? – perguntou surpreso – Não, não é isso, mas por que não escolheu uma médica?

–Porque ele é o médico de Esme e Rosalie também e um bom profissional. – se levantou da cama irritada – Se for pra ficar com ciúmes bobos talvez seja melhor não nos casarmos, pelo menos até você aprender a confiar em mim.

Ele se levantou tão rápido que ela se viu obrigada a recuar para dar espaço a ele.

–Eu confio em você implicitamente, apenas não gosto da situação. – passou a mão pelo cabelo nervoso – Não gosto de homens ao seu redor e nada dessa coisa de cancelar o casamento. Vamos nos casar nem que eu tenha que te arrastar para o altar.

Bella teve vontade de rir, mas se conteve. Ele era muito exagerado. Mordeu o lábio, pensativa. Não iria mudar de médico apenas porque ele era ciumento. Não gostava de muita coisa, mas nem por isso o pedia para mudar, assim como a assistente dada dele, na realidade nunca tinha reclamado.

–É melhor deixar esse assunto para segunda, no consultório do Dr. Caius. – falou firme.

Ele bufou inconformado e não reclamou, daria um jeito nisso depois que os exames estivessem prontos e ela grávida, assim ela não poderia reclamar do fato dele estar tomando conta dela.

Notas finais
Olá pessoas amadas do meu coração. Que bom voltar a postar, parece que demorei anos desde a última vez não? Estou felicíssima esses dias, primeiro, recebi mais uma recomendação que encheu o meu peito de alegria. Sipansera muito obrigada, adorei suas palavras. Segunda coisa, os comentários aumentaram, antes eram poucas palavras, agora estou recebendo monólogos fantásticos que só agora percebi que me entregam, né Heyde Oliveira? rsrsrs Mas a todos que estão comigo, muito obrigada mesmo, de coração e como forma de agradecimento, vou postar dois capítulos por semana, já tinha dito que tentaria, mas agora é uma certeza, pelo menos durante a copa, depois vemos como isso vai acontecer. Bom, é só por hoje. Bjos Kim