O Príncipe de Amicitia

3 Doce Personalidade Amarga



Ethan sacou sua espada, a lâmina reluzindo à luz do salão, pronto para desferir um golpe rápido e mortal em Namjoon. O líder da guarda real mal conseguia se manter de pé, o sangue escorria de sua barriga, onde Ailish o ferira com um punhal momentos antes. A dor era excruciante, e suas forças fraquejavam a cada segundo.

Jimin, desesperado, lutava contra as amarras que o mantinham preso. Sua voz ecoava pelo salão, implorando por misericórdia.

— Tio Ethan, leve o reino, a coroa… leve tudo o que quiser! Só deixe meus amigos partirem! Eles não têm nada a ver com isso!

Mas seu apelo encontrou apenas escárnio. Ethan soltou uma risada baixa, inclinando a cabeça de lado como se apreciasse o sofrimento do sobrinho.

— Isso está ficando divertido, Pequeno Jimin. — Seus olhos brilharam com pura malícia. — Quero ver seu rosto quando seus amigos caírem diante de você. Já parou para pensar que não consegue nem protegê-los e ainda assim acredita que pode proteger um país?

Jimin estremeceu. O sorriso de seu tio contrastava com o ódio ardente em seu olhar.

— O que mais desprezo são pessoas fracas — Ethan continuou, a voz impregnada de desprezo. — Estou farto de suas lamentações, Vossa Alteza.

Ele ergueu a espada, posicionando-a com precisão.

— Não se preocupe, será rápido e indolor. Antes que seu amigo perceba, a cabeça dele já terá rolado pelo chão.

— Mestre, deixe esses insetos insignificantes fugirem. Não vale a pena sujar o carpete com sangue inútil — interveio o jovem pálido que mantinha Taehyung sob controle. Sua voz era fria, desprovida de qualquer emoção.

Ethan lançou-lhe um olhar de soslaio, um sorriso se formando em seus lábios.

— É por isso que ainda és fraco, Yoongi. Já viu um leão sentir compaixão por suas presas? — Sua atenção voltou para Namjoon, a espada ainda erguida. — Parece que ainda tens muito a aprender.

Foi a distração que Taehyung precisava.

Em um movimento rápido e calculado, empurrou Yoongi com força, fazendo-o cambalear para trás. Sem perder um segundo, puxou seu arco e disparou diretamente contra a cabeça de Ailish. A flecha cortou o ar com precisão mortal. Mas Ailish apenas ergueu a mão e a agarrou no meio do voo, como se fosse um graveto jogado ao vento. Seu olhar permaneceu inabalável, mas, por um instante, sua concentração se quebrou. Foi o suficiente para que Namjoon se libertasse.

Ele caiu pesadamente no chão, ainda fraco, mas vivo.

Taehyung não hesitou. Em um salto ágil, desviou de Ailish, agarrou Namjoon pelo braço e disparou em direção à saída, o mais rápido que suas pernas permitiam.

— Taehyung! — Jimin gritou.

Num impulso, arrancou seu colar e lançou-o na direção do arqueiro.

Taehyung estendeu a mão no ar e o pegou sem esforço. Seus olhos encontraram os de Jimin por um breve segundo. Ele entendeu. Sabia o que aquele colar significava. Sabia o que precisava fazer.

— Nós vamos voltar para te buscar.

E então, desapareceram pelas grandes portas de madeira do castelo.

...

Jimin estava ajoelhado no chão frio e úmido, os braços erguidos e presos por algemas de ferro, cujas grossas correntes se estendiam até o teto da cela escura. O ar era pesado, impregnado pelo cheiro de mofo e podridão. As paredes, cobertas de bolor e fungos, pareciam vivas, respirando junto à escuridão sufocante do ambiente.

Ratos percorriam o chão irregular, desaparecendo entre as sombras, suas patas pequenas arranhando a pedra úmida. Eles iam e vinham, indiferentes à presença do prisioneiro. Ali, a sujeira reinava, e a simples respiração parecia um risco iminente à saúde.

Três dias haviam se passado sem comida ou água, e Jimin mal sabia dizer se era o frio ou a fome que lhe roubava as forças. Seu corpo estava dormente, os membros pesados como chumbo, a mente oscilando entre a vigília e o delírio.

Seus lábios ressecados ardiam, implorando por uma única gota d'água. Mas tudo que ele tinha era o gosto amargo da privação e o peso cruel do silêncio.

— Você está péssimo, Principezinho! — Disse Yoongi o observando do outro lado da grade.

Jimin mal tinha forças para olhar para ele, queria continuar com seus olhos fechados, era mais confortável.

Yoongi se aproximou da cela, retirando um molho de chaves do bolso de seu sobretudo preto. O som metálico ecoou pelo espaço úmido quando destrancou a porta, que rangeu levemente ao ser cuidadosamente empurrada.

Sem pressa, ele se ajoelhou diante de Jimin, nivelando seu olhar ao do príncipe.

— Você realmente está um desastre, Príncipe Jimin.

Sua voz era fria, desprovida de qualquer emoção. Do interior do sobretudo, puxou um cantil de metal e o ergueu diante do rosto de Jimin.

— Beba — ordenou, levando o cantil até a boca de Jimin, mas o príncipe virou o rosto, negando — É só água. Se não beber, morrerá desidratado. Se minha intenção fosse matá-lo, já teria feito isso há muito tempo.

Jimin desviou o rosto, recusando-se a aceitar a oferta. Mas Yoongi não cedeu. Sem hesitar, pressionou o cantil contra seus lábios mais uma vez. Dessa vez, Jimin cedeu.

A sede brutal venceu qualquer desconfiança. Ele bebeu com desespero, engasgando-se no processo, a água escorrendo pelo canto de sua boca. Não se importava se estava envenenada. O líquido aliviava sua garganta seca e queimava como um sopro de vida em meio ao caos.

Afinal, de que adiantava se preocupar com veneno, quando já sentia que morreria de qualquer jeito?

— Deixe-me soltar seus braços um pouco, deve estar desconfortável, embora eu vá acorrentá-lo novamente depois. Bom, mais tarde lhe trarei algo para comer.

— Muito obrigado — murmurou Jimin, a voz fraca, quase um sussurro. Seu olhar cansado mal conseguia se erguer para encontrar o do espadachim pálido à sua frente.

Yoongi franziu o cenho, desconfortável.

— Não confunda as coisas. Não me agradeça. — Sua voz era firme, mas carregava um certo peso. — Não sou bonzinho, nem nada do tipo. Estou fazendo isso por mim. Você está deplorável, e eu não suporto ver algo tão desumano, principalmente com alguém indefeso.

Ele desviou o olhar, como se relutasse em admitir suas próprias palavras.

— Apesar de Ethan ser meu mentor, não concordo com todas as suas atitudes.

Jimin sorriu, mesmo fraco. Um sorriso sincero, sem julgamento, apenas compreensão.

— Ainda assim… obrigado.

Yoongi sentiu um estranho desconforto. Algo naquele sorriso o deixava inquieto.

— Você tem um bom coração, — continuou Jimin — mas parece perdido. Não acha que está seguindo por uma estrada tortuosa?

O espadachim congelou por um instante, então se virou, afastando-se em direção à porta. Não queria continuar aquela conversa. Odiava quando as pessoas se sentiam gratas a ele. Não sabia lidar com sentimentos bons, não era algo que tivesse experimentado com frequência em sua vida.

Parou diante da saída, sem se virar, e murmurou:

— Estrada tortuosa ou reta… no final, todas levam ao mesmo destino — Fez uma pausa, sua voz se tornando quase um sussurro — Dor e angústia.

E, sem esperar resposta, desapareceu pela escuridão do corredor.

Após a fuga do castelo, Taehyung encontrou abrigo em um celeiro abandonado no pequeno vilarejo de Erat. Chegar até lá foi uma luta árdua. Namjoon, enfraquecido pelo ferimento, desmaiava de tempos em tempos, tornando o percurso ainda mais exaustivo. O punhal não havia atingido nenhum órgão vital, mas a febre começou a tomar conta de seu corpo, drenando suas forças rapidamente.

Assim que chegaram, Taehyung deitou Namjoon sobre um monte de feno, tentando acomodá-lo da melhor forma possível, e o cobriu com seu próprio casaco. Ele não era curandeiro, não entendia de medicina, mas havia aprendido algumas técnicas com um velho amigo elfo da floresta. Sem tempo a perder, saiu à procura de ervas para tratar o ferimento e, se tivesse sorte, algo para comerem.

Os dias se passaram, e a tensão entre eles crescia. Algumas vezes discutiam, outras simplesmente passavam horas em silêncio absoluto, cada um preso em seus próprios pensamentos.

— Por que você o deixou para trás? — A voz de Namjoon era fraca, mas carregava um peso sufocante. Era a milésima vez que fazia aquela pergunta, e nenhuma resposta parecia ser suficiente.

Taehyung fechou os olhos, exausto.

— Não tinha escolha, Namjoon. — Sua voz falhou. — Você estava ferido, perdendo sangue. Jimin estava rendido. Eu não conseguiria enfrentar os três sozinho — Ele engoliu em seco, mas as lágrimas vieram antes que pudesse detê-las — Eu odeio ter fugido, mas… não vi outra opção.

Taehyung ergueu o olhar, os olhos marejados brilhando na penumbra do celeiro.

— Você acha mesmo que eu queria deixar meu amado amigo para trás? — perguntou Taehyung em meio às lágrimas.

O silêncio que se seguiu foi mais pesado que qualquer resposta.

Namjoon refletiu sobre suas palavras ásperas. O arrependimento lhe pesava no peito. Cobrara de Taehyung uma decisão que nem ele teria sido capaz. Inspirou fundo, então estendeu a mão, pousando-a com leveza sobre o ombro do amigo. Seus olhos se encontraram.

— Me desculpe, Tae. Você fez o que era certo. Eu não deveria ter dito aquilo, nem jogado esse fardo em você. — Sua voz se suavizou. — Eu tenho fé de que vamos encontrar uma forma de resgatar Jimin. Só ainda não sei como.

Taehyung limpou as lágrimas rapidamente com o dorso da mão, o olhar ainda abalado.

— Sobre isso... — disse ele, com hesitação. — Antes de escaparmos, Jimin jogou esse colar para mim. Você sabe o que isso pode significar?

Ele entregou o colar a Namjoon, que o segurou com cuidado, como se fosse feito de vidro. A corrente fina de ouro cintilava levemente, e o pingente, do tamanho de uma pequena moeda, trazia a imagem delicada de uma pena gravada em alto-relevo. Para Namjoon, aquilo não parecia ter um significado imediato. A única coisa que sabia com certeza era que Jimin jamais se separava daquele colar.

— Por que ele nos deu isso...? — murmurou, quase para si mesmo. — Príncipe Jimin… o que está tentando nos dizer?

Virando o pingente entre os dedos, notou algo gravado na parte de trás: duas letras.

"JK"

Os olhos de Namjoon se iluminaram. Um sorriso confiante surgiu em seu rosto, como se uma chave tivesse girado na fechadura de um enigma.

— Taehyung... — disse com firmeza, fechando a mão ao redor do colar. — Prepare-se. Nós vamos resgatar Jimin.

Notas finais
Quem será o "JK"? Que mistério kkkkkkkkkk