O Preço do Pecado

28 O Reencontro e a Rendição nas Sombras



​A manhã no interior do Brasil nasceu com um céu limpo e o sol dourado cortando a névoa das montanhas. Na casa grande da fazenda Portela, a família estava reunida ao redor da imensa mesa de jacarandá, tomando o café da manhã. Maite estava sentada ao lado de Helena, mexendo em uma xícara de chá com o semblante distante, a mente ainda processando a suspeita avassaladora sobre a gravidez. Gabriel estava do outro lado da mesa, mantendo um silêncio sem jeito após a rejeição da noite anterior.

​O silêncio foi quebrado pelo som pesado de passos vindos do corredor de entrada. Não eram os passos leves dos funcionários da fazenda. Eram pisadas firmes, autoritárias, que faziam o chão vibrar.

​Quando a silhueta alta e massiva cruzou o portal da sala de jantar, o ar pareceu sumir do ambiente. Heitor Laurentis estava ali. Ele vestia uma camisa de linho preta entreaberta no peito, revelando as tatuagens, calça escura e botas. Seu rosto exibia a habitual barba por fazer e os olhos castanhos, embora cansados da viagem transatlântica, brilhavam com uma intensidade febril. Ele não olhou para Otávio, para Helena ou para Gabriel; seus olhos cravaram-se instantaneamente em Maite.

​Maite estancou com a xícara no ar. O choque inicial durou apenas um segundo, sendo imediatamente substituído por uma onda avassaladora de mágoa, humilhação e puro ódio. As palavras duras dele em Chicago — “Você foi um brinquedo divertido” — ecoaram como chicotadas em sua mente.

​Ela largou a xícara com força na mesa, levantou-se sem dizer uma única palavra e caminhou em passos rápidos em direção às portas de vidro que davam para os fundos da propriedade, saindo em direção à mata nativa que cercava a fazenda.

​— Maite! Espera! — Heitor rugiu, a voz grossa ecoando pela sala, ignorando os protestos de Gabriel que tentou se levantar. Heitor saiu no encalço dela, a ignorância do Don ditando o ritmo.

​O Confronto na Mata

​Maite corria pela trilha de terra batida, adentrando a floresta tropical onde as árvores fechavam o teto de folhas. As lágrimas de raiva borravam sua visão, mas o orgulho a impedia de parar.

​— Some da minha vida, Heitor! Me deixa em paz, seu desgraçado! — ela gritou para trás, sem parar de andar, ouvindo os passos pesados dele quebrando os galhos secos logo atrás.

​— Para de correr, boneca! Caralho, me escuta! — Heitor comandava, arfando pela velocidade, a voz ríspida misturando-se com o desespero. — Eu cruzei a porra do oceano para te ver! Para de ser teimosa!

​— Eu não quero te ouvir! Você me jogou fora feito lixo! Me usou! Some daqui antes que eu mesma te mate! — ela berrou, virando-se abruptamente quando ele finalmente a alcançou em uma clareira isolada, cercada por árvores imensas e folhagens densas.

​Heitor estendeu as mãos grandes para segurar os ombros dela. — Eu precisei fazer aquilo, Natasha... Maite... que se foda o nome! Eu precisei!

​No segundo em que as mãos dele tocaram sua pele, o instinto de defesa que ele próprio havia exaurido nos treinos explodiu no corpo de Maite. Ela não recuou. Ela usou a técnica: girou o antebraço com velocidade para dentro, quebrando a pegada de Heitor, e desferiu uma cotovelada firme em direção ao estômago dele.

​Heitor, pego de surpresa pela agilidade da esposa, contraiu o abdômen rígido, absorvendo o impacto com um gemido abafado. — Puta que pariu, você aprendeu mesmo...

​— Eu te odeio! — ela gritou, avançando para desferir a palma da mão direita contra o nariz dele, exatamente como fizera com o infiltrado.

​Desta vez, Heitor foi mais rápido. Ele ergueu o braço esquerdo, bloqueando o golpe dela, e usou o próprio peso corporal para avançar. Ele segurou os dois pulsos de Maite com uma força possessiva e incontestável, arrastando-a três passos para trás até prensar o corpo dela contra o tronco robusto de uma imensa árvore.

​— Me solta, seu bruto! Me solta! — ela se debatia, o peito colado ao dele, os olhos verdes cuspindo fogo.

​Heitor usou uma das mãos para prender os dois pulsos dela acima da cabeça, contra a casca da árvore, enquanto a outra mão subiu para segurar o queixo dela com firmeza, forçando-a a encarar o olhar faminto dele. Ele inclinou o rosto, o hálito quente roçando os lábios dela.

​— Eu não vou te soltar porra nenhuma, você é minha! — ele rosnou, o tom de mafioso possessivo transbordando, mas os olhos dele estavam úmidos. — Escuta o que eu vou te dizer, sua safada teimosa... Eu tive que mentir. Eu tive que quebrar o teu coração e fazer você me odiar para que você entrasse naquele jato sem olhar para trás. O Viktor Petrov tinha espiões na minha casa, ele ia te pegar, Natasha! Ele ia te quebrar no meio só para me ver sangrar!

​Com a mão livre, Maite conseguiu soltar um dos braços da pegada dele e desferiu um tapa violento, estalado, que virou o rosto de Heitor para o lado. O som ecoou pela floresta silenciosa.

​Heitor nem piscou. Ele virou o rosto devagar, a marca vermelha dos dedos dela evidente em sua bochecha, e olhou nos olhos dela com uma mansa e avassaladora sinceridade.

​— Pode bater, bate o quanto quiser se isso aliviar a tua raiva — ele sussurrou, a voz rouca, ríspida de emoção. — Mas escuta a verdade: o Viktor está morto. Eu meti uma bala no meio da testa daquele filho da puta ontem de madrugada. O clã dele acabou. Acabou a ameaça. Eu limpei o meu mundo para poder te trazer de volta. Tudo o que eu disse naquele hospital era verdade... Eu te amo, Natasha. Eu te amo tanto que a minha vida virou um inferno sem você. Você é a minha vida, porra. Minha de verdade.

​Natasha parou de se bater. As palavras dele entraram em seu peito, limpando instantaneamente a queimação do ódio e deixando apenas o amor selvagem que ela tentava reprimir. O semblante rústico dele, suplicando pelo seu perdão, desarmou a última barreira. Um sorriso lento e trêmulo brotou em seus lábios.

​— Você é um idiota, Heitor Laurentis... um bruto desgraçado — ela sussurrou, as lágrimas descendo.

​— Eu sou o teu idiota, boneca — ele respondeu.

​Natasha puxou o pescoço dele para baixo e o beijou. Foi um beijo voraz, faminto, carregado com a saudade sufocante de dias de separação. Suas línguas se encontraram com uma agressividade necessitada, o gosto de ambos misturando-se enquanto Heitor soltava os pulsos dela, permitindo que ela cravasse as unhas em seus ombros largos.

​O Fogo na Floresta

​O desejo acumulado explodiu entre os dois de forma incontrolável ali mesmo, no meio da floresta, sob a copa das árvores. Heitor não quis esperar para voltar para a casa grande. Ele precisava possuí-la, precisava sentir que ela era sua novamente.

​Com a sua habitual pressa e grosseria carnal, Heitor desfez o cinto da calça de Maite, puxando o jeans e a calcinha dela para baixo até a altura dos joelhos. Ele segurou as coxas fartas dela, erguendo o corpo de Natasha com facilidade e forçando-a a entrelaçar as pernas ao redor de sua cintura, mantendo as costas dela apoiadas contra o tronco áspero da árvore.

​Natasha soltou um gemido agudo quando sentiu as mãos grandes dele apertarem suas nádegas com força possessiva, cravando os dedos na carne macia. Heitor desfez o zíper da própria calça, libertando sua rigidez impressionante e pulsante. Ele não usou preliminares lentas; a urgência era mútua. Ele se posicionou e, com um único impulso bruto do quadril, a invadiu por inteiro, penetrando-a até o limite em uma estocada profunda.

​— Ah! Heitor! — Natasha deu um grito alto, jogando a cabeça para trás contra a árvore, os olhos se fechando enquanto os músculos de sua intimidade se contraíam fortemente ao redor dele, recebendo o calor avassalador do marido.

​— Puta que pariu, Natasha... você é tão apertada, caralho... — Heitor rosnou entre dentes, a voz grossa de puro tesão, o suor começando a brotar em sua testa. Ele iniciou um ritmo implacável e selvagem, sustentando o peso dela no ar enquanto desferia estocadas secas, rápidas e ruidosas.

​O som dos corpos se chocando e os gemidos ecoavam pela clareira. Natasha segurava o pescoço dele com força, enterrando o rosto no peito de Heitor, sentindo o cheiro rústico de testosterona e couro que tanto sentira falta, o aroma que afastava toda a náusea do seu corpo. Ela movia o quadril em sincronia, entregando-se àquela possessão explícita.

​— Mais forte, Heitor... me fode, por favor... diz que eu sou sua — ela implorava, a vulgaridade do jogo deles incendiando ainda mais o mafioso.

​— Você é minha, porra! Minha cadela, minha esposa... o meu mundo inteiro — ele sibilou, usando as palavras sujas que ela amava ouvir no ápice do prazer. Heitor mudou a posição, descendo-a e virando-a de costas contra a árvore. Ele segurou o cabelo castanho dela com uma das mãos, puxando levemente para trás para expor o pescoço, enquanto a outra mão espalmava suas costas. Ele a penetrou por trás com uma agressividade animal, cada golpe fazendo o corpo dela se curvar diante dele.

​O prazer subiu como uma avalanche de fogo. Natasha sentiu as paredes de seu corpo prenderem o membro dele em um espasmo violento, indicando o orgasmo iminente. Ela soltou um grito sôfrego, entregando-se ao ápice carnal que a fez tremer por inteiro. Sentindo o aperto letal da esposa, Heitor deu três estocadas finais, profundas e viscerais, soltando um rosnado grosso antes de descarregar todo o seu sêmen quente dentro dela, preenchendo-a por completo enquanto segurava o quadril dela junto ao seu.

​Minutos depois, a respiração de ambos era o único som na clareira. Heitor ajeitou as roupas de Natasha com cuidado, os nós dos dedos ainda enfaixados roçando a pele dela com uma doçura rara. Ele a puxou para o seu abraço, colando a testa na dela, os olhos castanhos transbordando o amor rústico que os definia.

​— Nós vamos voltar para casa, boneca — ele sussurrou, limpando uma mecha de cabelo do rosto dela. — Chicago é nossa. Você nunca mais vai sair do meu lado.

​Natasha sorriu, abraçando a cintura dele, sentindo-se finalmente completa. Ela olhou para o marido, decidindo que contaria sobre a suspeita do bebê assim que estivessem seguros no jato, sabendo que o lobo de Chicago agora tinha mais um motivo para proteger a dinastia que eles estavam construindo.