O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
28 Capítulo XXVIII por Elizaveta Héderváry
Notas iniciais
Essa noite. Essa noite, coisas tinham que acontecer. E eu já sabia como. Falei com o quartel, então. Eu, Kiku, Heracles, Mei e Alfred.
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► Hoje a noite temos uma missão e eu preciso de vocês.
Com quem ficou o walkie-talkie da ultima vez?
─ flying-pan (◡‿◡✿)
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Sim, temos codinomes. E sim, frigideira voadora. Porque frigideira de fritar é muito mainstream.
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► Comigo, quem é o casal da vez? KKK
─ batburger
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► Eu juro, se isso sair daqui, eu mato vocês. Mathias e Lukas.
Mas Lukas não pode saber que ninguém além de mim está envolvido
nessa operação, se não me mata.
─ flying-pan (⊙‿⊙✿)
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► Ah mas pelo menos da parte do Mathias já era óbvio, ele nunca
ficou tão em cima de ninguém assim antes... ¯_(ツ)_/¯
─ batburger
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► Se eu fosse você, não falaria muito. Sua situação com Arthur é
a mesma.
─ flying-pan (◕‿◕✿)
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► Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
─ batburger
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► xDD
─ kuroneko (^● ⋏ ●^)
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► É o seguinte, eu vou precisar do vestiário vazio depois do jogo hj.
─ flying-pan (◕‿◕✿)
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► Impossível. Nem pelo banho, mas as roupas de todo mundo ficam
lá, se não dava pra tomar banho em casa.
─ straycat
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► Ó, a gente sempre sai depois do jogo. Podemos ficar na escola
e pedir uma pizza. Plzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. :3
─ flying-pan (◕‿◕✿)
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► Faremos o possível.
─ straycat
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► Mas como vamos mandar o Mathias sozinho pra lá? Tanto ele como
os outros vão desconfiar... >:
─ hanabi 。(⌒∇⌒。)
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► Isso vocês deixam com a mamãe aqui. Mas sérião, não quero
ninguém nem no corredor, ok? Ok. Nos falamos pelo celular.
─ flying-pan (◕‿◕✿)
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► Desculpe, mas se vamos nos falar pelo celular, qual será o uso do
walkie-talkie?
─ kuroneko (^● ⋏ ●^
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► Eu vou deixar um no vestiário ligado pra gente ouvir, hehe  ̄∇ ̄
─ flying-pan (◕‿◕✿)
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Mais tarde, na escola, eu chamei Mathias para um canto afastado na arquibancada antes do jogo. Gilbert quase teve um treco porque “você não pode tirar um jogador daqui durante a preparação e bla bla bla”. Foda-se.
– Então, Mathias, sobre aquele negócio... Temos que avançar hoje.
– Complicado, Liz. Ele não vem.
– UÉ!
– Não era óbvio? – apesar de estar rindo dizendo isso ainda parecia meio triste.
– Você vai ter que levar músicos debaixo da varanda dele pra fazer uma serenata, então.
– Uh... Não.
– Era brinks, mas sério, você vai na casa dele hoje invés de sair com o povo. Ele vai ver que é importante e isso já vai o amaciando. Aí cê resolve logo isso enquanto ele está assim.
– Eu entendo, mas-
– MAS NADA! Eu não queria te contar, mas com as minhas investigações, descobri que um cara de outra escola também está “cortejando” Lukinhas. Só que segundo fontes seguras, ele está na frente. E você vai deixar, Mathias? Não no meu turno! – era mentira, mas ele ficou branco na hora e abaixou a cabeça e a segurou entre as mãos apoiando os cotovelos nos joelhos (não olha pra mim, eu nunca disse que sabia fazer boas descrições haha). Eu fiquei até com dó, mas ele precisava disso. E eu precisava de um plano B caso Lukas realmente não aparecesse.
– Ok, se der errado, eu te mato.
– Relaxa, eu sou uma expert. Mas eu preciso que você se confesse. Não dê pra trás e não tenha medo de levar um não! Lembre-se: o não você já tem, falta você mesmo criar ao menos uma chance de ganhar um sim.
– Ok ok...
Liberei-o e fui colocar um dos walkie-talkies no vestiário masculino. A medida que o tempo foi passando, os convidados começaram a chegar e lotar as arquibancadas. Se Mathias tiver chamado Lukas, ele não ia, se ele não chamou, ele ia, simples. E eu esqueci de perguntar, então foi um tiro no escuro. Pedi para as meninas cobrirem minha falta e corri para a entrada do campo (?) – não sei se é grande o suficiente para chamar de estádio, então vamos deixar assim – e esperei. Esperei quase meia hora e quando já estava perdendo minha fé, achei um loirinho com o cabelo quase branco perdido.
– LUKAS, EU QUASE ACHEI QUE VOCÊ NÃO VIRIA! EU TENHO UMAS TRETAS PRA TRATAR CONTIGO E-
– Respira, Elizaveta – nem ouvi direito, só o puxei logo para o vestiário feminino, eu não podia ficar tanto tempo fora assim.
– LIZ! Eu não posso estar aqui!
– Relaxa, as meninas já estão no campo e ninguém vai vir aqui.
– Então você não deveria estar aqui.
– Ninguém vai notar.
– Se você diz... E então?
– Lukas, você é péssimo em esconder. Eu sei que você gosta do Mathias.
– Você prestou atenção na merda que voc-
– PÉSSIMO EM ESCONDER. E nesse ritmo, não vai dar em nada. Escuta, você conhece ele, é como um galã... Você vai precisar de um empurrão meu porque nesse seu passo não sei nem se você consegue manter uma amizade. Primeiro porque ele é jogador de futebol, segundo porque ele é lindo e gostoso e terceiro, cê sabe que tem muita menina atrás dele, né? E com essa gama de opções ele não vai estar aqui pra sempre! Lukas, me deixa te ajudar.
– O-olha, eu... Eu não sei.
– O quê?
– Não sei o que fazer. Nem sei direito o que eu quero, o que eu sinto. Quero dizer, eu nunca senti isso antes e me assusta pensar.
– Mas é por isso mesmo que eu tô aqui, pra te salvar – e fez continência. Esbocei um sorriso – ARRRRRÁAA, você riu que eu vi!
– Não ri não. Mas o que você pretende fazer?
– Ah, Lukinhas... Estou sempre um passo a frente. Claro que eu não vou falar pro Mathias nem nada, isso você que precisa fazer. Mas precisa ser aqui e hoje.
– Sendo assim, qual é a sua participação nisso?
– Digamos que eu vou arrumar o terreno pra você. Quando o jogo começar, eu preciso que você vá para o vestiário masculino, agora não dá porque os meninos ainda estão lá, mas quando você for, espere o final do jogo. Só Mathias irá aparecer, eu te asseguro.
– Não, Liz. Isso é arriscado, eu não deveria estar aqui e eu posso fazer isso outro dia, em outro lugar.
– Não, Lukas. Você imagina o quanto ele ficaria feliz? Digo pela situação. O quanto seria especial pra ele... Fora que se eu não te pressionar, você só vai enrolar e não vai dizer. Quanto ao resto, relaxe. Eu consigo todo o tempo do mundo pra vocês, só não abuse. E me mande uma mensagem quando a barra tiver limpa pra liberar a entrada.
– É impressão minha ou você está sugerindo coisas... estranhas?
– Nunca se sabe, né? Use camisinha. Tenho que ir, vai pensando aí no que vai dizer. Té.
Voltei para o campo e passei o jogo todo aérea, distraída e ansiosa, mal percebi quando acabou e, quando percebi, fui correndo para a entrada do corredor dos vestiários.
– GENTE, VOCÊS NÃO ESTÃO SABENDO?
– Quê que foi agora, Liz? – Gilbert e Antonio foram os primeiros a quase atrapalhar meu plano.
– Não pode entrar! Tá tendo um vazamento de gás, não contaram pra vocês?
– Nossa, que esquisito. Tem alguma coisa movida a gás por aqui? – eu não contava com esse tipo de questionamento.
– Esse é o problema, eles estão tentando descobri de onde vem esse vazamento se não usamos nada com gás – e eles não contavam com a minha astúcia. >:D
– Aposto que foi sabotagem daqueles bastardos do Ouran! Vamos falar com os outros guris pra dar um jeito neles – propagar a não-entrada no vestiário pra mim, assim de graça? Perfeito.
– É, façam isso. Aqueles bastardos... – eu não queria ser injusta, mããããs...
Assim que eles saíram, peguei meu celular – eu guardo ele no sutiã por razões de segurança e comodidade, tipo ter o celular mesmo estando com uniforme de cheerleader e sem bolso, fora que se tivesse bolso, pular seria muito perigoso – e dei o sinal pra Héracles agir. Minutos depois Mathias passou por mim correndo como um condenado, não sei o que Héracles disse mas 10 pontos pra Corvinal por isso. Pouco depois chegou o dito cujo, Kiku e Mei porque somos muito fofoqueiros e queríamos ouvir.
– PAI, NÃO FOI EU, JURO! – a voz do Mathias saiu do walkie-talkie e fizemos o maior silencio do mundo. Sem contar que qualquer deslize com o botão de enviar ia deixar eles sabendo que estamos futricando.
– Quê? – agora Lukas disse.
– Ah, Lukas... É... Oi.
– Oi.
– Eu preciso te contar uma coisa – UEPAAA, os dois falaram ao mesmo tempo. Eu pensei que Lukas ia dar pra trás, pensei mesmo. Mas isso mostrava que ele realmente estava disposto a dizer algo e já fiquei muito orgulhosa.
– Tá, você primeiro – Mathias falou.
– Ok, espera, eu preciso... Respirar. E achar palavras. Uh... Ok, lá vai. É que... Bom, eu... Eu meio que... Você sabe... – tudo bem, ele tava tentando, eu não podia pedir mais.
– Quer ajuda? – PORRA MATHIAS! Não interrompe.
– Não, eu consigo... É-é que eu nunca tive um amigo... Sabe? De verdade, como você. Só colegas, até hoje.
– Fico feliz com isso, e você sabe que amigos de verdade podem contar um com o outro e eu vou sempre estar aqui pra você.
– Eu sei, mas eu quero dizer... Eu não sei explicar... Eu... Argh!
– Arrume suas palavras enquanto eu te digo, então – eita porra, é agora – você sabe que eu me aproximei de você por interesse, é óbvio. Quero dizer, existe outra razão para uma pessoa se aproximar da outra sem nenhum tipo de interesse? Enfim, seus olhinhos, qual é o plural de lilás? Ah, não é importante, mas eles são os mais lindos que eu já vi, você de todo é a coisa mais linda que eu já vi. Claro que foi por isso que me aproximei e quando “cheguei” descobri que você também é a coisa mais chata que já conheci, haha. Mas eu fiquei porque você precisava de mim. Você precisa da minha amizade, e eu vou sempre estar aqui. Mas eu não posso esconder isso de você, eu não quero ter que esconder nem me policiar tanto por isso. Aquele interesse inicial só aumentou. Apesar de você ser a criatura mais cabeça dura do mundo, eu gosto do teu jeito. Eu gosto de como você é afiado, de como você é tão branco que parece um cadáver – meu Deus, Mathias, eu não consigo decidir se isso é necrofilia ou racismo – e gosto ainda mais de invadir o seu espaço porque você fica rosa do jeito que você está agora. Até porque você é tão branco que é impossível ficar vermelho(...) Eu gosto de você, Lukas, não só como um amigo, e mesmo que você não sinta o mesmo, eu não vou te abandonar. E espero que você também não me abandone por isso.
Silêncio. Ah, e desculpa, mas eu não vou te contar tudo que o Mathias disse. 1- eu não lembro. 2- uh, eu não lembro, haha. Mas foi muita coisa, foi lindo mas nem se eu quisesse eu conseguiria decorar.
– Quê que foi? Meu Deus, foi tão ruim assim? – PORRA, MATHIAS, NÃO FODE.
– Eu te disse que eu conseguia dizer!
– Fala, Lukas.
– Depois que você já falou tudo isso, quê que você espera que eu fale? Tudo o que eu queria dizer já foi dito! MATHIAS, VOCÊ ESTÁ ME SUFOCANDO!
– Sabe quando a gente vê uma coisa muito fofa que dá vontade de apertar até quebrar? – pausa com barulhos meio que não-humanos, tipo aqueles que você faz quando seu otp tem uma cena mais... hehe – Lukas Bondevik, aceita namorar comigo?
– A-aceito – AEEEEEE PORRA, MISSÃO COMPLETA. Quase choramos do lado de cá do walkie-talkie, nos cumprimentamos silenciosamente por mais uma operação bem sucedida e voltamos a ouvir – Tá, sem encostar demais, você está fedendo a suor, vai tomar banho.
– Tá – e gritos, wtf.
– Que porra é essa, Mathias? Eu não tenho outra roupa aqui! – UEPA.
Não basta esse negócio de roupa não, nãããão, gemidos e gritos também foram necessários, né?
– Mathias, isso dói...
– É ruim?
– Não, mas dói...
– Com o tempo cê acostuma, confia em mim. Tira.
– Hã?
–------------- DESLIGUEI O WALKIE-TALKIE--------------------
– Chega, galera, não podemos mais ouvir. Já estou me sentindo menos virgem – eu disse. Comemoramos e mais tarde fomos pra casa.
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