O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
23 Capítulo XXIII por Mathias Køhler
Notas iniciais
– MATHIAS KØHLER! – uh, eu estava no banheiro. Masculino. Mijando. Sim, Elizaveta estava me gritando dentro do banheiro masculino. Sim, outros meninos estavam lá. Mijando. Mas como é a Liz, ninguém realmente liga.
– Liz, eu tô no meio de uma coisa aqui, por quê cê não espera lá fora?
– PORQUE É URGENTE, ORA POIS!
– Tá, diga.
– É sobre Lukas. Eu já notei que-
– EEEEEEEEEEEEEERM, cê não notou nada. E se não tiver acontecido algo, não é urgente – nesse ponto os guris já estavam mais atentos à muvuca.
– Claro que aconteceu. O seu coraçãozinh-
– Shhhhhhhhhhhhhhhh – terminei de fazer o que devia, lavei as mãos e a puxei para fora. Eu não podia deixar ela falar o que eu tava pensando que ela ia dizer na frente de todo mundo. Então a levei pro ginásio, onde era suposto estar vazio porque não tinha educação física nesse horário, mas Antonio e Gilbert estavam jogando basquete. Uma coisa que você deve saber sobre o ginásio: quando ele está “vazio”, por mais baixo que cê fale, ecoa pelo ginásio inteiro. E eu conheço o trio “bad touch” – admito que achei isso legal pra caralho, o nome e tals – apesar de eles estarem em dupla mas ainda assim, mesmo Antonio sendo um anjinho, quando ele se juntava com Francis ou Gilbert, já era. Eles são o próprio capeta e iam arrumar um jeito de me infernizar/afastar o Lukas de mim. Chamei Antonio sozinho, por razões óbvias, e o pedi pra convencer Gilbert em dar um pouco de privacidade para que eu falasse com Liz.
– Awn, o amor está infestando essa escola, mi amigo – quase ouvi o Lovino dizer que ia buscar um repelente – Claro que eu tiro o Gil daqui pra vocês.
Deixei ele pensar assim, talvez fosse mais fácil de lidar. De qualquer modo, não era exatamente mentira, só que não era com Elizaveta. Eles saíram, não sem antes Gilbert me fuzilar com os olhos.
– Então, agora sim, diga, Liz.
– Eu já percebi que tu gosta do Lukas. Aliás, todo mundo que pode te ver quando vocês estão juntos já percebeu.
– Ok, e...?
– E eu quero ajudar!
– Liz, não me leve a mal, eu aprecio sua solidariedade mas eu quero esperar que ele fique-
– Mas porra nenhuma, Mathias. Admito que parte é por egoísmo meu. Eu estou triste, miserável, meus olhos estão quase caindo de tanto chorar – ela realmente andava meio pra baixo, pra quem é tão animada como ela, mas é exagerada de qualquer forma – e eu preciso de algo que me faça feliz, que no caso é fazer um ship virar canon.
– Oi?
– Demoraria explicar, deixa pra lá. O fato é que unir um casal pra fazê-los feliz me deixa feliz.
– Haha, tendi. Mas cê não se “shipa” com ninguém?
– Não. Tem alguém que eu gosto mas a pessoa me esnoba, então por enquanto não mesmo.
E matamos as aulas toas conversando lá sem notar quando o tempo passou. Aceitei então sua ajuda e ela foi me dando toques simples, que o resto ela resolveria com Lukas. Eu implorei a ela que não contasse a ele. Ela disse “relaxa” mas eu não tenho certeza do que ela quis dizer com isso.
Hoje não teria treino porque tínhamos um jogo à noite. O treinador não exigia muito ~preparo~ nosso, até porque sempre fizemos um ótimo trabalho e sempre era melhor estar descansado. Mas ainda assim, o time tinha o costume de passar o dia reunido, como amigos mesmo. E raramente falávamos sobre futebol. Geralmente ficávamos na escola mas o Alfred deu uma birra pra irmos no Mc Donalds aquele dia, porque o capitão passou uma semana sem um Big Mac e estava com crise de abstinência.
Claro que podíamos levar gente de fora do time, não é como um Clube do Bolinha nem nada. Alfred levou Arthur, que estava interagindo com todo mundo, algo que não se vê sempre; Antonio arrastou Lovino, mas esse estava muito emburrado – principalmente porque pra ficar uma rodinha mais fechada (sim, invadimos e conquistamos a área externa todinha do Mc) é preciso o mínimo de cadeiras possível, então Antonio colocou Lovino no seu colo; o trio Bad Touch é quase inseparável, então Francis estava também, porém não tão comunicativo como sempre... Talvez porque Gilbert estava dando uma atenção quase que exclusiva à Matthew – ah é, eles começaram a namorar nessa época, foi muito aleatório, eles nem se falavam – e Antonio era muito gay (você entendeu o sentido que eu quis dizer né?) com Lovino; Lukas não quis ir porque ele não gosta de gente, mas eu não fiquei chateado, na verdade eu meio que esperava isso já, ou seja, sem chance de ele dar as caras no jogo; e o resto das pessoas foram os caras das outras séries que levaram (porque o time não era um monopólio do 1º ano).
Como nem todo mundo queria sanduíche, compramos muita batata e juntamos e passamos a tarde inteira engordando. Admito que estava bem deslocado e ansioso. O campeonato começa “hoje” e tudo mais. A gente não leva isso muito a sério aqui, o time é um hobby pra todos, mas não tem como não sentir um frio na barriga. Mas fui aliviando, porque do NADA meu celular tocou, era uma mensagem.
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► E aí, barulhento, você poderia estar comendo essas coisas logo hoje?
─ Lukas
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Uou. Elizaveta disse pra eu não ficar tão em cima, esperar ele dar um passo, mas isso foi completamente inesperado. Será que ela falou com ele algo? Hum. Mas respondi quase que de imediato.
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► Acho que não, haha. Tá fazendo o que, chato?
─ Mathias lindo e gostoso
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► Estava vendo um filme e lembrei de você. O cara tem retardo mental. Mas depois eu me senti mal de ter xingado o cara de você.
─ Lukas, que discorda plenamente
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Ele também estava respondendo imediatamente!
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► Awn, pensa em mim o tempo inteiro. Como assim você discorda que eu sou lindo e gostoso?
─ Mathias, o modesto
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► Sim, discordo.
─ Lukas
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► Oh, então você está admitindo que anda verificando demais?
─ Mathias
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Essa ele demorou pra responder.
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► Não preciso notar nada quando sei que você está aspirando fritura.
─ Lukas
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► Haha, cê tá em casa? Posso passar aí? Aqui tá muito chato...
─ Mathias
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► Não, você não pode. Já já você tem que ir pra escola, são quase seis.
─ Lukas
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► Ah é, cê nem vai no jogo né? :
─ Mathias
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► Contente-se com meu apoio moral.
─ Lukas
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Não sei de que apoio moral ele falou, mas tomei isso como um não. Mas tudo bem, eu viveria.
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