O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
24 Capítulo XXIV por Francis Bonnefoy
Notas iniciais
O jogo começaria às sete, mas eu virei o chofer do time, então tinha que estar lá às seis. Ficaria uma hora lá moscando. Não que quando o jogo começasse eu faço algo além, então levei um livro. Sim, eu gosto de ler e o meu companheiro essa noite seria Joana D’arc de Mark Twain, que já leria pela quinta vez, porque é de fato um dos meus favoritos.
À medida que as pessoas iam chegando – tanto hetalianos como os da Academia Ouran – e se sentando, comecei a me sentir desconfortável. As pessoas que sentaram perto de mim eram bem desagradáveis, eu não ligo para o barulho, do contrário estaria bem longe dali, mas cotoveladas e pisões é demais. E o que me irritou de verdade foi a falta de educação em não pedir uma mísera desculpa. Me levantei para procurar outro lugar, ouvi Luciana gritar “Francis, olha o Antonio!” e claro, eu fiquei olhando – porém andando ao mesmo tempo – e acabei esbarrando em alguém. Quase caímos, mas soltei o livro pra ajudá-la a não cair.
– Me desculpe – se eu quero educação, eu demonstro educação, simples.
– Não, eu que peço, estava procurando escorpião e não olhei para a frente – eu não tinha reparado em quem era, até agora. Na verdade, eu nunca a tinha visto em Hetalia, e se você considerar que eu conheço todo mundo aqui... Era uma linda menina, pouco menor que eu, cabelos louros mais curtos e escuros que os meus, olhos indistinguíveis entre verdes ou azuis... E aí as semelhanças acabam, porque a feição dela era a tradução de inocência e doçura. Talvez fosse mais sensato compará-la com Matthieu ao invés de mim, mas ainda assim...
– Escorpião? Você não perdeu um bicho desses logo aqui, oui?
– Não, não, eu digo a constelação – ooooh. Apesar da minha idiotice ela sorriu bem simpática e nada irônica (coisa que por um acaso eu faço quando me perguntam algo idiota). Ela se abaixou e recolheu o livro caído – Olha, eu, haha.
– Pardon?
– Prazer, meu nome é Joana. Joana D’arc – e estendeu a mão com um sorriso. Passamos o resto do jogo inteiro conversando, os pais dela são franceses e ela se mudou pra cá há pouco tempo. A única amiga que fez a chamou para ir ao jogo, para “interagir” melhor com a cidade e ela ainda a estava procurando. Alguns minutos depois a amiga ligou para dizer que não poderia mais ir, então ela estava pronta para ir embora. Mas insisti que ficasse, a fiz companhia e um novo amigo.
Desde que Arthur ressurgiu, eu nunca mais me aproximei de ninguém com as minhas famosas segundas intenções, e não foi diferente com Joana. Ela foi uma ótima amiga, apesar da rivalidade entre nossas escolas sempre saíamos juntos. Ela vinha para eventos daqui e eu aos de lá, passei a frequentar os museus daqui que sempre ignorei porque ela quis conhecer e acabei adorando. Descobrimos um bistrô aqui perto maravilhoso e a sorveteria do caminho para casa virou nosso ponto de encontro. Eu a pegava e trazia em casa, conheci seus pais, inclusive cozinhei para eles, honhon, mas enfim, viramos bons amigos, como se nos conhecêssemos desde de pequenos. E a afeição que eu criei por ela me fez superar Arthur, no final.
Fale com o autor