O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
37 Capítulo XXXVII por Antonio Fernandez Carriedo
Notas iniciais
Porra, Gil, porra. Alguns dias antes , estávamos matando aula no terraço da escola eu, Gil e Francisco. Eu estava deitado com a cabeça no colo de Gilbert e Francis fumando mais longe – porque ninguém aguenta aquele fedor – e Gilbert não parava de falar de Matthew. A cada 5 minutos era algo novo.
– Aí quando ele perde pra mim no Tekken ele infla as bochechas mas não reclama e acha que eu acho que ele tá de boa mas eu sei que ele tá putinho, é muito fofo, aaaah... Tá bom, vou parar.
Francis encarou o relógio por alguns segundos e exatamente um segundo antes de Gil voltar a falar ele olhou pra mim e riu.
– E quando ele coloca as mãos dentro do moletom, fica parecendo um canguru ou sei lá.
E essa cena se repetia gradativamente. E quando não era pequenos detalhes sobre como ele era fofo, era como ele era importante pra Gil. Daí ele deixa o menino puto assim. Fiquei preocupado, mas eu tinha meus assuntos pra cuidar.
– E aí, posso comer bolo e ir embora já?
– Lovi! Claro que não. A gente tem que esperar pra cantar o parabéns e aí a gente pode comer e eu te levo.
– Nah, me arranja um pedaço de bolo numa vasilha de marmita que eu vou de onibus. Muita gente aqui, to me sentindo sufocado.
– Você sabe que eu não posso te deixar sozinho um só minuto, seu vô me manda pra guilhotina.
– Ai, também não é como se eu nunca tivesse andado só. Podemos pelo menos ir pra algum lugar mais vazio?
– A noite é perigoso. Vamos pro jardim...
– Seu quarto não?
– Ér... – você entende quando começa a tocar na cabeça “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”? Então – Tem certeza? Tá uma brisa tão boa lá fora, dá pra ficar olhando as estrelas e testar nossos conhecimentos sobre constelações e-
– Antonio. Tá quase chovendo.
Sí, era verdade. Sí, eu sou idiota e péssimo trabalhando sob pressão.
– Relaxa, eu não vou te morder. Você também pode me deixar sozinho e ficar aqui com seus convidados – ele realmente não parecia se importar e dizia enquanto subia as escadas. Tirou um pequeno livro do bolso da blusa de frio pra “ilustrar” a companhia que teria. Mas é claro que eu não ia deixar ele sozinho e fui junto. Todo mundo é bem grandinho pra se cuidar, certo? Errado, mas deixa eu me iludir.
Entramos no quarto, liguei a luz, fechei a porta. Ele prontamente tirou o tenis com o próprio pé e pulou na cama, abriu o livro e retirou o marca-página, segurando-o com a boca, e já parecia bastante imerso no seu mundo.
– Hey, você vai me deixar sem fazer nada aqui? – me olhou com as sombracelhas arqueadas e um olhar que dizia por si só “sério mesmo?”.
– Eu disse que você poderia ficar lá dando atenção às pessoas – e voltou a ler.
– Tá, mas eu quero a sua atenção – aí eu fiquei com medo porque ele abaixou o livro de uma vez. Senta que lá vem palavrão.
– Você tem medo de mim.
– M-mas é porque você é meio violento as vezes, Lovi...
– Não tô falando nesse sentido – abriu o livro de novo – Eu já tentei te mostrar que tudo bem me usar mas você caga e anda e ainda fica com o cu na mão não sei porque caralhos.
Verdade. Arranquei o livro da mão dele e o puxei para o meu colo, quase parei quando percebi que ele estava assustado mas passou quando ele esboçou um sorriso – você sabe como é um sorriso dele, né? E comecei a beijá-lo. Não, não foi aquela coisa desesperadora, começou bem devagarzinho, quase como selinhos. Me julgue, mas ainda sentia o gosto de Fanta que tomamos mais cedo e isso me agradava.
Aí como você já pode imaginar, claro que a coisa foi desenvolvendo. Os beijos foram ficando mais profundos e mais... molhados? Descobri que ele perde o ar fácil, ficou todo vermelho e não foi nem de vergonha. Mas ele mesmo que não se dava tempo de respirar e já voltava a me atacar. Teve uma hora que eu parei e comecei a conversar pra ele ter um tempinho, mas não parecia focar no que eu dizia e ficava encarando meus lábios com uma respiração pesada.
– Lovi, eu não vou sumir.
– Quê?
– Pode respirar, eu espero.
– Quem que tá pedindo pra esperar? Tá me chamando de fraco, por acaso?
– Haha, não, tô te chamando de desesperado.
– DESESPERADO? – me deu um tapa no ombro. Ai.
E voltei a beijar. Só que agora ele respirava. E eu já não sabia mais quanto tempo havia se passado, quando ele parou e perguntou:
– Ei... O que você acha de... de... Sabe? Quando duas pessoas... elas se amam... e... então elas consumam o amor.............. ai, deixa pra lá – ok, agora foi vermelho de vergonha. Quando ele desistiu de falar escondeu o rosto entre meu ombro e pescoço.
– Você diz quando as pessoas casam?
– Véi... Sério? Meu Deus, você é muito inocente... Eu quis dizer quando elas... fazem sexo – falou a ultima parte correndo e sem olhar pra mim.
– Como assim? Acho que é normal, não?
– E... e se nós... você sabe... – não, eu não sabia. Levei algum tempo pra entender o que ele quis dizer e fiquei com vergonha.
– Lovi, você quer... fazer?
– E-eu não estou falando isso! Só se você quiser...
– Você não ficaria inseguro achando que eu só quero te comer? – perguntei na inocencia.
– Não, mas obrigado, você está me deixando.
– Lovino, é claro que eu quero te comer, eu te amo.
– Não fala assim! Você sabe como dois homens fazem?
– Mais ou menos... Vamos procurar no Google... – sentei na cadeira do computador e ele sentou no meu colo, pesquisamos o processo inteiro e ele ficou paralisado – Hey, Lovi... você sabe que eu quero ser o ativo, né? Lovi? Lovinooooo?
– Isso vai doer muito.
– Eu prometo que faço com cuidado e se doer a gente para na hora.
– Eu... eu... eu te amo... – ele estava tão apático que nem piscava.
– Então não fique assustado, eu te amo também, vou te esperar.
Não saímos muito do lugar depois disso. Claro que não transamos, ficamos no computador jogando Counter Strike e esquecemos da vida. Mais tarde o Erik ligou pra saber se tava tudo bem e quem sabe pra “averiguar” se estávamos bebâdos, pelo que eu ouvia Otho do outro lado falando com ele. Aí lembrei que não estávamos sozinhos, descemos e a casa tava muito suja e gente desmaiada/dançando/se pegando pra todo lado. Fomos pra cozinha e metade do bolo já tinha sumido, a pessoa que tinha partido inclusive não tinha senso nenhum do que estava fazendo pelo formato que o bolo ficou. Passei um dedo no glacê (é assim que escreve? O Google tá longe :<) e depois na bochecha de Lovino.
– Que porra é essa? – fez a mesma coisa e passou na ponta do meu nariz, fiquei zaroio (eu esqueci a palavra correta, não me julgue) pra ver e ele riu muito loucamente.
Comemos o bolo e fomos procurar alguém mais próximo pra dizer que estávamos saindo. Altos quartos trancados, espero que ninguém tenha morrido. Francis tava fumando no jardim e eu percebi que ele andava fumando demais, fiquei preocupado. Avisamos e fomos.
– Você conhece alguém que já fez? – depois de um longo silêncio no carro, Lovino que até agora parecia estar pensativo demais decidiu externalizar.
– Fez o que?
– Sexo. Gay.
– Não, acho que não. Talvez o Francis, mas não sei.
– Nos livros parece que é menos doloroso que naquele texto explicando...
– Ah, então é isso que você tanto lê.
– Não! Não é como se eu quisesse tanto fazer isso contigo... – freiei na hora. Você sabe que quando um uke diz isso é que ele tá doido pra te dar, né? Também não sou tão inocente assim.
– Lovino, a gente vai fazer. Eu vou comprar as coisas, a gente tenta quando você quiser.
– Eu eu eu eu eu eu eu eu eubeubjdnjksfnjmmm tá bom. Mas eu não disse que queria muito muito muito, ok? Você que é afobado – voltei a dirigir.
– Eu não sou afobado, você que tá passando pela puberdade tardia, ué.
– Pára esse carro – eita porra, ele ia querer ir embora a pé, então eu disse que não – Pára logo – tá, eu obedeci – Não, porra, no acostamento.
Ele desceu, deu a volta, abriu minha porta, desceu e empurrou mais meu banco pra caber e sentou no meu colo. Começou a me beijar e me morder e se esfregar em mim. Também não é como se eu não tivesse começado a responder imediatamente. Ele parou de me beijar e começou a me encarar com um olhar meio depravado e um sorriso diabólico e ainda passou a língua nos meus lábios, claro que Tonhão Jr também começava a responder e ele continuava rebolando lá. Depois ele parou de novo de me beijar e levantou, voltou para o seu lugar e colocou o cinto de segurança.
– Eu que tô na puberdade? – aquele sorriso cínico do kapiroto.
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