O Prometido

22 Lobinho bonitinho...


Notas iniciais
Culpem a terapia de casais. Mentira, não foi culpa da terapia, ela é de terça e sábado. Eu esqueci que ontem era quarta.
Masenfim, espero que aproveitem o capítulo! o/

– Ele o que? – perguntei pasmo.

Ela mostrou um anel dourado com um pequeno sol desenhado. – Me pediu em casamento. Agora pouco. Enquanto a gente caminhava pelo lago. Eu aceitei.

Abri um sorriso alegre – Vai virar uma deusa! Nossa pequena grega vai se casar! Ouviu isso papai? – gritei.

– Haley! Não faça isso com sua tia, ela não pode se estressar, o vestido não vai caber se ela se entupir de chocolate.

Gargalhei. – Que dó!

Erika bateu no meu braço. – Nossa, valeu Matt! Muito obrigado mesmo! – ela se virou para mim – E você, seu macaco tarado, tome vergonha nessa cara e peça sua namorada em casamento também!

– Calma, calma. Tenho todo um plano esquematizado na minha mente de gênio. – disse enquanto papai estacionava o carro em frente à casa da Erika.

– Ok, você diz. – Erika disse descendo do carro. – Obrigada pela carona Matt.

– De nada. Até a segunda aula amanhã. – Papai disse.

– Até. E Hal, Vai ser no baile né? – Erika perguntou e eu assenti. – Hum, traz a música que você quer por pro pedido. Eu to encarregada da mesa de som.

– Ok, eu levo amanhã. – sorri.

Eu não ia levar. Só a Erika sabia que seria no baile, mas não seria no baile, só no mesmo dia.

Papai deu a partida e virou para a direita. Estacionou o carro e desceu. Já na porta ele se amaldiçoou e voltou para o carro, abriu a porta do passageiro e tirou uma caixa dele. O cooler com o peixe da Erika. O único peixe do dia. Papai saiu correndo com o peixe morto, os olhos vidrados no nada, balançando para lá e para cá enquanto papai corria.

Terminei meu MMA com o cinto de segurança e saí do carro. Peguei a chave reserva da porta da cozinha, dei a volta na casa, abri o canil do Cannon, abri a porta e entrei em casa. Passei pela cozinha em direção à sala e destranquei a porta da mesma. Subi as escadas para meu quarto para tomar um banho.

Saí do banheiro com a toalha no pescoço secando os cabelos. Estava terminando de secar uma mecha desgrenhada meio loira quando papai abre a porta.

– Tem alguém querendo te ver. E vista uma cueca pelo amor dos deuses! – papai disse com ar sério, quase assustado. Ele parecia... Tenso.

– Ok. – murmurei. – Já desço.

Papai fechou a porta e eu fui me trocar. Coloquei apenas uma calça de náilon preta. Peguei a adaga de prata na escrivaninha para proteção extra e desci as escadas correndo.

Havia uma silhueta encoberta em um manto branco com uma grande flor-de-lis vermelha no peito

Era o mesmo símbolo que uma camisa minha. Mas no caso, minha camisa não estava desenhada com algo que parecia sangue seco e não dava medo. Aquela túnica pesada era o contrário de tudo. Ela dava medo, seu capuz dava medo, eu não via nada do rosto do estranho.

Minha faca ficou fria através do couro da bainha, espetado entre o elástico da minha boxer e minha pele das costas.

– Pois não? – perguntei encarando o ser na minha frente.

– Haley Hudson? – O homem perguntou em uma voz untuosa, fria e parecida com um rosnado grave. Me dava vontade de querer correr contra um carro e me matar, coisa que claro eu não fiz.

– Sim. Quem é você? O que quer?

– Sou o senhor daqueles que não podem ser domados. O Rei Dos Lobos. – a criatura rosnou por detrás de seu capuz. – E quero beber seu sangue.

– Que lindo – disse sarcasticamente nervoso – Mais um querendo transformar meu sangue em vinho. Qual seu nome? Quero te matar sabendo quem matei.

A criatura rosnou. – Licaón.

Assobiei – O cara do ensopado de ombro? Ah, cara, eu amo seu mito! Licantropia é simplesmente...

– Cale a boca seu idiota! Você não sabe nada sobre mim, sobre meu passado! – Licaón disse enraivecido.

– Ok. Ok. Cadê seus lobinhos de estimação Senhor-Irmão-Jeremiah-Que-Vira-Um-Poodle? – disse e Licaón rosnou uma risada.

– Você não gostaria do poodle. – e puxou o capuz para trás.

Eu não gostei do poodle.

O primeiro choque foi o cheiro. Carne podre, cachorro molhado, urina e armário de atleta, todos misturados em uma nada suave fragrância que fez meu estômago dançar tango argentino. O segundo choque foi sua face: semi-humana, um focinho de lobo sem pêlos no lugar do nariz e da boca, orelhas vagamente humanas, caninos à mostra, olhos negros selvagens totalmente raivosos e uma pele tão branca que era possível ver os ossos do crânio dele. O terceiro choque: No seu pescoço alongado e curvado, um colar de contas do acampamento estava pendurado, sustentava não só as contas de argila vítrea, mas também pedaços de ossos humanos quebrados, pedaços de carne podre e um olho azul humano pendurado pelo nervo no centro do mar nojento em seu pescoço.

Por instinto, puxei minha faca – Pai, pega um palito de churrasco no meu quarto e desce aqui! – gritei.

– Isso, chame seu pai, Prometido. Será mais carne na mesa de minha corte. Venha para sua desgraça, morra nas mãos do Rei dos Lobos! – Licaón sussurrou, ou rosnou (que seja!) para mim.

– Tentador... Mas não, obrigado. Prefiro ficar vivo e tocar piano como sempre. Mas eu tenho um presente para sua “corte”, seja lá o que ela seja. – e mostrei a faca. O brilho refletido na prata fez sua pele fumegar.

Licaón se afastou de mim um passo. Dois passos. E voltou rapidamente, sua pele soltando uma fumaça esverdeada enquanto ele chiava de dor. Aquilo avançou, mas foi parado por uma seta do tamanho do meu braço empalada no seu pescoço. Aquilo soltou um urro de dor e retirou a seta de seu pescoço, a ponta fumegando em contato com seu sangue. Prata. pensei. Papai havia pegado minhas setas e atirado naquilo com maestria e perfeição. Licaón rosnou para o andar de cima e outra seta bateu em sua cabeça. Headshot!

– Hal, empala ele logo, esse pulguento é imortal, mas ainda pode perder o coração. – papai gritou do parapeito acima da sala.

Girei o cabo da faca na mão. A lâmina ficou para trás, como uma adaga, pronta para apunhalar com precisão. Fui em direção a Licaón, que lutava contra a flecha em sua testa quando outra brotou do seu ombro direito, balançando doentiamente no mesmo. Dei passadas largas e lentas, como um, bem, como um lobo. Licaón me notou no último segundo, muito tarde.

Enfiei a lâmina de prata até o cabo no peito de Licaón. Trinta e sete centímetros de prata perfuraram o coração do deus lobisomem. A lâmina atravessou seu corpo e se projetou em suas costas.

– Até logo Totó – grunhi para ele e rasguei a lâmina por suas costelas, retirando-a pelo seu lado. Seu corpo todo fumegou antes de ele se desfazer em cinzas, poeira e pelos.

A lâmina ainda fumegava, mas quando a toquei ela estava fria. Papai desceu as escadas correndo. – Tudo bem? Ele te mordeu?

– Não, morreu antes. – sorri amarelo.

– Que bom. Se ele te mordesse...

Clang! Clang! Crack!

A porta da sala saiu dos pinos e caiu no chão. – Mas o que...!? – exclamei.

Cerca de doze garotas adolescentes entraram em casa, arcos armados e mirados no nosso peito – Cadê ele? – uma menina de cabelos pretos espetados perguntou, seu tom era amedrontador. Seus olhos eram ferozes como os de Jason. A mesma cor, o mesmo brilho. – Cadê o Licaón?

– O poodle? Debaixo dos seus pés. – apontei para o tapete.

A garota fez um som engasgado quando viu a gosma impregnada no tapete bege da sala. Remexeu a mistura com a ponta da bota e fixou o olhar na faca em minha mão, pingando a mesma secreção do chão e soltando fumaça.

– Meus deuses...! – uma garota exclamou pegando o manto do deus lobo. – Que símbolo é esse?

– Um sinal de ascensão – papai disse – Serve para impulsionar a força do ser que a usa.

As garotas arfaram. A morena me encarou com certo respeito no rosto angular de águia. – Estamos procurando esse monstro há quase dois anos. Só conseguimos atingir uma flecha nele, e ela bateu de raspão. Como você conseguiu?

– Eu vou indo – papai disse e foi pra cozinha. No caminho eu ouvi ele resmungando – Espero que essas Caçadoras de Ártemis paguem minha porta. Com todo respeito.

A garota olhou para mim com uma raiva crescente – Como você o matou?

– Bom, se vocês deixassem o arco de lado e partissem para o corpo-a-corpo já teriam matado ele antes... Muito antes. – Disse medindo cada palavra com o mais potente veneno.

– Haley Hudson, seja menos duro com minha tenente! – uma voz familiar disse da porta da sala.

Ártemis entrou na sala e lançou um olhar duro para mim. Depois voou em meu pescoço e me deu um abraço e um selinho. As caçadoras arfaram, ou pelo beijo, ou pelo fato de uma deusa virgem [N/Á: Virgem? Há!] ter beijado um semideus assassino de lobos imortais.

Muito tempo depois tudo se esclareceu: Eu era o prometido de Ártemis; Alguém ou alguma coisa queria me matar; Licaón trabalhava para esse alguém ou algo; Eu era fodão porque tinha matado um bicho que estava sendo perseguido por quase dois anos pelas Caçadoras; A Tenente delas era na verdade Thalia Grace, a menina que tinha virado árvore de natal olimpiana e que era irmã por parte de mãe de Jason Grace, sendo esse romano e ela grega; E que Diana era uma tarada 24 horas por dia.

Essa última parte foi porque ela apertou minha bunda e mordeu meu pescoço enquanto me abraçava em despedida.

– Se prepare para amanhã cedo Haley Hudson. – ela sussurrou ao meu ouvido enquanto se separava de mim e ia para a porta.

Eu tive dois espasmos diferentes: Aquele choque de excitação que só ela me dava e um choque de pavor extremo.

Lobos, enormes e peludos estavam soltos no jardim de casa. Pelo menos cinquenta lobos brancos de olhos dourados fixados em mim, o que fez os cabelos da minha nuca arrepiarem. Eles pareciam sei lá, quase humanos. Tinham um brilho de inteligência nos olhos, como se um deles pudesse ganhar de você no xadrez.

– São apenas lobos – Thalia disse em um tom seco – Não vão te matar a menos que mandemos.

Assenti inseguro. Aquela menina me dava medo.

Ártemis entrou em uma barraca e Thalia entrou também. Eu fui barrado na entrada – Homens não entram. – Uma mulher ruiva da mais ou menos 25 anos disse me parando com seu arco.

Bem nessa hora meu pai saiu de casa para ver a alcatéia e seu olhar se fixou na ruiva que me parara. Ela se voltou para ele e um brilho estranho passou pelos seus olhos verdes, algo como amor a primeira vista. Então ela pigarreou e saiu marchando em direção a uma barraca vermelha do lado da que eu estava parado.

Alguma coisa havia acontecido ali.

Notas finais
Cara, eu amo esse capítulo! O que acharam da ruiva? Mereço reviews? Xingamentos? Cartas de fãs histéricas? Murros? Pera, isso é com o Alê. Ou não.
Mas comentem seus lindos! E eu estou aceitando pedido também u.u
Beijos