O Prometido

23 Baila comigo?


Notas iniciais
Gente, voltei! Bom, eu tenho uns avisos ali embaixo, e acho que vocês podem me perdoar. Talvez não, mas é por uma causa maior.

Papai tinha ficado estranho desde aquele incidente com a ruiva e o acampamento de guerra no nosso quintal.

Ele andava distante, não cantarolava mais (quando essa aconteceu eu tive certeza que algo saiu errado) e começou a dar aulas tão chatas que toda a escola percebeu que algo estava errado com ele. Sempre que eu perguntava para ele o que estava acontecendo ele fechava a cara e saia resmungando em grego antigo, me fazendo querer bater em sua cabeça com meu arco.

Mas eu esperei até o Baile de Outono.

Seria na próxima semana, no Sábado das oito da noite até o sol raiar. Eu iria com Ártemis, Erika iria com Apolo, Jake e Jane iriam juntos e ninguém sabia com quem papai iria ou se ele iria.

Enfim o dia do baile havia chegado. Eu estava acabando de dar o nó na gravata quando papai me chama da sala. Desci as escadas e encontrei ele com a ruiva daquele dia dos lobos. Ela vestia um vestido vermelho de cetim, sapatos de salto também vermelhos, maquiagem perfeita e o cabelo trançado com fios dourados reluzentes.

– Essa é Amelia. Amelia, esse é meu filho, Hal. – Papai disse.

A ruiva ergueu os olhos e piscou calorosamente – O prometido da Lua. – falou num tom doce muito diferente daquele dia.

– Prazer – disse.

Seguiu-se um longo silêncio, então resolvi cortá-lo.

– Vamos logo buscar Ártemis, eu quero dançar. – disse terminando de dar o nó na gravata.

Cinco minutos depois, eu estava esperando ELA se arrumar enquanto seus pais me olhavam querendo me fulminar com um raio (coisa que eu acho, eles seriam muito capazes).

Mas quando ELA desceu as escadas daquele jeito eu quase mandei os outros deuses se danarem com aqueles olhares.

Seu vestido prateado longo, seu salto alto prateado, sua maquiagem perfeita como ela, seu cabelo trançado com fios de prata, jóias de prata por todo o corpo, e um sorriso tão branco que fazia o meu corpo arquejar tomando fôlego. Ela estava maravilhosa.

Quando o Senhor Zeus a viu, ficou mais pasmo que eu. Sua boca se escancarou, seu livro caiu no chão e seus olhos esbugalharam selvagemente. Hera deixou de prestar atenção no programa de tevê (lê-se Haley Hudson ok?) e olhou para Ártemis com um sorriso tão doce e orgulhoso que me deu vontade de chorar.

– Pelas Parcas, você está linda! – Eu e os pais dela falamos ao mesmo tempo.

Apolo, que estava descendo agora, ficou rindo enquanto eu oferecia minha mão direita para Ártemis no último degrau da escada. Ele vestia um terno incompleto como o meu, cinza também. Ele pegou as chaves do carro, deu um aceno de cabeça e sumiu pela porta da frente.

– Vamos? – perguntei para ela. Ela assentiu.

Me virei para os dois deuses que nos observavam. – Eu trago ela pela meia-noite, não faremos nada de errado, eu espero.

Hera soltou um riso por baixo da respiração. – Durmam juntos hoje. Aproveitem a festa.

Troquei olhares nervosos com Ártemis, então nós dois sorrimos e fomos para fora. Da varanda, seu pai me chamou de volta.

Oh My Fucking Zeus. Pensei.

– Já volto ok? – disse para ela. Ela olhava nervosa para o pai.

Subi as escadas e encarei o senhor do Olimpo com certo respeito. O cara dava medo. Uma energia emanava dele, me fazendo parecer que estava dentro de um tubo de Tesla.

– Senhor...? – comecei, mas fui cortado.

– Cuide de minha menina, eu sei quem está perseguindo vocês, eu sei que ele vai voltar. Tome cuidado, proteja-se. Tome isso, pois sei que não se armou. – Ele me deu um bastão de vidro negro. Eu o peguei e uma corrente elétrica correu meu corpo. – É um arco mágico. Ao seu pensamento ele abrirá. Suas flechas são infinitas. Considere um presente de casamento adiantado. – Então a coisa mais estranha de se ver no senhor do Olimpo aconteceu: Ele sorriu para mim.

– Eu... Eu te orgulharei, a você e a minha mãe. Eu juro. – disse.

– Agora vá. Divirtam-se. – E ele entrou na casa, me deixando na varanda com uma vareta de vidro. Era mais fina que meu dedo mínimo, mas quando eu rasguei a Névoa eu descobri a verdadeira arma: Um arco de energia pura, fagulhas elétricas pulando das pontas, um fio de energia ligando as extremidades do arco. Guardei-o no bolso da calça e desci as escadas.

– Ele te deu um arco não foi? – Ela perguntou agarrando meu braço. Ela estava alegre.

As palavras de Zeus martelavam na minha cabeça. Considere um presente de casamento adiantado. Como ele sabia?

Ele é o senhor do Olimpo seu animal, as Parcas devem dizer tudo pra ele!, pensei.

Assenti vagarosamente.

Entrei no carro depois dela. Papai arrancou em direção à escola.

A escola parecia o cenário de um filme sobre o século XV, quando o ar devia ser puro, as árvores enormes e espalhadas em todo lugar, a relva no chão molhada de orvalho, folhas secas e laranjas salpicadas aos pés das árvores.

A porta dupla do ginásio estava aberta. Um arco de vinhas secas laçadas fazia um caminho para o campo de futebol à esquerda. À direita se estendia a escola, brilhando em vermelho e amarelo. Uma faixa dizia Baile de outono da escola Joseph Gernertref (um semideus de Afrodite (segundo fontes não seguras).

Entramos no ginásio. Cabeças se viraram ao ver Diana glamurosa e eu dando passadas confiantes (coisa que eu nunca fizera, era muito desastrado) em direção ao centro da quadra. Algumas garotas suspiraram e alguns garotos lançaram olhares carrancudos.

Encontramo-nos com um grupo de semideuses já conhecidos por todos.

Percy, em um terno todo negro e uma gravata verde água com uma pérola no nó estava com a cara de paspalho lerdo de sempre, só que de braços dados com uma Annabeth de vestido verde água com uma faixa cinza que combinava com o tom de seu vestido, seus cabelos loiros soltos e usando um sapato com um salto desenhado com corujas. Jason usava um terno preto também, só que com a gravata azul elétrica e um anel de raio de prata que contrastava com sua pele bronzeada. Piper, ao seu lado, usava um vestido todo branco com um anel de ouro branco, seu cabelo, agora longo, estava trançado com uma fita branca, com um salto rosa claro. Leo e Frank pareciam gêmeos contrários: Leo vestia um terno normal branco e preto. Frank usava um terno preto e branco, onde as cores foram invertidas para fazer uma piada. Os dois estavam rindo aos quatro ventos. Hazel estava com um vestido e um sapato alto dourados e jóias em seus braços e dedos. Um colar pousava em seu pescoço: Uma caveira dourada. Drew estava vestida de rosa choque e dançava com um garoto do time de futebol, que babava mais que dançava.

Dissemos “Oi” para todos e partimos para a pista quando uma música meio conhecida começou a tocar: A drop in the ocean.

Cheguei mais perto de Di e a segurei de um jeito um pouco suave demais. Ela soltou um suspiro de alegria e abraçou meu pescoço. Era nossa música depois de eu tanto tocá-la para ela a ponto de Di fechar o piano com força e me jogar no sofá gritando comigo e arrancando minha pele (estava sem camisa nesse dia). Mas expressava tudo que eu sentia por ela. Na verdade não expressava nem uma farpa do meu amor por ela, pois este era infinito.

Pois bem, dançamos juntinhos e eu percebi os olhares que caíam sobre nós. Um casal também dançava ao nosso lado: Apolo e Erika. Ela estava linda, um vestido de seda lilás descendo até quase seus tornozelos, um salto que brilhava na cor de um geodo no sol (na verdade ela tava com o sol... Ou não), o colar de pomo de ouro que eu dera em seu aniversário de 15 anos e o anel de noivado. Eles estavam dançando muito colados, dando selinhos vez ou outra.

Ver aquilo (o anel) me deu um puxão violento no umbigo. Quando eu abri os olhos, Di estava me olhando com um brilho travesso. Sorri para ela e a beijei.

A música tinha acabado, mas ainda estávamos no meio da quadra dançando uma música que eu nunca ouvira, mas que era perfeita. Falava da Lua, do amor e do conforto que um carinho traz. Uns cinco minutos depois a música parou e nós voltamos para o grupo.

Todos nos olhavam enquanto passávamos. Passei meu braço pelo ombro dela e a puxei para perto. Ela é minha, seus perdedores!

Di riu como que lendo meus pensamentos.

– Desculpa aí! – Erika me disse quando eu voltei com dois copos de Coca gelada para Di e eu.

– Dancei mal né? – perguntei bebendo um gole de Coca.

Erika negou com a cabeça e Apolo a abraçou.

– E o noivado, como vai? – perguntei para Apolo, que quase caiu pra trás quando ouviu.

– Eu contei pra ele – Erika confessou dando um longo beijo em Apolo.

– Então, quando vai ser? – Di perguntou se enroscando em meu abraço.

– Não sabemos. – Os dois responderam.

– Bom, mas eu quero ser o padrinho. – E beijei o pescoço da deusa.

– E eu quero ser a... Madrinha. Pára Hal, faz cócegas! – Di riu.

Umas três horas depois o salão já tinha se esvaziado, ou seja: Festa de semideuses. Piper, Drew e papai convenceram o DJ a tocar por mais uma hora. Só que o cara levou muita Névoa, então ele tocava de olhos fechados enquanto nós dançávamos.

Bom, na verdade só o grupão da tropa de choque olimpiana anti Gaia dançou. Eu e Di ficamos namorando na arquibancada. Erika e Apolo ficaram do outro lado do ginásio namorando. E papai... Bem, papai fugiu com Amelia para dentro da escola.

Uma pergunta coçava minha cabeça por dentro. Minha mente travava uma batalha com ela mesma. Aquele puxão no umbigo tinha voltado agora mais forte e acompanhado de um frio na barriga, como em uma montanha russa.

– Hal? Hal? Ei! Acorda! – Di estava me olhando preocupada.

– Quê? Não escutei.

– Eu tava dizendo que seria uma boa a gente ir pra casa. – Ela disse ainda me encarando.

– Vamos. Preciso de privacidade pra poder falar uma coisa pra você.

Ela levantou uma sombrancelha. – Quão sério isso é?

– Sério a ponto de mudar nossas vidas.

Notas finais
Bom, então, eu estou fazendo parte dos movimentos de São Paulo. Eu moro em Curitiba, e isso atrapalha um pouco, mas eu tô dando apoio total pros meus amigos de lá. Talvez essa semana eu viaje pra São Paulo ajudar a construir um Brasil diferente, e talvez não dê pra atualizar essa semana. E eu espero poder ajudar bastante lá.
Masenfim, preciso de vocês pra isso, vocês me apoiam? Eu não vou pedir pra vocês falarem sobre o capítulo, é uma decisão de vocês, mas eu queria saber se vocês me apoiam.
Bom, é só isso, eu acho.
Beijos