O Primeiro Amor de Ally
7 Festa parte 1
Notas iniciais
Ally POV's
Deus não estava muito inspirado quando inventou as segundas-feiras né? Cara, eu prefiro domingo a elas. Pelo menos nos domingos você não precisa ser obrigado a ver o treino das líderes de torcida.
Bunda pra lá, peitos pra cá. Eu estava comendo meu sanduiche quando senti uma vontade louca de vomitar.
– Nossa Ally, não sei como você consegue comer e ver essas coisas balançantes ao mesmo tempo.
– Nem eu.
Assuntos como moda, cabelo, cor de esmalte... a minha e a opinião da Trish não dava muito certo. Mas a gente concordava que a escola deveria cortar o time de líderes de torcida da escola só pra gente não ter mais que ver aquela indecência todos os dias.
– Cara, como os meninos não cansam de ver todos os dias as mesmas coisas? – Camilla falava pensativa.
Realmente, eles sempre sentavam do lado da arquibancada que dava pra ver as meninas de costas.
Além disso, sempre surgia uns comentários maldosos entre eles.
– Ah, homem acha graça em qualquer peito e bunda.
– Mas será que eu nunca vou achar alguém que me ame pelo o que eu sou?
– Falô a futura “coelhinha da play boy”.
Todas caíram na risada.
– Coelhas também tem sentimentos sabia, Ally.
– É, pode ser. –Me levantei preparando para voltar pra a sala. Joguei meu copo descartável no lixo e desci as arquibancadas.
Atravessei a quadra quando senti um baque nas minhas costas.
–Porra nerd virgem! Tá atrapalhando o treino.
Pelo jeito a líder das babacas esbarrou em mim deixando cair os pompons vermelhos no chão.
Cara, ela tinha que fazer uma terapia pra parar de usar essa cor.
– Quem disse que eu sou virgem? – Ela tinha falado aquilo como se fosse um xingamento. Nossa, será que o imbecil do Austin tinha falado aquilo com ela? Eu tenho que urgentemente esquecer ele mesmo.
– Já se olhou no espelho? –Enquanto ela comprava briga comigo os seus clones riam da minha cara. – Quem ia querer comer isso? – Ela disse apontando para mim.
– Cara, minha vida sexual não é da sua conta. Mas me fala ai... como é a sensação de ter uma buceta tão alargada que nem precisa ter dilatação na hora do parto?
– Núuuuuu. – Os meninos falaram em coro.
– Vê se te enxerga nerdzinha. E agora pega o meu pompom que você derrubou.
Ela não podia estar falando sério né? Ela me ofende na frente de um monte de pessoas e ainda me manda pegar o pompom nojento dela?
– Claro. – Olhei pra cara da Kira que me encarava com desprezo e braços cruzados. Ela realmente achava que eu ia me submeter a aquilo? Concentrei toda a minha força interior e focalizei tudo no meu pé direito e dei o chute mais forte que eu consegui. Isolei a porra do pompom o mais longe que eu consegui. – Se enxerga Kira.
Todos ficaram surpresos com a minha atitude. Eu achei normal pra falar a verdade. Porém ninguém nunca tinha enfrentado a Kira daquele jeito. Podia jurar que algumas das líderes que estavam atrás dela deram risadinhas abafadas. As meninas deviam ter só medo dela mesmo, igual o Elliot disse.
– Você ta louca garota ?
Depois dela dizer aquilo eu sai da quadra sem dar atenção ao seus chiliques. Tinha chegado viva ao corredor dos armários e já estava quase chegando a minha sala quando ouço meu nome ser chamado...
– Ally! – Essa era a voz do Austin?
Segundas-feiras, eu ia começar a faltar em todas!
Me virei meio que a contra gosto.
– Eu acho que você deveria ir pegar o pompom da sua namorada e aproveitar pra das uns pega nela, já que você não consegue ficar com essa coisa parada. – Acabei de dizer apontando pro pênis do menino.
– Ally me escuta, eu já disse que não tenho nada com ela. – Algumas garotas que passavam pareciam se interessar por nossa conversa.
– Claro, você só come ela né? Nada de sentimentos.
– Isso é bem envergonhoso, mas...
– Ainda bem que você sabe e...
– Vem cá Ally. – O Loiro então pegou no meu braço e me levou pra um corredor menos movimentado ainda. Ouvi o sino batendo. Bom, agora estava quase tudo deserto.
– Para com...
– Shiiii, quer ser pega? –pronto, agora o louco tinha me puxado pra o quartinho do zelador onde tinha um monte de produtos de limpeza, vassoura, rodo, pano de chão...
–Que romântico. – Eu fui bem irônica. – Agora me deixa sair daqui e...
Do nada o loiro me empurrou pra parede e segurou meus braços.
– Austin você tá me as-sustando.
– Eu já disse pra você parar tentar se afastar de mim.
– Cara, a última vez que você disse isso foi... –Minha voz sumiu, eu me lembrava perfeitamente. – Foi quando eu estava na sua cama. – Minha voz saiu num fio, e eu agora olhava pro chão.
– Eu não “dormir” com a Kira. – Mesmo eu não olhando no seu rosto eu prestava atenção em cada palavra que ele dizia. — Tá, ela me beijou na sua frente e acabou me seguindo até em casa. A gente começou a se pegar e..
– PARA. Eu não quero ouvir como vocês transaram.
– Me escuta... eu não.
– Não! Tipo, para pra pensar Austin. Tá, eu tenho uma queda por você, mas também você é bonito, inteligente, me trata bem e... é claro que eu teria uma queda por você. Toda garota da escola que olha pra você provavelmente tem uma fantasia erótica instantânea. – Dei um risinho de nervosismo e continuei. – Eu não sou igual essas meninas, meu estilo é diferente mas eu quero um namorado que goste de mim e dos meus problemas. Já você só fica com as meninas por ficar, pra fazer sexo. Eu não quero isso pra mim. – Bosta, outra risada nervosa. – Eu adoro te beijar, mas eu não quero ser tratada como todas as outras. Eu ainda acredito naqueles romances imbecis de filmes e livros. Eu... eu sou assim Austin.
– Então quer dizer que você gosta de me beijar?
– Cara, eu abri meu coração pra você e foi só isso que você conseguiu filtrar de todas as informações? – Puts... Fiquei com muita raiva dele eu queria bater muito nele e foi isso que eu fiz já que durante meu discurso ele tinha soltado minhas mãos.
– Ai Ally, para, você tem a mão pesada. – Ele se defendia e ria ao mesmo tempo.
– Austin, como você pode ser tão irritante?
– Ai, ai.. é um dom, ai, natural. – E caia na risada.- Para Ally, eu to falando sério!
Ele agora segurava meus pulsos por cima da minha cabeça.
– Me deixa ir embora, ai você pode trazer outra garota pra cá e ..
– Você não sabe a hora de parar de falar né garota?
Ele olho dentro dos meus olhos e eu fiquei sem reação alguma. Mergulhei dentro daqueles olhos castanhos cor de chocolate e ele foi chegando cada vez mais perto. E nossas respirações começaram a ficar pesadas sendo que nem tínhamos nos tocado ainda. Meus lábios roçavam de leve nos dele, mas o idiota não avançou mais do que aquilo.
– Para com isso. – Eu olhava fixamente pra boca dele.
– Para de fazer o que?
– Isso sempre acontece, a gente fica, da uns beijos e no dia seguinte você vai lá e pega outra.
– Pelo que eu saiba fui eu quem encontrou um certo Elliot te mordendo o pescoço.
– Aquilo... não aconteceu nada entre eu e o Elliot! – Eu me sentia no ridículo dever de me explicar pra ele. Acho que eu queria continuar falando mais porque a cada palavra nossas bocas se tocavam. Aquilo era bom? Sim, aquilo era bom, mas torturante.
Ele chegou mais perto do meu corpo e ainda segurava meus pulsos acima da minha cabeça com o apoio da parede. Meus peitos encostavam no peitoral dele e minha respiração fazia com que os biquinhos tocassem de leve nele.
O infeliz então afastou a boca da minha e eu tentei me soltar de suas mãos já que achava que aquilo tudo tinha acabado. Porém ele me manteve presa. Aquilo me dava uma sensação estranha.
Depois da minha tentativa idiota ele chegou sua boca perto do meu pescoço e roçou o nariz até o pé da minha orelha. Sentir sua respiração daquele jeito estava me matando.
– Austiin...
– O que foi? Não é disso que você gosta?
– De vocês respirando no meu pescoço? Grandes coisas.
Eu já tava com as pernas bambas. A gente estava matando aula trancados num cômodo da escola e seu corpo me torturava.
– Não, disso...
Ele então chupou meu pescoço sem dó.
– Aiiiii. – Ok, aquilo não tinha saído como uma reclamação, mas sim como um gemido. É, foi um gemido....
Ele me mordia e me chupava com muita força.
– Austiiiin...
– Hn..?
– A gente tá na escola, é melhor pararmos e eu disse que não ia ficar com você...
– Você não sabe mesmo quando calar a boca né Ally?
Ele segurou o meu pescoço e pegou minha cintura me colocando grudada a ele. Então ele enfiou a língua dentro da minha boca e em poucos segundos eu fiquei completamente sem ar. Eu tentava corresponder. Tentava...
Meu corpo ficou bambo e tive que me abraçar mais forte e colocar meu peso no corpo do Loiro.
– Já ta sem ar? Pensei que aguentasse mais, que decepção.
Ele então derrubou os produtos de uma das prateleiras e me colocou sentada. Agarrou cada uma das minhas pernas e se pôs entre elas. Então agarrei seu corpo com elas e puxei pra mais perto de mim. Afundei meus dedos nos seus cabelos e voltamos a nos beijar. Aquele foi um dos melhores beijos da minha vida. Esqueci até em que mundo eu estava. Mas então ele parou. Colocou seu rosto no meu pescoço e cabelo enquanto tentava controlar sua respiração. Não que a minha não estivesse totalmente alterada também... Austin colocou suas mãos na altura dos meus seios e, ainda por cima da blusa de uniforme, começou a alisar com os dedos meus mamilos.
Comecei a arfar e a querer..
– Geme Ally? Geme no meu ouvido... baixinho.
– Quem disse que eu quero gemer?
O infeliz então desceu com a boca até onde a pouco tempo suas mãos tocavam. Podia sentir o calor da sua boca por cima da mina blusa e sutiã. Ele me lambia devagar e gentilmente. Desejava estar sem camisa naquele momento e até pensei em tira-la...
Ele me mordiscou.
Gemi.
– Quer que eu pare?
– Não ouse ..
Mas ele parou e voltou a olhar no meu rosto. Pegou minha blusa e começou a me despir devagar e esperava a qualquer momento a minha reprovação.
Eu nada disse.
– Quem está ai dentro?
Eu e o Austin levamos um puta susto. Parecia que um dos funcionários do colégio tinha nos achado e acabado com todo o clima.
Nós certamente íamos nos dar mal.
– Austin, vamos combinar que você só vai ficar comigo quando você quiser me namorar. –Eu olhava pro teto.
– Por que eu TENHO que te namorar?
– Eu quero ser só de alguém e quero que esse alguém seja só meu também.
– Eu tenho medo de namorar uma pessoa e perde-la.
Fiquei de cara com o que ele tinha me dito.
Então a porta se abriu e o zelador começou a dizer um monte de coisas pra gente mas eu não entendia nada. Estava ocupada demais tentando digerir o que ele acabara de me dizer.
Austin POV's
Fomos levados até a Regina. Ela era a diretora e apenas nos mandou pra casa como castigo ficaríamos um dia sem aula. Acho que ela não estava nem ai pro seu trabalho, e juro que senti um cheiro de vinho no ar.
Segui com a Ally até nossa sala de aula e juntamos nossas coisas pra irmos pra casa.
– Ally, espera!
Éramos vizinhos, será que ela não podia me esperar não ? Droga!
Corri para acompanhar o passo dela e agarrei sua mão que ela rapidamente fez questão de afastar de mim.
– O que eu fiz Ally?
– Nada, mas amanhã provavelmente você vai acabar ficando com uma menina na sua casa. Você não deixa escapar uma.
– Para com isso Ally! Você quer que eu fique só com você ? Ok, eu fico só com você.
Ela me olhou pasma. Acho que não acreditava no que eu falava com ela.
– Para de brincar garoto, você não consegue ficar três dias sem beijar ninguém!
– Isso não é verdade!
– Claro. Eu e a sua fama de pegador estamos errados enquanto VOCÊ está certo.
Fiquei puto com o comentário dela mas não sabia o que responder. Voltamos a andar mas não dissemos nada até chegarmos em casa. Cada um foi pra um lado e entrei direto pro meu quarto.
Não demorou muito e minha campainha tocou. O horário da escola tinha acabado e eu pensei que deveria ser o Elliot ou .. ou sei lá mais quem.
– Amor, vim te ver.
Kira?
– O que você quer?
– IIIII tá todo nervosinho porque levou bronca da Regina? Aliás, o que você e a nerd sem sal fizeram? Ah, foda-se. Fiquei sabendo que você não pode ir na aula amanhã por causa do castigo então tive a brilhante ideia de dormir aqui com você e fazermos sexo hoje e amanhã o dia todo o que acha?
Cara!! Cara!! Como assim ?
– Deixa de ser sem noção Kira. Bota uma coisa na sua cabeça: eu não gosto de você e não sou seu namorado. Tchau garota, me deixa em paz.
– Mas... mas Austin! Não acredito que você tá me trocando pela Ally!!!
– Tchau Kira. –Bati a porta na cara da menina. Eu sei que fui rude, mas ela era muito chata e grudenta.
Fique pensando na Ally o resto do dia. De como a gente se beijou naquele quartinho... Eu acho que por ela até valia a pena pensar em namoro. Sei lá. Talvez não fosse ruim. Eu gostava dela né? Então por que não tentar ?
Ally POV's
Trish me ligava mil vezes pra perguntar o que havia acontecido... mas eu não disse nada. Ainda tentava decifrar como ele conseguia mexer assim comigo.
Fiquei um dia mofando no parque. É, eu tinha voltado para aquele parque onde eu tinha beijado o loiro pela primeira vez. Fiquei lá ouvindo música com meus fones de ouvido. E voltei pra casa... dia chato, mas tranquilo.
No outro dia voltei pra escola e o fato de eu e Austin sermos castigados juntos fizeram com que todos fizessem um monte de especulações.
– Você não vai me contar nada mesmo amiga ?
– Vai por mim Trish, não foi grande coisa como o povo anda falando.
– Pena...
– Idiota.
Andava de volta pra sala já que o intervalo tinha acabado e quando vi a sala do zelador me bateu uma nostalgia.
Balancei a minha cabeça e continuei a andar e a seguir o plano de nunca mais falar com o Austin...
– Olha aqui sua ladra de namorados isso não vai ficar barato, se você acha que esse seu namoro de merda vai durar por muito tempo está muito enganada.
Tinha acabado de levar um empurrão da Kira mais insuportável do mundo e batido a cabeça na parede.
– Do que você tá falando garota dos inferno?
– Austin me deu um fora e é claro que a culpa é sua. Mas ele provavelmente só está se divertindo com você, não é nada demais entendeu. Até o final desse ano ele volta a ser meu e..
– Eu não tô nem ai.
– Hã?
– Foda-se Kira!
– Você sabe que eu não vou deixar barato né?! – Ela gritava pra mim enquanto eu andava e ignorava-a. Fui em direção ao banheiro e matei a aula de português lá. Sentei num dos vasos da cabine e tranquei a porta.
Quando eu já ia sai pra não perder mais uma aula vi que meu celular vibrou com uma mensagem recebida:
De: Elliot
Para: Ally
Quer ir na festa da Trish comigo? Como amigos...
Naquele momento eu fiquei com muita vontade de mostrar pra Kira que ela não me afetava. Bom, ela devia estar orgulhosa de si mesma com o fato de eu ter me trancado no banheiro afugentada com sua ameaça de merda.
Decidi que ia aceitar o convite do Elliot. Já havia dois dias que o Austin não falava comigo mesmo... Austin... será que tinha dado o fora na Kira? Mas então por que ele não veio falar nada comigo?
Imaginei então ele entrando na minha casa com um buquê de rosas e me pedindo em namoro. Ai como eu era boba.
Lavei o rosto e tirei aquela ideia da cabeça. Sai do banheiro e sentei no meu lugar de sempre.
Percebi que Austin não conversava mais com Kira e ela tinha se sentado mais afastado dele. A coisa dessa vez parecia realmente séria.
Ele trocava uma ideia com o Elliot e eu olhava tanto pros meus dois pretendentes que nem percebi quando a Trish chegou do meu lado.
– Ally acorda. Não acha que tá perdendo aula demais não? Tá que as suas notas foram as melhores da sala junto com as do Austin, mas mesmo assim... bom – Agora a folgada sentava na minha mesa – Já decidiu com qual fantasia você vai ?
Naquele momento eu tive uma súbita ideia. Ia ser “sexy” e ainda ia mostrar pra todo mundo que eu não tinha medo da Kira.
–Não, não sei ainda. – Fingi que não ia.
–Como assim Ally! Você não vai na minha festa?
Nessa hora Elliot também olhava pra mim confuso. Dei uma piscadela pra ele e me parecia que ele entendeu o recado pois voltou a conversar com o Austin animadamente.
– Não vai me dizer que você tá com medo da vakira?
Nossa, quantos apelidos maldosos a Kira já teve mesmo?
– Claro que eu não to com medo dela.
– Mas ela vai achar isso se você não for.
Nessa hora o professor chegou e, para a minha alegria e sossego, Trish acabou voltando pro seu lugar.
Depois da minha ideia linda até fiquei com vontade de ir nessa festa.
Então mandei uma mensagem resposta pro Elliot :
De: Ally
Para: Elliot
Eu topo de ir na festa contigo... como amigos.
Vi que ele recebeu a mensagem e olhou pra mim dando um sorriso.
Como eu gostava daquele sorriso...
Continua
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